Consultor_MarcusTeshainer

Pedalar, um dever do Estado um direito do cidadão

Caminhada · 04 jul, 2005

Nessa semana estava pensando no tema do meu artigo quando li a noticia de que a prefeitura da USP, apesar de ter acenado com uma possível negociação, reafirmou a proibição de entrada de bicicletas na Cidade Universitária. Então, por mais que eu pensasse em problemas referentes a Psicologia, este se tornou mais urgente e não poderia deixar de compartilhar com os diversos atletas que me lêem a minha indignação.

Pouco tempo atrás os ciclistas, na portaria número um da cidade universitária, bradavam:

- Não à repressão! Não à repressão!

E eu, no meu íntimo, também bradava.

- Por que não a educação? Por que não a educação?

Temos de levar em conta que os ciclistas, representados por alguns poucos, não respeitam as mínimas normas do bom convívio e andam em grupos sim, mas ao admitirmos isso temos de questionar o quanto esse comportamento agressivo e gregário dos ciclistas não é uma reação ao comportamento desrespeitoso de muitos motoristas? Será que os ciclistas não se uniram para se protegerem?

Considerando esses dois lados eu só conseguia ver que a única solução possível, observando as características da Universidade que está dentro desta cidade universitária, seriam medidas educacionais. Mas não, tristemente, a escolha foi feita por medidas repressivas.

A USP tem um dever social e comunitário, ela tem no seu campus faculdades de psicologia, educação, esportes e educação física, investe tempo, dinheiro e pesquisa para afirmar que esporte faz bem para o cidadão, para a educação do povo, para a reabilitação física e psicológica do doente, para melhorar a prática e o desempenho de profissionais do esporte. Ou seja, as unidades da USP dizem em seus rios de tinta que o esporte faz bem para todos. Porém, a atitude da universidade, representada por seu prefeito, é proibir a prática do esporte, o que é demais contraditório em relação a tudo o que a USP produz, e é contraditório com o seu papel social, que é educar o cidadão. E sabemos, pois temos exemplos, que não é reprimindo que se educa. Um amigo me disse sarcasticamente:

- Você não entendeu, em vez do método Piaget a USP escolheu o método Pinochet.

Triste constatação. O que me leva a pensar que o prefeito e todos os representantes da prefeitura não conhecem o termo Educação, não prezam por ela, e não acreditam nos seus efeitos, e em vez de resolverem os problemas internos à cidade universitária com medidas educacionais, que são, sem dúvida, mais dispendiosos, mas também mais condizentes com o papel da USP, optaram por medidas repressivas, que não condizem em nada com o papel a que a USP se propõe.

Fico pensando: tanto tempo gasto, tanta reunião, tanto disse isso disse aquilo em torno dos ciclistas. Parece que este é o maior problema da Cidade Universitária. Acredito que discutir um problema importante como este é uma forma de acobertar outros problemas que a Prefeitura da Cidade Universitária não consegue resolver, como a favela que é sua vizinha e que foi, de certo modo, criada pela própria cidade universitária, as crianças que guardam carro, esmolam, fazem pequenos furtos, o tráfico que entorpece alguns alunos, o desemprego que faz com que alguns continuem morando na favela. Esses são problemas que a USP não quer ver, e nos quais o esporte até poderia ajudar, como acreditam alguns projetos sociais que existem dentro da própria Cidade Universitária, mas a Prefeitura da Cidade Universitária que, repito, não entende nada de Educação, prefere ficar alheia para se preocupar com aqueles que querem pedalar nas suas ruas e alamedas.

A proibição das bicicletas na USP é uma forma vil de mostrar a ignorância e a incompetência da prefeitura do campus.


Pedalar, um dever do Estado um direito do cidadão

Caminhada · 04 jul, 2005

Nessa semana estava pensando no tema do meu artigo quando li a noticia de que a prefeitura da USP, apesar de ter acenado com uma possível negociação, reafirmou a proibição de entrada de bicicletas na Cidade Universitária. Então, por mais que eu pensasse em problemas referentes a Psicologia, este se tornou mais urgente e não poderia deixar de compartilhar com os diversos atletas que me lêem a minha indignação.

Pouco tempo atrás os ciclistas, na portaria número um da cidade universitária, bradavam:

- Não à repressão! Não à repressão!

E eu, no meu íntimo, também bradava.

- Por que não a educação? Por que não a educação?

Temos de levar em conta que os ciclistas, representados por alguns poucos, não respeitam as mínimas normas do bom convívio e andam em grupos sim, mas ao admitirmos isso temos de questionar o quanto esse comportamento agressivo e gregário dos ciclistas não é uma reação ao comportamento desrespeitoso de muitos motoristas? Será que os ciclistas não se uniram para se protegerem?

Considerando esses dois lados eu só conseguia ver que a única solução possível, observando as características da Universidade que está dentro desta cidade universitária, seriam medidas educacionais. Mas não, tristemente, a escolha foi feita por medidas repressivas.

A USP tem um dever social e comunitário, ela tem no seu campus faculdades de psicologia, educação, esportes e educação física, investe tempo, dinheiro e pesquisa para afirmar que esporte faz bem para o cidadão, para a educação do povo, para a reabilitação física e psicológica do doente, para melhorar a prática e o desempenho de profissionais do esporte. Ou seja, as unidades da USP dizem em seus rios de tinta que o esporte faz bem para todos. Porém, a atitude da universidade, representada por seu prefeito, é proibir a prática do esporte, o que é demais contraditório em relação a tudo o que a USP produz, e é contraditório com o seu papel social, que é educar o cidadão. E sabemos, pois temos exemplos, que não é reprimindo que se educa. Um amigo me disse sarcasticamente:

- Você não entendeu, em vez do método Piaget a USP escolheu o método Pinochet.

Triste constatação. O que me leva a pensar que o prefeito e todos os representantes da prefeitura não conhecem o termo Educação, não prezam por ela, e não acreditam nos seus efeitos, e em vez de resolverem os problemas internos à cidade universitária com medidas educacionais, que são, sem dúvida, mais dispendiosos, mas também mais condizentes com o papel da USP, optaram por medidas repressivas, que não condizem em nada com o papel a que a USP se propõe.

Fico pensando: tanto tempo gasto, tanta reunião, tanto disse isso disse aquilo em torno dos ciclistas. Parece que este é o maior problema da Cidade Universitária. Acredito que discutir um problema importante como este é uma forma de acobertar outros problemas que a Prefeitura da Cidade Universitária não consegue resolver, como a favela que é sua vizinha e que foi, de certo modo, criada pela própria cidade universitária, as crianças que guardam carro, esmolam, fazem pequenos furtos, o tráfico que entorpece alguns alunos, o desemprego que faz com que alguns continuem morando na favela. Esses são problemas que a USP não quer ver, e nos quais o esporte até poderia ajudar, como acreditam alguns projetos sociais que existem dentro da própria Cidade Universitária, mas a Prefeitura da Cidade Universitária que, repito, não entende nada de Educação, prefere ficar alheia para se preocupar com aqueles que querem pedalar nas suas ruas e alamedas.

A proibição das bicicletas na USP é uma forma vil de mostrar a ignorância e a incompetência da prefeitura do campus.

Clareie os seus objetivos de treino

Atletismo · 23 jun, 2005

Qual é o seu objetivo em treinar a sua modalidade esportiva? Quantas vezes você já se fez esta pergunta? Quantas vezes já te fizeram esta pergunta? Quantas vezes você a respondeu com sinceridade?

Todos nós, que praticamos uma atividade física, temos um objetivo com ela, podemos não saber ao certo qual é, ou ao menos podemos não saber dizer, mas o que nos motiva a levantar de madrugada para encontrar um monte de gente que se põe a correr? Correr de quem? Correr para que?

Se fizermos um inventário nas nossas vidas e descobrirmos o que nos motiva a praticar determinado esporte encontraremos, muito provavelmente, o nosso objetivo com esta prática.

Torna-se importante, então ter clareza qual é o nosso objetivo para termos consciência se estamos ou não atingindo, e claro! Não há nada mais motivador do que alcançar um objetivo.

Os objetivos podem ser inúmeros, desde vencer uma determinada prova, passando por diminuir o seu tempo pessoal, até mesmo arrumar um motivo saudável para encontrar com os amigos, quero dizer: existem tantos objetivos, quanto existem pessoas que praticam esporte.

Durante nossos treinamentos, muitos tentarão nos convencer deste ou daquele objetivo, alguns nos dirão que devemos participar de uma prova, outros nos dirão que devemos diminuir nosso tempo, mas ai vos pergunto: É este seu objetivo? Ou seu objetivo é somente uma qualidade melhor de vida? Ou apenas encontrar com os amigos?

Tendo clareza dos nossos objetivos, nossa comunicação com os técnicos e parceiros de treino torna-se mais eficiente e clara, em conseqüência nosso prazer na atividade aumenta, pois se meu objetivo é somente perder peso, por exemplo, não ficarei triste por não ter ganhado uma prova que participei, mas ficarei feliz com alguns quilos a menos.

É importante então sempre checarmos o quanto estamos nos encaminhando para os objetivos que desejamos, pois assim nos motivaremos a busca-lo e alcançá-lo. Porém temos de ter clareza também que nossos objetivos podem mudar, ou por que o alcançamos ou por que nossa vida mudou, e com isso temos de nos flexibilizar para sempre acompanharmos as dinâmicas da vida.


Clareie os seus objetivos de treino

Atletismo · 23 jun, 2005

Qual é o seu objetivo em treinar a sua modalidade esportiva? Quantas vezes você já se fez esta pergunta? Quantas vezes já te fizeram esta pergunta? Quantas vezes você a respondeu com sinceridade?

Todos nós, que praticamos uma atividade física, temos um objetivo com ela, podemos não saber ao certo qual é, ou ao menos podemos não saber dizer, mas o que nos motiva a levantar de madrugada para encontrar um monte de gente que se põe a correr? Correr de quem? Correr para que?

Se fizermos um inventário nas nossas vidas e descobrirmos o que nos motiva a praticar determinado esporte encontraremos, muito provavelmente, o nosso objetivo com esta prática.

Torna-se importante, então ter clareza qual é o nosso objetivo para termos consciência se estamos ou não atingindo, e claro! Não há nada mais motivador do que alcançar um objetivo.

Os objetivos podem ser inúmeros, desde vencer uma determinada prova, passando por diminuir o seu tempo pessoal, até mesmo arrumar um motivo saudável para encontrar com os amigos, quero dizer: existem tantos objetivos, quanto existem pessoas que praticam esporte.

Durante nossos treinamentos, muitos tentarão nos convencer deste ou daquele objetivo, alguns nos dirão que devemos participar de uma prova, outros nos dirão que devemos diminuir nosso tempo, mas ai vos pergunto: É este seu objetivo? Ou seu objetivo é somente uma qualidade melhor de vida? Ou apenas encontrar com os amigos?

Tendo clareza dos nossos objetivos, nossa comunicação com os técnicos e parceiros de treino torna-se mais eficiente e clara, em conseqüência nosso prazer na atividade aumenta, pois se meu objetivo é somente perder peso, por exemplo, não ficarei triste por não ter ganhado uma prova que participei, mas ficarei feliz com alguns quilos a menos.

É importante então sempre checarmos o quanto estamos nos encaminhando para os objetivos que desejamos, pois assim nos motivaremos a busca-lo e alcançá-lo. Porém temos de ter clareza também que nossos objetivos podem mudar, ou por que o alcançamos ou por que nossa vida mudou, e com isso temos de nos flexibilizar para sempre acompanharmos as dinâmicas da vida.

Respire melhor e se conheça melhor

Atletismo · 02 fev, 2005

Mais uma vez vamos tratar da respiração, pois respirar não só traz oxigênio para os nosso pulmões, como também ajuda a trabalhar nossa mente e conhecer melhor nosso organismo. E também devemos considerar que a respiração é algo que normalmente colocamos pouca ou nenhuma atenção.

Você sabia que normalmente respiramos meio litro de ar, quando nossa real capacidade é de quatro litros por respiração? Através dela podemos controlar a ansiedade, diminuir a agressividade em um momento de explosão, controlar também o medo...Assim como, nos ajuda a ter uma maior concentração e centramento para os desafios no dia-a-dia.

No caso da corrida, podemos fazer uso da mesma para controlarmos nossa freqüência cardíaca. Caso você não faça uso de um pulsimetro ou tenha contratado um Personal trainer, você pode respeitar a sua condição física, prestando atenção em sua respiração.

Quando iniciamos uma corrida entramos em déficit de oxigênio, logo depois há um estado de equilíbrio no ritmo da respiração, caso você não alcance este estado de equilíbrio e continue muito ofegante, deverá diminuir o ritmo da corrida.

Outra dica que a respiração nos oferece é quando finalizamos a corrida, é necessário diminuir o ritmo pausadamente, pois a pausa imediata poderá até causar parada cardíaca, é importante após a corrida andar até que a respiração novamente se normalize, ou seja, a quantidade de oxigênio seja regulada para a quantidade de esforço empregada.

Preste atenção na respiração enquanto corre, só o fato de você estar atento a ela demonstra que você está concentrado no exercício que você está fazendo, e o que é mais importante, que você está controlando o seu corpo, o seu treino ou prova, e não está se deixando levar por eventos externos.

Os atletas que controlam o seu treino ou prova pelo ritmo do seu corpo atingem melhores resultados do que aqueles que se regulam por outros atletas, a explicação é simples: sobre o seu corpo e seu treino você tem total controle, sobre o treino do outro nenhum. Isso quer dizer que em uma prova longa, uma maratona um triatlon, estabeleça uma estratégia de prova, e ao ser ultrapassado confie na sua estratégia, no seu corpo e no seu treinamento, você não precisa ir “buscar”.

No dia-a-dia a respiração feita com qualidade também pode nos ajudar a ter uma maior condição para corrida, pois respirando melhor estará: oxigenando melhor todo o seu corpo, ficando menos estressado, com maior capacidade cerebral e lógico com maior disposição para realizar seus exercícios físicos.

Os orientais acreditam que quando uma pessoa nasce lhe é designado um número exato de respirações para esta vida, ou seja, vive mais quem mais devagar e preenchendo os pulmões respirar. Pense nisso!

Colaboração: Colaborou com esse artigo a Psicóloga do Esporte e Educadora Física, Melissa Veloso. Ela atende em consultório particular e atua no Tênis Clube Paulista.


Respire melhor e se conheça melhor

Atletismo · 02 fev, 2005

Mais uma vez vamos tratar da respiração, pois respirar não só traz oxigênio para os nosso pulmões, como também ajuda a trabalhar nossa mente e conhecer melhor nosso organismo. E também devemos considerar que a respiração é algo que normalmente colocamos pouca ou nenhuma atenção.

Você sabia que normalmente respiramos meio litro de ar, quando nossa real capacidade é de quatro litros por respiração? Através dela podemos controlar a ansiedade, diminuir a agressividade em um momento de explosão, controlar também o medo...Assim como, nos ajuda a ter uma maior concentração e centramento para os desafios no dia-a-dia.

No caso da corrida, podemos fazer uso da mesma para controlarmos nossa freqüência cardíaca. Caso você não faça uso de um pulsimetro ou tenha contratado um Personal trainer, você pode respeitar a sua condição física, prestando atenção em sua respiração.

Quando iniciamos uma corrida entramos em déficit de oxigênio, logo depois há um estado de equilíbrio no ritmo da respiração, caso você não alcance este estado de equilíbrio e continue muito ofegante, deverá diminuir o ritmo da corrida.

Outra dica que a respiração nos oferece é quando finalizamos a corrida, é necessário diminuir o ritmo pausadamente, pois a pausa imediata poderá até causar parada cardíaca, é importante após a corrida andar até que a respiração novamente se normalize, ou seja, a quantidade de oxigênio seja regulada para a quantidade de esforço empregada.

Preste atenção na respiração enquanto corre, só o fato de você estar atento a ela demonstra que você está concentrado no exercício que você está fazendo, e o que é mais importante, que você está controlando o seu corpo, o seu treino ou prova, e não está se deixando levar por eventos externos.

Os atletas que controlam o seu treino ou prova pelo ritmo do seu corpo atingem melhores resultados do que aqueles que se regulam por outros atletas, a explicação é simples: sobre o seu corpo e seu treino você tem total controle, sobre o treino do outro nenhum. Isso quer dizer que em uma prova longa, uma maratona um triatlon, estabeleça uma estratégia de prova, e ao ser ultrapassado confie na sua estratégia, no seu corpo e no seu treinamento, você não precisa ir “buscar”.

No dia-a-dia a respiração feita com qualidade também pode nos ajudar a ter uma maior condição para corrida, pois respirando melhor estará: oxigenando melhor todo o seu corpo, ficando menos estressado, com maior capacidade cerebral e lógico com maior disposição para realizar seus exercícios físicos.

Os orientais acreditam que quando uma pessoa nasce lhe é designado um número exato de respirações para esta vida, ou seja, vive mais quem mais devagar e preenchendo os pulmões respirar. Pense nisso!

Colaboração: Colaborou com esse artigo a Psicóloga do Esporte e Educadora Física, Melissa Veloso. Ela atende em consultório particular e atua no Tênis Clube Paulista.

No meio do caminho eu quebrei… e agora?

Atletismo · 23 nov, 2004

Outro dia fui perguntado por um amigo que corre maratonas, sobre o que fazer depois de ficar um tempo sem treinar. Na verdade, o problema é que esse amigo se sentia muito frustrado com os tempos que ele vinha fazendo desde que retornou e que eram bem inferiores aos tempos que fazia anteriormente.

Eu já tratei desse assunto em artigos anteriores, mas ele é um tema importante em psicologia do esporte, pois afeta não só o atleta profissional, mas também o amador, que está sempre verificando seus tempos e seu desempenho.

O que acontece é que, após uma lesão ou problemas pessoais que afastam o atleta do treinamento por um período longo, o desempenho invariavelmente cai mas o que fica registrado na memória do atleta é o seu desempenho máximo. Assim, para o atleta ele é aquele que pode fazer um tempo x e por isso é insuportável conviver com seu corpo fazendo um tempo x/2.

Podemos pensar como se estivéssemos numa estrada, onde o destino é o melhor tempo. Nesse percurso gastamos horas e horas rodando e cada vez mais nos aproximamos do nosso destino. Porém, em algum momento, esse carro quebra, e muitas vezes quebra quando estamos próximos de chegar ao nosso objetivo. Diferentemente de um carro comum, que fica parado e apenas atrasa a viagem, nosso corpo se comporta como se o carro retornasse, voltasse para trás. É realmente muito frustrante.

Nesse momento, o trabalho de um psicólogo é imprescindível, pois ele deve montar junto com o técnico, um novo esquema de treino, no qual o objetivo não é mais a “cidade” que se queria chegar, mas o local onde o carro quebrou.

Por isso, tendo como foco os tempos de prova que se fazia no momento em que se parou de treinar, o melhor é construir um planejamento com metas de curto prazo, ou seja, traçar metas fáceis de serem alcançadas semanalmente, fazer uma checagem com metas de dificuldade média, quinzenalmente ou mensalmente. E, mais ou menos a cada três ou quatro checagens de dificuldade média, fazer uma checagem de dificuldade grande, ou seja, no caso do meu amigo maratonista, verificar o tempo de uma maratona ou de meia maratona.

Uma das coisas mais importantes nesse trabalho é a comunicação com o atleta, ou seja, o técnico deve informar todas as suas expectativas a ele, dizendo quanto é o tempo que ele espera que o atleta faça em tal e qual semana, informar que se ele fizer tudo de acordo como o que o técnico espera, alcançará o objetivo em determinado tempo. Quando alguma coisa acontece, como por exemplo, o atleta não alcançar o tempo esperado naquela semana, o técnico deve rever as metas, e, se isso causar uma variação no tempo final, deve ser comunicado ao atleta.

Informar o tempo e afirmar sempre ao atleta onde ele está no treinamento é a melhor forma de evitar a frustração. E estabelecer metas em curto prazo é a melhor forma do atleta sentir-se vitorioso a cada semana.


No meio do caminho eu quebrei… e agora?

Atletismo · 23 nov, 2004

Outro dia fui perguntado por um amigo que corre maratonas, sobre o que fazer depois de ficar um tempo sem treinar. Na verdade, o problema é que esse amigo se sentia muito frustrado com os tempos que ele vinha fazendo desde que retornou e que eram bem inferiores aos tempos que fazia anteriormente.

Eu já tratei desse assunto em artigos anteriores, mas ele é um tema importante em psicologia do esporte, pois afeta não só o atleta profissional, mas também o amador, que está sempre verificando seus tempos e seu desempenho.

O que acontece é que, após uma lesão ou problemas pessoais que afastam o atleta do treinamento por um período longo, o desempenho invariavelmente cai mas o que fica registrado na memória do atleta é o seu desempenho máximo. Assim, para o atleta ele é aquele que pode fazer um tempo x e por isso é insuportável conviver com seu corpo fazendo um tempo x/2.

Podemos pensar como se estivéssemos numa estrada, onde o destino é o melhor tempo. Nesse percurso gastamos horas e horas rodando e cada vez mais nos aproximamos do nosso destino. Porém, em algum momento, esse carro quebra, e muitas vezes quebra quando estamos próximos de chegar ao nosso objetivo. Diferentemente de um carro comum, que fica parado e apenas atrasa a viagem, nosso corpo se comporta como se o carro retornasse, voltasse para trás. É realmente muito frustrante.

Nesse momento, o trabalho de um psicólogo é imprescindível, pois ele deve montar junto com o técnico, um novo esquema de treino, no qual o objetivo não é mais a “cidade” que se queria chegar, mas o local onde o carro quebrou.

Por isso, tendo como foco os tempos de prova que se fazia no momento em que se parou de treinar, o melhor é construir um planejamento com metas de curto prazo, ou seja, traçar metas fáceis de serem alcançadas semanalmente, fazer uma checagem com metas de dificuldade média, quinzenalmente ou mensalmente. E, mais ou menos a cada três ou quatro checagens de dificuldade média, fazer uma checagem de dificuldade grande, ou seja, no caso do meu amigo maratonista, verificar o tempo de uma maratona ou de meia maratona.

Uma das coisas mais importantes nesse trabalho é a comunicação com o atleta, ou seja, o técnico deve informar todas as suas expectativas a ele, dizendo quanto é o tempo que ele espera que o atleta faça em tal e qual semana, informar que se ele fizer tudo de acordo como o que o técnico espera, alcançará o objetivo em determinado tempo. Quando alguma coisa acontece, como por exemplo, o atleta não alcançar o tempo esperado naquela semana, o técnico deve rever as metas, e, se isso causar uma variação no tempo final, deve ser comunicado ao atleta.

Informar o tempo e afirmar sempre ao atleta onde ele está no treinamento é a melhor forma de evitar a frustração. E estabelecer metas em curto prazo é a melhor forma do atleta sentir-se vitorioso a cada semana.

Olimpíadas, Gugas, Daianes e outras lesões.

Atletismo · 13 set, 2004

Há pouco tempo as olimpíadas terminaram, junto com ela muitas surpresas e algumas decepções, uma delas talvez seja o Guga, que depois de uma lesão nunca mais jogou como o primeiro do mundo, titulo que havia alcançado.

Essa derrota do Guga no primeiro jogo olímpico me fez lembrar de um momento dos mais difíceis para o atleta e para a equipe técnica , a recuperação de uma lesão após um longo período de repouso.

Esse tema não é exclusivo de atletas de alto nível, como o Guga; me lembro do pai de um amigo que reclamava que corria a 4 min o Km e, depois de uma lesão, e ter parado seis meses de correr, não passa o Km a menos de 5:30 min, e o quanto ele se sente frustrado.

Não estamos falando a respeito de um atleta de alto nível correto? Mas a dor, que já não é mais da lesão, é a mesma da do Guga - “eu não consigo mais, eu não sou mais o mesmo atleta que era antes” – é isso que comumente ouvimos e que as vezes levam algumas pessoas a largarem seus treinos.

Acredito que esse seja um dos momentos mais importantes no trabalho de um Psicólogo do Esporte, trazer a pessoa de volta aos treinos, diminuir a ansiedade da equipe técnica e do atleta.

Quando acontece um longo período de repouso o atleta apresenta uma perda de rendimento considerável, nesse caso há duas experiências subjetivas que devem ser consideradas: a primeira é que o sujeito sabe o quanto ele teve de suar para abaixar um segundo de seu tempo, a segunda é que na memória do atleta está registrado o último tempo que ele fez, e que na maioria das vezes marca o seu período de melhor rendimento. As lesões muitas vezes acontecem no ápice do treinamento, que é o período de maior estresse.

A vontade do atleta no primeiro dia de treino é dar um tiro e repetir seu melhor tempo, mas sabemos que se tentar isso provavelmente terá outra lesão, pois estará se esforçando além do seu limite, e estará exigindo de um corpo que não está totalmente recuperado.

Ainda temos a equipe técnica que apostou trabalho e esforço para que o atleta atingisse melhores resultados e em seu retorno o atleta refaz o trabalho de base enquanto outros então em período competitivo, a sensação da equipe técnica é de trabalho jogado fora.

O retorno aos treinos após uma lesão não é um período fácil para ninguém, e o atleta principalmente se cobrará e será muito cobrado por resultados que, nesse período, é incapaz de atingir.

O trabalho de um bom psicólogo do esporte é imprescindível nesse momento, para diminuir as expectativas do atleta e da equipe técnica.

Vamos lembrar de uma de nossas promessas de medalha na Ginástica Olímpica: Daiane dos Santos tinha acabado de se recuperar de uma lesão, que provavelmente a impediu de treinar por algum período e que foi cobrada pelo seu máximo em uma competição que aconteceu muito próximo de sua recuperação. Precisamos ser menos severos com a “gauchinha”, precisamos ser menos severos com nós mesmos.


Olimpíadas, Gugas, Daianes e outras lesões.

Atletismo · 13 set, 2004

Há pouco tempo as olimpíadas terminaram, junto com ela muitas surpresas e algumas decepções, uma delas talvez seja o Guga, que depois de uma lesão nunca mais jogou como o primeiro do mundo, titulo que havia alcançado.

Essa derrota do Guga no primeiro jogo olímpico me fez lembrar de um momento dos mais difíceis para o atleta e para a equipe técnica , a recuperação de uma lesão após um longo período de repouso.

Esse tema não é exclusivo de atletas de alto nível, como o Guga; me lembro do pai de um amigo que reclamava que corria a 4 min o Km e, depois de uma lesão, e ter parado seis meses de correr, não passa o Km a menos de 5:30 min, e o quanto ele se sente frustrado.

Não estamos falando a respeito de um atleta de alto nível correto? Mas a dor, que já não é mais da lesão, é a mesma da do Guga - “eu não consigo mais, eu não sou mais o mesmo atleta que era antes” – é isso que comumente ouvimos e que as vezes levam algumas pessoas a largarem seus treinos.

Acredito que esse seja um dos momentos mais importantes no trabalho de um Psicólogo do Esporte, trazer a pessoa de volta aos treinos, diminuir a ansiedade da equipe técnica e do atleta.

Quando acontece um longo período de repouso o atleta apresenta uma perda de rendimento considerável, nesse caso há duas experiências subjetivas que devem ser consideradas: a primeira é que o sujeito sabe o quanto ele teve de suar para abaixar um segundo de seu tempo, a segunda é que na memória do atleta está registrado o último tempo que ele fez, e que na maioria das vezes marca o seu período de melhor rendimento. As lesões muitas vezes acontecem no ápice do treinamento, que é o período de maior estresse.

A vontade do atleta no primeiro dia de treino é dar um tiro e repetir seu melhor tempo, mas sabemos que se tentar isso provavelmente terá outra lesão, pois estará se esforçando além do seu limite, e estará exigindo de um corpo que não está totalmente recuperado.

Ainda temos a equipe técnica que apostou trabalho e esforço para que o atleta atingisse melhores resultados e em seu retorno o atleta refaz o trabalho de base enquanto outros então em período competitivo, a sensação da equipe técnica é de trabalho jogado fora.

O retorno aos treinos após uma lesão não é um período fácil para ninguém, e o atleta principalmente se cobrará e será muito cobrado por resultados que, nesse período, é incapaz de atingir.

O trabalho de um bom psicólogo do esporte é imprescindível nesse momento, para diminuir as expectativas do atleta e da equipe técnica.

Vamos lembrar de uma de nossas promessas de medalha na Ginástica Olímpica: Daiane dos Santos tinha acabado de se recuperar de uma lesão, que provavelmente a impediu de treinar por algum período e que foi cobrada pelo seu máximo em uma competição que aconteceu muito próximo de sua recuperação. Precisamos ser menos severos com a “gauchinha”, precisamos ser menos severos com nós mesmos.

Correr para um mundo mais solidário

Atletismo · 12 ago, 2004

Há um tempo atrás eu estava lendo uma revista especializada em corrida e me deparei com um artigo no qual o autor listava algumas coisas que não gostava que acontecessem durante a sua corrida. Dentre essas coisas citava encontrar com pessoas que corriam lentamente, ou que tinham a corrida como uma atividade social e, assim, encontram os amigos e conversam enquanto praticam.

Pensei, quando li a matéria: “que chato!”, e remeti meus pensamentos diretamente para o pessoal que vai jogar uma pelada com os amigos, situação em que o mais importante é o encontro do que o os gols marcados. Alias, os gols, marcados por eles e pelos seus times, são motivos para novas conversas.

Pensei, por um momento, que essa reclamação provavelmente vinha de um atleta profissional que corre fortíssimo e que tem índices para as principais provas internacionais. Abandonei essa idéia ao concluir que um cara desses não iria treinar nos horários e nos dias de maior concentração de pessoas nos parques e nas ruas onde as hobbistas costumam treinar.

Mas, na verdade, eu estou perdendo muito tempo com o autor desse texto e deixando de comentar o meu tema do mês – O Esporte como Laser.

Muitas pessoas treinam os mais variados esportes somente por hobby, por lazer. Talvez o futebol seja o mais praticado. Quantos maridões não deixam suas esposas em casa para jogar uma peladinha no sábado? Muitos. O que estamos vendo hoje em dia é um aumento de pessoas que estão correndo como atividade social ou de lazer, para encontrar os amigos e refrescar as idéias (talvez tenham sido as esposas dos maridões que jogam futebol no sábado que cansaram de ficar em casa e iniciaram o movimento) e se isso não traz todos os benéficos físicos que uma modalidade esportiva pode trazer - pela baixa freqüência, pela reduzida disciplina, até pelo desgosto por treinos técnicos - os benefícios psicológicos são inúmeros, e é disso que estamos falando.

Imaginemos como é importante para todos se sentirem incluídos e pertencentes a um grupo. Como é bom termos amigos que conversem coisas semelhantes às nossas. Como é melhor ainda sentir que se está fazendo algum benefício para a sua saúde e dedicando um tempo livre. Pois então, acredito que não há discórdia sobre o quanto é bom integrar todos esses fatores, e a corrida os integra, e, por isso, as pessoas sentem-se tão bem correndo. É um momento no qual o sujeito pensa em sua vida, em sua saúde, em suas amizades e investe nelas.

Quantas pessoas não começam a correr e, logo em seguida, mudam sua alimentação, deixam de fumar, dormem melhor, emagrecem e conseqüentemente ficam mais felizes consigo? E ainda conseguem um novo tema para conversar entre amigos, não se restringindo apenas às desgraças e sucessos do trabalho e da vida cotidiana, passam a falar de tal e tal prova, do tempo que fez. Seu repertório de bate-papo aumenta e seu ciclo de amizades vai no embalo.

Ora! Precisamos respeitar os corredores esporádicos. Eles estão se beneficiando da corrida tanto quanto nós, que não somos atletas de elite nem profissionais. Cada um se beneficia de seu jeito e isso ajuda ou não a fazer um mundo mais solidário e menos solitário?


Correr para um mundo mais solidário

Atletismo · 12 ago, 2004

Há um tempo atrás eu estava lendo uma revista especializada em corrida e me deparei com um artigo no qual o autor listava algumas coisas que não gostava que acontecessem durante a sua corrida. Dentre essas coisas citava encontrar com pessoas que corriam lentamente, ou que tinham a corrida como uma atividade social e, assim, encontram os amigos e conversam enquanto praticam.

Pensei, quando li a matéria: “que chato!”, e remeti meus pensamentos diretamente para o pessoal que vai jogar uma pelada com os amigos, situação em que o mais importante é o encontro do que o os gols marcados. Alias, os gols, marcados por eles e pelos seus times, são motivos para novas conversas.

Pensei, por um momento, que essa reclamação provavelmente vinha de um atleta profissional que corre fortíssimo e que tem índices para as principais provas internacionais. Abandonei essa idéia ao concluir que um cara desses não iria treinar nos horários e nos dias de maior concentração de pessoas nos parques e nas ruas onde as hobbistas costumam treinar.

Mas, na verdade, eu estou perdendo muito tempo com o autor desse texto e deixando de comentar o meu tema do mês – O Esporte como Laser.

Muitas pessoas treinam os mais variados esportes somente por hobby, por lazer. Talvez o futebol seja o mais praticado. Quantos maridões não deixam suas esposas em casa para jogar uma peladinha no sábado? Muitos. O que estamos vendo hoje em dia é um aumento de pessoas que estão correndo como atividade social ou de lazer, para encontrar os amigos e refrescar as idéias (talvez tenham sido as esposas dos maridões que jogam futebol no sábado que cansaram de ficar em casa e iniciaram o movimento) e se isso não traz todos os benéficos físicos que uma modalidade esportiva pode trazer - pela baixa freqüência, pela reduzida disciplina, até pelo desgosto por treinos técnicos - os benefícios psicológicos são inúmeros, e é disso que estamos falando.

Imaginemos como é importante para todos se sentirem incluídos e pertencentes a um grupo. Como é bom termos amigos que conversem coisas semelhantes às nossas. Como é melhor ainda sentir que se está fazendo algum benefício para a sua saúde e dedicando um tempo livre. Pois então, acredito que não há discórdia sobre o quanto é bom integrar todos esses fatores, e a corrida os integra, e, por isso, as pessoas sentem-se tão bem correndo. É um momento no qual o sujeito pensa em sua vida, em sua saúde, em suas amizades e investe nelas.

Quantas pessoas não começam a correr e, logo em seguida, mudam sua alimentação, deixam de fumar, dormem melhor, emagrecem e conseqüentemente ficam mais felizes consigo? E ainda conseguem um novo tema para conversar entre amigos, não se restringindo apenas às desgraças e sucessos do trabalho e da vida cotidiana, passam a falar de tal e tal prova, do tempo que fez. Seu repertório de bate-papo aumenta e seu ciclo de amizades vai no embalo.

Ora! Precisamos respeitar os corredores esporádicos. Eles estão se beneficiando da corrida tanto quanto nós, que não somos atletas de elite nem profissionais. Cada um se beneficia de seu jeito e isso ajuda ou não a fazer um mundo mais solidário e menos solitário?

O Especialista

Atletismo · 25 jun, 2004

Este mês eu gostaria de eleger uma personagem que será a personagem do mês. Gostaria de tratar do especialista.

Muitas vezes lemos em revistas especializadas, ouvimos na televisão, nos programas esportivos especialistas de tudo dizendo todo tipo de coisas e, na psicologia do esporte não é diferente, sempre tem um especialista em psicologia do esporte para afirmar os argumentos mais óbvios com um certo léxico “psicologues”.

Não é nada difícil encontrarmos um sujeito especialista em psicologia do esporte, que nunca estudou psicologia, explicando a derrota de um time de futebol ou o corredor não ter conseguido a melhor colocação quando ele era uma promessa. Nesses momentos nos deparamos com pérolas do tipo: “ele estava psicologicamente abalado” ou ainda “ele estava desmotivado”. Fico pensando o que esses termos dizem para o público leigo pois, dentro da psicologia do esporte, disparados dessa forma, são tão vagos que chegam a não dizer nada.

Os especialistas aparecem também atuando com atletas, o que é muito pior pois, por não serem formados em psicologia, metem-se a não só dizer coisas inadequadas sobre o assunto, mas também a atuar como psicólogo.

Devemos ter clareza que o conhecimento é um campo aberto. Todos podem compartilhá-lo, discuti-lo e renová-lo, mas a atuação é campo restrito ao profissional formado. Quero dizer que, como psicólogo, eu posso estudar bastante sobre Cirurgia Plástica, Nutrição ou Educação Física, mas isso não me permite, em momento algum, a realizar uma cirurgia, passar uma dieta ou um treinamento para alguém.

Do mesmo modo, conhecer a psicologia do esporte não autoriza nenhum outro profissional, que não seja psicólogo, a atuar como Psicólogo do Esporte. É muito comum que os especialistas citem teorias que dizem ser transformadoras, tais como a neuroliguistica, que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Com isso, quero quer questionar como é possível que um “especialista” em psicologia do esporte diga que aplica neurolinguistica se essa prática não é nem mesmo reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia?

Desse modo, como várias vezes recomendei que se procurasse um Educador Físico quando os problemas se relacionavam ao treinamento físico, recomendo ao leitor que procure um psicólogo, formado em psicologia, quando houver um problema relacionado à psique.

Reafirmo aqui que o trabalho em conjunto do Educador Físico com o Psicólogo do Esporte traz inúmeros benefícios não só a atletas, mas também a todos aqueles que praticam uma atividade física. Mas, um cuidado deve ser tomado: não se engane com Educadores Físicos que se dizem especialistas em Psicologia do Esporte. Eles podem conhecer a teoria e discuti-la nos meios acadêmicos mas, para atuar como psicólogo, eles precisam antes, fazer uma faculdade de psicologia.


O Especialista

Atletismo · 25 jun, 2004

Este mês eu gostaria de eleger uma personagem que será a personagem do mês. Gostaria de tratar do especialista.

Muitas vezes lemos em revistas especializadas, ouvimos na televisão, nos programas esportivos especialistas de tudo dizendo todo tipo de coisas e, na psicologia do esporte não é diferente, sempre tem um especialista em psicologia do esporte para afirmar os argumentos mais óbvios com um certo léxico “psicologues”.

Não é nada difícil encontrarmos um sujeito especialista em psicologia do esporte, que nunca estudou psicologia, explicando a derrota de um time de futebol ou o corredor não ter conseguido a melhor colocação quando ele era uma promessa. Nesses momentos nos deparamos com pérolas do tipo: “ele estava psicologicamente abalado” ou ainda “ele estava desmotivado”. Fico pensando o que esses termos dizem para o público leigo pois, dentro da psicologia do esporte, disparados dessa forma, são tão vagos que chegam a não dizer nada.

Os especialistas aparecem também atuando com atletas, o que é muito pior pois, por não serem formados em psicologia, metem-se a não só dizer coisas inadequadas sobre o assunto, mas também a atuar como psicólogo.

Devemos ter clareza que o conhecimento é um campo aberto. Todos podem compartilhá-lo, discuti-lo e renová-lo, mas a atuação é campo restrito ao profissional formado. Quero dizer que, como psicólogo, eu posso estudar bastante sobre Cirurgia Plástica, Nutrição ou Educação Física, mas isso não me permite, em momento algum, a realizar uma cirurgia, passar uma dieta ou um treinamento para alguém.

Do mesmo modo, conhecer a psicologia do esporte não autoriza nenhum outro profissional, que não seja psicólogo, a atuar como Psicólogo do Esporte. É muito comum que os especialistas citem teorias que dizem ser transformadoras, tais como a neuroliguistica, que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Com isso, quero quer questionar como é possível que um “especialista” em psicologia do esporte diga que aplica neurolinguistica se essa prática não é nem mesmo reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia?

Desse modo, como várias vezes recomendei que se procurasse um Educador Físico quando os problemas se relacionavam ao treinamento físico, recomendo ao leitor que procure um psicólogo, formado em psicologia, quando houver um problema relacionado à psique.

Reafirmo aqui que o trabalho em conjunto do Educador Físico com o Psicólogo do Esporte traz inúmeros benefícios não só a atletas, mas também a todos aqueles que praticam uma atividade física. Mas, um cuidado deve ser tomado: não se engane com Educadores Físicos que se dizem especialistas em Psicologia do Esporte. Eles podem conhecer a teoria e discuti-la nos meios acadêmicos mas, para atuar como psicólogo, eles precisam antes, fazer uma faculdade de psicologia.

Planejar e motivar

Atletismo · 20 maio, 2004

Eu já devo ter escrito sobre esse tema anteriormente, mas gostaria de repetir por acha-lo muito importante e como diria Nelson Rodrigues, eu não seria nada sem minhas repetições.

O tema que proponho para esse mês é o de planejamento de treino e o quanto isso é importante para a periodização e principalmente para a motivação.

Planejar um treino não é simplesmente sentar com o seu técnico e dizer como você está se sentindo e o que você acha do treino, é pensar no seu ano todo, quais provas quer participar, que resultado você quer atingir em cada uma delas, desse modo o seu técnico poderá montar uma planilha de treinos dentro do seu objetivo.

Outra forma de planejamento, que é anterior ao descrito acima, é o da sua vida de atleta, é muito importante que você se pergunte o que pretende com seu treinamento: terminar uma prova especifica como o Iron Man, ou vencer um circuito inteiro, ou emagrecer... Não importa, o importante é que você saiba o que te motiva a praticar o esporte que pratica.

Tendo em mente o seu objetivo, agora sim trace seu plano de metas para o ano, se é emagrecer, participar de provas talvez não seja tão importante para você, pois então decida quantos quilos você quer perder.

Pense sempre em degraus, em etapas, planeje quantos quilos você quer perder por mês, mas antes converse com um nutricionista para saber se é viável, é importante que as metas sejam possíveis de serem alcançadas.

O mesmo se o seu objetivo é ser campeão do Iron Man (talvez você tenha de pensar mais em longo prazo), mas trace com seu técnico metas reais e possíveis, de preferência em curto espaço de tempo, talvez mês a mês, pois assim você está mais próximo da motivação e pode flexibilizar o seu planejamento

Tome um cuidado! Flexibilize sempre o seu planejamento, ele deve ser maleável e ir se moldando com a sua realidade do momento, não pode ser algo rígido demais. Avalie periodicamente o seu planejamento, vá verificando se suas metas estão sendo alcançadas e a que custo, talvez você tenha que adiar um pouco o seu objetivo, ou mesmo adiantá-lo, a hipótese de você ter subestimado sua capacidade de atingir seu objetivo também deve ser levado em conta.

Mas o que tudo isso tem a ver com motivação? Tem muito a ver, um planejamento mal feito pode resultar que você nunca atinja os objetivos traçados e com isso você se sentirá incapaz e provavelmente desistirá do esporte, ou ao contrario, pode ser muito fácil e você não se sinta desafiado pela atividade.

Por isso é muito importante localizar um objetivo e traçar metas reais, possíveis e adequadas ao seu desempenho que te levam a esse objetivo. Para te ajudar a localizar as suas possibilidades é muito importante contar com a ajuda de profissionais qualificados: nutricionistas, educadores físicos e psicólogos.


Planejar e motivar

Atletismo · 20 maio, 2004

Eu já devo ter escrito sobre esse tema anteriormente, mas gostaria de repetir por acha-lo muito importante e como diria Nelson Rodrigues, eu não seria nada sem minhas repetições.

O tema que proponho para esse mês é o de planejamento de treino e o quanto isso é importante para a periodização e principalmente para a motivação.

Planejar um treino não é simplesmente sentar com o seu técnico e dizer como você está se sentindo e o que você acha do treino, é pensar no seu ano todo, quais provas quer participar, que resultado você quer atingir em cada uma delas, desse modo o seu técnico poderá montar uma planilha de treinos dentro do seu objetivo.

Outra forma de planejamento, que é anterior ao descrito acima, é o da sua vida de atleta, é muito importante que você se pergunte o que pretende com seu treinamento: terminar uma prova especifica como o Iron Man, ou vencer um circuito inteiro, ou emagrecer... Não importa, o importante é que você saiba o que te motiva a praticar o esporte que pratica.

Tendo em mente o seu objetivo, agora sim trace seu plano de metas para o ano, se é emagrecer, participar de provas talvez não seja tão importante para você, pois então decida quantos quilos você quer perder.

Pense sempre em degraus, em etapas, planeje quantos quilos você quer perder por mês, mas antes converse com um nutricionista para saber se é viável, é importante que as metas sejam possíveis de serem alcançadas.

O mesmo se o seu objetivo é ser campeão do Iron Man (talvez você tenha de pensar mais em longo prazo), mas trace com seu técnico metas reais e possíveis, de preferência em curto espaço de tempo, talvez mês a mês, pois assim você está mais próximo da motivação e pode flexibilizar o seu planejamento

Tome um cuidado! Flexibilize sempre o seu planejamento, ele deve ser maleável e ir se moldando com a sua realidade do momento, não pode ser algo rígido demais. Avalie periodicamente o seu planejamento, vá verificando se suas metas estão sendo alcançadas e a que custo, talvez você tenha que adiar um pouco o seu objetivo, ou mesmo adiantá-lo, a hipótese de você ter subestimado sua capacidade de atingir seu objetivo também deve ser levado em conta.

Mas o que tudo isso tem a ver com motivação? Tem muito a ver, um planejamento mal feito pode resultar que você nunca atinja os objetivos traçados e com isso você se sentirá incapaz e provavelmente desistirá do esporte, ou ao contrario, pode ser muito fácil e você não se sinta desafiado pela atividade.

Por isso é muito importante localizar um objetivo e traçar metas reais, possíveis e adequadas ao seu desempenho que te levam a esse objetivo. Para te ajudar a localizar as suas possibilidades é muito importante contar com a ajuda de profissionais qualificados: nutricionistas, educadores físicos e psicólogos.

Treino longo e alongamento têm a ver com ansiedade!

Corridas de Rua · 21 abr, 2004

Outro dia eu estava conversando com um amigo educador físico, o Paulão, que no auge de sua experiência como treinador de corrida me dispara um piparote, dizendo:

“Treino longo e alongamento têm a ver com ansiedade!”

No momento fiquei um pouco desconcertado, o piparote acertou em cheio os meus ouvidos e me coloquei a pensar em tal frase. O que tenho de admitir é que não há nada mais certo do que a oração pronunciada pelo Paulão, e eu explico porquê.

Pessoas ansiosas, vocês podem notar, não gostam de fazer treinos longos, aqueles de correr 15 Km ou pedalar 80 Km ou nadar 2000m sem parar, chega um momento onde o sujeito começa a brigar com a metragem, reclama que não acaba nunca, aperta o treino para acabar logo e muitas vezes se “quebra”. O mesmo é verdadeiro com provas longas, às vezes são ótimos atletas, tem um bom preparo e um bom desempenho, mas não suportam ficar mais de uma hora numa mesma atividade, nesse caso de duas uma: Ou muda de treino e vira velocista ou começa a cuidar da “cabeça” para suportar treinos e provas longas.

Existem muitas maneiras de se cuidar para esse tipo de treino, a mais eficiente ainda é a respiração. A yoga tem várias técnicas respiratórias que permitem uma aquietação da mente.

Durante o treino, ficar atento à respiração é um modo de diminuir a ansiedade e começar a cuidar de variáveis que permitirão ao atleta um melhor autoconhecimento, e conseqüentemente ter um treino mais eficiente. Pensar na respiração evite que a cabeça vaguei em pensamento que não dizem respeito à corrida ou que se esqueça quanto falta para terminar. Respirar permite que o atleta concentre sua atenção na atividade e não em estímulos externos que causam ansiedade

Quanto ao alongamento podemos dizer que o sujeito ansioso quer logo iniciar o treino, correr se for o caso, e não considera o momento do alongamento parte do treino e na cabeça vem um pensamento quase como esse: “se eu vim aqui para correr por que vou ficar aqui esticando minha perna? Eu quero é correr”.

Uma forma de contornar esse problema é fazer, enquanto alonga, uma visualização do treino que está por vir, pensar no que vai fazer, onde ou em que momento vai apertar o ritmo, ou como está se sentindo, se está cansado se têm alguma parte doendo e fazer todo um planejamento do treino. Essa prática tem efeitos maravilhosos em caso de prova, uma boa visualização de uma prova permite que o atleta crie uma estratégia que pode ser definitiva no resultado da mesma.

No final do treino o alongamento é um bom momento para fazer uma avaliação do treino, retomar todo o percurso, perceber o que precisa melhorar, o que foi positivo, e até mesmo começar a pensar o próximo treino em decorrência desse.

Para finalizar o que tenho a dizer é que podemos usar a longa distância e o momento do alongamento a nosso favor ao invés de lutarmos contra eles.


Treino longo e alongamento têm a ver com ansiedade!

Corridas de Rua · 21 abr, 2004

Outro dia eu estava conversando com um amigo educador físico, o Paulão, que no auge de sua experiência como treinador de corrida me dispara um piparote, dizendo:

“Treino longo e alongamento têm a ver com ansiedade!”

No momento fiquei um pouco desconcertado, o piparote acertou em cheio os meus ouvidos e me coloquei a pensar em tal frase. O que tenho de admitir é que não há nada mais certo do que a oração pronunciada pelo Paulão, e eu explico porquê.

Pessoas ansiosas, vocês podem notar, não gostam de fazer treinos longos, aqueles de correr 15 Km ou pedalar 80 Km ou nadar 2000m sem parar, chega um momento onde o sujeito começa a brigar com a metragem, reclama que não acaba nunca, aperta o treino para acabar logo e muitas vezes se “quebra”. O mesmo é verdadeiro com provas longas, às vezes são ótimos atletas, tem um bom preparo e um bom desempenho, mas não suportam ficar mais de uma hora numa mesma atividade, nesse caso de duas uma: Ou muda de treino e vira velocista ou começa a cuidar da “cabeça” para suportar treinos e provas longas.

Existem muitas maneiras de se cuidar para esse tipo de treino, a mais eficiente ainda é a respiração. A yoga tem várias técnicas respiratórias que permitem uma aquietação da mente.

Durante o treino, ficar atento à respiração é um modo de diminuir a ansiedade e começar a cuidar de variáveis que permitirão ao atleta um melhor autoconhecimento, e conseqüentemente ter um treino mais eficiente. Pensar na respiração evite que a cabeça vaguei em pensamento que não dizem respeito à corrida ou que se esqueça quanto falta para terminar. Respirar permite que o atleta concentre sua atenção na atividade e não em estímulos externos que causam ansiedade

Quanto ao alongamento podemos dizer que o sujeito ansioso quer logo iniciar o treino, correr se for o caso, e não considera o momento do alongamento parte do treino e na cabeça vem um pensamento quase como esse: “se eu vim aqui para correr por que vou ficar aqui esticando minha perna? Eu quero é correr”.

Uma forma de contornar esse problema é fazer, enquanto alonga, uma visualização do treino que está por vir, pensar no que vai fazer, onde ou em que momento vai apertar o ritmo, ou como está se sentindo, se está cansado se têm alguma parte doendo e fazer todo um planejamento do treino. Essa prática tem efeitos maravilhosos em caso de prova, uma boa visualização de uma prova permite que o atleta crie uma estratégia que pode ser definitiva no resultado da mesma.

No final do treino o alongamento é um bom momento para fazer uma avaliação do treino, retomar todo o percurso, perceber o que precisa melhorar, o que foi positivo, e até mesmo começar a pensar o próximo treino em decorrência desse.

Para finalizar o que tenho a dizer é que podemos usar a longa distância e o momento do alongamento a nosso favor ao invés de lutarmos contra eles.

Projetos Sociais e Psicologia do Esporte – Tudo a Ver!

Atletismo · 15 mar, 2004

Neste artigo eu gostaria de apresentar a vocês um campo de atuação, talvez menos conhecido, da Psicologia do Esporte: o trabalho em projetos sociais. O psicólogo do esporte que atua em projetos sociais tem características muito peculiares, que o diferem substancialmente do profissional que trabalha com performance, ou diretamente com atividades esportivas. Há uma diferença na visão sobre o que é o esporte.

Existem inúmeros projetos sociais que atuam com crianças e jovens de baixa renda e que tem como instrumento o esporte. Mas apenas quais são os objetivos desses projetos ao trabalhar com esporte?

Com certeza o objetivo de muitos desses projetos não é revelar talentos esportivos, então resta mais uma pergunta: O que faz um psicólogo de esporte num projeto como esse se o objetivo não é desenvolver atletas?

Tentarei responder a todas essas perguntas com os meus argumentos, e espero que fique fácil de entender as peculiaridades desse campo da psicologia. Os projetos sociais, em sua maioria, têm como objetivo trabalho com enfoque no desenvolvimento da Educação e cidadania, e o esporte é um poderoso instrumento para esse trabalho.Através de atividades coletivas pode-se desenvolver o espírito de equipe e o respeito aos limites, tanto de si quanto dos outros.

Com esportes individuais, como o atletismo, não é diferente. Podemos desenvolver a percepção das regras, o respeito para com os outros, o conhecimento de suas capacidades corporais e intelectuais. Ou seja, o esporte é capaz de desenvolver não só o físico, mas também as capacidades afetivas, cognitivas e cívicas.

É possível desenvolver capacidades afetivas, pois, através do esporte podemos ajudar as crianças a entender as vitórias e aprender com as frustrações. Cognitivas, pois se pode desenvolver o raciocínio lógico quando a criança começa a perceber, pelo próprio corpo, os batimentos cardíacos, o tempo desenvolvido numa corrida, o cansaço o descanso e as relações que há entre esses elementos. O raciocínio abstrato também é desenvolvido quando a criança pode perceber uma relação entre espaço percorrido, tempo, e intensidade do exercício.

Também é possível desenvolverem-se capacidades Cívicas, pois não há esportes sem regras, e assimilar a função das regras é entender o porquê delas existirem, possibilitar que o convívio seja harmonioso e construtivo também é possível entender que praticar um esporte não é eliminar um ao outro, mas participar de uma atividade prazerosa e partilhar uma linguagem comum aos seus praticantes, respeitar as diferenças e entender os semelhantes.

O esporte é um rico meio de desenvolver um projeto educacional, e o psicólogo do esporte é quem vai articular todas as três capacidades tornando significativa a prática esportiva para que esse projeto se realize.

Através de modificações de regras, criação e elaboração de jogos cooperativos, re-significações e discussões de situações de perdas ou ganhos o psicólogo do esporte, juntamente de uma equipe multidisciplinar, na qual necessariamente estarão presentes um pedagogo e um educador físico, torna o esporte um instrumento de apoio para a educação.

Existem muitos Projetos Sociais que atuam através do esporte, fica aqui um apelo: não deixem de ajuda-los, todos que através do esporte, lutam para diminuir (seria melhor dizer, extinguir) a violência a que são submetidas muitas de nossas crianças, lutam para que essas crianças não venham a ser adultos violentos, lutam para que através do esporte e pela Educação desenvolva-se o respeito por todos aqueles que nos cercam.

E não devemos esquecer também que o esporte pode ser uma profissão, e tornar essa condição possível é aumentar o repertório de escolhas dessa criança.


Projetos Sociais e Psicologia do Esporte – Tudo a Ver!

Atletismo · 15 mar, 2004

Neste artigo eu gostaria de apresentar a vocês um campo de atuação, talvez menos conhecido, da Psicologia do Esporte: o trabalho em projetos sociais. O psicólogo do esporte que atua em projetos sociais tem características muito peculiares, que o diferem substancialmente do profissional que trabalha com performance, ou diretamente com atividades esportivas. Há uma diferença na visão sobre o que é o esporte.

Existem inúmeros projetos sociais que atuam com crianças e jovens de baixa renda e que tem como instrumento o esporte. Mas apenas quais são os objetivos desses projetos ao trabalhar com esporte?

Com certeza o objetivo de muitos desses projetos não é revelar talentos esportivos, então resta mais uma pergunta: O que faz um psicólogo de esporte num projeto como esse se o objetivo não é desenvolver atletas?

Tentarei responder a todas essas perguntas com os meus argumentos, e espero que fique fácil de entender as peculiaridades desse campo da psicologia. Os projetos sociais, em sua maioria, têm como objetivo trabalho com enfoque no desenvolvimento da Educação e cidadania, e o esporte é um poderoso instrumento para esse trabalho.Através de atividades coletivas pode-se desenvolver o espírito de equipe e o respeito aos limites, tanto de si quanto dos outros.

Com esportes individuais, como o atletismo, não é diferente. Podemos desenvolver a percepção das regras, o respeito para com os outros, o conhecimento de suas capacidades corporais e intelectuais. Ou seja, o esporte é capaz de desenvolver não só o físico, mas também as capacidades afetivas, cognitivas e cívicas.

É possível desenvolver capacidades afetivas, pois, através do esporte podemos ajudar as crianças a entender as vitórias e aprender com as frustrações. Cognitivas, pois se pode desenvolver o raciocínio lógico quando a criança começa a perceber, pelo próprio corpo, os batimentos cardíacos, o tempo desenvolvido numa corrida, o cansaço o descanso e as relações que há entre esses elementos. O raciocínio abstrato também é desenvolvido quando a criança pode perceber uma relação entre espaço percorrido, tempo, e intensidade do exercício.

Também é possível desenvolverem-se capacidades Cívicas, pois não há esportes sem regras, e assimilar a função das regras é entender o porquê delas existirem, possibilitar que o convívio seja harmonioso e construtivo também é possível entender que praticar um esporte não é eliminar um ao outro, mas participar de uma atividade prazerosa e partilhar uma linguagem comum aos seus praticantes, respeitar as diferenças e entender os semelhantes.

O esporte é um rico meio de desenvolver um projeto educacional, e o psicólogo do esporte é quem vai articular todas as três capacidades tornando significativa a prática esportiva para que esse projeto se realize.

Através de modificações de regras, criação e elaboração de jogos cooperativos, re-significações e discussões de situações de perdas ou ganhos o psicólogo do esporte, juntamente de uma equipe multidisciplinar, na qual necessariamente estarão presentes um pedagogo e um educador físico, torna o esporte um instrumento de apoio para a educação.

Existem muitos Projetos Sociais que atuam através do esporte, fica aqui um apelo: não deixem de ajuda-los, todos que através do esporte, lutam para diminuir (seria melhor dizer, extinguir) a violência a que são submetidas muitas de nossas crianças, lutam para que essas crianças não venham a ser adultos violentos, lutam para que através do esporte e pela Educação desenvolva-se o respeito por todos aqueles que nos cercam.

E não devemos esquecer também que o esporte pode ser uma profissão, e tornar essa condição possível é aumentar o repertório de escolhas dessa criança.