No meio do caminho eu quebrei… e agora?

Redação Webrun | Atletismo · 23 nov, 2004

Outro dia fui perguntado por um amigo que corre maratonas, sobre o que fazer depois de ficar um tempo sem treinar. Na verdade, o problema é que esse amigo se sentia muito frustrado com os tempos que ele vinha fazendo desde que retornou e que eram bem inferiores aos tempos que fazia anteriormente.

Eu já tratei desse assunto em artigos anteriores, mas ele é um tema importante em psicologia do esporte, pois afeta não só o atleta profissional, mas também o amador, que está sempre verificando seus tempos e seu desempenho.

O que acontece é que, após uma lesão ou problemas pessoais que afastam o atleta do treinamento por um período longo, o desempenho invariavelmente cai mas o que fica registrado na memória do atleta é o seu desempenho máximo. Assim, para o atleta ele é aquele que pode fazer um tempo x e por isso é insuportável conviver com seu corpo fazendo um tempo x/2.

Podemos pensar como se estivéssemos numa estrada, onde o destino é o melhor tempo. Nesse percurso gastamos horas e horas rodando e cada vez mais nos aproximamos do nosso destino. Porém, em algum momento, esse carro quebra, e muitas vezes quebra quando estamos próximos de chegar ao nosso objetivo. Diferentemente de um carro comum, que fica parado e apenas atrasa a viagem, nosso corpo se comporta como se o carro retornasse, voltasse para trás. É realmente muito frustrante.

Nesse momento, o trabalho de um psicólogo é imprescindível, pois ele deve montar junto com o técnico, um novo esquema de treino, no qual o objetivo não é mais a “cidade” que se queria chegar, mas o local onde o carro quebrou.

Por isso, tendo como foco os tempos de prova que se fazia no momento em que se parou de treinar, o melhor é construir um planejamento com metas de curto prazo, ou seja, traçar metas fáceis de serem alcançadas semanalmente, fazer uma checagem com metas de dificuldade média, quinzenalmente ou mensalmente. E, mais ou menos a cada três ou quatro checagens de dificuldade média, fazer uma checagem de dificuldade grande, ou seja, no caso do meu amigo maratonista, verificar o tempo de uma maratona ou de meia maratona.

Uma das coisas mais importantes nesse trabalho é a comunicação com o atleta, ou seja, o técnico deve informar todas as suas expectativas a ele, dizendo quanto é o tempo que ele espera que o atleta faça em tal e qual semana, informar que se ele fizer tudo de acordo como o que o técnico espera, alcançará o objetivo em determinado tempo. Quando alguma coisa acontece, como por exemplo, o atleta não alcançar o tempo esperado naquela semana, o técnico deve rever as metas, e, se isso causar uma variação no tempo final, deve ser comunicado ao atleta.

Informar o tempo e afirmar sempre ao atleta onde ele está no treinamento é a melhor forma de evitar a frustração. E estabelecer metas em curto prazo é a melhor forma do atleta sentir-se vitorioso a cada semana.

Este texto foi escrito por: Marcus Teshainer

Redação Webrun

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