Rivaldo Martins: um exemplo de superação

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 12 jul, 2005

Rivaldo Martins bateu o próprio recorde em Ironman (foto: Divulgação)
Rivaldo Martins bateu o próprio recorde em Ironman (foto: Divulgação)

Enfrentar 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida não é tarefa fácil. São poucas as pessoas que se aventuram e têm fôlego para concluir uma prova dessa. Agora imagine fazer tudo isso usando uma prótese? Imagine então participar de uma competição como essa e se tornar o primeiro amputado do mundo a cruzar a linha de chegada de um Ironman abaixo das 10 horas?

Para Rivaldo Martins esse feito é realidade. O santista, 46 anos, acaba de bater o recorde mundial em distâncias de Ironman da categoria Physically Challenged, direcionada a competidores amputados com prótese.

Ele cruzou a linha de chegada do Ironman de Roth, na Alemanha, no tempo 9h57min48s. “Eu fiz uma prova muito boa. Apesar de que eu senti um cansaço muito grande na corrida. Mas no quilômetro 30 eu comecei a passar umas pessoas que me passaram no começo e isso me animou. No quilômetro 37 eu vi que dava para quebrar o recorde”, conta o triathleta que teve apenas cinco semanas de treino após disputar o Ironman Brasil.

Assim Rivaldo completou a prova com uma queima de fogos e o anuncio da quebra do recorde. A marca foi noticiada em diversos jornais da região. “Essa é a sexta prova que eu faço lá e o pessoal de Roth me recebe sempre muito bem. Foi fora do sério”, revela.

Mas para chegar até aqui Rivaldo treinou bastante. Nadador, professor de educação física e triathleta, ele perdeu uma perna em um acidente no ano de 1986, quando acompanhava uma turma de alunos numa excursão de formatura.

Ao invés de ficar desanimado e sem vontade de praticar atividades físicas, Rivaldo manteve a sua força e paixão pelo esporte. “Logo depois do acidente eu voltei a pedalar. A única dificuldade foi arrumar uma prótese confortável para correr. Só depois de três anos que eu achei uma prótese adequada e voltei para as provas de triathlon. Tive que voltar como um menino que começa o esporte”.

A dificuldade de encontrar uma prótese aconteceu porque no começo dos anos 80 esses equipamentos eram muito obsoletos. Nessa época só tinha prótese para caminhar e nenhuma adequada para correr. Segundo Rivaldo, foi a partir de 84 e 85 que criaram uma prótese mais leve e resistente feita de fibra de carbono ou titânio.

O curioso é que alguns meses antes de perder a perna, Rivaldo assistiu um vídeo em que Pat Griskus, amputado, completava pela primeira vez um Ironman e achou aquilo um exemplo de vida. “Ele foi a pessoa que mais me deu força. Através dele eu via que o meu sonho de fazer um ironman não estava perdido”, revela. E não estava.

Desde então ele voltou a competir e ganhou importantes títulos como o 1º lugar no Mundial de Ironman do Havaí, na categoria Physically Challenged.

Hoje Rivaldo é patrocinado pela Ossur e Centro Marian Weiss, responsáveis pela a prótese que usa. O Equipamento é feito sob medida para o brasileiro e pesa cerca de 900 gramas. Como requer muitos cuidados e utiliza materiais modernos uma prótese desse tipo custa em média oito mil dólares. “O complicado no Brasil é a falta de apoio e incentivo para o esporte paraolímpico. Eu tenho um patrocinador que me fornece os equipamentos necessários para o meu desempenho. Mas infelizmente nem todos tem essa oportunidade”, lamenta.

Por isso Rivaldo Martins vai dedicar parte do se tempo para um projeto social. A exemplo de uma organização americana, ele quer lançar um instituto brasileiro, ainda sem nome, para arrecadar dinheiro através das empresas e depois ajudar o atleta portador de deficiência física.

O projeto deve ser lançado até o fim do ano no mesmo período do lançamento da sua biografia. Além do instituto, ele também fará palestras apoiadas pela Brasil Telecom e Comitê Paraolímpico. Estas serão voltadas para as crianças e terão o objetivo de quebrar o preconceito para com o portador de deficiência física.

Principais Resultados:

– Tetracampeão Mundial de Triathlon Olímpico – categoria Physically Challenged: México/97, Austrália/99, Canadá/2000 e México/2002

– 1º lugar no Campeonato Mundial de Ironman no Havaí – outubro de 2003 (na ocasião, quebrou o recorde da categoria)

– 1º lugar no Mundial de Ironman do Havaí – categoria Physically Challenged (2001)

– 1º lugar no Ironman Brasil Telecom 2004 e 2005 – categoria amputados com prótese

– 1º lugar no Ironman da Coréia do Sul – agosto/2003

– 1º lugar no Pan-Americano de Triathlon Brasil Telecom – amputados com prótese e amador 40/44 anos (2002)

– 1º lugar no Troféu Brasil de Triathlon – deficientes físicos/amputados com prótese (2002)

– 1º lugar no Carlton Cold Ironman New Zealand – categoria Challenger – Nova Zelândia/2003

– 1º lugar no Triathlon Internacional de Santos 2005 – categoria amputado com prótese

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

Redação Webrun

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