nelson evencio

Grande número de provas de rua: prós e contras

Segundo os dados da Federação Paulista de Atletismo (FPA), que analisa o número de provas oficiais de corridas de rua na cidade de São Paulo, nos últimos cinco anos a corrida cresceu da seguinte forma: 17 corridas realizadas em 2002, 34 em 2003, 107 em 2004, 166 em 2005, e 187 em 2006. O número de corredores inscritos saltou de 11 mil em 2002 para 450 mil em 2006.

Além disso, o número de assessorias esportivas e equipes de corrida também cresceu bastante. Só no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, temos mais de 60 durante a semana, cada uma contando com os serviços de vários treinadores e outros profissionais da área.

Com o crescimento tão expressivo deste esporte, surgiram, naturalmente, novas organizações de prova, cada uma buscando seu diferencial em qualidade. Continuam sendo explorados novos espaços para provas na cidade, fugindo um pouco do velho eixo Ibirapuera-USP. Oferecem-se atrativos cada vez melhores, como um kit mais bacana, uma camiseta de melhor qualidade, bandas de músicas durante as provas, direito a um show, etc. É a lei do mercado.

Com isso, o público também passou a ser mais crítico, podendo traçar comparativos e optar pelo tipo de competição de sua preferência, ou seja, aquela com muitos inscritos e mais festiva, ou outra com o número limitado de participantes, ou ainda uma terceira que tenha um percurso mais confortável, e assim por diante.

É óbvio que esta concorrência entre as organizações é muito salutar, principalmente para aqueles corredores com mais experiência, já que algumas provas estavam apresentando certa monotonia, tanto pelos percursos repetitivos, quanto pelo grande número de participantes.

Problemas - Infelizmente, há também problemas. No final do ano passado estivemos reunidos com os diretores do setor de corridas de Rua da FPA para tratarmos do calendário de 2008. Para nossa grande surpresa, naquele mesmo final de semana de dezembro havia, simplesmente 10 provas onde a FPA faria sua indispensável supervisão!

Isso mesmo! 10 corridas de rua num mesmo final de semana, incluindo uma festiva com quatro mil inscritos no sábado e mais outras três importantes com mais de três mil inscritos no domingo!

Para os técnicos, seu trabalho ficou um pouco mais complicado. Além de ter que se desdobrar para acompanhar seus alunos nas mais variadas provas, a preocupação em evitar lesões por excesso de competições tem se tornado uma constante. Está cada vez mais difícil gerenciar o treino daqueles corredores inflamados pelas emoções e empurrados pelos e-mails das organizações e da facilidade das inscrições on-line.

Se for ruim para os treinadores, também o é para os corredores, que acabam não melhorando seus tempos, por não treinarem direito, ou se lesionam e ficam impossibilitados de fazer aquilo que mais gostam!

Organizadores - Para os organizadores as coisas também estão se modificando bastante, pois o fato de vários eventos coincidirem para um mesmo final de semana, está dificultando atingir um número almejado de inscritos, conforme prometido aos patrocinadores. Como conseqüência financeira, há que transpor inúmeros obstáculos para se conseguir um resultado positivo.

Ao contrário do que a maioria pensa, o valor arrecadado com as inscrições não cobre os custos, tais como a elevadíssima taxa para a liberação das ruas pela CET, impostos, camisetas, medalhas, água, kit de lanches, ambulâncias e equipe médica, banheiros químicos, aluguel de grades, montagem de arena e palco, manutenção de site, “staffs”, sistema de som, supervisão da FPA, cronometragem eletrônica, despesas com telefone, e assim por diante.

Com o nível de qualidade que atingimos, só se consegue atingir o saldo zero ou obter algum lucro, quando se dispõem de bons patrocinadores. Estes, além de não serem fáceis, com a realização constante de duas ou três grandes provas concorrentes no mesmo final de semana, certamente estarão reavaliando o foco de seus investimentos.

O maior desafio, porém, é manter o interesse da mídia e do público. Até onde irá a paciência do pessoal cujas ruas em torno de suas residências são interditadas rotineiramente? Como disse o Sr. Renato Elias, Diretor da JJS Eventos Esportivos: “será que se tivéssemos várias etapas da F1 em São Paulo teríamos 60 mil pessoas de público como acontece com apenas uma etapa?”.

Por tudo isso que apresentamos, e para evitar outros problemas que possam ocorrer no futuro:

1- cabe aos organizadores entrar em acordo para evitar este prejudicial acúmulo de eventos no mesmo dia
2- cabe ao Departamento de Esportes da Cidade de São Paulo não permitir que dois eventos de grande porte sejam agendados para mesmo final de semana.

Queremos, sim, cada vez mais a massificação deste tão divertido, democrático e saudável esporte que é a corrida de rua, mas este crescimento deve ocorrer sempre de forma sustentável.

A ATC (Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo), que representa a maioria dos treinadores que orientam milhares de corredores desta cidade, tem conversado com diversos organizadores de provas e está disposta e aberta a ajudar, no que for possível, para a solução destes problemas.


Grande número de provas de rua: prós e contras

Caminhada · 18 jan, 2008

Segundo os dados da Federação Paulista de Atletismo (FPA), que analisa o número de provas oficiais de corridas de rua na cidade de São Paulo, nos últimos cinco anos a corrida cresceu da seguinte forma: 17 corridas realizadas em 2002, 34 em 2003, 107 em 2004, 166 em 2005, e 187 em 2006. O número de corredores inscritos saltou de 11 mil em 2002 para 450 mil em 2006.

Além disso, o número de assessorias esportivas e equipes de corrida também cresceu bastante. Só no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, temos mais de 60 durante a semana, cada uma contando com os serviços de vários treinadores e outros profissionais da área.

Com o crescimento tão expressivo deste esporte, surgiram, naturalmente, novas organizações de prova, cada uma buscando seu diferencial em qualidade. Continuam sendo explorados novos espaços para provas na cidade, fugindo um pouco do velho eixo Ibirapuera-USP. Oferecem-se atrativos cada vez melhores, como um kit mais bacana, uma camiseta de melhor qualidade, bandas de músicas durante as provas, direito a um show, etc. É a lei do mercado.

Com isso, o público também passou a ser mais crítico, podendo traçar comparativos e optar pelo tipo de competição de sua preferência, ou seja, aquela com muitos inscritos e mais festiva, ou outra com o número limitado de participantes, ou ainda uma terceira que tenha um percurso mais confortável, e assim por diante.

É óbvio que esta concorrência entre as organizações é muito salutar, principalmente para aqueles corredores com mais experiência, já que algumas provas estavam apresentando certa monotonia, tanto pelos percursos repetitivos, quanto pelo grande número de participantes.

Problemas - Infelizmente, há também problemas. No final do ano passado estivemos reunidos com os diretores do setor de corridas de Rua da FPA para tratarmos do calendário de 2008. Para nossa grande surpresa, naquele mesmo final de semana de dezembro havia, simplesmente 10 provas onde a FPA faria sua indispensável supervisão!

Isso mesmo! 10 corridas de rua num mesmo final de semana, incluindo uma festiva com quatro mil inscritos no sábado e mais outras três importantes com mais de três mil inscritos no domingo!

Para os técnicos, seu trabalho ficou um pouco mais complicado. Além de ter que se desdobrar para acompanhar seus alunos nas mais variadas provas, a preocupação em evitar lesões por excesso de competições tem se tornado uma constante. Está cada vez mais difícil gerenciar o treino daqueles corredores inflamados pelas emoções e empurrados pelos e-mails das organizações e da facilidade das inscrições on-line.

Se for ruim para os treinadores, também o é para os corredores, que acabam não melhorando seus tempos, por não treinarem direito, ou se lesionam e ficam impossibilitados de fazer aquilo que mais gostam!

Organizadores - Para os organizadores as coisas também estão se modificando bastante, pois o fato de vários eventos coincidirem para um mesmo final de semana, está dificultando atingir um número almejado de inscritos, conforme prometido aos patrocinadores. Como conseqüência financeira, há que transpor inúmeros obstáculos para se conseguir um resultado positivo.

Ao contrário do que a maioria pensa, o valor arrecadado com as inscrições não cobre os custos, tais como a elevadíssima taxa para a liberação das ruas pela CET, impostos, camisetas, medalhas, água, kit de lanches, ambulâncias e equipe médica, banheiros químicos, aluguel de grades, montagem de arena e palco, manutenção de site, “staffs”, sistema de som, supervisão da FPA, cronometragem eletrônica, despesas com telefone, e assim por diante.

Com o nível de qualidade que atingimos, só se consegue atingir o saldo zero ou obter algum lucro, quando se dispõem de bons patrocinadores. Estes, além de não serem fáceis, com a realização constante de duas ou três grandes provas concorrentes no mesmo final de semana, certamente estarão reavaliando o foco de seus investimentos.

O maior desafio, porém, é manter o interesse da mídia e do público. Até onde irá a paciência do pessoal cujas ruas em torno de suas residências são interditadas rotineiramente? Como disse o Sr. Renato Elias, Diretor da JJS Eventos Esportivos: “será que se tivéssemos várias etapas da F1 em São Paulo teríamos 60 mil pessoas de público como acontece com apenas uma etapa?”.

Por tudo isso que apresentamos, e para evitar outros problemas que possam ocorrer no futuro:

1- cabe aos organizadores entrar em acordo para evitar este prejudicial acúmulo de eventos no mesmo dia
2- cabe ao Departamento de Esportes da Cidade de São Paulo não permitir que dois eventos de grande porte sejam agendados para mesmo final de semana.

Queremos, sim, cada vez mais a massificação deste tão divertido, democrático e saudável esporte que é a corrida de rua, mas este crescimento deve ocorrer sempre de forma sustentável.

A ATC (Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo), que representa a maioria dos treinadores que orientam milhares de corredores desta cidade, tem conversado com diversos organizadores de provas e está disposta e aberta a ajudar, no que for possível, para a solução destes problemas.

Treinador Nelson Evêncio comenta os índices olímpicos da Maratona

O treinador Nélson Evêncio comenta os índices olímpicos exigidos para a prova de Maratona nos Jogos Olímpicos de Pequim este ano, considerados um tanto quanto altos por ele e por outros treinadores. Os tempos estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional são 2h15 como índice “A” e 2h18 como “B” para o masculino e 2h37min como “A” e 2h42 como “B” para as mulheres.

“Eu achei 2h15 muito fraco, tanto que já temos dois atletas abaixo de 2h13, o Vanderlei Cordeiro e o José Telles”, ressalta Evêncio sobre os tempos obtidos pelos brasileiros em Milão em dezembro. “Eu acho que o ideal seria abaixo de 2h12min59”, completa. Em Pequim o percurso não será tão complicado como em Atenas, mas a forte poluição que assola a cidade deve ser um fator de dificuldade.

Segundo o treinador, quando o índice é forte, há um estímulo a mais para os corredores se focarem em provas específicas para obtenção do tempo e os estimula a treinar mais e evita que cheguem na Olimpíada e não façam uma boa prova. “As mulheres, por exemplo, correm uma prova plana e fria para obter os 2h37 e quando chegam lá encontram 30, 40 mulheres que correm melhor e não conseguem acompanhar”.

Um caso real lembrado pelo treinador aconteceu durante os Jogos Pan-americanos de Santo Domingo com a brasileira Maria do Carmo, que obteve o índice de forma apertada. “Ela chegou no Pan perguntando se poderia voltar antes, pois queria correr uma prova na cidade dela. As pessoas não ficam focadas, querem fazer tudo apenas para garantir o currículo”.

Favoritos - Nelson acredita que ninguém conseguirá alcançar a marca de Marílson Gomes, que atualmente ostenta 2h08min37 e aposta em Vanderlei Cordeiro e José Telles para abocanhar as duas outras vagas. “O Franck corre muita prova, tem condições de obter a vaga, mas vai ter que suar um pouco já que tem três abaixo dele. Acredito que o Vanderlei e o Telles também vão baixar um pouco mais o tempo”.

Já na prova feminina, várias mulheres vão tentar uma, já que Ednalva Laureano, a Pretinha, e Lucélia, devem debutar em maratonas esse ano de olho na competição chinesa. “Além delas, a Sirlene (Pinho) e a Marily (dos Santos) tem chances, além da Márcia Narloch, que corre por fora. Acredito que quem fizer entre 2h34 e 2h36 consegue a vaga”.

Nelson Evêncio finaliza dizendo que antigamente os tempos eram obtidos com mais facilidade, mesmo as condições de treino sendo piores do que hoje em dia. “Tem vários atletas das antigas que não contavam com toda a tecnologia de hoje e faziam tempos mais baixos, pois não corriam várias provas seguidas. Hoje em dia o pensamento é correr tudo e ainda ir para a Olimpíada”.


Treinador Nelson Evêncio comenta os índices olímpicos da Maratona

Maratona · 04 jan, 2008

O treinador Nélson Evêncio comenta os índices olímpicos exigidos para a prova de Maratona nos Jogos Olímpicos de Pequim este ano, considerados um tanto quanto altos por ele e por outros treinadores. Os tempos estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional são 2h15 como índice “A” e 2h18 como “B” para o masculino e 2h37min como “A” e 2h42 como “B” para as mulheres.

“Eu achei 2h15 muito fraco, tanto que já temos dois atletas abaixo de 2h13, o Vanderlei Cordeiro e o José Telles”, ressalta Evêncio sobre os tempos obtidos pelos brasileiros em Milão em dezembro. “Eu acho que o ideal seria abaixo de 2h12min59”, completa. Em Pequim o percurso não será tão complicado como em Atenas, mas a forte poluição que assola a cidade deve ser um fator de dificuldade.

Segundo o treinador, quando o índice é forte, há um estímulo a mais para os corredores se focarem em provas específicas para obtenção do tempo e os estimula a treinar mais e evita que cheguem na Olimpíada e não façam uma boa prova. “As mulheres, por exemplo, correm uma prova plana e fria para obter os 2h37 e quando chegam lá encontram 30, 40 mulheres que correm melhor e não conseguem acompanhar”.

Um caso real lembrado pelo treinador aconteceu durante os Jogos Pan-americanos de Santo Domingo com a brasileira Maria do Carmo, que obteve o índice de forma apertada. “Ela chegou no Pan perguntando se poderia voltar antes, pois queria correr uma prova na cidade dela. As pessoas não ficam focadas, querem fazer tudo apenas para garantir o currículo”.

Favoritos - Nelson acredita que ninguém conseguirá alcançar a marca de Marílson Gomes, que atualmente ostenta 2h08min37 e aposta em Vanderlei Cordeiro e José Telles para abocanhar as duas outras vagas. “O Franck corre muita prova, tem condições de obter a vaga, mas vai ter que suar um pouco já que tem três abaixo dele. Acredito que o Vanderlei e o Telles também vão baixar um pouco mais o tempo”.

Já na prova feminina, várias mulheres vão tentar uma, já que Ednalva Laureano, a Pretinha, e Lucélia, devem debutar em maratonas esse ano de olho na competição chinesa. “Além delas, a Sirlene (Pinho) e a Marily (dos Santos) tem chances, além da Márcia Narloch, que corre por fora. Acredito que quem fizer entre 2h34 e 2h36 consegue a vaga”.

Nelson Evêncio finaliza dizendo que antigamente os tempos eram obtidos com mais facilidade, mesmo as condições de treino sendo piores do que hoje em dia. “Tem vários atletas das antigas que não contavam com toda a tecnologia de hoje e faziam tempos mais baixos, pois não corriam várias provas seguidas. Hoje em dia o pensamento é correr tudo e ainda ir para a Olimpíada”.

Usar tempo líquido é a solução na São Silvestre

Imagine a cena: 20 mil corredores saindo de uma das pistas da Avenida Paulista sentido consolação na largada da São Silvestre e entre essas duas dezenas de milhares algumas centenas que pretendem baixar os tempos. Segundo o treinador Nelson Evêncio, para melhorar o tempo o corredor deve tentar largar à frente do pelotão, ou contar apenas com o tempo líquido.

“O ideal é treinar bem e contar mais como tempo líquido, pois o bruto é complicado, conte mais com o seu relógio do que com o da prova, a São Silvestre não é ideal para fazer tempo”, ressalta Evêncio. “Pode-se melhorar em relação ao ano anterior, mas sempre será mais alto do que o seu melhor tempo”, enfatiza.

Segundo ele, aqueles que quiserem sair à frente e resolverem chegar horas antes da largada, podem perder performance durante os 15 quilômetros da competição. “Quando as mulheres largavam às 15h15, muitos homens ficavam até às 17h esperando nas baias, um fazendo xixi em cima do outro, de pé sob forte calor e na hora de largar não tinha mais perna”, lembra o treinador.

Espera - Para Evêncio o ideal é chegar ao local da prova com uma hora de antecedência, realizar um bom aquecimento e alongamento e, faltando meia hora para o tiro inicial, se alinhar para o começo da prova. “Os corredores terão que enfrentar um certo tumulto para chegar na largada, mas é melhor do que perder rendimento chegando muito antes”.

Geralmente nessa época do ano o calor é forte e se torna um adversário ainda mais perigoso, pois a grande concentração de pessoas impede a circulação do ar e deixa o local abafado. “É interessante levar uma garrafinha de água para se hidratar e jogar no corpo enquanto espera”, lembra o treinador da Assessoria Esportiva que leva seu nome.

A receita vale tanto para os homens, quanto para as mulheres, já que a largada esse ano será em conjunto, às 16h45. “Eu acho o novo horário bom, pois as mulheres vão sair mais tarde, mas a largada, que é o grande problema nas provas brasileiras, será tumultuada”. Ainda segundo Evêncio, as corredoras que não são de elite, mas pretendem sair neste pelotão ano que vem, dificilmente conseguirão fazer um tempo que as classifique para tanto.

Apesar das dificuldades encontradas, a competição já se tornou tradicional no calendário nacional e a cada ano o número de participantes aumenta. “É uma prova legal, festiva, a última vez que eu corri o Santos havia sido campeão, então fui com a camisa comemorar”, lembra o simpatizante do time de Vila Belmiro.

Com o treino redondinho, a melhor alternativa é mesmo esperar a boiada passar e se basear no tempo calculado do instante em que se pisa no primeiro tapete de chip até o último, descontando-se o tempo perdido até alcançar o pórtico inicial. “A classificação vai lá para baixo, mas não tem outro jeito”, finaliza Evêncio.


Usar tempo líquido é a solução na São Silvestre

Corridas de Rua · 10 dez, 2007

Imagine a cena: 20 mil corredores saindo de uma das pistas da Avenida Paulista sentido consolação na largada da São Silvestre e entre essas duas dezenas de milhares algumas centenas que pretendem baixar os tempos. Segundo o treinador Nelson Evêncio, para melhorar o tempo o corredor deve tentar largar à frente do pelotão, ou contar apenas com o tempo líquido.

“O ideal é treinar bem e contar mais como tempo líquido, pois o bruto é complicado, conte mais com o seu relógio do que com o da prova, a São Silvestre não é ideal para fazer tempo”, ressalta Evêncio. “Pode-se melhorar em relação ao ano anterior, mas sempre será mais alto do que o seu melhor tempo”, enfatiza.

Segundo ele, aqueles que quiserem sair à frente e resolverem chegar horas antes da largada, podem perder performance durante os 15 quilômetros da competição. “Quando as mulheres largavam às 15h15, muitos homens ficavam até às 17h esperando nas baias, um fazendo xixi em cima do outro, de pé sob forte calor e na hora de largar não tinha mais perna”, lembra o treinador.

Espera - Para Evêncio o ideal é chegar ao local da prova com uma hora de antecedência, realizar um bom aquecimento e alongamento e, faltando meia hora para o tiro inicial, se alinhar para o começo da prova. “Os corredores terão que enfrentar um certo tumulto para chegar na largada, mas é melhor do que perder rendimento chegando muito antes”.

Geralmente nessa época do ano o calor é forte e se torna um adversário ainda mais perigoso, pois a grande concentração de pessoas impede a circulação do ar e deixa o local abafado. “É interessante levar uma garrafinha de água para se hidratar e jogar no corpo enquanto espera”, lembra o treinador da Assessoria Esportiva que leva seu nome.

A receita vale tanto para os homens, quanto para as mulheres, já que a largada esse ano será em conjunto, às 16h45. “Eu acho o novo horário bom, pois as mulheres vão sair mais tarde, mas a largada, que é o grande problema nas provas brasileiras, será tumultuada”. Ainda segundo Evêncio, as corredoras que não são de elite, mas pretendem sair neste pelotão ano que vem, dificilmente conseguirão fazer um tempo que as classifique para tanto.

Apesar das dificuldades encontradas, a competição já se tornou tradicional no calendário nacional e a cada ano o número de participantes aumenta. “É uma prova legal, festiva, a última vez que eu corri o Santos havia sido campeão, então fui com a camisa comemorar”, lembra o simpatizante do time de Vila Belmiro.

Com o treino redondinho, a melhor alternativa é mesmo esperar a boiada passar e se basear no tempo calculado do instante em que se pisa no primeiro tapete de chip até o último, descontando-se o tempo perdido até alcançar o pórtico inicial. “A classificação vai lá para baixo, mas não tem outro jeito”, finaliza Evêncio.

Supercompensação: treinando e empurrando seus limites

Uma vez que você já tenha passado por uma rigorosa avaliação médica, cardiológica e ortopédica, é hora de contratar a orientação de um treinador especializado em corrida, iniciar seus treinos de forma correta, gradual e empurrar seus limites.

Ah, você não é uma pessoa muito competitiva e não pretende se estressar nem um pouco com isso? Ok. É algo que deve ser respeitado, assim como também deve ser respeitada a pretensão de quem é mais competitivo e faz disso sua motivação para os treinos. De qualquer forma, ao contrário do que muitos pensam a até apregoam por aí, correr um pouco mais longe, ou um pouco mais rápido não é nenhum pecado. Ao contrário, é algo natural, muito motivante e que pode ser alcançado sem muito sofrimento, apenas aproveitando corretamente um fenômeno chamado de Supercompensação.

Numa explicação bem simples e objetiva, a Supercompensação ocorre quando você aplica no organismo uma carga um pouco acima do que ele está habituado, quebrando o equilíbrio, depois você repousa bem, se alimenta adequadamente, e em seguida, aplica uma nova carga. Com a aplicação sucessiva de cargas crescentes e a quebra constante do equilíbrio, aliados ao repouso e a alimentação adequada, há uma resposta positiva do organismo, fazendo com que sua forma física melhore em relação ao estado anterior.

Na linguagem do treinamento chamamos o equilíbrio de homeostase e procuramos sempre estar quebrando esta homeostase, para com o tempo levá-la a um patamar mais elevado. Esse processo explica porque correr determinada distância com o tempo passa a ser bem mais fácil e como ocorre a evolução na maioria das pessoas que treinam, se alimentam e repousam corretamente.

Se voltarmos no tempo, lembraremos que no início, a maioria de nós desafiava as distâncias menores. Alguns andando, andando e correndo ou já correndo direto, mas em curtas distâncias, que mais pareciam uma eternidade!

Com o tempo vieram os treinos e provas de 10km, e em alguns casos, 15km, meia maratona e até maratona. Para os iniciantes, hoje pensar em uma corrida de 10, 15km pode até parecer algo muito distante, mas com muita calma, com o acúmulo de treinamento e a crescente aplicação de estímulos (treinos), os limites serão cada vez mais ampliados, ao passo de alguns mais avançados, com mais anos de treinamento, hoje acharem um treino que antigamente era considerado um “longão” um verdadeiro “treininho”!

Correr mais rápido também é um desafio. Imagino que você faça 10km em 65 minutos, 60, 55, 50 e queira percorrê-los em um tempo menor. Tudo é uma questão de treinar corretamente, assim com no caso dos que querem correr um pouco mais longe. Às vezes pode até parecer meio impossível, mas com a somatória de treinos, com a freqüência semanal adequada e planejada, você chegará lá e acabará até dizendo: nossa, quem diria que um dia eu chegaria aqui! Interrompendo os treinos e cessando os estímulos, infelizmente acabará dizendo: quem diria que um dia eu corri tão rápido!

Ainda falando dos estímulos, devemos considerar que a lei da supercompensação tem algumas outras simples regras: estímulos muito fracos ou sem a freqüência adequada não trazem melhora ao organismo, estímulos em intensidade adequada provocam melhora, mas estímulos em intensidade muito alta podem causar prejuízos.

Baseado nesse raciocínio dá para entender porque algumas pessoas não evoluem em seu estado de treinamento. Algumas, por exemplos, que dão estímulos em quantidade insuficiente na semana, os famosos atletas de final de semana. Nestes casos, o organismo recebe uma carga, se recupera e fica esperando um novo estímulo, mas este só vem muitos dias depois, quando o efeito do anterior já se foi. Aliás, o grande risco que correm estes indivíduos é o de realizarem um esforço demasiado, sem que o organismo esteja acostumado e preparado!

Há ainda os atletas que aplicam cargas muito baixas, não estimulando em nada o organismo e alguns que aplicam cargas muito altas no momento errado, não dão o intervalo adequado e logo em seguida, aplicam uma nova carga, gerando um desgaste muito alto, tornando impossível a recuperação e fazendo com que a forma física piore. Passado algum tempo este organismo massacrado pode atingir aquilo que chamamos de “Overtraining”, cujas conseqüências mais comuns são irritabilidade, cansaço, dores articulares, lesões, elevação da freqüência cardíaca, perda do sono e queda do rendimento.

O ideal é aplicar a carga correta para aquele dia, sempre considerando a disposição física que se encontra o indivíduo naquele dia, os treinos que vieram anteriormente, os que virão posteriormente e nunca descuidando do repouso e da alimentação.

É evidente que o nível e tempo de treinamento, além de outros referenciais de controle, serão o que definirão exatamente a carga correta. Correr 10km em 40 minutos para um atleta de alto nível, por exemplo, pode ser um estímulo fraco, porém, se este o fizer em um treino pós competição, pode vir a ser um treino na medida exata. Para alguns de nós mortais, mesmo que em um dia muito inspirado e no ápice da forma física, correr apenas um quilômetro neste ritmo, pode significar um esforço pra lá de muito forte!

Em resumo, a aplicação e o acúmulo adequado das cargas de treinamento, explicam o milagre que faz as pessoas melhorem sua forma física, mesmo que sem fazer muito sacrifício, apenas respeitando corretamente a Lei da Supercompensação. Não tenha medo de empurrar seus limites gradativamente, pois a própria natureza do organismo já foi projetada para contribuir com isso. Com respeito, moderação, sabedoria e planejamento, mas sem medo, os limites nasceram para serem superados. Como diria a frase celebre de Richard Bach: "Valorize os seus limites e por certo não se livrará mais deles”.


Supercompensação: treinando e empurrando seus limites

Atletismo · 20 nov, 2007

Uma vez que você já tenha passado por uma rigorosa avaliação médica, cardiológica e ortopédica, é hora de contratar a orientação de um treinador especializado em corrida, iniciar seus treinos de forma correta, gradual e empurrar seus limites.

Ah, você não é uma pessoa muito competitiva e não pretende se estressar nem um pouco com isso? Ok. É algo que deve ser respeitado, assim como também deve ser respeitada a pretensão de quem é mais competitivo e faz disso sua motivação para os treinos. De qualquer forma, ao contrário do que muitos pensam a até apregoam por aí, correr um pouco mais longe, ou um pouco mais rápido não é nenhum pecado. Ao contrário, é algo natural, muito motivante e que pode ser alcançado sem muito sofrimento, apenas aproveitando corretamente um fenômeno chamado de Supercompensação.

Numa explicação bem simples e objetiva, a Supercompensação ocorre quando você aplica no organismo uma carga um pouco acima do que ele está habituado, quebrando o equilíbrio, depois você repousa bem, se alimenta adequadamente, e em seguida, aplica uma nova carga. Com a aplicação sucessiva de cargas crescentes e a quebra constante do equilíbrio, aliados ao repouso e a alimentação adequada, há uma resposta positiva do organismo, fazendo com que sua forma física melhore em relação ao estado anterior.

Na linguagem do treinamento chamamos o equilíbrio de homeostase e procuramos sempre estar quebrando esta homeostase, para com o tempo levá-la a um patamar mais elevado. Esse processo explica porque correr determinada distância com o tempo passa a ser bem mais fácil e como ocorre a evolução na maioria das pessoas que treinam, se alimentam e repousam corretamente.

Se voltarmos no tempo, lembraremos que no início, a maioria de nós desafiava as distâncias menores. Alguns andando, andando e correndo ou já correndo direto, mas em curtas distâncias, que mais pareciam uma eternidade!

Com o tempo vieram os treinos e provas de 10km, e em alguns casos, 15km, meia maratona e até maratona. Para os iniciantes, hoje pensar em uma corrida de 10, 15km pode até parecer algo muito distante, mas com muita calma, com o acúmulo de treinamento e a crescente aplicação de estímulos (treinos), os limites serão cada vez mais ampliados, ao passo de alguns mais avançados, com mais anos de treinamento, hoje acharem um treino que antigamente era considerado um “longão” um verdadeiro “treininho”!

Correr mais rápido também é um desafio. Imagino que você faça 10km em 65 minutos, 60, 55, 50 e queira percorrê-los em um tempo menor. Tudo é uma questão de treinar corretamente, assim com no caso dos que querem correr um pouco mais longe. Às vezes pode até parecer meio impossível, mas com a somatória de treinos, com a freqüência semanal adequada e planejada, você chegará lá e acabará até dizendo: nossa, quem diria que um dia eu chegaria aqui! Interrompendo os treinos e cessando os estímulos, infelizmente acabará dizendo: quem diria que um dia eu corri tão rápido!

Ainda falando dos estímulos, devemos considerar que a lei da supercompensação tem algumas outras simples regras: estímulos muito fracos ou sem a freqüência adequada não trazem melhora ao organismo, estímulos em intensidade adequada provocam melhora, mas estímulos em intensidade muito alta podem causar prejuízos.

Baseado nesse raciocínio dá para entender porque algumas pessoas não evoluem em seu estado de treinamento. Algumas, por exemplos, que dão estímulos em quantidade insuficiente na semana, os famosos atletas de final de semana. Nestes casos, o organismo recebe uma carga, se recupera e fica esperando um novo estímulo, mas este só vem muitos dias depois, quando o efeito do anterior já se foi. Aliás, o grande risco que correm estes indivíduos é o de realizarem um esforço demasiado, sem que o organismo esteja acostumado e preparado!

Há ainda os atletas que aplicam cargas muito baixas, não estimulando em nada o organismo e alguns que aplicam cargas muito altas no momento errado, não dão o intervalo adequado e logo em seguida, aplicam uma nova carga, gerando um desgaste muito alto, tornando impossível a recuperação e fazendo com que a forma física piore. Passado algum tempo este organismo massacrado pode atingir aquilo que chamamos de “Overtraining”, cujas conseqüências mais comuns são irritabilidade, cansaço, dores articulares, lesões, elevação da freqüência cardíaca, perda do sono e queda do rendimento.

O ideal é aplicar a carga correta para aquele dia, sempre considerando a disposição física que se encontra o indivíduo naquele dia, os treinos que vieram anteriormente, os que virão posteriormente e nunca descuidando do repouso e da alimentação.

É evidente que o nível e tempo de treinamento, além de outros referenciais de controle, serão o que definirão exatamente a carga correta. Correr 10km em 40 minutos para um atleta de alto nível, por exemplo, pode ser um estímulo fraco, porém, se este o fizer em um treino pós competição, pode vir a ser um treino na medida exata. Para alguns de nós mortais, mesmo que em um dia muito inspirado e no ápice da forma física, correr apenas um quilômetro neste ritmo, pode significar um esforço pra lá de muito forte!

Em resumo, a aplicação e o acúmulo adequado das cargas de treinamento, explicam o milagre que faz as pessoas melhorem sua forma física, mesmo que sem fazer muito sacrifício, apenas respeitando corretamente a Lei da Supercompensação. Não tenha medo de empurrar seus limites gradativamente, pois a própria natureza do organismo já foi projetada para contribuir com isso. Com respeito, moderação, sabedoria e planejamento, mas sem medo, os limites nasceram para serem superados. Como diria a frase celebre de Richard Bach: "Valorize os seus limites e por certo não se livrará mais deles”.

Conheça a história de Haile – mais longe e mais rápido

Hoje vamos falar de um atleta fenomenal, diferente daqueles que fazem algum resultado muito bom e depois desaparecem inexplicavelmente do mundo da corrida, ou então; daqueles que vencem muitas provas sem nenhuma expressão ou sem competir contra adversários fortes. Vamos falar do etíope Haile Gebrselassie que, no último 30 de setembro, estabeleceu a melhor marca mundial na Maratona de Berlim, com o tempo de 2h04min26 (ritmo de 2min57seg/km), superando em 29 segundos o recorde anterior de 2h04min55, do também extraordinário corredor Paul Tergat, do Quênia (4 vezes campeão da São Silvestre).

Haile, menino de origem humilde, nasceu em 18 de abril de 1973, em Arssi, na Etiópia. O começo, difícil e marcante, foi ir e voltar correndo de casa até a escola, assim como ainda acontece com muitos garotos na África. A tão falada influência do meio, associada ao talento natural, que mais tarde somada ao treinamento bem planejado e direcionado, pode resultar na fórmula dos grandes campeões.

Seu pai, homem ligado à cultura rural, não queria que ele fosse atleta, alegando que a corrida não lhe daria bom futuro. Mal sabia ele que, um dia, justamente este de seus tantos filhos seria um dos melhores corredores de todos os tempos e que acumularia diversos prêmios extraordinários, além de enormes honras à sua pequena e pobre pátria.

A primeira e precoce maratona foi aos 18 anos. Sem a necessária maturidade atlética e o treinamento adequado para encarar uma prova tão dura e longa, Haile chegou lá atrás e bem “tortinho”, como diriam no Rio de Janeiro. Refeito do grande pesadelo, dedicou-se aos treinos devidamente orientados e à participação em competições com distâncias menores. Os primeiros resultados vieram em forma de grandes vitórias nas pistas e o primeiro recorde mundial, este nos 5.000 metros, em 1994. Depois, veio o recorde também nos 10.000 metros, os quatro títulos mundiais consecutivos (93/95/97 e 99) na distância e as duas tão cobiçadas medalhas de ouro olímpicas (Atlanta -1996 e Sydney - 2006).

Mesmo já tendo passado por cirurgia no tendão de aquiles e ficado afastado das corridas por algum tempo, aos 34 anos e com cinco mais direcionados à maratona, este atleta de 1,65m de altura e 56 kg, acumula 24 recordes mundiais, em diversas provas, tanto em pista quanto nas ruas, nas distâncias de 3.000 metros em diante.

Nos 10km em rua tem 27min02seg, em Doha, Qatar (2002), feito que o levou a abocanhar a quantia de um milhão de dólares, um dos maiores prêmios que um corredor de rua já recebeu em uma prova. Na meia maratona (21.097 metros), tem 58min55seg e na maratona, obteve o recorde em sua sétima participação, segunda na plana Berlim, feito que o rendeu cerca de 510 mil euros, aproximadamente R$910 mil, entre cachê de participação, a vitória e a quebra do recorde.

Além deste recorde na maratona, as vitórias mais marcantes foram as duas olímpicas nos 10.000 metros, ambas sobre o próprio Paul Tergat, sendo que em uma delas, ambos deram um “sprint” cinematográfico nos últimos 100 metros, e Haile levou vantagem por uma diferença quase imperceptível a olho nu.

Esta rivalidade nas grandes competições não criou inimizade entre eles fora das pistas, muito pelo contrário. Após a maratona de Berlim, enquanto Haile concedia entrevista à imprensa, ele recebeu uma ligação, via celular, justamente do próprio Tergat, que o parabenizava pelo feito. O sempre bem humorado etíope disse o seguinte: “desculpe Paul. Acho que hoje as condições estavam melhores de que quando você correu para o recorde. Direi à organização para convidá-lo para o ano que vem”. Já Tergat, considerado um verdadeiro cavalheiro, disse à imprensa mundial: “o esporte é assim, recordes existem para serem quebrados. Estou muito feliz por ele, somos amigos”.

Apesar de tantos anos competindo em alto nível, tantas medalhas, histórias e recordes mundiais quebrados, Haile avisa: “prometi que correria a maratona para 2h03min. Isso não aconteceu. Talvez na próxima vez”. E quem ainda arriscaria desacreditar nas palavras de Haile Gebrselassie, o homem que nasceu para correr mais longe e mais rápido?


Conheça a história de Haile – mais longe e mais rápido

Maratona · 16 out, 2007

Hoje vamos falar de um atleta fenomenal, diferente daqueles que fazem algum resultado muito bom e depois desaparecem inexplicavelmente do mundo da corrida, ou então; daqueles que vencem muitas provas sem nenhuma expressão ou sem competir contra adversários fortes. Vamos falar do etíope Haile Gebrselassie que, no último 30 de setembro, estabeleceu a melhor marca mundial na Maratona de Berlim, com o tempo de 2h04min26 (ritmo de 2min57seg/km), superando em 29 segundos o recorde anterior de 2h04min55, do também extraordinário corredor Paul Tergat, do Quênia (4 vezes campeão da São Silvestre).

Haile, menino de origem humilde, nasceu em 18 de abril de 1973, em Arssi, na Etiópia. O começo, difícil e marcante, foi ir e voltar correndo de casa até a escola, assim como ainda acontece com muitos garotos na África. A tão falada influência do meio, associada ao talento natural, que mais tarde somada ao treinamento bem planejado e direcionado, pode resultar na fórmula dos grandes campeões.

Seu pai, homem ligado à cultura rural, não queria que ele fosse atleta, alegando que a corrida não lhe daria bom futuro. Mal sabia ele que, um dia, justamente este de seus tantos filhos seria um dos melhores corredores de todos os tempos e que acumularia diversos prêmios extraordinários, além de enormes honras à sua pequena e pobre pátria.

A primeira e precoce maratona foi aos 18 anos. Sem a necessária maturidade atlética e o treinamento adequado para encarar uma prova tão dura e longa, Haile chegou lá atrás e bem “tortinho”, como diriam no Rio de Janeiro. Refeito do grande pesadelo, dedicou-se aos treinos devidamente orientados e à participação em competições com distâncias menores. Os primeiros resultados vieram em forma de grandes vitórias nas pistas e o primeiro recorde mundial, este nos 5.000 metros, em 1994. Depois, veio o recorde também nos 10.000 metros, os quatro títulos mundiais consecutivos (93/95/97 e 99) na distância e as duas tão cobiçadas medalhas de ouro olímpicas (Atlanta -1996 e Sydney - 2006).

Mesmo já tendo passado por cirurgia no tendão de aquiles e ficado afastado das corridas por algum tempo, aos 34 anos e com cinco mais direcionados à maratona, este atleta de 1,65m de altura e 56 kg, acumula 24 recordes mundiais, em diversas provas, tanto em pista quanto nas ruas, nas distâncias de 3.000 metros em diante.

Nos 10km em rua tem 27min02seg, em Doha, Qatar (2002), feito que o levou a abocanhar a quantia de um milhão de dólares, um dos maiores prêmios que um corredor de rua já recebeu em uma prova. Na meia maratona (21.097 metros), tem 58min55seg e na maratona, obteve o recorde em sua sétima participação, segunda na plana Berlim, feito que o rendeu cerca de 510 mil euros, aproximadamente R$910 mil, entre cachê de participação, a vitória e a quebra do recorde.

Além deste recorde na maratona, as vitórias mais marcantes foram as duas olímpicas nos 10.000 metros, ambas sobre o próprio Paul Tergat, sendo que em uma delas, ambos deram um “sprint” cinematográfico nos últimos 100 metros, e Haile levou vantagem por uma diferença quase imperceptível a olho nu.

Esta rivalidade nas grandes competições não criou inimizade entre eles fora das pistas, muito pelo contrário. Após a maratona de Berlim, enquanto Haile concedia entrevista à imprensa, ele recebeu uma ligação, via celular, justamente do próprio Tergat, que o parabenizava pelo feito. O sempre bem humorado etíope disse o seguinte: “desculpe Paul. Acho que hoje as condições estavam melhores de que quando você correu para o recorde. Direi à organização para convidá-lo para o ano que vem”. Já Tergat, considerado um verdadeiro cavalheiro, disse à imprensa mundial: “o esporte é assim, recordes existem para serem quebrados. Estou muito feliz por ele, somos amigos”.

Apesar de tantos anos competindo em alto nível, tantas medalhas, histórias e recordes mundiais quebrados, Haile avisa: “prometi que correria a maratona para 2h03min. Isso não aconteceu. Talvez na próxima vez”. E quem ainda arriscaria desacreditar nas palavras de Haile Gebrselassie, o homem que nasceu para correr mais longe e mais rápido?

Corra maratona com saúde

Algumas publicações geraram polêmica sobre alguns riscos da maratona. A revista Circulation, por exemplo, especializada em cardiologia, cujo estudo feito por especialistas do Hospital Geral de Massachussettes (EUA), constatou o aumento nos níveis de troponina em 40% dos atletas pesquisados após a maratona de Boston. A troponina é uma proteína indicadora de dano às células cardíacas.

É sabido que, diferente das provas de até 21km, onde a recuperação é relativamente rápida, após uma maratona normalmente ocorre um prejuízo das células musculares, devido ao longo tempo de atividade repetitiva (contrações e descontrações), que são submetidos os músculos e ao impacto de milhares de passadas. Mas com um bom programa de recuperação, que inclui repouso, alimentação e retorno gradativo, tudo volta ao normal após duas ou três semanas, estando o corredor apto para reiniciar seu programa de treinos, podendo considerar a possibilidade em uma outra prova longa dali a quatro ou cinco meses.

O aumento da troponina e seus danos cardiológicos, segundo um dos mais conceituados cardiologistas de esportes do Brasil, Dr. Nabil Ghorayeb, tem o significado incerto, por não significar obrigatoriamente uma lesão cardíaca irreversível. Além disso, atualmente, não há maior quantidade de doenças cardíacas em maratonistas do que na população em geral. Pelo contrário, os maratonistas têm menos risco de infarto do que os sedentários.

Também foi alertado pelo artigo da revista que seis pessoas morreram de infarto nos Estados Unidos em maratonas, que ocorreram no ano de 2006. Mas, convém citar que, estatisticamente, nos Estados Unidos acontece maratonas em quase todos os 52 finais de semana. No ano passado completaram a prova cerca de 382 mil corredores, contra seis ou sete maratonas anuais no Brasil que tiveram cerca de oito mil concluintes.

As americanos são na maioria pessoas obesas e de péssimos hábitos alimentares, que terminam maratonas com tempos altos, provavelmente resultado destes fatores, somando-se ao despreparo físico ou treinamento por conta própria.

É natural que, após anos de treino com participações em várias provas de 10km, 15km e meia maratona, o corredor desperte seu interesse pela nobre prova de 42.195 metros.

Trabalhando há 12 anos com a modalidade, me deparo com diversos casos de corredores que foram evoluindo nas distâncias até chegar na maratona. Foram muitas histórias, muitas horas estudos e planejamento, muitos treinos acompanhados lado a lado e muitos quilômetros percorridos pelos alunos. Tudo isso com a finalidade de preparar adequadamente o corredor, isto é, sem o comprometimento de sua saúde; muito pelo contrário, provocando muitas mudanças positivas em seu cotidiano e, conseqüentemente, melhorando a sua qualidade de vida.

Trabalhar com maratonistas amadores é uma de nossas grandes paixões, pois é sempre algo muito gratificante e inesquecível, poder servir de ponte entre o ser humano e seu grande sonho. Como diz uma bem sucedida campanha publicitária: “há coisas que o dinheiro não compra”.

Entretanto, para tornar este treinamento algo seguro e saudável, é necessário que o acompanhamento sempre seja feito o mais próximo possível por um profissional de Educação Física especializado na modalidade, sem se esquecer de um bom acompanhamento médico, antes, durante e depois dos treinamentos e da prova, e que diversos cuidados sejam tomados.

É preciso que sejam respeitados os intervalos corretos entre cada tipo de treino e prova, que sejam dosadas as distâncias, e que haja um planejamento muito minucioso sempre sujeito às respostas do corpo do corredor.

Outra coisa fundamental a ser considerada, é que nos esportes de longa distância, o organismo só consegue atingir dois ápices no condicionamento físico durante o ano (Weineck 2003), e que este ápice normalmente tem a duração de 15 a 45 dias (Dantas 1995), caindo a forma física após este período, sendo indispensável umas belas férias. É impossível estar 100% o tempo todo, o ideal é fazer no máximo duas maratonas por ano, dando um bom intervalo entre a recuperação, o reinicio dos treinos e a próxima prova.

Recentemente foi publicada uma outra matéria sobre maratona, desta vez em uma revista de corrida brasileira, onde o autor, que não é profissional da saúde, baseado em uma experiência pessoal, recomenda seus leitores a participar de duas maratonas, com intervalo de apenas uma semana. Segundo ele, isso vai contra os livros, revistas, sites e o que recomendam treinadores, fisiologistas e corredores experientes, citados por ele como “entendidos no assunto”, mas que são variáveis que mudam de pessoa para pessoa.

O autor baseou-se também, no fato do “super atleta” etíope Haile Gebreselassie, ter corrido três maratonas em 2006, sendo que da segunda para a terceira, teve um intervalo de 10 semanas. Ora, em primeiro lugar é necessário lembrar que o Haile, um dos melhores atletas de provas de fundo de todos os tempos, possui mais de 20 anos integralmente dedicados ao atletismo. Segundo a fisiologia do exercício, quanto mais treinado for o atleta, melhor e mais rápido é seu tempo de recuperação, mas isso não quer dizer que o fato dele ter corrido 2 maratonas com intervalo de 10 semanas entre elas, sirva de argumento par que nós, mortais, possamos fazer duas maratonas com intervalo de apenas 1 semana, sem colocar nossa saúde em risco.

Temos poucos maratonistas no país, se não tomarmos cuidado com este tipo de informação distorcida então...

Finalizando, gostaria de reforçar que se deve ficar muito crítico a inúmeras publicações a que somos submetidos pelos meios de comunicação. Deve-se alertar para os riscos e benefícios no treinamento para a maratona. Ingressar na distância por modismo, sem ter um bom lastro de provas mais curtas e não dar a devida importância ao tempo de recuperação entre uma prova e a outra, pode colocar em risco o seu maior patrimônio: sua saúde!

Bibliografia

- Weineck, J; Biologia do Esporte; Manole; 1991
- Weineck, J; Treinamento Ideal; Manole; 2003
- Dantas, Estélio H.M; A prática da Preparação Física; Shape; 1995
- Zakharov, Andrei; Ciência do Treinamento Desportivo; Palestra Sport 1992
- Moreira B. Sergio; Equacionando o Treinamento - A matemática das provas longas; Shape; 1996


Corra maratona com saúde

Maratona · 20 fev, 2007

Algumas publicações geraram polêmica sobre alguns riscos da maratona. A revista Circulation, por exemplo, especializada em cardiologia, cujo estudo feito por especialistas do Hospital Geral de Massachussettes (EUA), constatou o aumento nos níveis de troponina em 40% dos atletas pesquisados após a maratona de Boston. A troponina é uma proteína indicadora de dano às células cardíacas.

É sabido que, diferente das provas de até 21km, onde a recuperação é relativamente rápida, após uma maratona normalmente ocorre um prejuízo das células musculares, devido ao longo tempo de atividade repetitiva (contrações e descontrações), que são submetidos os músculos e ao impacto de milhares de passadas. Mas com um bom programa de recuperação, que inclui repouso, alimentação e retorno gradativo, tudo volta ao normal após duas ou três semanas, estando o corredor apto para reiniciar seu programa de treinos, podendo considerar a possibilidade em uma outra prova longa dali a quatro ou cinco meses.

O aumento da troponina e seus danos cardiológicos, segundo um dos mais conceituados cardiologistas de esportes do Brasil, Dr. Nabil Ghorayeb, tem o significado incerto, por não significar obrigatoriamente uma lesão cardíaca irreversível. Além disso, atualmente, não há maior quantidade de doenças cardíacas em maratonistas do que na população em geral. Pelo contrário, os maratonistas têm menos risco de infarto do que os sedentários.

Também foi alertado pelo artigo da revista que seis pessoas morreram de infarto nos Estados Unidos em maratonas, que ocorreram no ano de 2006. Mas, convém citar que, estatisticamente, nos Estados Unidos acontece maratonas em quase todos os 52 finais de semana. No ano passado completaram a prova cerca de 382 mil corredores, contra seis ou sete maratonas anuais no Brasil que tiveram cerca de oito mil concluintes.

As americanos são na maioria pessoas obesas e de péssimos hábitos alimentares, que terminam maratonas com tempos altos, provavelmente resultado destes fatores, somando-se ao despreparo físico ou treinamento por conta própria.

É natural que, após anos de treino com participações em várias provas de 10km, 15km e meia maratona, o corredor desperte seu interesse pela nobre prova de 42.195 metros.

Trabalhando há 12 anos com a modalidade, me deparo com diversos casos de corredores que foram evoluindo nas distâncias até chegar na maratona. Foram muitas histórias, muitas horas estudos e planejamento, muitos treinos acompanhados lado a lado e muitos quilômetros percorridos pelos alunos. Tudo isso com a finalidade de preparar adequadamente o corredor, isto é, sem o comprometimento de sua saúde; muito pelo contrário, provocando muitas mudanças positivas em seu cotidiano e, conseqüentemente, melhorando a sua qualidade de vida.

Trabalhar com maratonistas amadores é uma de nossas grandes paixões, pois é sempre algo muito gratificante e inesquecível, poder servir de ponte entre o ser humano e seu grande sonho. Como diz uma bem sucedida campanha publicitária: “há coisas que o dinheiro não compra”.

Entretanto, para tornar este treinamento algo seguro e saudável, é necessário que o acompanhamento sempre seja feito o mais próximo possível por um profissional de Educação Física especializado na modalidade, sem se esquecer de um bom acompanhamento médico, antes, durante e depois dos treinamentos e da prova, e que diversos cuidados sejam tomados.

É preciso que sejam respeitados os intervalos corretos entre cada tipo de treino e prova, que sejam dosadas as distâncias, e que haja um planejamento muito minucioso sempre sujeito às respostas do corpo do corredor.

Outra coisa fundamental a ser considerada, é que nos esportes de longa distância, o organismo só consegue atingir dois ápices no condicionamento físico durante o ano (Weineck 2003), e que este ápice normalmente tem a duração de 15 a 45 dias (Dantas 1995), caindo a forma física após este período, sendo indispensável umas belas férias. É impossível estar 100% o tempo todo, o ideal é fazer no máximo duas maratonas por ano, dando um bom intervalo entre a recuperação, o reinicio dos treinos e a próxima prova.

Recentemente foi publicada uma outra matéria sobre maratona, desta vez em uma revista de corrida brasileira, onde o autor, que não é profissional da saúde, baseado em uma experiência pessoal, recomenda seus leitores a participar de duas maratonas, com intervalo de apenas uma semana. Segundo ele, isso vai contra os livros, revistas, sites e o que recomendam treinadores, fisiologistas e corredores experientes, citados por ele como “entendidos no assunto”, mas que são variáveis que mudam de pessoa para pessoa.

O autor baseou-se também, no fato do “super atleta” etíope Haile Gebreselassie, ter corrido três maratonas em 2006, sendo que da segunda para a terceira, teve um intervalo de 10 semanas. Ora, em primeiro lugar é necessário lembrar que o Haile, um dos melhores atletas de provas de fundo de todos os tempos, possui mais de 20 anos integralmente dedicados ao atletismo. Segundo a fisiologia do exercício, quanto mais treinado for o atleta, melhor e mais rápido é seu tempo de recuperação, mas isso não quer dizer que o fato dele ter corrido 2 maratonas com intervalo de 10 semanas entre elas, sirva de argumento par que nós, mortais, possamos fazer duas maratonas com intervalo de apenas 1 semana, sem colocar nossa saúde em risco.

Temos poucos maratonistas no país, se não tomarmos cuidado com este tipo de informação distorcida então...

Finalizando, gostaria de reforçar que se deve ficar muito crítico a inúmeras publicações a que somos submetidos pelos meios de comunicação. Deve-se alertar para os riscos e benefícios no treinamento para a maratona. Ingressar na distância por modismo, sem ter um bom lastro de provas mais curtas e não dar a devida importância ao tempo de recuperação entre uma prova e a outra, pode colocar em risco o seu maior patrimônio: sua saúde!

Bibliografia

- Weineck, J; Biologia do Esporte; Manole; 1991
- Weineck, J; Treinamento Ideal; Manole; 2003
- Dantas, Estélio H.M; A prática da Preparação Física; Shape; 1995
- Zakharov, Andrei; Ciência do Treinamento Desportivo; Palestra Sport 1992
- Moreira B. Sergio; Equacionando o Treinamento - A matemática das provas longas; Shape; 1996

Renove suas força da corrida como a águia

Mais um novo ano se inicia. Hora de renovarmos nossas esperanças, nossas forças, nosso fôlego, reestruturarmos nossa programação de treinos para novas conquistas. Quando o assunto é renovação ou reestruturação, a história da águia é um dos mais felizes exemplos e uma das mais utilizadas metáforas.

Águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Ela vive até 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão aos 40. Nessa idade ela fica com as unhas compridas e flexíveis e conseqüentemente não consegue mais agarrar as presas das quais se alimenta. O bico está alongado e pontiagudo pressionando-lhe o peito. Já as asas estão envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas. Voar já está estupidamente difícil! Então, só lhe restam duas alternativas: morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que durará 150 dias.

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão, onde esteja protegida dos predadores. Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico na parede até conseguir arrancá-lo. Depois, espera nascer um novo bico, pois com ele arrancará suas unhas gastas. Quando nascem as novas unhas, ela passa a arrancar as velhas penas uma a uma. Após CINCO longos meses de sofrimento, com bico, garras e penas novas, a águia sai para o famoso vôo de renovação e VAI VIVER MAIS 30 ANOS!

A rotina, tanto mental quanto motora, é um dos maiores inimigos de nosso cérebro. Esta máquina fantástica, de pouco mais de um quilo e que registra milhões de informações por segundo, é ainda obscura e sujeita a hipóteses, mas é sabido que precisa das mais variadas formas de estímulos para ser explorada ao máximo. Nossos preciosos cerca de 212 músculos, por exemplo, compõem um sistema capaz de efetuar uma imensa variedade de movimentos como contrações musculares, que também são controlados e estimulados por este cérebro.

A vida nas grandes cidades, as facilidades do mundo moderno e a luta contra o tempo para realizarmos tantas atividades, acabam nos tornando escravos desta rotina. É muito comum as pessoas fazerem sempre as mesmas coisas, nos mesmos horários e locais, mas, muitas vezes, sem ser de forma prazerosa e, para piorar ainda mais a situação, sob uma certa dose de obrigação.

Alguns ficam tão automatizados que fazem questão de percorrer sempre o mesmo caminho, de carro ou a pé, de parar seus carros sempre nos mesmos locais, correr os mesmos percursos, repetir as mesmas séries, os mesmos treinos e as mesmas provas. Após algum tempo, estas pessoas fatalmente acabam enjoando do que estão fazendo e, aquilo que antes era um grande prazer, acaba tornando-se uma coisa aborrecida, além de não produzir ou de produzir bem poucos resultados.

Diz uma sábia frase, muito conhecida no ramo da administração: “Loucura é fazermos sempre as mesmas coisas e esperarmos por resultados diferentes”.
Para evoluirmos na vida e não cairmos no marasmo, precisamos sempre lutar contra a “zona de conforto”. Muitas vezes é necessário seguir o exemplo da velha águia, pois se quisermos viver mais e melhor, precisamos trocar nosso bico, nossas penas e nossas asas, mesmo que este processo possa ser muito doloroso.

Precisamos lutar incessantemente contra a rotina, procurar treinar em locais diferentes, em horários diferentes. Treinar em subidas, descidas, nas trilhas, nas praias. Percorrer novos horizontes, buscar novos desafios, estabelecer novas metas e objetivos. Fugir das já tradicionais provas que acontecem sempre nos mesmos locais e nas mesmas distâncias. Aumentar e variar bem estas distâncias, renovar a velha série de musculação, a planilha de treinos de corrida, enfim, renovar nossos esforços para podermos partir para novas e grandes conquistas. Um grande desafio para o novo ano!


Renove suas força da corrida como a águia

Atletismo · 10 jan, 2007

Mais um novo ano se inicia. Hora de renovarmos nossas esperanças, nossas forças, nosso fôlego, reestruturarmos nossa programação de treinos para novas conquistas. Quando o assunto é renovação ou reestruturação, a história da águia é um dos mais felizes exemplos e uma das mais utilizadas metáforas.

Águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Ela vive até 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão aos 40. Nessa idade ela fica com as unhas compridas e flexíveis e conseqüentemente não consegue mais agarrar as presas das quais se alimenta. O bico está alongado e pontiagudo pressionando-lhe o peito. Já as asas estão envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas. Voar já está estupidamente difícil! Então, só lhe restam duas alternativas: morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação que durará 150 dias.

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão, onde esteja protegida dos predadores. Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico na parede até conseguir arrancá-lo. Depois, espera nascer um novo bico, pois com ele arrancará suas unhas gastas. Quando nascem as novas unhas, ela passa a arrancar as velhas penas uma a uma. Após CINCO longos meses de sofrimento, com bico, garras e penas novas, a águia sai para o famoso vôo de renovação e VAI VIVER MAIS 30 ANOS!

A rotina, tanto mental quanto motora, é um dos maiores inimigos de nosso cérebro. Esta máquina fantástica, de pouco mais de um quilo e que registra milhões de informações por segundo, é ainda obscura e sujeita a hipóteses, mas é sabido que precisa das mais variadas formas de estímulos para ser explorada ao máximo. Nossos preciosos cerca de 212 músculos, por exemplo, compõem um sistema capaz de efetuar uma imensa variedade de movimentos como contrações musculares, que também são controlados e estimulados por este cérebro.

A vida nas grandes cidades, as facilidades do mundo moderno e a luta contra o tempo para realizarmos tantas atividades, acabam nos tornando escravos desta rotina. É muito comum as pessoas fazerem sempre as mesmas coisas, nos mesmos horários e locais, mas, muitas vezes, sem ser de forma prazerosa e, para piorar ainda mais a situação, sob uma certa dose de obrigação.

Alguns ficam tão automatizados que fazem questão de percorrer sempre o mesmo caminho, de carro ou a pé, de parar seus carros sempre nos mesmos locais, correr os mesmos percursos, repetir as mesmas séries, os mesmos treinos e as mesmas provas. Após algum tempo, estas pessoas fatalmente acabam enjoando do que estão fazendo e, aquilo que antes era um grande prazer, acaba tornando-se uma coisa aborrecida, além de não produzir ou de produzir bem poucos resultados.

Diz uma sábia frase, muito conhecida no ramo da administração: “Loucura é fazermos sempre as mesmas coisas e esperarmos por resultados diferentes”.
Para evoluirmos na vida e não cairmos no marasmo, precisamos sempre lutar contra a “zona de conforto”. Muitas vezes é necessário seguir o exemplo da velha águia, pois se quisermos viver mais e melhor, precisamos trocar nosso bico, nossas penas e nossas asas, mesmo que este processo possa ser muito doloroso.

Precisamos lutar incessantemente contra a rotina, procurar treinar em locais diferentes, em horários diferentes. Treinar em subidas, descidas, nas trilhas, nas praias. Percorrer novos horizontes, buscar novos desafios, estabelecer novas metas e objetivos. Fugir das já tradicionais provas que acontecem sempre nos mesmos locais e nas mesmas distâncias. Aumentar e variar bem estas distâncias, renovar a velha série de musculação, a planilha de treinos de corrida, enfim, renovar nossos esforços para podermos partir para novas e grandes conquistas. Um grande desafio para o novo ano!

O que virá após a Copa?

Dentro de poucos dias, a atenção de países do mundo todo estará voltada para um dos maiores eventos esportivos deste Planeta: a 18ª Copa do Mundo de Futebol. Agendada para nove de junho a nove de julho, na Alemanha, esta Copa tem como franco favorito ao título de campeão, o único país que conseguiu a grande façanha em conquista-lo por cinco vezes: o Brasil.

Os demais países que nos perdoem a falta de modéstia, mas temos motivos de sobra para pensarmos tão positivamente sobre a gloriosa Seleção Brasileira de Futebol. Vejamos porque: a) o Brasil é o único país que participou de todas as 17 edições da Copa; b) esteve na final nas últimas três edições; c) antes mesmo que um competente Ronaldo entre em declínio, surge um outro espetacular Ronaldo chamado de Ronaldinho Gaúcho - que por sinal foi eleito o melhor jogador do mundo nos últimos 2 anos - para se somar à mais valorizada concentração de craques do mundo; d) o Brasil é o país que mais exporta jogadores; e) etc.

Com todas essas evidências, está difícil administrar a nossa ansiedade. Não vemos a hora vibrar com o famoso quarteto mágico, formado por Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Adriano.

Assim, por vivermos no país do futebol, é natural que este esporte ocupe quase todo o espaço da mídia, no coração do nosso sofrido povo e no meio daqueles que se valem da Copa para levar mais uma “vantagem”.

Mas, e os outros esportes? E os Jogos Pan-Americanos Rio 2007?

Os Jogos Pan-Americanos acontecem de dois em dois anos e contam com a presença de grandes potências esportivas como: EUA, Cuba, Canadá e muitos outros. O Brasil será sede deste grande evento pela segunda vez (a primeira foi em 1963, em S.Paulo). Estes jogos poderão ser um marco no desenvolvimento de vários esportes, além de proporcionar o surgimento de novas estrelas brasileiras.

A Cbat (Confederação Brasileira de Atletismo) teve a ótima idéia de criar o Programa Pré-Pan, onde através de um contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal, está dando suporte financeiro a diversos atletas, proporcionando-lhes viagens, campings de treinamento aqui e no exterior com ótimos técnicos, competições internacionais e prêmios por quebra de recordes. Este programa está colaborando muito para que os nossos atletas tenham uma ótima preparação. Com isso, já temos visto grande evolução técnica e vários recordes nacionais e sul-americanos sendo batidos.

Um importantíssimo fator a ser considerado é que, pela primeira vez, o país sede custeará todas as despesas aéreas, de hospedagem e de alimentação dos atletas estrangeiros, incentivando para que os países enviem seus melhores atletas e tenhamos uma das edições de grande nível técnico.

Senhores investidores, por favor, não deixem para aplicar seu precioso dinheiro em atletas que competirão nos Jogos Pan-Americanos, somente depois do apito do último jogo da Copa. Lembrem-se que eles terão uma grande exposição à mídia nacional e internacional, reconhecimento e trarão muitos benefícios a outros esportes. Vale a pena.


O que virá após a Copa?

Atletismo · 01 jun, 2006

Dentro de poucos dias, a atenção de países do mundo todo estará voltada para um dos maiores eventos esportivos deste Planeta: a 18ª Copa do Mundo de Futebol. Agendada para nove de junho a nove de julho, na Alemanha, esta Copa tem como franco favorito ao título de campeão, o único país que conseguiu a grande façanha em conquista-lo por cinco vezes: o Brasil.

Os demais países que nos perdoem a falta de modéstia, mas temos motivos de sobra para pensarmos tão positivamente sobre a gloriosa Seleção Brasileira de Futebol. Vejamos porque: a) o Brasil é o único país que participou de todas as 17 edições da Copa; b) esteve na final nas últimas três edições; c) antes mesmo que um competente Ronaldo entre em declínio, surge um outro espetacular Ronaldo chamado de Ronaldinho Gaúcho - que por sinal foi eleito o melhor jogador do mundo nos últimos 2 anos - para se somar à mais valorizada concentração de craques do mundo; d) o Brasil é o país que mais exporta jogadores; e) etc.

Com todas essas evidências, está difícil administrar a nossa ansiedade. Não vemos a hora vibrar com o famoso quarteto mágico, formado por Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Adriano.

Assim, por vivermos no país do futebol, é natural que este esporte ocupe quase todo o espaço da mídia, no coração do nosso sofrido povo e no meio daqueles que se valem da Copa para levar mais uma “vantagem”.

Mas, e os outros esportes? E os Jogos Pan-Americanos Rio 2007?

Os Jogos Pan-Americanos acontecem de dois em dois anos e contam com a presença de grandes potências esportivas como: EUA, Cuba, Canadá e muitos outros. O Brasil será sede deste grande evento pela segunda vez (a primeira foi em 1963, em S.Paulo). Estes jogos poderão ser um marco no desenvolvimento de vários esportes, além de proporcionar o surgimento de novas estrelas brasileiras.

A Cbat (Confederação Brasileira de Atletismo) teve a ótima idéia de criar o Programa Pré-Pan, onde através de um contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal, está dando suporte financeiro a diversos atletas, proporcionando-lhes viagens, campings de treinamento aqui e no exterior com ótimos técnicos, competições internacionais e prêmios por quebra de recordes. Este programa está colaborando muito para que os nossos atletas tenham uma ótima preparação. Com isso, já temos visto grande evolução técnica e vários recordes nacionais e sul-americanos sendo batidos.

Um importantíssimo fator a ser considerado é que, pela primeira vez, o país sede custeará todas as despesas aéreas, de hospedagem e de alimentação dos atletas estrangeiros, incentivando para que os países enviem seus melhores atletas e tenhamos uma das edições de grande nível técnico.

Senhores investidores, por favor, não deixem para aplicar seu precioso dinheiro em atletas que competirão nos Jogos Pan-Americanos, somente depois do apito do último jogo da Copa. Lembrem-se que eles terão uma grande exposição à mídia nacional e internacional, reconhecimento e trarão muitos benefícios a outros esportes. Vale a pena.

Técnico passa conselhos para a Maratona de SP

O treinador Nelson Evêncio listou algumas dicas importantes para a Maratona de São Paulo. Se você for particpar da competição fique atento!

Durante a semana da prova:

  • Beba bastante líquidos;

  • Evite frituras, gorduras, refrigerantes e bebidas alcoólicas;

  • Corte bem as unhas dos dedos dos pés;

  • Separe o material de corrida: tênis, meias, camiseta, shorts, óculos e boné. Não use nada que você não tenha testado em treinos mais longos;

  • Reduza a carga de treino, fazendo rodagens leves, de no máximo 40 minutos, duas vezes na semana e mais um trote na véspera. O importante e descansar e acumular energia;

  • Retire o kit no local pessoalmente e aproveite para entrar no clima da prova;

  • Estabeleça sua tática de prova juntamente com seu treinador;

  • Tenha sempre três metas: Um resultado que você considere bom, um ótimo e um que considere excelente. Porém, não tenha este último como principal, pois muita coisa pode acontecer em uma maratona;

  • Copie as parciais de quilômetros em um papel que caiba no bolso do short ou em uma pulseira, para orientar-se durante a prova.

  • Coloque o número de peito na camiseta e o chip no tênis. Não deixe para depois, pois você pode até correr o risco de esquecê-los em casa;

  • Relaxe e não se desgaste andando pela cidade;

  • Realize um trote leve de no máximo 30 minutos e faça alongamentos;

  • Mentalize a prova, sua chegada no local, a largada, você passando pelas placas de quilometragem e cruzando a faixa muito feliz!

  • Compre os gels de carboidratos para levar e usar durante a prova, mas só use se já tiver testado em treinos longos;

  • No jantar coma massas, evite verduras e beba suco;

  • Deite antes das 22h00.

    No dia da prova

  • Acorde cedo, no mínimo três ou quatro horas antes da largada;

  • Tome um café da manhã reforçado, mas não coma nada que não esteja acostumado. Evite leite, pois pode fermentar no estômago durante a prova;

  • Chegue ao local de largada de ônibus ou de táxi com no mínimo 1 hora de antecedência e vá ao banheiro;
  • Passe vaselina no corpo: mamilos, axilas, virilha e pés;

  • Faça um bom aquecimento e alongamento;

  • Na largada, posicione-se de acordo com seu nível e fique concentrado na prova.

  • Corra em seu ritmo, não acompanhe corredores mais rápidos;

  • Respeite seu limite de freqüência cardíaca;

  • Poupe-se no começo, mesmo que você esteja muito bem, pois a parte mais difícil do percurso é do quilômetro 34 em diante, principalmente com a subida dos túneis;

  • Beba bastante líquidos durante a prova, mesmo que não sinta sede;

  • Curta a prova e o visual. Aproveite para contemplar as ruas, os monumentos, a natureza e os prédios!

  • Cumprimente as pessoas nas ruas e incentive os colegas inscritos;

  • Divirta-se durante a prova, mas tente manter a concentração;

  • Lembre-se que correr uma maratona é um grande privilégio;

  • Por último: lembre-se da famosa dica do técnico Neozelandês Arthur Lidiard: “Correr a primeira parte com a frieza de um cientista e a segunda parte com a emoção de um artista”.

    Boa prova!


  • Técnico passa conselhos para a Maratona de SP

    Maratona · 30 maio, 2006

    O treinador Nelson Evêncio listou algumas dicas importantes para a Maratona de São Paulo. Se você for particpar da competição fique atento!

    Durante a semana da prova:

  • Beba bastante líquidos;

  • Evite frituras, gorduras, refrigerantes e bebidas alcoólicas;

  • Corte bem as unhas dos dedos dos pés;

  • Separe o material de corrida: tênis, meias, camiseta, shorts, óculos e boné. Não use nada que você não tenha testado em treinos mais longos;

  • Reduza a carga de treino, fazendo rodagens leves, de no máximo 40 minutos, duas vezes na semana e mais um trote na véspera. O importante e descansar e acumular energia;

  • Retire o kit no local pessoalmente e aproveite para entrar no clima da prova;

  • Estabeleça sua tática de prova juntamente com seu treinador;

  • Tenha sempre três metas: Um resultado que você considere bom, um ótimo e um que considere excelente. Porém, não tenha este último como principal, pois muita coisa pode acontecer em uma maratona;

  • Copie as parciais de quilômetros em um papel que caiba no bolso do short ou em uma pulseira, para orientar-se durante a prova.

  • Coloque o número de peito na camiseta e o chip no tênis. Não deixe para depois, pois você pode até correr o risco de esquecê-los em casa;

  • Relaxe e não se desgaste andando pela cidade;

  • Realize um trote leve de no máximo 30 minutos e faça alongamentos;

  • Mentalize a prova, sua chegada no local, a largada, você passando pelas placas de quilometragem e cruzando a faixa muito feliz!

  • Compre os gels de carboidratos para levar e usar durante a prova, mas só use se já tiver testado em treinos longos;

  • No jantar coma massas, evite verduras e beba suco;

  • Deite antes das 22h00.

    No dia da prova

  • Acorde cedo, no mínimo três ou quatro horas antes da largada;

  • Tome um café da manhã reforçado, mas não coma nada que não esteja acostumado. Evite leite, pois pode fermentar no estômago durante a prova;

  • Chegue ao local de largada de ônibus ou de táxi com no mínimo 1 hora de antecedência e vá ao banheiro;
  • Passe vaselina no corpo: mamilos, axilas, virilha e pés;

  • Faça um bom aquecimento e alongamento;

  • Na largada, posicione-se de acordo com seu nível e fique concentrado na prova.

  • Corra em seu ritmo, não acompanhe corredores mais rápidos;

  • Respeite seu limite de freqüência cardíaca;

  • Poupe-se no começo, mesmo que você esteja muito bem, pois a parte mais difícil do percurso é do quilômetro 34 em diante, principalmente com a subida dos túneis;

  • Beba bastante líquidos durante a prova, mesmo que não sinta sede;

  • Curta a prova e o visual. Aproveite para contemplar as ruas, os monumentos, a natureza e os prédios!

  • Cumprimente as pessoas nas ruas e incentive os colegas inscritos;

  • Divirta-se durante a prova, mas tente manter a concentração;

  • Lembre-se que correr uma maratona é um grande privilégio;

  • Por último: lembre-se da famosa dica do técnico Neozelandês Arthur Lidiard: “Correr a primeira parte com a frieza de um cientista e a segunda parte com a emoção de um artista”.

    Boa prova!

  • Preste mais atenção no aquecimento

    Olá amigo corredor! O inverno está aí, e é fundamental ficar muito atento à importância de um bom aquecimento, antes dos treinos e das provas.

    Saiba que o aquecimento é composto pelos exercícios realizados antes de uma atividade, visando aumentar a circulação sanguínea e a freqüência cardíaca. São exercícios que se destinam à melhora do desempenho e à redução da probabilidade de lesões, preparando o indivíduo mental e fisicamente para a atividade esportiva. (ALTER, 1999). Em termos fisiológicos, o aquecimento eleva a temperatura do corpo e aumenta o fluxo sangüíneo, possibilitando ao organismo se adaptar do estado de repouso ao de exercício.

    É muito comum confundir o alongamento com o aquecimento. Assim, os corredores, simplesmente, depois do alongamento muscular, julgam estar devidamente aquecidos e preparados para o esforço que virá em seguida e protegidos das lesões. As grandes organizações de provas escalam profissionais de educação física para dirigir um alongamento coletivo corretamente, mas, na verdade, este faz parte do programa de aquecimento propriamente dito. O alongamento não deve ser realizado sem um prévio aquecimento e nem o substitui. Este tipo de alongamento tem uma influência desprezível na elevação da temperatura central e muscular e no fluxo sanguíneo.

    É fundamental que pouco antes do alongamento, o corredor faça um trote de cerca de 10 minutos ou mais, dependendo do clima, do nível de esforço e das características individuais de cada um. Desta forma, a temperatura dos tecidos musculares ficará elevada, reduzindo os riscos de lesão decorrente do próprio alongamento. Dependendo do nível técnico e das capacidades motoras do praticante, depois de se alongar, recomenda-se ainda manter um trote até a largada e, se possível, realizar algumas acelerações curtas, visando ativar o máximo de fibras musculares, antes do início da atividade principal.

    O aquecimento pode ser classificado em três categorias:

    Passivo: onde se eleva a temperatura corporal através de meios externos, como bolsas de água quente e duchas.

    Geral: a técnica mais utilizada, onde se empregam movimentos que não necessariamente estão diretamente relacionados à atividade que será executada: pedalar, trotar, fazer movimentos ginásticos, pular corda e outros. O objetivo único desta categoria é aumentar o fluxo sangüíneo para os músculos e elevar a temperatura corporal central, preparando o sistema cardiovascular e pulmonar para o desempenho que se seguirá.

    Específico: que inclui movimentos similares aos que serão empregados, como os educativos de corrida, corridas com aceleração, corrida em curvas, etc. Porém em intensidades mais baixas.

    O tempo de duração e a intensidade do aquecimento dependem do nível técnico de cada um, do clima, da capacidade individual de produzir calor, do grau de intensidade do treino ou da competição, e do resultado pretendido. Citando um exemplo, o aquecimento específico de um corredor de 10km, que faz a prova na casa dos 29 minutos, chega até a assustar a maioria de nós, simples mortais, pois dá a impressão de que ele está gastando todas as suas energias antes da prova!

    Seguem abaixo alguns benefícios do aquecimento:

  • Aumento da temperatura corporal e dos tecidos.
  • Aumento do fluxo sangüíneo para os músculos ativos.
  • Aumento da freqüência cardíaca.
  • Aumento da velocidade da liberação de energia no organismo (velocidade metabólica)
  • Aumento da velocidade de impulsos nervosos.
  • Diminuição da tensão muscular.
  • Preparação psicológica para o exercício. Obtenção do estado ideal de excitação.


    Referência Bibliográfica:
    Alter, M.J.; Alongamento para os esportes (1999)
    Weineck, J.; Biologia do Esporte (1991)
    Weineck, J.; Treinamento Ideal (2003)


  • Preste mais atenção no aquecimento

    Atletismo · 24 abr, 2006

    Olá amigo corredor! O inverno está aí, e é fundamental ficar muito atento à importância de um bom aquecimento, antes dos treinos e das provas.

    Saiba que o aquecimento é composto pelos exercícios realizados antes de uma atividade, visando aumentar a circulação sanguínea e a freqüência cardíaca. São exercícios que se destinam à melhora do desempenho e à redução da probabilidade de lesões, preparando o indivíduo mental e fisicamente para a atividade esportiva. (ALTER, 1999). Em termos fisiológicos, o aquecimento eleva a temperatura do corpo e aumenta o fluxo sangüíneo, possibilitando ao organismo se adaptar do estado de repouso ao de exercício.

    É muito comum confundir o alongamento com o aquecimento. Assim, os corredores, simplesmente, depois do alongamento muscular, julgam estar devidamente aquecidos e preparados para o esforço que virá em seguida e protegidos das lesões. As grandes organizações de provas escalam profissionais de educação física para dirigir um alongamento coletivo corretamente, mas, na verdade, este faz parte do programa de aquecimento propriamente dito. O alongamento não deve ser realizado sem um prévio aquecimento e nem o substitui. Este tipo de alongamento tem uma influência desprezível na elevação da temperatura central e muscular e no fluxo sanguíneo.

    É fundamental que pouco antes do alongamento, o corredor faça um trote de cerca de 10 minutos ou mais, dependendo do clima, do nível de esforço e das características individuais de cada um. Desta forma, a temperatura dos tecidos musculares ficará elevada, reduzindo os riscos de lesão decorrente do próprio alongamento. Dependendo do nível técnico e das capacidades motoras do praticante, depois de se alongar, recomenda-se ainda manter um trote até a largada e, se possível, realizar algumas acelerações curtas, visando ativar o máximo de fibras musculares, antes do início da atividade principal.

    O aquecimento pode ser classificado em três categorias:

    Passivo: onde se eleva a temperatura corporal através de meios externos, como bolsas de água quente e duchas.

    Geral: a técnica mais utilizada, onde se empregam movimentos que não necessariamente estão diretamente relacionados à atividade que será executada: pedalar, trotar, fazer movimentos ginásticos, pular corda e outros. O objetivo único desta categoria é aumentar o fluxo sangüíneo para os músculos e elevar a temperatura corporal central, preparando o sistema cardiovascular e pulmonar para o desempenho que se seguirá.

    Específico: que inclui movimentos similares aos que serão empregados, como os educativos de corrida, corridas com aceleração, corrida em curvas, etc. Porém em intensidades mais baixas.

    O tempo de duração e a intensidade do aquecimento dependem do nível técnico de cada um, do clima, da capacidade individual de produzir calor, do grau de intensidade do treino ou da competição, e do resultado pretendido. Citando um exemplo, o aquecimento específico de um corredor de 10km, que faz a prova na casa dos 29 minutos, chega até a assustar a maioria de nós, simples mortais, pois dá a impressão de que ele está gastando todas as suas energias antes da prova!

    Seguem abaixo alguns benefícios do aquecimento:

  • Aumento da temperatura corporal e dos tecidos.
  • Aumento do fluxo sangüíneo para os músculos ativos.
  • Aumento da freqüência cardíaca.
  • Aumento da velocidade da liberação de energia no organismo (velocidade metabólica)
  • Aumento da velocidade de impulsos nervosos.
  • Diminuição da tensão muscular.
  • Preparação psicológica para o exercício. Obtenção do estado ideal de excitação.


    Referência Bibliográfica:
    Alter, M.J.; Alongamento para os esportes (1999)
    Weineck, J.; Biologia do Esporte (1991)
    Weineck, J.; Treinamento Ideal (2003)