Fratura por stress

Marco Demange | Saúde · 19 ago, 2025

Pensando em lesões de corredores, a fratura por stress vem facilmente a memória, afinal, qual corredor não conhece algum colega que já tenha tido esta lesão?

A fratura por stress não é exclusividade dos corredores, ela surge em diversos outros esportes, especialmente quando se aumenta repentinamente a intensidade ou o volume de treino. Trata-se de uma pequena fissura no osso, causada por sobrecarga repetitiva e microtraumas cumulativos, sem tempo suficiente para recuperação. Em geral, ocorre nos membros inferiores, principalmente na:

  • Tíbia
  • Fíbula
  • Metatarsos (ossos do pé)
  • Fêmur

Por vezes, pode ser confundida como uma dor muscular, alguns dos sintomas são:

  • Dor localizada que piora com a atividade e melhora com o repouso
  • Inchaço leve no local
  • Sensibilidade ao toque
  • Em casos mais avançados, dor em repouso

O diagnóstico é feito através da avaliação clínica e mais precisamente através de exame de imagem, como ressonância ou radiografia do local onde se suspeita da fratura por stress.

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As fraturas por estresse são classificadas em dois grupos:

  • Fraturas de baixo risco: localizada nas áreas onde o osso é comprimido, ou seja, apresentam menor risco de “abrir” ou estender a fratura.
  • Fraturas de alto risco: ocorrem em áreas que tendem a se “abrir”, aumentando a fratura.
    Sabendo que a principal causa da lesão é a sobrecarga, a primeira medida para o tratamento é o afastamento das atividades de impacto que sobrecarreguem o osso lesionado.

O tratamento depende de qual o osso acometido, fraturas de baixo risco são tratadas de maneira conservadora, podendo ser recomendado o uso de muletas nos primeiros dias, e em seguida reabilitação com fisioterapeuta afim de fortalecer a musculatura e preparar para retorno ao esporte.

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Fraturas de alto risco, exigem o uso de muletas por período mais prolongado, associado a reabilitação fisioterapêutica e em alguns casos mais raros, pode haver necessidade de intervenção cirúrgica.

É importante ressaltar também que em alguns casos a fratura por estresse está relacionada a deficiências metabólicas, que aumentam o risco por falta de vitaminas, minerais e/ou alterações hormonais, que interferem na síntese de cálcio e recuperação das pequenas lesões. Bem como, a hidratação e o sono são imprescindíveis para a prevenção de lesões.

Marco Demange

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Dr. Marco Demange é ortopedista, professor Associado do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com mestrado, doutorado e livre-docência pela FMUSP. Pós-doutorado na Harvard Medical School (Boston – EUA) e no Hospital for Special Surgery - Weil Cornell Medical College (Nova Iorque – EUA). No instagram: @dr.marco.demange