A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) divulgou os índices de qualificação para o Campeonato Mundial de Atletismo de Moscou, que acontecerá entre os dias dez e 18 de agosto de 2013. Todas as modalidades, com exceção da maratona masculina, feminina e 50 quilômetros de marcha masculina, que tiveram seus períodos de qualificação abertos em 1º de outubro de 2012 e encerram-se em cinco de maio de 2013 terão desde 1º de janeiro até 14 de julho para obtenção das marcas.
Segundo a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf), até quatro atletas em cada modalidade podem ser inscritos para o Mundial. Porém, entre os credenciados, somente três poderão competir. A Iaaf tem os índices A e B (sendo o A mais exigente que o B) para cada modalidade, mas enquanto a CBAt é o órgão regulador máximo do atletismo nacional, todos os atletas brasileiros precisam atingir as marcas estipuladas pela Confederação.
Os índices equivalem à média da 12ª melhor marca de cada uma das três últimas competições de maior relevância do atletismo mundial, sendo eles: os Jogos de Londres-12, o Mundial de Daegu-11 e o de Berlim-09. Esse foi o mesmo critério adotado para o campeonato coreano de 2011 e para as Olimpíadas de 2012.
Assim como ocorrido na última Olimpíada, as marcas estabelecidas pela CBAt são mais rigorosas que as exigidas pela Iaaf. Ou seja, mesmo que um atleta atinja o índice mais alto da Associação, ele não estará automaticamente classificado para o Mundial.
Estímulo controverso- A evolução dos índices gera desenvolvimento no esporte, pois é um estímulo para os atletas melhorarem marcas e desempenhos, afirmam especialistas. O critério que se faz é em relação ao desempenho global, não brasileiro, afirmou Henrique Viana, treinador da Pé de Vento e membro do Conselho da CBAt, ao Webrun em entrevista em maio desse ano sobre a rigidez dos índices estipulados pela confederação.
Porém, ao mesmo tempo que esses índices exigentes impulsionam o atletismo nacional a se equiparar com os países de ponta no esporte, isso deixa mais aparente as deficiências do país. Um exemplo é Aldemir Gomes da Silva Júnior, o homem mais rápido do Brasil na atualidade.
Para o velocista alcançar a marca que o credencia para o Mundial, ele ainda precisa baixar seis décimos de segundo de sua melhor marca. Até o momento, os 10seg20 da Aldemir nos 100 metros rasos não são rápidos o suficiente para levá-lo até Moscou.
O mesmo acontece com Adriana Aparecida da Silva. A maratonista foi a única a se credenciar para as Olimpíadas de Londres, porém o tempo que a levou pra a Inglaterra também o melhor de sua carreira até então, 2h29min17 não é rápido suficiente segundo a CBAt. A Confederação fixou índice de 2h28min50 para os 42 quilômetros femininos.
Na próxima página, confira os índices definidos pela Iaaf e pela CBAt para o Mundial de Moscou.
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Atletismo · 20 dez, 2012
A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) divulgou os índices de qualificação para o Campeonato Mundial de Atletismo de Moscou, que acontecerá entre os dias dez e 18 de agosto de 2013. Todas as modalidades, com exceção da maratona masculina, feminina e 50 quilômetros de marcha masculina, que tiveram seus períodos de qualificação abertos em 1º de outubro de 2012 e encerram-se em cinco de maio de 2013 terão desde 1º de janeiro até 14 de julho para obtenção das marcas.
Segundo a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf), até quatro atletas em cada modalidade podem ser inscritos para o Mundial. Porém, entre os credenciados, somente três poderão competir. A Iaaf tem os índices A e B (sendo o A mais exigente que o B) para cada modalidade, mas enquanto a CBAt é o órgão regulador máximo do atletismo nacional, todos os atletas brasileiros precisam atingir as marcas estipuladas pela Confederação.
Os índices equivalem à média da 12ª melhor marca de cada uma das três últimas competições de maior relevância do atletismo mundial, sendo eles: os Jogos de Londres-12, o Mundial de Daegu-11 e o de Berlim-09. Esse foi o mesmo critério adotado para o campeonato coreano de 2011 e para as Olimpíadas de 2012.
Assim como ocorrido na última Olimpíada, as marcas estabelecidas pela CBAt são mais rigorosas que as exigidas pela Iaaf. Ou seja, mesmo que um atleta atinja o índice mais alto da Associação, ele não estará automaticamente classificado para o Mundial.
Estímulo controverso- A evolução dos índices gera desenvolvimento no esporte, pois é um estímulo para os atletas melhorarem marcas e desempenhos, afirmam especialistas. O critério que se faz é em relação ao desempenho global, não brasileiro, afirmou Henrique Viana, treinador da Pé de Vento e membro do Conselho da CBAt, ao Webrun em entrevista em maio desse ano sobre a rigidez dos índices estipulados pela confederação.
Porém, ao mesmo tempo que esses índices exigentes impulsionam o atletismo nacional a se equiparar com os países de ponta no esporte, isso deixa mais aparente as deficiências do país. Um exemplo é Aldemir Gomes da Silva Júnior, o homem mais rápido do Brasil na atualidade.
Para o velocista alcançar a marca que o credencia para o Mundial, ele ainda precisa baixar seis décimos de segundo de sua melhor marca. Até o momento, os 10seg20 da Aldemir nos 100 metros rasos não são rápidos o suficiente para levá-lo até Moscou.
O mesmo acontece com Adriana Aparecida da Silva. A maratonista foi a única a se credenciar para as Olimpíadas de Londres, porém o tempo que a levou pra a Inglaterra também o melhor de sua carreira até então, 2h29min17 não é rápido suficiente segundo a CBAt. A Confederação fixou índice de 2h28min50 para os 42 quilômetros femininos.
Na próxima página, confira os índices definidos pela Iaaf e pela CBAt para o Mundial de Moscou.
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Atletismo · 05 dez, 2012
Depois de sofrer lesões e sentir dores ao treinar na pista do estádio nacional de Addis Abeba, o etíope Kenenisa Bekele, recordista mundial dos dez e cinco mil metros, decidiu construir sua própria pista. Erguida na cidade de Sululta, dez quilômetros de distância da capital, a pista tem seis raias e conta com um hotel com trinta quartos logo em frente, também de propriedade de Bekele, para hospedar outros atletas.
Para não piorar o estado das lesões do corredor, seu empresário Jos Hermens consultou a empresa GCC Sport Surfaces para que fosse usada um material mais macio na cobertura das raias. O produto usado também irá proporcionar mais conforto para atletas que correm longas distâncias. Para conseguir realizar seu sonho, Bekele gastou mais de 1,5 milhão de dólares (cerca de R$ 3 milhões).
Segundo o recordista, além de melhorar a qualidade de seus treinos, o objetivo do local é receber corredores do mundo todo, que terão que se esforçar para acompanhar Bekele no percurso. Claro que eu irei treiná-los e compartilharei minha experiência. Eles poderão ver o que é treinar comigo, se conseguirem, conta.
Objetivos-Apesar do plano do atleta ser de aumentar duas raias da pista e sediar competições de alto nível no futuro, o local não conta com arquibancada para poder receber espectadores. O espaço receberá competidores que gostam de treinar nas pistas ou em montanhas, já que fica em uma altitude de 2.750 metros.
A inauguração ocorrerá em janeiro de 2013, quando o recordista irá apresentar as instalações para atletas etíopes e de outras nacionalidades. O hotel próximo oferecerá diárias entre 50 e 60 dólares (R$ 100 a R$ 120) com refeições inclusas.
Corridas de Rua · 23 nov, 2012
Atletas brasileiros disputam as primeiras colocações da 6ª Meia Maratona de Blumenau neste domingo (25/11) e juntam pontos para ficarem entre os primeiros colocados do ranking Caixa CBAt de Corredores de Rua. A largada para a prova será em frente ao Ginásio de Esportes Galegão e do complexo da Vila Germânica, às 8h. Além dos 21 quilômetros, também haverá uma corrida de rua de dez quilômetros, uma prova infantil e uma competição de marcha atlética.
Giomar Pereira, que ocupa atualmente o primeiro lugar no ranking nacional, foi vencedor da prova no ano passado e tenta manter a liderança. Marily dos Santos é a primeira colocada na categoria feminina e briga com Conceição Oliveira pela vitória.
A entrega dos kits da prova será no sábado (24/11), das 10h às 22h, e domingo (25/11), das 6h30 às 7h30, no Galeão. Os dez primeiros colocados no masculino e no feminino receberão uma ajuda de custo mensal em 2013 por meio do Programa Nacional Caixa de Apoio a Corredores de Elite, administrado pela CBAt.
Não tem nada melhor do que uma prova longa como uma meia maratona para nos fazer perceber que a vida do tênis que estamos usando chegou ao fim. Mas certas vezes usamos os critérios errados para chegar a esta conclusão.
Segundo os últimos estudos, e que fique claro que estes não são estudos patrocinados por esta ou aquela marca, quanto mais você usa um calçado para correr ou caminhar, melhor ele vai se adaptar à sua pisada. Nenhum calçado vem de fábrica ajustado para sua pisada, pois a forma como cada um anda é tão específica como uma impressão digital tanto que já existem estudos com softwares que são capazes de diferenciar os indivíduos pela marcha (a forma como a pessoa anda).
Rodagem limite?- O primeiro mito que podemos desbancar é o de que existe uma quilometragem definida para o uso do tênis, pois se quanto mais usamos melhor ele fica, na verdade só precisaremos trocar o tênis quando a sola desgastar demais ou se a parte interna começar a desgastar antes e causar atrito contra a pele. Caso contrário não existe motivo que justifique a troca do calçado. Como já comentei no último artigo , a sensação de maciez na pisada é proporcionada pela palmilha, que pode ser trocada quando desgastada.
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| Uma simples troca de palmilha pode devolver a maciez ao seu tênis antigo - Foto: D'Arcy Norman/ Stock.xchng |
Palmilhas personalizadas- Geralmente as palmilhas feitas sob medida são mais bem adaptadas já para a pisada de cada um, mas só vale à pena investir numa palmilha personalizada caso exista alguma lesão prévia que já foi tratada com fisioterapia e não obteve resultado de 100% no tratamento. Com terapia manual e trabalhos posturais a fisioterapia consegue melhorar muito a forma como é aplicada a força durante a marcha, assim como toda a coordenação do gesto da corrida, o que geralmente tem resultados excelentes não só para tratar uma lesão, como para ir direto na raiz do problema que pode ser uma alteração postural ou alteração do gesto (coordenação motora) da marcha.
Outro fator importantíssimo é o conforto, foi feito um estudo para verificar se o conforto do calçado é proporcional ao preço e, por incrível que pareça, sem saber a marca e o valor do calçado de corrida os participantes do estudo escolheram os mais baratos como mais confortáveis. É claro que os tênis mais caros geralmente são feitos de tecidos melhores, que permitem melhor ventilação e a sensação de conforto depende muito do formato do pé de cada indivíduo, mas temos que reconhecer que nem sempre o mais caro é o mais confortável.
Conclusão- Vá até a loja de sua preferência, experimente vários modelos de várias marcas, não se preocupe se é o que está na moda ou não, e se possível, nas lojas que tiverem esteira, experimente correr com o calçado. Caso você não tenha nenhum problema ortopédico, compre tênis neutro, caso tenha algum problema ortopédico, consulte um especialista que possa avaliar e orientar em relação a testes fidedignos e tratamentos efetivos.
Como sempre, está aberto o canal para interagirmos, até mesmo com sugestões para o próximo artigo.
Até a próxima!
Atletismo · 19 nov, 2012
Não tem nada melhor do que uma prova longa como uma meia maratona para nos fazer perceber que a vida do tênis que estamos usando chegou ao fim. Mas certas vezes usamos os critérios errados para chegar a esta conclusão.
Segundo os últimos estudos, e que fique claro que estes não são estudos patrocinados por esta ou aquela marca, quanto mais você usa um calçado para correr ou caminhar, melhor ele vai se adaptar à sua pisada. Nenhum calçado vem de fábrica ajustado para sua pisada, pois a forma como cada um anda é tão específica como uma impressão digital tanto que já existem estudos com softwares que são capazes de diferenciar os indivíduos pela marcha (a forma como a pessoa anda).
Rodagem limite?- O primeiro mito que podemos desbancar é o de que existe uma quilometragem definida para o uso do tênis, pois se quanto mais usamos melhor ele fica, na verdade só precisaremos trocar o tênis quando a sola desgastar demais ou se a parte interna começar a desgastar antes e causar atrito contra a pele. Caso contrário não existe motivo que justifique a troca do calçado. Como já comentei no último artigo , a sensação de maciez na pisada é proporcionada pela palmilha, que pode ser trocada quando desgastada.
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| Uma simples troca de palmilha pode devolver a maciez ao seu tênis antigo - Foto: D'Arcy Norman/ Stock.xchng |
Palmilhas personalizadas- Geralmente as palmilhas feitas sob medida são mais bem adaptadas já para a pisada de cada um, mas só vale à pena investir numa palmilha personalizada caso exista alguma lesão prévia que já foi tratada com fisioterapia e não obteve resultado de 100% no tratamento. Com terapia manual e trabalhos posturais a fisioterapia consegue melhorar muito a forma como é aplicada a força durante a marcha, assim como toda a coordenação do gesto da corrida, o que geralmente tem resultados excelentes não só para tratar uma lesão, como para ir direto na raiz do problema que pode ser uma alteração postural ou alteração do gesto (coordenação motora) da marcha.
Outro fator importantíssimo é o conforto, foi feito um estudo para verificar se o conforto do calçado é proporcional ao preço e, por incrível que pareça, sem saber a marca e o valor do calçado de corrida os participantes do estudo escolheram os mais baratos como mais confortáveis. É claro que os tênis mais caros geralmente são feitos de tecidos melhores, que permitem melhor ventilação e a sensação de conforto depende muito do formato do pé de cada indivíduo, mas temos que reconhecer que nem sempre o mais caro é o mais confortável.
Conclusão- Vá até a loja de sua preferência, experimente vários modelos de várias marcas, não se preocupe se é o que está na moda ou não, e se possível, nas lojas que tiverem esteira, experimente correr com o calçado. Caso você não tenha nenhum problema ortopédico, compre tênis neutro, caso tenha algum problema ortopédico, consulte um especialista que possa avaliar e orientar em relação a testes fidedignos e tratamentos efetivos.
Como sempre, está aberto o canal para interagirmos, até mesmo com sugestões para o próximo artigo.
Até a próxima!
Atualizada em 22 de julho de 2013
Na última matéria escrevi sobre as principais lesões que ocorrem em corridas longas, mas o que causa a lesão nem sempre é o treino longo. Muitas vezes temos mais de um fator que pode te impedir de correr.
Vamos abordar três fatores importantíssimos que podem levar a lesões, principalmente se combinados entre si ou com treinos longos:
O desvio articular, como já mencionado anteriormente, é um fator que somado a treinos longos pode causar lesões de sobrecarrega nas estruturas estabilizadoras da articulação, como os ligamentos e tendões. Em alguns casos o desvio articular por até levar a desgastes articulares como lesões de cartilagem e de menisco (este último no caso do joelho).
Mesmo em treinos mais curtos o desgaste está ocorrendo. O que determina em quanto tempo cada um começa a sentir os sintomas do desgaste depende do volume de treino semanal e desvio da articulação.
Outro fator muito comum hoje é o calçado mal indicado. É como se fosse a Copa do Mundo: temos 190 milhões de técnicos que acham que sabem escalar a seleção. E o mesmo acontece com os especialistas em calçados para corrida.
Sem se fazer um teste antes na esteira com uma câmera especial, capaz de medir o ângulo de pronação do pé no momento da corrida, é muito difícil, a olho nu, ou com uma câmera comum verificar o ângulo exato de pronação. Portanto, na dúvida, compre o tênis neutro. E lembre-se, a maciez do calçado vem da palmilha e não do sistema de amortecimento, que funciona como a suspensão de um carro, quanto mais mole, mais instável e maior a chance de aumentar o ângulo de pronação.
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| Saber escolher o tipo correto de tênis ajuda a evitar lesões - Foto: Renato Aranda/ Webrun.com.br |
Quando se existe uma alteração a ser corrigida, o ideal é que se faça uma palmilha personalizada com especialistas que realizem testes como baropodometria e avaliações posturais. Mas lembre-se, se a palmilha foi confeccionada a partir de testes em que você estava parado ou caminhando, o resultado não é o específico para corrida. Esse tipo de palmilha pode ajudar, mas o mais correto e fazer uma avaliação do ângulo de pronação durante a corrida.
E por último, o terreno irregular. Correr em lugares não nivelados pode levar a lesões graves, além dos famosos capotes. As lesões podem variar entre entorses até fraturas de pé e tornozelos. Além disso, caso você tenha desvio articular, você pode agravar essa condição ao pisar em um terreno instável.
As descidas em trilhas geralmente exigem muita técnica. Uma dica aos passageiros de primeira viagem é que façam a parte de subida correndo, mas na descida caminhem e treinem um aumento de velocidade gradativo, pois na empolgação é que ocorrem as piores lesões.
Nunca esqueçam que nós somos como um carro: um pequeno barulhinho no câmbio pode custar apenas 200 reais para o aperto dos parafusos e a reposição do óleo, mas se o câmbio quebrar a troca dele pode custar 10 vezes mais.
Na próxima matéria me aprofundarei mais na questão da pisada e do tênis, pois existem estudos definitivos sobre o assunto, mas infelizmente, muitos mitos também..
Abraços e até a próxima!
Atletismo · 15 out, 2012
Atualizada em 22 de julho de 2013
Na última matéria escrevi sobre as principais lesões que ocorrem em corridas longas, mas o que causa a lesão nem sempre é o treino longo. Muitas vezes temos mais de um fator que pode te impedir de correr.
Vamos abordar três fatores importantíssimos que podem levar a lesões, principalmente se combinados entre si ou com treinos longos:
O desvio articular, como já mencionado anteriormente, é um fator que somado a treinos longos pode causar lesões de sobrecarrega nas estruturas estabilizadoras da articulação, como os ligamentos e tendões. Em alguns casos o desvio articular por até levar a desgastes articulares como lesões de cartilagem e de menisco (este último no caso do joelho).
Mesmo em treinos mais curtos o desgaste está ocorrendo. O que determina em quanto tempo cada um começa a sentir os sintomas do desgaste depende do volume de treino semanal e desvio da articulação.
Outro fator muito comum hoje é o calçado mal indicado. É como se fosse a Copa do Mundo: temos 190 milhões de técnicos que acham que sabem escalar a seleção. E o mesmo acontece com os especialistas em calçados para corrida.
Sem se fazer um teste antes na esteira com uma câmera especial, capaz de medir o ângulo de pronação do pé no momento da corrida, é muito difícil, a olho nu, ou com uma câmera comum verificar o ângulo exato de pronação. Portanto, na dúvida, compre o tênis neutro. E lembre-se, a maciez do calçado vem da palmilha e não do sistema de amortecimento, que funciona como a suspensão de um carro, quanto mais mole, mais instável e maior a chance de aumentar o ângulo de pronação.
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| Saber escolher o tipo correto de tênis ajuda a evitar lesões - Foto: Renato Aranda/ Webrun.com.br |
Quando se existe uma alteração a ser corrigida, o ideal é que se faça uma palmilha personalizada com especialistas que realizem testes como baropodometria e avaliações posturais. Mas lembre-se, se a palmilha foi confeccionada a partir de testes em que você estava parado ou caminhando, o resultado não é o específico para corrida. Esse tipo de palmilha pode ajudar, mas o mais correto e fazer uma avaliação do ângulo de pronação durante a corrida.
E por último, o terreno irregular. Correr em lugares não nivelados pode levar a lesões graves, além dos famosos capotes. As lesões podem variar entre entorses até fraturas de pé e tornozelos. Além disso, caso você tenha desvio articular, você pode agravar essa condição ao pisar em um terreno instável.
As descidas em trilhas geralmente exigem muita técnica. Uma dica aos passageiros de primeira viagem é que façam a parte de subida correndo, mas na descida caminhem e treinem um aumento de velocidade gradativo, pois na empolgação é que ocorrem as piores lesões.
Nunca esqueçam que nós somos como um carro: um pequeno barulhinho no câmbio pode custar apenas 200 reais para o aperto dos parafusos e a reposição do óleo, mas se o câmbio quebrar a troca dele pode custar 10 vezes mais.
Na próxima matéria me aprofundarei mais na questão da pisada e do tênis, pois existem estudos definitivos sobre o assunto, mas infelizmente, muitos mitos também..
Abraços e até a próxima!
Atletismo · 10 out, 2012
A partir deste mês o Webrun traz uma coluna de Medicina Preventiva, assinada pela Dra Samira Layaun, autora do livro Comer, Treinar, Dormir. O objetivo é discutir os temas apresentados na obra.
Meu nome é Samira; sou médica (Sanitarista e Oftalmologista) formada pela Universidade de São Paulo e praticante de corrida. E, como todos os corredores, apaixonada pelo esporte.
Há alguns anos, envolvida com minhas reflexões e sentindo um bem estar extremo vindo do esporte, percebi que poderia fazer algo mais, além de correr. De repente, fui tomada pela súbita ideia de transmitir essa sensação de bem estar a outras pessoas e pensei: "Vou escrever um livro sobre isso".
Mas logo desisti do projeto por julgá-lo inviável. Sabia que escrever um livro não é uma tarefa fácil; exige disciplina, dedicação e certa dose de sacrifício (leia-se: diminuir a frequência e o ritmo de treinos, abandonar temporariamente as atividades profissionais, restringir o tempo dedicado à família, ao lar, ao lazer etc.). Além disso, eu também tinha consciência de que essa tarefa implicaria em um longo e árduo trabalho de pesquisa na literatura científica, cujas principais publicações são, em sua maioria, em língua inglesa. Isso sem contar com a falta de perspectiva de publicação, uma vez que muitas editoras preferem não investir em autores desconhecidos (categoria na qual me enquadro).
Um dia, porém, em uma conversa com o Professor Doutor Sidney Júlio de Faria e Souza (Departamento de Oftalmologia/Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo), meu ex-professor e preceptor de Residência Médica, que também é corredor, a ideia foi retomada. Ele julgou o projeto viável e sugeriu que eu desse início às pesquisas. Foi assim que surgiu a ideia do livro Comer, Treinar, Dormir Como superar as doenças da vida moderna. Prefácio Dr. Joaquim Grava. Editora Prumo.
Baseado em literatura científica especializada, o livro aborda de maneira simples e clara, como os bons hábitos (alimentares, sono e, principalmente, exercícios físicos), e as boas emoções, ajudam a prevenir e tratar as doenças que mais atormentam a sociedade moderna. Entre elas podemos destacar: a obesidade, a hipertensão arterial, o diabetes, o câncer, a depressão, a dor nas costas, o stress, a osteoporose etc.
Ele também traz outros assuntos de grande relevância como os riscos do consumo abusivo de açúcar, gordura e colesterol, álcool, cigarro e oferece orientações importantes para uma nutrição prazerosa e saudável, bem como esclarecimentos sobre o sono e sugestões para dormir melhor.
Além disso, este livro apresenta histórias impressionantes de superação como as de Paul McCartney, Ringo Starr, JK Rowling, Lance Armstrong, Lucília Diniz, Dráuzio Varella, pessoas ricas e famosas que, assim como você, tiveram sua saúde ameaçada por doenças ou drogas e mostra que você, assim como eles, também tem capacidade para superar as ameaças à sua integridade física e mental.
"Longevidade: outras sugestões para uma vida mais longa e saudável" e "Corridas de Rua: um universo encantador e enigmático", são os capítulos que encerram o livro.
Enfim, de acordo com comentário publicado na Revista Veja: "trata-se de um manual sobre a manutenção da saúde, ideal para guiar o leigo em meio à profusão de recomendações e interdições que cercam hoje o bem estar pessoal".
O livro tem sido aclamado pela crítica e pelo público e pode ser encontrado nas principais livrarias (físicas ou virtuais) do país. Entretanto, se você quiser um aperitivo, poderá encontrá-lo no site Webrun, para o qual, a partir de hoje, escreverei uma coluna mensal sobre os principais assuntos abordados no livro.
E vamos em frente, juntos por uma saúde melhor!
Atletismo · 09 out, 2012
Quando comecei a escrever esta curta série, nunca tive a pretensão de solucionar algo que permanece insolúvel há quase um século: o combate ao sobrepeso. Talvez o mais esclarecedor livro de nutrição já escrito (Good Calories, Bad Calories de Gary Taubes) leva cerca de 500 páginas para apresentar seu ponto sem dar uma solução completa, mas algumas pessoas esperavam que eu tivesse alguma em três textos de 2500 toques. Até agradeço a confiança, mas é impossível.
Por uma pequena falha de comunicação, meu terceiro texto foi apresentado pelo portal como sendo uma conclusão, quando na verdade essa só seria escrita depois dos comentários das três primeiras partes. Eu queria ouvir as dúvidas e as partes não claras.
Confesso que fiquei surpreso como não questionaram mais justamente um ponto que demorei a entender, aquele em que Taubes explica que comemos mais porque engordamos e não o que a sabedoria popular defende, que engordamos porque supostamente comemos mais.
Bem sucintamente, se tudo está errado como defende Taubes, o que deveria ser feito? Partindo no texto todo sempre da premissa que ele fala de pessoas sem doenças (cardiopatia, hipertensão), grupos especiais (crianças, atletas profissionais) ou outras especificidades, seu argumento é baseado em um conhecimento que nenhum fisiologista, nutricionista ou médico nega: a insulina é nosso hormônio mais anabólico. O aumento de gordura corporal está necessariamente ligado à sua liberação no organismo.
Além disso, Taubes desconstrói toda a ideia do balanço energético (calorias ingeridas versus calorias gastas), teoria criada sem contestação nos anos 50 que carece de todo suporte científico. Então temos:
Zero carboidrato- Como toda simplificação e resumo, ele deve ser lido com cuidado. Há inúmeras nuances, mas o que Taubes prega é que a pessoa deve cortar radicalmente, de forma muito drástica, o consumo de qualquer tipo de carboidrato. Ele enfatiza que alguns, como farinha de trigo e açúcares deveriam ser banidos da dieta de quem quer perder ou manter peso. Pão, biscoitos, massas, arroz, grãos, cereais, a maioria das frutas e seus sucos, alguns legumes, açúcar, álcool e doces. Tudo isso, sem exceção, deve ser cortado.
Já gorduras, ovos, folhas e carnes, praticamente quase tudo isso está liberado. E para acelerar este gasto poderíamos partir para o uso de atividade física, certo? De novo, resumidamente, Taubes bate na tecla com a qual cada vez mais gente concorda, exercícios apenas fazem a pessoa ter mais fome. Ponto. Nada mais. Treinou mais, come mais. Tentou comer menos, o corpo reduz os gastos e a mobilidade. Mas o esporte seria nulo na perda de peso. E este é o ponto com o qual não concordo 100%, talvez concorde uns 85 ou 90%.
O esporte indiretamente pode ajudar no controle e perda de peso porque ele inibe a liberação de insulina no sangue, a vilã. Mas o esporte como aumento do gasto favorecendo o balanço energético é muito provavelmente uma falácia.
Confira a conclusão do artigo de Danilo Balu na próxima página.
E você, corredor que quer perder peso, tem medo de comer menos carboidrato? Tem medo de entupir seu coração comendo gordura e ficou ofendido quando eu disse que a corrida não ajuda na perda de peso? Vamos por partes.
O carboidrato é superestimado- Percentualmente falando, em todas as vezes, repito, todas as vezes que avaliei o consumo alimentar de corredores da classe média, eles comiam menos do que o que seria preconizado. Além disso, carboidrato é como gordura e impostos, você pode tentar, mas não irá fugir 100% dele se for comer comida.
Gorduras e coração- Vai chegar o dia em que teremos que pedir perdão aos porcos e ao seu delicioso bacon. Há décadas buscamos provar que colesterol, gordura e cardiopatia em indivíduos saudáveis andam juntos. Em vão. Todo estudo decentemente feito não consegue correlacionar mais gordura na dieta e mais colesterol ou risco cardíaco em pessoas saudáveis, sem histórico.
Seus treinos- São inegáveis e indiscutíveis os efeitos que o esporte proporciona a todos em inúmeros e incontáveis campos. Estou apenas falando que diretamente a corrida não ajuda na manutenção do peso, no máximo ajuda indiretamente.
Por fim, minha recomendação baseada no trabalho de Taubes e outros. Quer perder peso? Corte os carboidratos. Radicalmente, sem pena nem dó. Meu último conselho é: mais do que duvidar radicalmente das ideias propostas, duvide do seu profissional se ele nunca leu Gary Taubes.
Corrida de Montanha · 31 ago, 2012
Um dos grandes segredos de um treinamento de corrida bem sucedido é saber dosar sua intensidade. Particularmente defino a intensidade como o grau de dificuldade do exercício (no caso a corrida) em relação ao máximo que consigo. Por exemplo: se corro meu melhor 10 quilômetros em 50 minutos e em treino fizer os mesmos em 65 minutos, estarei numa intensidade mais baixa que meu máximo. Se o fizer em 51 minutos, estarei em intensidade bem próxima à minha máxima, logo, em intensidade alta.
Antigamente, nosso referencial para mediar a intensidade do treino era somente o tempo em relação ao máximo. Aplicávamos um teste de um e três quilômetros, ou pegávamos os resultado de provas e calculávamos as porcentagens de treino entre 70 a 95% daquele ritmo. Conforme esta porcentagem, sabíamos a intensidade de cada treino. A grande desvantagem era quando treinávamos em local sem marcação, com subidas e descidas e, principalmente, para as pessoas que não tinham noção de ritmo. Também era usada a tabela de percepção subjetiva ao esforço, que conforme a pessoa respondia ao exercício, sabíamos mais ou menos sua intensidade.
Em seguida veio o controle da frequência cárdica, que foi um excelente marco na história do Treinamento Desportivo. Descobriu-se que, conforme a frequência cardíaca em que se pratica a atividade, é possível determinar sua intensidade e dosá-la durante o próprio exercício, sobretudo com o uso do monitor cardíaco, pulsímetro ou frequencímetro.
Hoje com o advento dos equipamentos de GPS que, além da frequência cardíaca, medem a velocidade e o ritmo por quilometro, temos ainda maior facilidade em dosar a intensidade do treino e conseguimos treinar de forma leve, moderada ou forte, conforme o programado para o dia. Particularmente procuro utilizar todos os recursos que forem possíveis, pois quanto melhor o controle, melhores serão os resultado obtidos, uma vez que não haverá desgaste excessivo, nem estímulo abaixo do desejado.
Sem tecnologia - Tenho amigos que defendem a participação em treinos e provas sem equipamentos, apenas contando com o feeling do indivíduo, mas confesso que há o grande risco de se passar da dose sem perceber e, com isso, comprometer os treinos dos outros dias ou a prova. Certa vez, durante um treino longo, eu me sentia tão bem que, ao olhar o GPS, percebia que corria quase 30 segundos por quilometro mais rápido do que o programado, podendo com isso pagar um preço caro na parte final. O uso desta ferramenta me permitiu reduzir o ritmo e administrar bem melhor o treino, poupando energias e terminando bem.
O uso constante do monitor cardíaco, pulsímetro ou frequencímetro, também é muito importante para detectar possíveis alterações cárdicas, servindo como uma grande ferramenta de segurança. Há vários casos de pessoas que sentiram variações muito grandes em seus batimentos cardíacos durante os treinos ou provas, foram ao cardiologista a tempo e com isso puderam se tratar na época certa.
Além de ter um treinador que estudou e saberá calcular as intensidades de treino recomendadas para cada sessão sua, vale a pena investir em equipamentos que sirvam para medir e controlar esta intensidade de maneira correta.
O que falei nos dois textos anteriores (Motivos que nos fazem engordar podem estar equivocados parte Parte 1 e Parte 2) não é fácil de digerir. Como aceitar a inversão de causa e consequência entre engordar e comer demasiado? Minha primeira reação foi: como isso não é ainda debatido nas faculdades de nutrição e medicina? Como por tantas décadas fazemos da nutrição um curandeirismo vergonhoso sem contestar?
Causa espanto como algumas coisas passaram a serem tidas como verdades absolutas na nutrição. Para perder peso o exercício seria uma medida completamente eficaz para emagrecer, certo? Não é. São décadas de estudo que mostram que ele pouco ajuda, mas insistimos. Se fosse eficiente, nas academias teríamos apenas casos de sucesso. Não temos! Para cada estudo apontando perda de peso, você encontra outros sem resultados positivos ou estimulantes.
Quando você parte para ilustrar casos de êxito de amigos e parentes com dieta ou atividade física, você cai no erro grosseiro da parábola do golfinho benevolente (procure por ela no Google), aquela que lista apenas casos de sucesso. Para os exemplos de fracasso (pessoas que não emagrecem) culpamos o indivíduo que não se esforçou como deveria.
De acordo com vários estudos, das pessoas que foram submetidas a rotinas de exercício, algumas perderam peso enquanto outras ganharam. E qual a conclusão padrão? Os que não emagreceram trapacearam, foram fracos.
Doença com novo remédio - Imagine que você tenta combater uma doença inventando um novo remédio. Ao aplicar este remédio, alguns se curam, porém outros têm o quadro agravado. Você pode anunciar a descoberta da solução? É mais do que óbvio que não! É isso o que fazem com a Obesidade (a doença) e as curas (exercícios e/ou dieta de restrição calórica). Convenhamos, a nutrição vista desse ponto é uma vergonha, um fracasso.
Na nutrição, infelizmente aplicamos vários remédios sem saber exatamente o que dá certo devido à enorme gama de variáveis. O que fez o indivíduo perder peso? Mais carboidrato? Mais gordura? Menos calorias? Mais exercício? Tudo junto? Qual combinação deles? Ninguém sabe. Ninguém. O profissional que fala que sabe, ou é desinformado ou mente pra você.
O estudo que ganhou destaque algumas semanas atrás mostrou pessoas que engordaram quando submetidas à dieta e exercício. Isso vem reforçar outra tendência das pesquisas sobre economia comportamental. Nessas novas linhas de estudos, teoricamente os cardápios que restringem certos pecados alimentares vão perdendo força por uma atitude muito humana e imperceptível que é o de compensarmos esforços feitos anteriormente.
Funciona assim: a pessoa que deixou de comer um mousse de chocolate no almoço, enxerga esse esforço pessoal como justificativa para exagerar mais tarde em outra refeição. É por esse motivo também que restaurantes ditos naturais trazem muito menos benefícios do que imaginamos, porque no final você acaba sempre compensando com pecados nutricionais. Nossas refeições não são eventos independentes. Visto desse ponto, recordatórios alimentares e cardápios são muito mais inúteis do que pensávamos.
Atividade física - Enfim, não sou louco de tentar negar o inegável: os benefícios de uma rotina de atividade física. Isso ninguém discute nem pode rebater. Mas as décadas passam e cada vez mais todas as populações vão ficando mais gordas mesmo intensificando a dose do atual remédio. Vimos desde os anos 70 reduzindo nosso consumo de gordura, mas ela é mesmo a vilã? Provavelmente não. Desde a década de 50 calculamos as calorias, mas elas servem para alguma coisa? Muito possivelmente não.
O que está claro é que estamos combatendo de modo completamente equivocado o problema da obesidade. Não podemos esperar resultados diferentes usando o mesmo caminho há décadas, pois é necessário parar e ver onde erramos, mesmo que abandonemos ideias que consideramos as respostas corretas por décadas, quando na verdade elas encontram pouco ou quase nenhum suporte na ciência bem feita.
Atletismo · 10 ago, 2012
O que falei nos dois textos anteriores (Motivos que nos fazem engordar podem estar equivocados parte Parte 1 e Parte 2) não é fácil de digerir. Como aceitar a inversão de causa e consequência entre engordar e comer demasiado? Minha primeira reação foi: como isso não é ainda debatido nas faculdades de nutrição e medicina? Como por tantas décadas fazemos da nutrição um curandeirismo vergonhoso sem contestar?
Causa espanto como algumas coisas passaram a serem tidas como verdades absolutas na nutrição. Para perder peso o exercício seria uma medida completamente eficaz para emagrecer, certo? Não é. São décadas de estudo que mostram que ele pouco ajuda, mas insistimos. Se fosse eficiente, nas academias teríamos apenas casos de sucesso. Não temos! Para cada estudo apontando perda de peso, você encontra outros sem resultados positivos ou estimulantes.
Quando você parte para ilustrar casos de êxito de amigos e parentes com dieta ou atividade física, você cai no erro grosseiro da parábola do golfinho benevolente (procure por ela no Google), aquela que lista apenas casos de sucesso. Para os exemplos de fracasso (pessoas que não emagrecem) culpamos o indivíduo que não se esforçou como deveria.
De acordo com vários estudos, das pessoas que foram submetidas a rotinas de exercício, algumas perderam peso enquanto outras ganharam. E qual a conclusão padrão? Os que não emagreceram trapacearam, foram fracos.
Doença com novo remédio - Imagine que você tenta combater uma doença inventando um novo remédio. Ao aplicar este remédio, alguns se curam, porém outros têm o quadro agravado. Você pode anunciar a descoberta da solução? É mais do que óbvio que não! É isso o que fazem com a Obesidade (a doença) e as curas (exercícios e/ou dieta de restrição calórica). Convenhamos, a nutrição vista desse ponto é uma vergonha, um fracasso.
Na nutrição, infelizmente aplicamos vários remédios sem saber exatamente o que dá certo devido à enorme gama de variáveis. O que fez o indivíduo perder peso? Mais carboidrato? Mais gordura? Menos calorias? Mais exercício? Tudo junto? Qual combinação deles? Ninguém sabe. Ninguém. O profissional que fala que sabe, ou é desinformado ou mente pra você.
O estudo que ganhou destaque algumas semanas atrás mostrou pessoas que engordaram quando submetidas à dieta e exercício. Isso vem reforçar outra tendência das pesquisas sobre economia comportamental. Nessas novas linhas de estudos, teoricamente os cardápios que restringem certos pecados alimentares vão perdendo força por uma atitude muito humana e imperceptível que é o de compensarmos esforços feitos anteriormente.
Funciona assim: a pessoa que deixou de comer um mousse de chocolate no almoço, enxerga esse esforço pessoal como justificativa para exagerar mais tarde em outra refeição. É por esse motivo também que restaurantes ditos naturais trazem muito menos benefícios do que imaginamos, porque no final você acaba sempre compensando com pecados nutricionais. Nossas refeições não são eventos independentes. Visto desse ponto, recordatórios alimentares e cardápios são muito mais inúteis do que pensávamos.
Atividade física - Enfim, não sou louco de tentar negar o inegável: os benefícios de uma rotina de atividade física. Isso ninguém discute nem pode rebater. Mas as décadas passam e cada vez mais todas as populações vão ficando mais gordas mesmo intensificando a dose do atual remédio. Vimos desde os anos 70 reduzindo nosso consumo de gordura, mas ela é mesmo a vilã? Provavelmente não. Desde a década de 50 calculamos as calorias, mas elas servem para alguma coisa? Muito possivelmente não.
O que está claro é que estamos combatendo de modo completamente equivocado o problema da obesidade. Não podemos esperar resultados diferentes usando o mesmo caminho há décadas, pois é necessário parar e ver onde erramos, mesmo que abandonemos ideias que consideramos as respostas corretas por décadas, quando na verdade elas encontram pouco ou quase nenhum suporte na ciência bem feita.
Após o artigo da Dra Ana Paula Simões sobre os ossos do pé que causam dores em esportistas, nosso colunista de medicina esportiva, Dr José Marques Neto, aproveita para resumir o assunto. A sesamoidite é mais comum do que muitos pensam e deve ter tratamento adequado para não se tornar crônica.
A sesamoidite é a inflamação dos ossos sesamóides, podendo acometer um ou ambos. Estes são ossos pequenos, situados sob a cabeça do primeiro metatarso (osso do peito do pé), alojados no interior do tendão flexor curto do hállux (dedão do pé) e submetidos a grandes cargas durante a marcha e a corrida. O ponto mais crítico de pressão sobre os sesamóides ocorre durante o final da passada, no desprendimento do hállux, momento em que estão sob tensão pela forçada extensão do dedo.
A sesamoidite pode evoluir para artrite crônica ou até mesmo para a fragmentação do osso, caso não venha a ser tratada adequadamente. Frequente em corredores, o quadro clínico é caracterizado por dor no local e na extensão do hállux, edema (inchaço) e muitas vezes hiperqueratose (calo). O exame de raio x pode mostrar alterações ósseas como esclerose (osso esbranquiçado) ou fragmentação, mas a ressonância magnética é um exame mais sensível para detectar alterações precoces.
O tratamento inicial compõe-se de medidas analgésicas dentro das sessões de fisioterapia, retirada de carga do local através de palmilhas específicas e evitar períodos prolongados de pé ou uso de saltos. O tratamento cirúrgico é feito através da retirada do sesamóide acometido, mas reservado aos casos refratários ao tratamento conservador.
Maratona · 08 ago, 2012
Após o artigo da Dra Ana Paula Simões sobre os ossos do pé que causam dores em esportistas, nosso colunista de medicina esportiva, Dr José Marques Neto, aproveita para resumir o assunto. A sesamoidite é mais comum do que muitos pensam e deve ter tratamento adequado para não se tornar crônica.
A sesamoidite é a inflamação dos ossos sesamóides, podendo acometer um ou ambos. Estes são ossos pequenos, situados sob a cabeça do primeiro metatarso (osso do peito do pé), alojados no interior do tendão flexor curto do hállux (dedão do pé) e submetidos a grandes cargas durante a marcha e a corrida. O ponto mais crítico de pressão sobre os sesamóides ocorre durante o final da passada, no desprendimento do hállux, momento em que estão sob tensão pela forçada extensão do dedo.
A sesamoidite pode evoluir para artrite crônica ou até mesmo para a fragmentação do osso, caso não venha a ser tratada adequadamente. Frequente em corredores, o quadro clínico é caracterizado por dor no local e na extensão do hállux, edema (inchaço) e muitas vezes hiperqueratose (calo). O exame de raio x pode mostrar alterações ósseas como esclerose (osso esbranquiçado) ou fragmentação, mas a ressonância magnética é um exame mais sensível para detectar alterações precoces.
O tratamento inicial compõe-se de medidas analgésicas dentro das sessões de fisioterapia, retirada de carga do local através de palmilhas específicas e evitar períodos prolongados de pé ou uso de saltos. O tratamento cirúrgico é feito através da retirada do sesamóide acometido, mas reservado aos casos refratários ao tratamento conservador.
Alimentação · 17 jun, 2026
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