Motivos que nos fazem engordar podem estar equivocados: conclusão

Redação Webrun | Atletismo · 10 ago, 2012

Será que estamos fazendo certo em contar calorias? (foto: lockstockb/ Stock.Xchng )
Será que estamos fazendo certo em contar calorias? (foto: lockstockb/ Stock.Xchng )

O que falei nos dois textos anteriores (Motivos que nos fazem engordar podem estar equivocados parte Parte 1 e Parte 2) não é fácil de digerir. Como aceitar a inversão de causa e consequência entre “engordar” e “comer demasiado”? Minha primeira reação foi: como isso não é ainda debatido nas faculdades de nutrição e medicina? Como por tantas décadas fazemos da nutrição um curandeirismo vergonhoso sem contestar?

Causa espanto como algumas coisas passaram a serem tidas como verdades absolutas na nutrição. Para perder peso o exercício seria uma medida completamente eficaz para emagrecer, certo? Não é. São décadas de estudo que mostram que ele pouco ajuda, mas insistimos. Se fosse eficiente, nas academias teríamos apenas casos de sucesso. Não temos! Para cada estudo apontando perda de peso, você encontra outros sem resultados positivos ou estimulantes.

Quando você parte para ilustrar casos de êxito de amigos e parentes com dieta ou atividade física, você cai no erro grosseiro da parábola do golfinho benevolente (procure por ela no Google), aquela que lista apenas casos de sucesso. Para os exemplos de “fracasso” (pessoas que não emagrecem) culpamos o indivíduo que “não se esforçou como deveria”.
De acordo com vários estudos, das pessoas que foram submetidas a rotinas de exercício, algumas perderam peso enquanto outras ganharam. E qual a conclusão padrão? Os que não emagreceram trapacearam, foram fracos.

Doença com novo remédio – Imagine que você tenta combater uma doença inventando um novo remédio. Ao aplicar este remédio, alguns se curam, porém outros têm o quadro agravado. Você pode anunciar a descoberta da solução? É mais do que óbvio que não! É isso o que fazem com a Obesidade (a “doença”) e as curas (“exercícios” e/ou “dieta de restrição calórica”). Convenhamos, a nutrição vista desse ponto é uma vergonha, um fracasso.

Na nutrição, infelizmente aplicamos vários remédios sem saber exatamente o que dá certo devido à enorme gama de variáveis. O que fez o indivíduo perder peso? Mais carboidrato? Mais gordura? Menos calorias? Mais exercício? Tudo junto? Qual combinação deles? Ninguém sabe. Ninguém. O profissional que fala que sabe, ou é desinformado ou mente pra você.

O estudo que ganhou destaque algumas semanas atrás mostrou pessoas que engordaram quando submetidas à dieta e exercício. Isso vem reforçar outra tendência das pesquisas sobre economia comportamental. Nessas novas linhas de estudos, teoricamente os cardápios que restringem certos “pecados alimentares” vão perdendo força por uma atitude muito humana e imperceptível que é o de compensarmos esforços feitos anteriormente.

Funciona assim: a pessoa que deixou de comer um mousse de chocolate no almoço, enxerga esse esforço pessoal como justificativa para exagerar mais tarde em outra refeição. É por esse motivo também que restaurantes ditos naturais trazem muito menos benefícios do que imaginamos, porque no final você acaba sempre compensando com “pecados” nutricionais. Nossas refeições não são eventos independentes. Visto desse ponto, recordatórios alimentares e cardápios são muito mais inúteis do que pensávamos.

Atividade física – Enfim, não sou louco de tentar negar o inegável: os benefícios de uma rotina de atividade física. Isso ninguém discute nem pode rebater. Mas as décadas passam e cada vez mais todas as populações vão ficando mais gordas mesmo intensificando a dose do atual remédio. Vimos desde os anos 70 reduzindo nosso consumo de gordura, mas ela é mesmo a vilã? Provavelmente não. Desde a década de 50 calculamos as calorias, mas elas servem para alguma coisa? Muito possivelmente não.

O que está claro é que estamos combatendo de modo completamente equivocado o problema da obesidade. Não podemos esperar resultados diferentes usando o mesmo caminho há décadas, pois é necessário parar e ver onde erramos, mesmo que abandonemos ideias que consideramos as respostas corretas por décadas, quando na verdade elas encontram pouco ou quase nenhum suporte na ciência bem feita.

Este texto foi escrito por: Danilo Balu

Redação Webrun

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