
A sesamoidite atinge o osso do primeiro metatarso (foto: Leagun/ Stock.xchng)
Após o artigo da Dra Ana Paula Simões sobre os ossos do pé que causam dores em esportistas, nosso colunista de medicina esportiva, Dr José Marques Neto, aproveita para resumir o assunto. A sesamoidite é mais comum do que muitos pensam e deve ter tratamento adequado para não se tornar crônica.
A sesamoidite é a inflamação dos ossos sesamóides, podendo acometer um ou ambos. Estes são ossos pequenos, situados sob a cabeça do primeiro metatarso (osso do peito do pé), alojados no interior do tendão flexor curto do hállux (dedão do pé) e submetidos a grandes cargas durante a marcha e a corrida. O ponto mais crítico de pressão sobre os sesamóides ocorre durante o final da passada, no desprendimento do hállux, momento em que estão sob tensão pela forçada extensão do dedo.
A sesamoidite pode evoluir para artrite crônica ou até mesmo para a fragmentação do osso, caso não venha a ser tratada adequadamente. Frequente em corredores, o quadro clínico é caracterizado por dor no local e na extensão do hállux, edema (inchaço) e muitas vezes hiperqueratose (calo). O exame de raio x pode mostrar alterações ósseas como esclerose (osso esbranquiçado) ou fragmentação, mas a ressonância magnética é um exame mais sensível para detectar alterações precoces.
O tratamento inicial compõe-se de medidas analgésicas dentro das sessões de fisioterapia, retirada de carga do local através de palmilhas específicas e evitar períodos prolongados de pé ou uso de saltos. O tratamento cirúrgico é feito através da retirada do sesamóide acometido, mas reservado aos casos refratários ao tratamento conservador.
Este texto foi escrito por: Dr. José Marques Neto