
Antônio Delfino defenderá o Brasil nos 400m em Atenas (foto: Donata Lustosa/ WebRun)
Você deve ter achado estranho esse título no portal WebRun. Calma! Aqui você irá continuar por dentro das notícias de atletismo e triathlon. Mas os cadernos de esporte quase sempre só fazem matérias de futebol. E no meio desse país da bola onde ficam os outros esportes? E o paraolímpico? Pois é o artigo abaixo relata justamente isso. Confira.
Como o Brasil é o País do Futebol emplacar uma pauta sobre as outras modalidades esportivas não é uma tarefa fácil. E basta dar uma folheada em algum caderno de esporte para comprovar isso. No meio de várias notícias sobre o mundo da bola, dificilmente encontra-se notícias de outras modalidades convencionais, como por exemplo, o vôlei. E a realidade fica ainda mais difícil para o mundo paraolímpico.
Isto porque percebe-se que o esporte paraolímpico não faz parte da linha editorial dos veículos de comunicação. Além disso, este é tratado como esporte amador e raramente é cedido algum espaço do jornal para abordar o tema. Por isso milhares de brasileiros nem imaginam que no ano passado o Brasil Paraolímpico conquistou 42 medalhas e um recorde mundial do atleta Antônio Delfino, nos 400 metros rasos.
E mesmo que a assessoria do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) entre em contato com os jornais, exponha as pautas e insista o esporte paraolímpico fica sempre em segundo plano. A maioria das produções dessas matérias ainda é resultado do esforço individual do jornalista que vê o esporte não convencional importante para a sociedade.
Mas a não publicação de notícias do mundo paraolímpico não pode ser considerada como um preconceito por parte da mídia. O jornal como qualquer outro negócio tem que gerar lucro. E o futebol vende o jornal. A sociedade brasileira está acostumada a comprar no mínimo a edição de domingo, segunda ou quinta-feira para ver como foi a rodada do dia anterior.
Porém se os jornais cederem uma vez por semana o canto inferior esquerdo de uma página de esporte para os paraolímpicos indiretamente os jornais contribuiriam com a sociedade. Já que poderiam ajudar a diminuir o preconceito da sociedade para com os deficientes físicos, incentivar as pessoas a se relacionarem com projetos relacionados à deficientes e também divulgar o esporte não convencional para potenciais patrocinadores.
Vale lembrar que 2004 é ano de Olimpíadas e também de Paraolimpíadas. E como será que a mídia vai explorar esse assunto? Uma coisa pode-se ter certeza dessa vez o futebol está de fora. Talvez assim as pessoas possam encontrar nos cadernos de esporte notícias diferentes. E será que o futebol paraolímpico, que já garantiu a vaga para Atenas, irá receber o mesmo tratamento do futebol convencional? É esperar para ver, ou melhor, para ler.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa