
Marily já foi vítima da diferença de premiação ao correr a São Silveira (foto: Luiz Doro/ adorofoto)
A Corrida Internacional de São Silveira, competição que este ano chega à sua 32ª edição em Barueri (Grande São Paulo) vai na contramão dos grandes eventos de corrida de rua do Brasil e ainda oferece premiação menor para as mulheres. Confira a explicação dos organizadores, bem como a opinião de profissionais do meio.
São Paulo – O campeão da categoria masculina da São Silveira desse ano levará para casa o montante de R$ 5.000; o segundo R$ 3.000 e o terceiro R$ 2.000, enquanto as mulheres serão contempladas com R$ 1.500 para o primeiro lugar; R$ 800 para o segundo e R$ 700 para o terceiro. Além disso, os homens contarão com categorias Geral; Principal; Veterano e Infantil e as mulheres terão apenas a categoria geral e a feminina Barueri, que premiará a primeira atleta da cidade a completar.
De acordo com Roberto Silva, um dos responsáveis pela organização da corrida, todos os anos a prova conta com uma elite masculina mais competitiva do que a feminina, motivo pelo qual oferecem uma premiação diferenciada. A Elite feminina pouco prestigia a prova e, por mais que tenhamos várias formas de divulgação para trazer mais mulheres, não tem surtido efeito.
Já sobre o fato de as mulheres não terem premiação nas categorias, ele explica que da mesma forma que não vem muita elite feminina, também vem poucas atletas veteranas e adolescentes. Ele completa dizendo que em alguns anos abriram para categorias e mesmo assim o número de mulheres continuou baixo.
Contrapartida – Na elite feminina do ano passado estavam Pamela Bundotich, que ficou em quarto lugar na São Silvestre; Marily dos Santos, atual bicampeã do Circuito Caixa de Corridas de Rua; Fabiana Cristine; Nadir Sabino (ambas entre as 15 melhores do ranking CBAt nos 10 km), entre outras atletas de ponta. Para Gilmário Mendes, treinador de Marily, a diferença de premiação é um absurdo.
Segundo ele, no Nordeste algumas provas costumavam ter essa prática, pois os organizadores diziam que o número de inscritos entre as mulheres não era muito grande. Nós dissemos a eles que todos os custos, com passagem, hotel e inscrição eram os mesmos, não havia desconto para as mulheres e no ano seguinte eles igualaram os prêmios, fato que não aconteceu com a São Silveira.
Sobre a explicação do organizador, ao dizer que a prova não atraía competidoras fortes, Gilmário acredita que é uma forma estranha de se justificar. Ano passado a elite feminina estava mais forte do que a masculina, mas sempre haverá menos mulheres, porque a quantidade de praticantes do sexo feminino em corridas é menor mesmo.
Em março, época do Dia Internacional da Mulher, o Webrun entrevistou alguns organizadores de prova sobre o assunto e todos foram contrários à pratica de premiar as mulheres com valores separados. Apesar do número de mulheres em provas ser menor do que o de homens, sempre premiamos igual. Eu acho justo, não dá para fazer essa diferenciação, ressalta Oswaldo Felipe Júnior, da TH5 Eventos. Nós seguimos a norma de igualdade para todos, que é aplicada em nível mundial, que a IAAF utiliza. Ou premiamos igual ou não damos nada, enfatiza José João da Silva, da JJS Eventos.
A Corrida de São Silveira acontecerá no dia 15 de dezembro nas ruas de Barueri e servirá como seletiva para a São Silvestre. Quem quiser participar do evento, pode se inscrever através do site www.wmeventosesportivos.com.br.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda