
Seleção brasileira de cadeirantes na Maratona de Oita no Japão em 2001 (foto: Iranílson Silva)
Em virtude das constantes matérias publicadas em jornais de São Paulo, sobre mau gerenciamento de recursos da Lei Piva, o site cadeirantes.com.br tentou manter contato com o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), através do Sr. Leonardo Carpes dos Santos, da Assessoria de Comunicação do CPB, inclusive colocando o site à disposição para esclarecimentos, mas infelizmente, ficamos sem resposta.
Procuramos então, o Presidente da ABRADECAR, Ciraldo Reis, que respondeu algumas das perguntas isentando-se de algumas por julgar que não é de sua competência, indicando os Srs. Sr. José Amaury Russo, Sr. Flávio Arns Sr. Adilson Ramos Sr. Ivaldo Brandão, por entender que são de competência do Conselho Fiscal do CPB, Presidente do Conselho Deliberativo do CPB, que serão consultados oportunamente.
Cadeirantes.com.br No seu entendimento, porque os funcionários do CPB recebem esses salários altíssimos (levando-se em consideração a realidade brasileira e a média salarial brasileira)?
Ciraldo Reis – Devido a decisão unilateral do presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Sr. Vital Severino Neto.
Cadeirantes.com.br – Diante de tal realidade qual é o próximo passo das Associações Nacionais, uma vez que já foi comprovado pelo TCU essas irregularidades?
CR – A ABRADECAR tem buscado judicialmente seus direitos e de todos os atletas cadeirantes, técnicos e clubes filiados.
Cadeirantes.com.br – Quando o Sr. Vital Neto fala: “Não vamos desguarnecer nossas Associações nem os projetos sociais, mas a vocação do CPB é preparar atletas para competir em eventos de grande porte. Em 2003 essa será nossa prioridade”. Será que os cadeirantes terão a sua oportunidade desta vez?
CR – No que depender da ABRADECAR, vamos lutar para isso e repassar tais reivindicações ao presidente do Conselho Deliberativo do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Sr. Flávio Arns.
Cadeirantes.com.br – O Sr. poderia relatar alguns projetos da ABRADECAR, já apresentados, que contemplem os atletas corredores em cadeira de rodas e que foram “vetados” ou tiveram alguma sanção do CPB? Quais projetos estão para a aprovação e que contemplem esta modalidade esportiva?
CR – No ano passado, foi travado um impasse entre o CPB e a ABRADECAR com relação à ida da delegação brasileira que iria representar o país na Maratona Internacional de Oita, evento realizado no mês de outubro/2002 no Japão. A ABRADECAR tentou de todas as formas e trabalhou intensamente para enviar os atletas corredores em cadeira de rodas para esta competição e insistiu, sistematicamente, que o CPB liberasse os recursos necessários à ida da equipe brasileira. Entretanto, o CPB alegou não disponibilizar da verba e vetou o projeto apresentado pela ABRADECAR mesmo após a aprovação do mesmo no Conselho Deliberativo da entidade. Para este ano estamos bastante esperançosos e temos o intuito de enviar nossos corredores a Maratona de Oesingen, na Suíça, e a Maratona Internacional de Oita, no Japão. Além disso, estamos tentando viabilizar um projeto de patrocínio da modalidade maratona junto à algumas empresas para compra de cadeiras de corrida e custeio dos atletas para competições internacionais.
Cadeirantes.com.br – A seleção de futebol de amputados (que não é esporte paraolímpico) viajou em 2002, para disputar torneio internacional, com o apoio do CPB. A delegação de cadeirantes maratonistas deixou de cumprir compromisso esportivo extremamente, por falta de recursos (alegação do CPB), o do Diretor Técnico do CPB Sr. Kléber ponderou de a viagem da delegação brasileira era em apoio a uma equipe vencedora, mas ora os atletas cadeirantes tiveram excelentes resultados no ano de 2001 e 2002, inclusive na Maratona de Oita, será que, sendo desporto paraolímpico não mereceriam e deveriam, por ser esporte paraolímpico, serem agraciados com incentivo também, uma vez que o Comitê nunca prestigiou a modalidade em provas internacionais? Comente por favor.
CR – É claro que merecem o mesmo apoio e incentivo e é por isso que a ABRADECAR está trabalhando arduamente, buscando patrocínio junto às empresas, e entrou na justiça para garantir os recursos que, por direito, devem ser direcionados ao fomento e desenvolvimento do esporte em cadeira de rodas.
Cadeirantes.com.br – Sr. Ciraldo, atualmente temos parcos atletas nas provas de pista (cadeirantes) exatamente pelo distanciamento dos organismos que deveriam fomentá-los. De uma lado vemos a sua (ABRADECAR) boa vontade e de outro o CPB criando “impecílios” para que os projetos da ABRADECAR DESTINADOS aos corredores cadeirantes decolem, é essa mesmo a realidade?
CR Infelizmente, a diretoria que está à frente do CPB, por motivos políticos, vem prejudicando sistematicamente a ABRADECAR. Digo motivos políticos porque eu, enquanto presidente da ABRADECAR, não coaduno com a forma que estão sendo aplicados os recursos oriundos da Lei Piva e busco a seriedade, probidade e transparência no movimento paraolímpico brasileiro. Para isso, não me calo e denuncio às autoridades e pessoas ligadas ao paradesporto as irregularidades que vem ocorrendo no gerenciamento de tais recursos. Essa postura incomoda a diretoria do CPB e, na tentativa de dar um basta nisso, a entidade passou a perseguir a ABRADECAR, vetando seus projetos e suspendendo todos os repasses à nossa associação que tem o dever de fomentar o esporte em cadeira de rodas no Brasil. Ao fazer isso, o CPB não só tentou fechar as portas da nossa entidade, mas também prejudicou nossos atletas, técnicos e clubes filiados.
Cadeirantes.com.br – Na qualidade de presidente da ABRADECAR o que o Sr. poderia adiantar aos corredores cadeirantes????? Será que em um futuro próximo nós brasileiros poderemos ter uma equipe permanente de “corredores em cadeira de rodas”?
CR – Este é o objetivo da ABRADECAR e todos os atletas praticantes de maratona em cadeira de rodas podem ter a certeza de que nossa associação está trabalhando incansavelmente para que isto se torne uma realidade.
Outras notícias – O Presidente também dá boas notícias ao paradesporto nacional. A partir do dia 10 de abril estarão sendo contemplados com bolsa auxílio (remuneração mensal) 13 atletas da modalidade de halterofilismo, sendo que os iniciantes, categoria em formação receberão em média R$ 800 e atletas com recorde mundial R$ 1.200,00. Repassaremos o dinheiro direto para os Clubes, pois entendemos que o Clube saberá como utilizar essa verba. Diferentemente de outros organismos, somos cientes que os Clubes fazem o seu investimento, por isso desta nossa decisão.
Muito em breve, continua Ciraldo, outras modalidades do paradesporto serão contempladas com esse auxílio financeiro tão precioso para quem ainda se atreve a praticar esporte adaptado no Brasil. Felizmente os recursos estão sendo utilizados com visibilidade e veremos se há a possibilidade de publicarmos aqui no site as prestações de contas da ABRADECAR e outras Entidades Nacionais do Paradesporto Brasileiro para dar mais credibilidade às Administrações, tão contestadas pela gerência financeira de recursos, que são nada mais nada menos que dos atletas.
Como atleta e consultor deste site, fico muito contente e feliz e certamente esta é o mesmo sentimento de todos os corredores em cadeira de rodas do país. Quando as Entidades buscam recursos é a nossa cara, os nossos tempos, as nossas marcas que eles utilizam para comprovar o pedido destes recursos, nada mais justo que eles voltem para nós.
Este texto foi escrito por: Carlos Roberto Oliveira