Entrevista

Blog do Harry: entrevista com Marcos Yano, sócio-diretor da Vega Sports

São Silvestre · 16 dez, 2024

Aqui no blog do Harry, A Grit Run é um canal no YouTube que disponibiliza quinzenalmente entrevista com formadores de opinião do mundo running como Dirigentes, Organizadores, Atletas profissionais e amadores, profissionais de saúde entre outros. Neste episódio entrevistamos Marcos […]

Qual tem sido o papel dos influenciadores de corrida durante a quarentena?

Bem Estar · 30 abr, 2020

Quantos influenciadores você segue nas redes sociais? O Instagram está repleto de pessoas que conquistaram milhares de seguidores, que se identificam ou almejam um estilo de vida parecido com o que encontram nesses perfis. No entanto, ser um influenciador e […]

Conheça o brasileiro melhor colocado na Maratona de Buenos Aires: Vadison das Neves

Maratona · 25 set, 2018

Buenos Aires recebeu neste domingo (23) mais uma edição da Maratona que já ‘virou prova brasileira’, afinal um número grandioso de participantes do nosso país costuma invadir a cidade durante o evento, em busca da ótima estrutura e condições para […]

Adriano Bastos prova que marketing pessoal dá certo

Figura carismática nas corridas paulistanas, Adriano Bastos se faz conhecido e diz que ainda tem muito que mostrar. Aos 29 anos, o atleta tetracampeão da Maratona da Disney, fala como começou a carreira e revela o que lhe fez tornar conhecido, pelo menos no mundo esportivo. Confira!

São Paulo - Quem corre na Cidade Universitária de São Paulo (USP) e participa das corridas da capital paulista conhece o maratonista Adriano Bastos. Com tatuagens espalhadas pelo corpo, cabelos sempre diferentes e óculos com novas armações e lentes, Bastos é um dos atletas mais queridinhos de São Paulo.

Mas aos 29 anos, ele não é apenas uma imagem. No seu currículo há importantes títulos como o tetracampeonato da Maratona da Disney. De acordo com Bastos, ele participou da primeira prova da Disney por vontade pessoal. O resultado deu tão certo que ele repete a dose todos os anos.

“A primeira vez que venci a Disney recebi muita visibilidade. Resolvi continuar nisso. Foi uma prova que me deu destaque, foi boa para os patrocinadores e virou uma referência. Hoje quando as pessoas falam na Maratona da Disney pensam em mim e vice-versa”, conta.

Essa sua predileção pelo pódio do Mickey fez com que ele tatuasse o personagem de desenho animado nas suas duas panturrilhas. “Fiz o Mickey para criar uma referência. Lá na USP no sábado, geralmente tem aquela fila indiana de pessoas correndo. Eu vou passando todo mundo e quando eles batem o olho na tatuagem, já me reconhecem e dizem: olha o Adriano Bastos”, fala satisfeito.

Além da prova americana, o maratonista criou o hábito de participar de todas as competições possíveis para estar sempre em contato com o corredor amador. “Eu me fiz de uma maneira para estar presente todo fim de semana no pódio. Isso me tornou conhecido, consegui cativar o público e buscar retorno para meus patrocinadores. Eu me fiz dessa forma por visibilidade e não por resultados, não que meus resultados sejam ruins. Eu não tenho nada perto do Vanderlei Cordeiro e Marílson Gomes em relação resultado, mas tenho tanta visibilidade quanto eles”, revela. “É um marketing pessoal que eu aprendi fazer e deu certo”, acrescenta.

É esse pensamento que faz Adriano Bastos definir seus novos desafios. Para ele encarar uma Maratona de Londres, por exemplo, e ficar entre os 30 primeiros não é tão bom quanto ficar entre os cinco numa prova brasileira.

“Não encaixa nos meus objetivos encarar uma prova internacional com atletas fortes de elite. Isso porque, os tempos que faço aqui no Brasil são suficientes para me garantir no pódio aqui. Com esse mesmo tempo lá fora, 2h19min mais ou menos em maratona, eu não consigo fazer pódio. Ir lá para ser mais um, sem conseguir destaque não vale a pena, foge da minha característica”, argumenta.

Muitos treinadores acham errado essa postura do atleta estar sempre em todos os eventos. Até mesmo o treinador de Bastos, Ricardo D`Angelo, é contra. Mas o maratonista tem consciência do que faz.

“Meu treinador não aprova a minha participação de muitas provas. Ele já deixou bem claro isso. Ele sempre fala assim: você é dono do seu corpo e sabe bem o que faz. Se um dia você quebrar não venha reclamar. Lembre que te avisei”, revela.

Para Bastos a bagagem adquirida no triathlon, onde iniciou a carreira, o ajuda agüentar a bateria de competições. “A maioria dos corredores vem de uma base mais humilde, tiveram dificuldades no passado com alimentação mais deficiente e eu não tive esse problema. Além disso, no triathlon eu ganhei uma massa muscular que me ajuda. Meu corpo está mais preparado para suportar esse tipo de coisa dos demais. O meu organismo tem uma recuperação muito mais acelerada”, explica.

De acordo com atleta, além dessa facilidade, ele encara as provas menores, por exemplo, 10 quilômetros, como um forte treino. “Eu não entro nessas provas para vencer e sim como complemento dos meus treinos focado nas maratonas. Nunca dei 100% nessas provas menores, tenho que me preservar. O importante é estar no pódio independente da colocação. Não vou me matar para vencer a prova”, conta.

Desafio - Os próximos desafios de 2007 para Adriano Bastos são a Maratona de São Paulo e a de Curitiba. No ano passado o atleta ficou em quinto lugar em São Paulo e venceu a Maratona de Curitiba.

Agora ele espera melhorar a colocação na prova paulista. “Estou otimista. Com o pessoal tentando vaga para o Pan e Mundial, muitos ficarão de fora da Maratona de São Paulo. Isso já vai eliminar bastante corrente e acredito que vou pegar um nível um pouco mais fácil e vou tentar chegar entre os cinco e quem sabe vencer”.

Antes de chegar ao “estrelato”, Bastos já passou pelo triathlon e deu aulas de natação. Sua ida exclusiva para as corridas aconteceu em 2000 quando um grupo de patrocinadores percebeu que ele se destacava dos demais quando participava da etapa de corrida do triathlon.

“Fui várias vezes campeão paulista de duathlon. Mas minha natação não era muito boa em relação aos profissionais, por isso preferir ficar entre os amadores no triathlon. Mesmo correndo no amador eu fazia a melhor corrida da prova incluindo profissional”, conta.

Com ajuda de patrocínio, Bastos passou a se dedicar exclusivamente na carreira de atleta. De 2000 para cá ele se formou em educação física e fez pós-graduação em administração de marketing esportivo.

Hoje além de atleta, ele também trabalha como treinador de corrida e triathlon. Mas seus horários como professor não podem atrapalhar seus treinos de corrida, já que sua atual prioridade é a vida de atleta. “O treinamento dos meus alunos é sempre de noite, normalmente na USP. Assim eu fico com dois períodos livres no resto do dia (manhã e tarde) onde posso treinar”, diz.

Mesmo com tantos afazeres, ainda nesse semestre, o maratonista irá lançar a sua própria assessoria esportiva: Adriano Bastos Treinamento Esportivo. Essa novidade já é a base para encarar o futuro, quando não for mais corredor profissional.

“Como maratonista dá para encarar a carreira até uns 40, 45 anos na casa das 2h20min. A partir do momento que o corpo não acompanhar mais eu vou correr por prazer, até voltar no triathlon. Até lá acredito que estarei mais estruturado com a carreira de treinador”, antecipa.


Adriano Bastos prova que marketing pessoal dá certo

Corridas de Rua · 09 mar, 2007

Figura carismática nas corridas paulistanas, Adriano Bastos se faz conhecido e diz que ainda tem muito que mostrar. Aos 29 anos, o atleta tetracampeão da Maratona da Disney, fala como começou a carreira e revela o que lhe fez tornar conhecido, pelo menos no mundo esportivo. Confira!

São Paulo - Quem corre na Cidade Universitária de São Paulo (USP) e participa das corridas da capital paulista conhece o maratonista Adriano Bastos. Com tatuagens espalhadas pelo corpo, cabelos sempre diferentes e óculos com novas armações e lentes, Bastos é um dos atletas mais queridinhos de São Paulo.

Mas aos 29 anos, ele não é apenas uma imagem. No seu currículo há importantes títulos como o tetracampeonato da Maratona da Disney. De acordo com Bastos, ele participou da primeira prova da Disney por vontade pessoal. O resultado deu tão certo que ele repete a dose todos os anos.

“A primeira vez que venci a Disney recebi muita visibilidade. Resolvi continuar nisso. Foi uma prova que me deu destaque, foi boa para os patrocinadores e virou uma referência. Hoje quando as pessoas falam na Maratona da Disney pensam em mim e vice-versa”, conta.

Essa sua predileção pelo pódio do Mickey fez com que ele tatuasse o personagem de desenho animado nas suas duas panturrilhas. “Fiz o Mickey para criar uma referência. Lá na USP no sábado, geralmente tem aquela fila indiana de pessoas correndo. Eu vou passando todo mundo e quando eles batem o olho na tatuagem, já me reconhecem e dizem: olha o Adriano Bastos”, fala satisfeito.

Além da prova americana, o maratonista criou o hábito de participar de todas as competições possíveis para estar sempre em contato com o corredor amador. “Eu me fiz de uma maneira para estar presente todo fim de semana no pódio. Isso me tornou conhecido, consegui cativar o público e buscar retorno para meus patrocinadores. Eu me fiz dessa forma por visibilidade e não por resultados, não que meus resultados sejam ruins. Eu não tenho nada perto do Vanderlei Cordeiro e Marílson Gomes em relação resultado, mas tenho tanta visibilidade quanto eles”, revela. “É um marketing pessoal que eu aprendi fazer e deu certo”, acrescenta.

É esse pensamento que faz Adriano Bastos definir seus novos desafios. Para ele encarar uma Maratona de Londres, por exemplo, e ficar entre os 30 primeiros não é tão bom quanto ficar entre os cinco numa prova brasileira.

“Não encaixa nos meus objetivos encarar uma prova internacional com atletas fortes de elite. Isso porque, os tempos que faço aqui no Brasil são suficientes para me garantir no pódio aqui. Com esse mesmo tempo lá fora, 2h19min mais ou menos em maratona, eu não consigo fazer pódio. Ir lá para ser mais um, sem conseguir destaque não vale a pena, foge da minha característica”, argumenta.

Muitos treinadores acham errado essa postura do atleta estar sempre em todos os eventos. Até mesmo o treinador de Bastos, Ricardo D`Angelo, é contra. Mas o maratonista tem consciência do que faz.

“Meu treinador não aprova a minha participação de muitas provas. Ele já deixou bem claro isso. Ele sempre fala assim: você é dono do seu corpo e sabe bem o que faz. Se um dia você quebrar não venha reclamar. Lembre que te avisei”, revela.

Para Bastos a bagagem adquirida no triathlon, onde iniciou a carreira, o ajuda agüentar a bateria de competições. “A maioria dos corredores vem de uma base mais humilde, tiveram dificuldades no passado com alimentação mais deficiente e eu não tive esse problema. Além disso, no triathlon eu ganhei uma massa muscular que me ajuda. Meu corpo está mais preparado para suportar esse tipo de coisa dos demais. O meu organismo tem uma recuperação muito mais acelerada”, explica.

De acordo com atleta, além dessa facilidade, ele encara as provas menores, por exemplo, 10 quilômetros, como um forte treino. “Eu não entro nessas provas para vencer e sim como complemento dos meus treinos focado nas maratonas. Nunca dei 100% nessas provas menores, tenho que me preservar. O importante é estar no pódio independente da colocação. Não vou me matar para vencer a prova”, conta.

Desafio - Os próximos desafios de 2007 para Adriano Bastos são a Maratona de São Paulo e a de Curitiba. No ano passado o atleta ficou em quinto lugar em São Paulo e venceu a Maratona de Curitiba.

Agora ele espera melhorar a colocação na prova paulista. “Estou otimista. Com o pessoal tentando vaga para o Pan e Mundial, muitos ficarão de fora da Maratona de São Paulo. Isso já vai eliminar bastante corrente e acredito que vou pegar um nível um pouco mais fácil e vou tentar chegar entre os cinco e quem sabe vencer”.

Antes de chegar ao “estrelato”, Bastos já passou pelo triathlon e deu aulas de natação. Sua ida exclusiva para as corridas aconteceu em 2000 quando um grupo de patrocinadores percebeu que ele se destacava dos demais quando participava da etapa de corrida do triathlon.

“Fui várias vezes campeão paulista de duathlon. Mas minha natação não era muito boa em relação aos profissionais, por isso preferir ficar entre os amadores no triathlon. Mesmo correndo no amador eu fazia a melhor corrida da prova incluindo profissional”, conta.

Com ajuda de patrocínio, Bastos passou a se dedicar exclusivamente na carreira de atleta. De 2000 para cá ele se formou em educação física e fez pós-graduação em administração de marketing esportivo.

Hoje além de atleta, ele também trabalha como treinador de corrida e triathlon. Mas seus horários como professor não podem atrapalhar seus treinos de corrida, já que sua atual prioridade é a vida de atleta. “O treinamento dos meus alunos é sempre de noite, normalmente na USP. Assim eu fico com dois períodos livres no resto do dia (manhã e tarde) onde posso treinar”, diz.

Mesmo com tantos afazeres, ainda nesse semestre, o maratonista irá lançar a sua própria assessoria esportiva: Adriano Bastos Treinamento Esportivo. Essa novidade já é a base para encarar o futuro, quando não for mais corredor profissional.

“Como maratonista dá para encarar a carreira até uns 40, 45 anos na casa das 2h20min. A partir do momento que o corpo não acompanhar mais eu vou correr por prazer, até voltar no triathlon. Até lá acredito que estarei mais estruturado com a carreira de treinador”, antecipa.

Um patrocínio para brilhar mais

Ivan Albano tem 31 anos e pratica o triathlon há 15. Esse ano ele ficou entre os “top 5” do Ironman Brasil. Mas até hoje ele não conseguiu patrocínio. Confira.

São Paulo - Atrás do balcão. É assim que o paulistano Ivan Albano passa a maior parte do seu tempo na cidade de Mogi-Mirim, São Paulo. Dono da casa de suco Sabor Natural, Ivan tira o sustento familiar com o seu próprio negócio. Mas indagado sobre o que mais gosta de fazer ele responde: Ironman.

O triathleta de 31 anos não tem limite quando o assunto é Ironman. Ele pratica o esporte há 15 anos e tudo começou quando ele foi assistir uma competição na cidade de Campinas. “Eu era skatista até o dia que vi de perto uma prova de triathlon. Ali eu pensei: é isso que eu quero fazer. E desde então não parei mais”, conta Ivan.

E não parou mesmo. Sua última conquista foi o quinto lugar do Ironman Brasil Telecom, em Florianópolis, Santa Catarina. Ele completou os 3,8km de natação, 180km de bike e 42km de corrida em 9h04min, tempo suficiente para chegar entre os “top 5” e ser o segundo brasileiro a cruzar a linha de chegada. Mas diferente dos outros quatro atletas, Ivan não tem nenhum patrocínio.

“Chegar entre os cinco primeiros colocados de Florianópolis teve um gosto de vitória. Isso porque dos cinco eu era o único sem patrocínio. Foi um desafio grande e prazeroso”, revela.

Mas a sua vontade de vencer ainda é maior. E como não tem patrocínio ele tem que conciliar os seus treinos com o trabalho na casa de sucos. “Eu não tenho muito tempo para treinar por causa do meu trabalho. Acaba que eu fico sem descanso. No fim de semana, que é mais tranqüilo no trabalho, eu faço os meus treinos longos” conta.

Todas as provas que ele participa são “bancadas” por ele mesmo. E quando ganha alguma premiação, o dinheiro serve para pagar as despesas da prova como passagem, hospedagem e despesas de equipamentos como tênis. “Se eu tivesse um patrocínio eu teria uma tranquilidade psicológica. Eu ainda tenho bastante potencial no meu esporte e se tivesse mais tempo e condições para treinar conseguiria resultados muito melhores” lamenta.

Treino - O triathleta Ivan percorre todas as semanas 500km de bike, 100km de corrida e 20km de natação. Ele treina de seis a sete horas por dia divididos entre tarde e noite.

O local de treino é o Clube Mogiano que conta com uma pista de atletismo de 400 metros, uma trilha de 2km, além de uma piscina de 50 metros. Para praticar o ciclismo ele usa as estradas da região.

Além dos treinos, Ivan se alimenta de forma regrada. “Como carboidrato, proteína e frutas. Evito tomar refrigerante. Também procuro comer de duas em duas horas”, conta.

Histórico -

  • 1997: Campeão Amador do Meio Ironman de Wildflower em Lake San Antonio (EUA)
  • 97/00/01/02: Participou do Ironman do Havaí
  • 2003: Se tornou triathleta profissional
  • 2004: 10º colocado do Ironman Brasil com 8h55min
  • 2005: 5º colocado do Ironman Brasil com 9h04min


Um patrocínio para brilhar mais

Triathlon · 23 jun, 2005

Ivan Albano tem 31 anos e pratica o triathlon há 15. Esse ano ele ficou entre os “top 5” do Ironman Brasil. Mas até hoje ele não conseguiu patrocínio. Confira.

São Paulo - Atrás do balcão. É assim que o paulistano Ivan Albano passa a maior parte do seu tempo na cidade de Mogi-Mirim, São Paulo. Dono da casa de suco Sabor Natural, Ivan tira o sustento familiar com o seu próprio negócio. Mas indagado sobre o que mais gosta de fazer ele responde: Ironman.

O triathleta de 31 anos não tem limite quando o assunto é Ironman. Ele pratica o esporte há 15 anos e tudo começou quando ele foi assistir uma competição na cidade de Campinas. “Eu era skatista até o dia que vi de perto uma prova de triathlon. Ali eu pensei: é isso que eu quero fazer. E desde então não parei mais”, conta Ivan.

E não parou mesmo. Sua última conquista foi o quinto lugar do Ironman Brasil Telecom, em Florianópolis, Santa Catarina. Ele completou os 3,8km de natação, 180km de bike e 42km de corrida em 9h04min, tempo suficiente para chegar entre os “top 5” e ser o segundo brasileiro a cruzar a linha de chegada. Mas diferente dos outros quatro atletas, Ivan não tem nenhum patrocínio.

“Chegar entre os cinco primeiros colocados de Florianópolis teve um gosto de vitória. Isso porque dos cinco eu era o único sem patrocínio. Foi um desafio grande e prazeroso”, revela.

Mas a sua vontade de vencer ainda é maior. E como não tem patrocínio ele tem que conciliar os seus treinos com o trabalho na casa de sucos. “Eu não tenho muito tempo para treinar por causa do meu trabalho. Acaba que eu fico sem descanso. No fim de semana, que é mais tranqüilo no trabalho, eu faço os meus treinos longos” conta.

Todas as provas que ele participa são “bancadas” por ele mesmo. E quando ganha alguma premiação, o dinheiro serve para pagar as despesas da prova como passagem, hospedagem e despesas de equipamentos como tênis. “Se eu tivesse um patrocínio eu teria uma tranquilidade psicológica. Eu ainda tenho bastante potencial no meu esporte e se tivesse mais tempo e condições para treinar conseguiria resultados muito melhores” lamenta.

Treino - O triathleta Ivan percorre todas as semanas 500km de bike, 100km de corrida e 20km de natação. Ele treina de seis a sete horas por dia divididos entre tarde e noite.

O local de treino é o Clube Mogiano que conta com uma pista de atletismo de 400 metros, uma trilha de 2km, além de uma piscina de 50 metros. Para praticar o ciclismo ele usa as estradas da região.

Além dos treinos, Ivan se alimenta de forma regrada. “Como carboidrato, proteína e frutas. Evito tomar refrigerante. Também procuro comer de duas em duas horas”, conta.

Histórico -

  • 1997: Campeão Amador do Meio Ironman de Wildflower em Lake San Antonio (EUA)
  • 97/00/01/02: Participou do Ironman do Havaí
  • 2003: Se tornou triathleta profissional
  • 2004: 10º colocado do Ironman Brasil com 8h55min
  • 2005: 5º colocado do Ironman Brasil com 9h04min

Paulo Miyasiro: entrevista com o triathleta

O triathlon brasileiro terá equipe completa nos Jogos Olímpicos de Atenas, conquista que só outras cinco nações asseguraram. Serão seis competidores, três no feminino e três no masculino. Cinco deles, Carla Moreno, Sandra Soldan, Mariana Ohata, Leandro Macedo e Juraci Moreira competiram na estréia da modalidade na edição passada, em Sydney/2000. O único novato será o santista Paulo Henrique Miyasiro de Abreu, o Shiro, patrocinado pelo Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte) e Pão de Açúcar.

Aos 28 anos de idade e disputando o Circuito Mundial há três, ele garantiu a vaga para estar entre os 50 do Mundo em Atenas na última seletiva, no Mundial deste ano, na Ilha Madeira, em Portugal. Foi o melhor latino-americano, em 13º lugar, posição fundamental para que o Brasil fosse um dos seis países com equipe completa, ao lado de Austrália, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Inglaterra.

Apontado como um dos melhores nadadores do Circuito Mundial, está confiante num bom desempenho, inclusive com a conquista de uma medalha. Começou a vida esportiva aos 6 anos, na natação, incentivado pelos irmãos mais velhos Zé Henrique, Elide e Cláudia. Depois passou para o biathlon (natação e corrida), novamente levado por Zé Henrique e Élide, que já competiam na modalidade.

Em 95 migrou para o triathlon e logo se destacou, garantindo o título brasileiro júnior. No ano seguinte, confirmava ser um grande talento, mas um tombo de bicicleta o afastou das disputas por três meses. Os acidentes se repetiram em 97 e 98, com fraturas nas mãos. Voltou com força total em 99 e desde 2002 vem se dedicando quase que exclusivamente ao Circuito Mundial, visando Atenas. No ano passado participou dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, ficando em 6º lugar (chegou a liderar a disputa).

Neto de japoneses é calmo, tranqüilo, características herdadas da descendência oriental. É formado em Direito, mas antes de advogar, o triathlon falou mais forte. É treinado pelo técnico Marcos Paulo Reis e auxiliado pelo amigo e ex-triatleta Emerson Gomes. Já na natação, onde é um dos mais velozes do Circuito Mundial, recebe treinamento do coordenador do CT Monte Serrat e Academia Unimonte, José Renato Borges, o Mosquito, que já disputou seis vezes o Ironman do Havaí e é responsável pela revelação de vários talentos.

Confira nos links abaixo a entrevista com o atleta olímpico.

Você é o único novato do triathlon brasileiro em Atenas. Isso muda algo? Incentiva mais?
PAULO MIYASIRO, O SHIRO - Significa que é renovação, que sempre tem de ter numa equipe. Esse ano só fui eu, dos seis que vão. Vou no lugar do Armando Barcellos. Apesar de olimpíada ser uma prova diferente, especial, acho que não muda muita coisa, porque já corro o Circuito Mundial, ao lado de todos que estarão lá.

Conversou com os outros atletas da equipe sobre como é disputar uma olimpíada? O espírito olímpico?
Shiro- Converso mais com o Leandro. Ele sempre dá uns toques sobre treino. Mas sobre Jogos Olímpicos, especificamente, não conversei. No Pan (Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo) já foi bem legal, diferente. Já deu para sentir o clima, ficando na vila olímpica. Olimpíada, então, imagino que seja uma coisa muito maior. Vai ser fantástico.

Já pensou como vai ser a emoção na hora da prova? Se vai dar o famoso “frio na barriga” na largada?
Shiro - (Risos). Em matéria disso eu não fico muito nervoso em prova, na hora da largada. Não sei. Vamos ver como vai ser na olimpíada. Pode ser que seja diferente do Mundial. Mas vai ser emocionante sim. O Mundo todo vendo, o pessoal daqui torcendo. A prova vai ser ao vivo. Tem de pensar em fazer o meu melhor no dia.

Fazer o melhor significa tentar a medalha?
Shiro- Com certeza. Eu classifiquei, foi duro. Agora, o objetivo é a medalha. Se deixarem, vou beliscar.

Você já disputa o Circuito Mundial há três anos, acredita que tem chances reais de pódio?
Shiro- Medalha é difícil para todos. Mas é o que eu falo. Triathlon hoje em dia não tem muito favorito. Qualquer um pode vencer. Medalha então, são vários que têm chance. Não dá para destacar os favoritos. Quem está indo, vai estar bem, vai estar com chance. Então por que não acreditar em medalha?

O que vai definir a vitória em Atenas?
Shiro- O ciclismo vai ser bem determinante. Vai ser um percurso bem duro, técnico, mas com certeza o que define é a corrida. O ciclismo vai ser seletivo. Quem não estiver pedalando bem, vai sair para correr com as pernas bem cansadas.

E como você está nesse quesito?
Shiro- Treinei bem o ciclismo, principalmente subidas. Ultimamente tenho estado sempre no pelotão da frente. Estou treinando bastante, bem forte, estou na época pesada de novo. Fiz uma pequena base.

Se ganhar a medalha, tem alguém especial a quem vai dedicar?
Shiro- São várias pessoas, principalmente a galera de Santos, que sempre esteve do meu lado, me ajudando, incentivando, até hoje. O pessoal da antiga, mas vai principalmente para duas pessoas que já estão lá em cima. O meu avô, o Mata Vaca (João de Abreu Faria), que faleceu no final de junho, e minha avó, Matsue, que sempre estava nas provas junto comigo. Os dois sempre estiveram ali. Meu avô, inclusive, era staff das provas do Núbio. Adorava. Minha avó também. Ela podia estar mal, saia do hospital para ir ver e depois voltar a ser internada. São as duas pessoas que sempre estão na minha cabeça e que sei que vão estar bem perto de mim lá.

Acha que por ser neto de japoneses herdou a calma, uma das principais características dos orientais?
Shiro- Sou bem calmo. Isso ajuda muito. Na hora da largada, na hora de prova, não fico ansioso, nervoso. Sou bem tranquilo. Talvez venha mesmo da cultura oriental de ser mais calmo, quieto, frio. Acho que herdei um pouco disso.

Como foi a conquista da vaga olímpica?
Shiro- Foi bem duro. Igual ao Pan, quando fui para a Guatemala. E a seletiva olímpica não foi diferente, foi na última prova, no Mundial, que era a mais importante, e deu tudo certo. Estava muito concentrado. Sabia que era tudo ou nada. Na minha cabeça só estava a vaga, todo o esforço que já tinha feito. Acho que tudo o que tracei e todos os meus objetivos até agora deram certo. Tenho só de agradecer. Essa vaga foi bem dura, porque eram quatro brasileiros com chances e um da equipe saiu. Justamente foi o Virgílio (de Castilho), que é muito amigo meu, desde o começo do triathlon e tem a minha família como sendo a dele também. O Juraci e o Leandro correm o Circuito. Estamos sempre juntos e um sair é triste.

E com a conquista da vaga, o que mudou?
Shiro- Tive reconhecimento. Financeiramente não mudou nada (risos). Foi legal ver a felicidade do pessoal que acompanhou tudo de perto. Não foi fácil. Não foi da noite para o dia, não caiu do céu. Foi algo que lutei muito, que queria demais. Uma vitória pessoal. Então o pessoal reconhece.

Olimpíada é o sonho de qualquer esportista. Quando começou a amadurecer a chance real de estar em Atenas?
Shiro- Quando comecei, pensava só em fazer triathlon. Naquela época o triathlon estava querendo entrar numa olimpíada. Daí, quando foi incluído em Sydney, em 2000, eu disse que tinha de estar na próxima. Praticamente naquele ano comecei a treinar sério e objetivei esse sonho. Foram etapas que eu fui passando, pulando, até conseguir patrocínio para correr o Circuito Mundial e quando comecei que eu vi que eu tinha reais chances. Foram três anos de batalha, buscando o sonho. Claro, que desde criança, quando fazia natação sonhava em estar numa olimpíada. Qual é o atleta que não almeja isso? E me sinto realizado com esse objetivo alcançado.

Como foi o início de sua carreira?
Shiro- Comecei na natação, desde pequeno. Nadava junto com os meus irmãos na Santa Cecília, na época do Bagdá. Depois comecei a fazer biathlon, no circuito do Núbio de Almeida, o São Paulo Open, em 93, mas não treinava especificamente. Só nadava. Em 95 eu fui para o triathlon e aí comecei a treinar mesmo ciclismo, corrida. No final de 96 já tinha até corrido etapas do Mundial. Foi bem rápida a minha projeção, porque fui campeão brasileiro e eles queriam levar um júnior para o Circuito. Em 96, 97 e 98 aconteceram algumas coisas. Eu cai de bicicleta, quebrei a clavícula, fraturei a mão duas vezes. Daí, em 98, quando acabei a faculdade, pensei, agora vai dar para treinar bem, vou tirar uns seis meses para ver se vou conseguir sobreviver do triathlon ou vou seguir a carreira de advogado. E deu tudo certo. Como falei foram etapas e fui numa crescente que estou até agora.

E você chegou a advogar alguma vez?
Shiro- Não. Só me formei e praticamente nem fiz estágio. Só os obrigatórios. Me formei, mas é uma coisa que não tem muita ver comigo. Ano que vem estou querendo fazer outra faculdade. Talvez eu estude Educação Física na Unimonte. Alguma coisa ligada mais ao esporte, à área de saúde.

Já pensou o que vai fazer depois de Atenas? O que vai mudar?
Shiro- Sei que depois dos Jogos vou querer umas férias, porque esses anos foram bem duros, mental e fisicamente. Ainda vou ver como vou voltar de Atenas. Se chegar com a medalha, sei que muita coisa vai mudar, mas só de ir é um sonho pessoal realizado, bem antigo, que não tem dinheiro que pague.

Data de nascimento – 07/ 06/ 1976

Comida preferida – nada de especial, mas gosto de comida japonesa. Não gostava antes.

Bebida – sucos

Se não fosse triatleta – adorava jogar futebol, mas não tinha talento.

Lazer – adoro jogar futebol, brincar, mas não tenho tempo. Acho que não jogo há dois anos. Passando a olimpíada vou jogar um pouquinho. Tem também o vídeo-game.

Outros esportes além do triathlon - acho que gosto de todos. Não tem um especial. Judô, ciclismo, atletismo, natação, principalmente os que estive envolvido.

Ídolo no esporte – adoro quando um brasileiro se destaca num mundial, olimpíada. gosto muito do Joaquim cruz, pelo jeito dele dentro e fora do esporte; o Ayrton Senna marcou muito.

Ídolo na vida – minha mãe (elisabeth), que sempre me ajudou muito e está comigo até hoje.

Família – é tudo. Não só a de casa, mas meus tios, primos. a família é bem unida e todos sempre estiveram me apoiando. é sempre uma grande festa em casa.

Um sonho – medalha olímpica. Era uma olimpíada. Agora é a medalha.

Uma decepção – até hoje não tive. Tudo o que acontece tem um motivo e são provações que temos na vida.


Paulo Miyasiro: entrevista com o triathleta

Triathlon · 05 jul, 2004

O triathlon brasileiro terá equipe completa nos Jogos Olímpicos de Atenas, conquista que só outras cinco nações asseguraram. Serão seis competidores, três no feminino e três no masculino. Cinco deles, Carla Moreno, Sandra Soldan, Mariana Ohata, Leandro Macedo e Juraci Moreira competiram na estréia da modalidade na edição passada, em Sydney/2000. O único novato será o santista Paulo Henrique Miyasiro de Abreu, o Shiro, patrocinado pelo Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte) e Pão de Açúcar.

Aos 28 anos de idade e disputando o Circuito Mundial há três, ele garantiu a vaga para estar entre os 50 do Mundo em Atenas na última seletiva, no Mundial deste ano, na Ilha Madeira, em Portugal. Foi o melhor latino-americano, em 13º lugar, posição fundamental para que o Brasil fosse um dos seis países com equipe completa, ao lado de Austrália, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Inglaterra.

Apontado como um dos melhores nadadores do Circuito Mundial, está confiante num bom desempenho, inclusive com a conquista de uma medalha. Começou a vida esportiva aos 6 anos, na natação, incentivado pelos irmãos mais velhos Zé Henrique, Elide e Cláudia. Depois passou para o biathlon (natação e corrida), novamente levado por Zé Henrique e Élide, que já competiam na modalidade.

Em 95 migrou para o triathlon e logo se destacou, garantindo o título brasileiro júnior. No ano seguinte, confirmava ser um grande talento, mas um tombo de bicicleta o afastou das disputas por três meses. Os acidentes se repetiram em 97 e 98, com fraturas nas mãos. Voltou com força total em 99 e desde 2002 vem se dedicando quase que exclusivamente ao Circuito Mundial, visando Atenas. No ano passado participou dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, ficando em 6º lugar (chegou a liderar a disputa).

Neto de japoneses é calmo, tranqüilo, características herdadas da descendência oriental. É formado em Direito, mas antes de advogar, o triathlon falou mais forte. É treinado pelo técnico Marcos Paulo Reis e auxiliado pelo amigo e ex-triatleta Emerson Gomes. Já na natação, onde é um dos mais velozes do Circuito Mundial, recebe treinamento do coordenador do CT Monte Serrat e Academia Unimonte, José Renato Borges, o Mosquito, que já disputou seis vezes o Ironman do Havaí e é responsável pela revelação de vários talentos.

Confira nos links abaixo a entrevista com o atleta olímpico.

Você é o único novato do triathlon brasileiro em Atenas. Isso muda algo? Incentiva mais?
PAULO MIYASIRO, O SHIRO - Significa que é renovação, que sempre tem de ter numa equipe. Esse ano só fui eu, dos seis que vão. Vou no lugar do Armando Barcellos. Apesar de olimpíada ser uma prova diferente, especial, acho que não muda muita coisa, porque já corro o Circuito Mundial, ao lado de todos que estarão lá.

Conversou com os outros atletas da equipe sobre como é disputar uma olimpíada? O espírito olímpico?
Shiro- Converso mais com o Leandro. Ele sempre dá uns toques sobre treino. Mas sobre Jogos Olímpicos, especificamente, não conversei. No Pan (Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo) já foi bem legal, diferente. Já deu para sentir o clima, ficando na vila olímpica. Olimpíada, então, imagino que seja uma coisa muito maior. Vai ser fantástico.

Já pensou como vai ser a emoção na hora da prova? Se vai dar o famoso “frio na barriga” na largada?
Shiro - (Risos). Em matéria disso eu não fico muito nervoso em prova, na hora da largada. Não sei. Vamos ver como vai ser na olimpíada. Pode ser que seja diferente do Mundial. Mas vai ser emocionante sim. O Mundo todo vendo, o pessoal daqui torcendo. A prova vai ser ao vivo. Tem de pensar em fazer o meu melhor no dia.

Fazer o melhor significa tentar a medalha?
Shiro- Com certeza. Eu classifiquei, foi duro. Agora, o objetivo é a medalha. Se deixarem, vou beliscar.

Você já disputa o Circuito Mundial há três anos, acredita que tem chances reais de pódio?
Shiro- Medalha é difícil para todos. Mas é o que eu falo. Triathlon hoje em dia não tem muito favorito. Qualquer um pode vencer. Medalha então, são vários que têm chance. Não dá para destacar os favoritos. Quem está indo, vai estar bem, vai estar com chance. Então por que não acreditar em medalha?

O que vai definir a vitória em Atenas?
Shiro- O ciclismo vai ser bem determinante. Vai ser um percurso bem duro, técnico, mas com certeza o que define é a corrida. O ciclismo vai ser seletivo. Quem não estiver pedalando bem, vai sair para correr com as pernas bem cansadas.

E como você está nesse quesito?
Shiro- Treinei bem o ciclismo, principalmente subidas. Ultimamente tenho estado sempre no pelotão da frente. Estou treinando bastante, bem forte, estou na época pesada de novo. Fiz uma pequena base.

Se ganhar a medalha, tem alguém especial a quem vai dedicar?
Shiro- São várias pessoas, principalmente a galera de Santos, que sempre esteve do meu lado, me ajudando, incentivando, até hoje. O pessoal da antiga, mas vai principalmente para duas pessoas que já estão lá em cima. O meu avô, o Mata Vaca (João de Abreu Faria), que faleceu no final de junho, e minha avó, Matsue, que sempre estava nas provas junto comigo. Os dois sempre estiveram ali. Meu avô, inclusive, era staff das provas do Núbio. Adorava. Minha avó também. Ela podia estar mal, saia do hospital para ir ver e depois voltar a ser internada. São as duas pessoas que sempre estão na minha cabeça e que sei que vão estar bem perto de mim lá.

Acha que por ser neto de japoneses herdou a calma, uma das principais características dos orientais?
Shiro- Sou bem calmo. Isso ajuda muito. Na hora da largada, na hora de prova, não fico ansioso, nervoso. Sou bem tranquilo. Talvez venha mesmo da cultura oriental de ser mais calmo, quieto, frio. Acho que herdei um pouco disso.

Como foi a conquista da vaga olímpica?
Shiro- Foi bem duro. Igual ao Pan, quando fui para a Guatemala. E a seletiva olímpica não foi diferente, foi na última prova, no Mundial, que era a mais importante, e deu tudo certo. Estava muito concentrado. Sabia que era tudo ou nada. Na minha cabeça só estava a vaga, todo o esforço que já tinha feito. Acho que tudo o que tracei e todos os meus objetivos até agora deram certo. Tenho só de agradecer. Essa vaga foi bem dura, porque eram quatro brasileiros com chances e um da equipe saiu. Justamente foi o Virgílio (de Castilho), que é muito amigo meu, desde o começo do triathlon e tem a minha família como sendo a dele também. O Juraci e o Leandro correm o Circuito. Estamos sempre juntos e um sair é triste.

E com a conquista da vaga, o que mudou?
Shiro- Tive reconhecimento. Financeiramente não mudou nada (risos). Foi legal ver a felicidade do pessoal que acompanhou tudo de perto. Não foi fácil. Não foi da noite para o dia, não caiu do céu. Foi algo que lutei muito, que queria demais. Uma vitória pessoal. Então o pessoal reconhece.

Olimpíada é o sonho de qualquer esportista. Quando começou a amadurecer a chance real de estar em Atenas?
Shiro- Quando comecei, pensava só em fazer triathlon. Naquela época o triathlon estava querendo entrar numa olimpíada. Daí, quando foi incluído em Sydney, em 2000, eu disse que tinha de estar na próxima. Praticamente naquele ano comecei a treinar sério e objetivei esse sonho. Foram etapas que eu fui passando, pulando, até conseguir patrocínio para correr o Circuito Mundial e quando comecei que eu vi que eu tinha reais chances. Foram três anos de batalha, buscando o sonho. Claro, que desde criança, quando fazia natação sonhava em estar numa olimpíada. Qual é o atleta que não almeja isso? E me sinto realizado com esse objetivo alcançado.

Como foi o início de sua carreira?
Shiro- Comecei na natação, desde pequeno. Nadava junto com os meus irmãos na Santa Cecília, na época do Bagdá. Depois comecei a fazer biathlon, no circuito do Núbio de Almeida, o São Paulo Open, em 93, mas não treinava especificamente. Só nadava. Em 95 eu fui para o triathlon e aí comecei a treinar mesmo ciclismo, corrida. No final de 96 já tinha até corrido etapas do Mundial. Foi bem rápida a minha projeção, porque fui campeão brasileiro e eles queriam levar um júnior para o Circuito. Em 96, 97 e 98 aconteceram algumas coisas. Eu cai de bicicleta, quebrei a clavícula, fraturei a mão duas vezes. Daí, em 98, quando acabei a faculdade, pensei, agora vai dar para treinar bem, vou tirar uns seis meses para ver se vou conseguir sobreviver do triathlon ou vou seguir a carreira de advogado. E deu tudo certo. Como falei foram etapas e fui numa crescente que estou até agora.

E você chegou a advogar alguma vez?
Shiro- Não. Só me formei e praticamente nem fiz estágio. Só os obrigatórios. Me formei, mas é uma coisa que não tem muita ver comigo. Ano que vem estou querendo fazer outra faculdade. Talvez eu estude Educação Física na Unimonte. Alguma coisa ligada mais ao esporte, à área de saúde.

Já pensou o que vai fazer depois de Atenas? O que vai mudar?
Shiro- Sei que depois dos Jogos vou querer umas férias, porque esses anos foram bem duros, mental e fisicamente. Ainda vou ver como vou voltar de Atenas. Se chegar com a medalha, sei que muita coisa vai mudar, mas só de ir é um sonho pessoal realizado, bem antigo, que não tem dinheiro que pague.

Data de nascimento – 07/ 06/ 1976

Comida preferida – nada de especial, mas gosto de comida japonesa. Não gostava antes.

Bebida – sucos

Se não fosse triatleta – adorava jogar futebol, mas não tinha talento.

Lazer – adoro jogar futebol, brincar, mas não tenho tempo. Acho que não jogo há dois anos. Passando a olimpíada vou jogar um pouquinho. Tem também o vídeo-game.

Outros esportes além do triathlon - acho que gosto de todos. Não tem um especial. Judô, ciclismo, atletismo, natação, principalmente os que estive envolvido.

Ídolo no esporte – adoro quando um brasileiro se destaca num mundial, olimpíada. gosto muito do Joaquim cruz, pelo jeito dele dentro e fora do esporte; o Ayrton Senna marcou muito.

Ídolo na vida – minha mãe (elisabeth), que sempre me ajudou muito e está comigo até hoje.

Família – é tudo. Não só a de casa, mas meus tios, primos. a família é bem unida e todos sempre estiveram me apoiando. é sempre uma grande festa em casa.

Um sonho – medalha olímpica. Era uma olimpíada. Agora é a medalha.

Uma decepção – até hoje não tive. Tudo o que acontece tem um motivo e são provações que temos na vida.

Alexandre Manzan: cada um na sua

Alexandre Manzan tem um estilo próprio de encarar a vida e o esporte e, apesar da dificuldades, segue em busca de conquistas.

Tornar-se um campeão não acontece da noite para o dia. A receita conta com ingredientes como dedicação, obstinação e talento. Para muitos, é o caminho natural. Para outros, sinônimo de privação. Aos 29 anos, Alexandre Manzan olha para trás e acredita ter conseguido conciliar performance a uma vida ‘normal’. No início, como todo garoto, gostava de festas e diversão, mas, nem por isso deixou de ser vitorioso. O triatleta tem resultados expressivos no currículo, entre eles o vice-campeonato mundial em 1996, resultado jamais obtido por outro brasileiro.

Tido, por muitos, como garoto-problema, Manzan não se esquiva quando questionado sobre o assunto. “Sou meio conhecido como rebelde, indisciplinado. Nunca deixei de fazer o que um garoto devia fazer, o que tinha vontade de fazer. Eu não fazia o que eles (patrocinadores) queriam que eu fizesse. O atleta, além de tudo, é um ser humano.” Apesar de defender seu estilo, deixa claro que não quer posar de modelo, tendo ciência de que as escolhas sobre o rumo que a carreira deve seguir devem partir de cada atleta. “Não é receita de bolo. Não é todo mundo que consegue agir assim. Se vejo que dá para fazer, vou lá e faço. Se é impossível de conciliar, deixo pra lá. Não me arrependo do que já fiz, mas isso incomoda muita gente”, completa.

Manzan é um lutador. Uma das passagens mais marcantes de sua vida é o acidente sofrido em 1997. O triatleta fazia o pedal em uma rodovia estadual de pouco movimento a aproximadamente 40km de Brasília quando foi atingido por um carro em alta velocidade, sendo lançado por mais de 10 metros fora da pista. Sua bicicleta ficou em pedaços espalhados na pista. No hospital, retomando a consciência, acabou sabendo a gravidade de seu acidente. Além de escoriações por todo o corpo, teve um trauma craniano leve, perdeu parte da orelha direita e couro cabeludo, fratura exposta no tornozelo esquerdo e múltiplas fraturas na tíbia e perônio.

As previsões dos médicos não foram animadoras. Sem afirmar se poderia voltar a correr como antes, foi dado um prazo de dois meses para que pudesse voltar a andar. Mas, em três meses retomou os treinos e em cinco estava competindo. “Vi que sou capaz de muita coisa que não imaginava. Tinha na cabeça que ia voltar a ser o que era. Tive muita força de vontade e uma confiança muito grande. Depois do acidente, comecei a dar valor a coisas pequenas. Pedi a Deus vitórias e Ele me deu este desafio que se transformou na maior vitória da minha vida”, conta.

Manzan guarda com carinho o vice-campeonato mundial de 96, quando venceu duas etapas da Copa do Mundo, em Gamagori, no Japão e Ilhéus, no Brasil. “Sem desmerecer ninguém, o que eu fiz, nenhum outro brasileiro fez até hoje.”. Apesar do feito, acredita não ter o reconhecimento merecido. “Isso não é suficiente para ter respeito aqui no Brasil. O que fiz poucas pessoas lembram. Lá fora sou mais respeitado do que aqui. A gente tem que ser o primeiro sempre para ser reconhecido”, alfineta.

Se o reconhecimento só vem com resultados, Manzan promete ir atrás deles. O problema é justamente a falta de um patrocinador e a dificuldade para estar presente em várias provas. Apesar disso, o brasiliense já definiu as principais competições para o ano de 2004: Troféu Brasil, Circuito Long Distance, Ironman Brasil e, caso consiga a classificação, o Ironman do Havaí. "A falta de dinheiro não me deixa ser mais ambicioso", explica o triatleta, que espera em breve voltar ao dias de glória.

Alexandre Manzan
Natural de Brasília/DF
Idade: 29 anos (05/06/1974)
Altura: 1,68m
Peso: 64kg
Apoio: Timex, Nike e Fundação Municipal de Esportes de Florianópolis


Campeão brasiliense de duathlon 91/92
Bicampeão pan-americano de triathlon 93/94
Duas vezes terceiro colocado no mundial de triathlon 93/94
Campeão do Troféu Brasil de Short triathlon de Santos 94
Campeão mundial de duathlon júnior 94
Vice campeão mundial de triathlon 96
Campeão sul-americano de triathlon 98
Vencedor de três etapas do Circuito Mundial (Gamagori e Ilhéus em 1996; Gamagori em 1998)
Segundo colocado em três etapas do Circuito Mundial
Quarto colocado no Ironman Brasil de Porto Seguro 99 (primeiro brasileiro)
Bicampeão do Homem de Ferro de Brasília 2001/2002
Bicampeão do Meio Ironman de Pirassununga 2001/2002
Campeão Brasileiro de Long Distance

Ninguém melhor para conhecer o atleta que ele mesmo. Com o passar dos anos, muitos trocam de função, saindo da vida de esportista para a de técnico. Alexandre Manzan, como em muita passagens da carreira, faz as duas coisas ao mesmo tempo. Formado em Educação Física, o triatleta cuida dos próprios treinamentos desde 2000. “Sempre estudei, pesquisei muito. Mas não é qualquer um que pode começar a fazer seus próprios treinos. Tem que ter conhecimento científico”, explica.

O fato de conhecer sobre o assunto e saber como ninguém as necessidades, motivou o atleta a treinar por conta. Na planilha acima, conferimos uma espécie de semana padrão de um trabalho visando um Ironman. “Não é um treino de muita intensidade e, sim, de volume. O que faço hoje é fruto do trabalho de mais de 14 anos de triathlon. É impossível começar no esporte fazendo isso”, alerta. “Não façam isso em casa. O treino é uma coisa individual. Às vezes, nem eu consigo seguir direitinho a planilha”, reforça.

Para uma competição como o Ironman, Manzan pensa no treino como uma pirâmide, começando com uma carga leve, que vai subindo gradualmente, até atingir o ápice, que é mantido por duas semanas. Depois disso, regride no volume, até chegar quase no início. Isso a uma semana da prova. “Uma semana antes, quase não faço nada. Abaixo primeiro a corrida, depois o ciclismo e, por fim, a natação, pois a recuperação de cada atividade é diferenciada.”

O máximo que conseguiu atingir foi durante os preparativos para um Ironman na Alemanha, em 2000. Durante duas semanas, chegou a rodar 700km de bike, o que, de certa forma, lhe deu mais experiência. “Vi que é muito difícil conciliar esse volume de ciclismo com a natação e a corrida. Fazia muito pedal e do restante a carga não era tão alta, não acompanhava. Tem que haver equilíbrio”, conta.

No começo da temporada, Manzan costuma usar a musculação, duas vezes por semana, quando trabalha forças específicas que não irá obter nas três modalidades. Quando o assunto é descanso, a palavra de ordem é relaxar. Nada de atividade mesmo. “Ouço o que o corpo fala. O treino para o cansaço é o descanso”, garante.

Com experiência de sobra, o atleta não vê com bons olhos o treinamento feito pela geração mais nova. “Essa molecada tem uma visão diferente do pessoal do passado. Já entram para competir querendo ir para a Olimpíada, treinando um absurdo. O triathlon é extremamente desgastante e nesse ritmo que eles vêm, vai ficar difícil para agüentar. Tem que saber dosar”, completa.

SEGUNDA-FEIRA
Descanso

TERÇA-FEIRA
Bike: 80km pulso 125/35(percurso misto)
Corrida: 10km (15’ aquecimento)
5 x 4’ pulso 155/60 com 1’ intervalo
Soltar 10’
Natação: 3.000m (com uma série de 1.000m)

QUARTA-FEIRA
Bike: 110km (25’ aquecimento)
3 x 10’ pulso 155/60 com 4’ descanso
Soltar resto
Natação: 3.000m (com uma série de 1.000m)

QUINTA-FEIRA
Corrida: 20km (25’ aquecimento)
10 x 2’ pulso 155/60 (cross) com 1’ intervalo
Soltar restante
Natação: 3.000m (com uma série de 1.000m)

SEXTA-FEIRA
Bike: 60km pulso livre (percurso com subidas)
Natação: 3.000m (com uma série de 1.000m)

SÁBADO
Bike: 140km pulso livre
Corrida: 10km pulso 135/45

DOMINGO
Bike: 70km pulso livre
Corrida: 18km pulso 135/40 (depois de pedalar)


Alexandre Manzan: cada um na sua

Triathlon · 29 jun, 2004

Alexandre Manzan tem um estilo próprio de encarar a vida e o esporte e, apesar da dificuldades, segue em busca de conquistas.

Tornar-se um campeão não acontece da noite para o dia. A receita conta com ingredientes como dedicação, obstinação e talento. Para muitos, é o caminho natural. Para outros, sinônimo de privação. Aos 29 anos, Alexandre Manzan olha para trás e acredita ter conseguido conciliar performance a uma vida ‘normal’. No início, como todo garoto, gostava de festas e diversão, mas, nem por isso deixou de ser vitorioso. O triatleta tem resultados expressivos no currículo, entre eles o vice-campeonato mundial em 1996, resultado jamais obtido por outro brasileiro.

Tido, por muitos, como garoto-problema, Manzan não se esquiva quando questionado sobre o assunto. “Sou meio conhecido como rebelde, indisciplinado. Nunca deixei de fazer o que um garoto devia fazer, o que tinha vontade de fazer. Eu não fazia o que eles (patrocinadores) queriam que eu fizesse. O atleta, além de tudo, é um ser humano.” Apesar de defender seu estilo, deixa claro que não quer posar de modelo, tendo ciência de que as escolhas sobre o rumo que a carreira deve seguir devem partir de cada atleta. “Não é receita de bolo. Não é todo mundo que consegue agir assim. Se vejo que dá para fazer, vou lá e faço. Se é impossível de conciliar, deixo pra lá. Não me arrependo do que já fiz, mas isso incomoda muita gente”, completa.

Manzan é um lutador. Uma das passagens mais marcantes de sua vida é o acidente sofrido em 1997. O triatleta fazia o pedal em uma rodovia estadual de pouco movimento a aproximadamente 40km de Brasília quando foi atingido por um carro em alta velocidade, sendo lançado por mais de 10 metros fora da pista. Sua bicicleta ficou em pedaços espalhados na pista. No hospital, retomando a consciência, acabou sabendo a gravidade de seu acidente. Além de escoriações por todo o corpo, teve um trauma craniano leve, perdeu parte da orelha direita e couro cabeludo, fratura exposta no tornozelo esquerdo e múltiplas fraturas na tíbia e perônio.

As previsões dos médicos não foram animadoras. Sem afirmar se poderia voltar a correr como antes, foi dado um prazo de dois meses para que pudesse voltar a andar. Mas, em três meses retomou os treinos e em cinco estava competindo. “Vi que sou capaz de muita coisa que não imaginava. Tinha na cabeça que ia voltar a ser o que era. Tive muita força de vontade e uma confiança muito grande. Depois do acidente, comecei a dar valor a coisas pequenas. Pedi a Deus vitórias e Ele me deu este desafio que se transformou na maior vitória da minha vida”, conta.

Manzan guarda com carinho o vice-campeonato mundial de 96, quando venceu duas etapas da Copa do Mundo, em Gamagori, no Japão e Ilhéus, no Brasil. “Sem desmerecer ninguém, o que eu fiz, nenhum outro brasileiro fez até hoje.”. Apesar do feito, acredita não ter o reconhecimento merecido. “Isso não é suficiente para ter respeito aqui no Brasil. O que fiz poucas pessoas lembram. Lá fora sou mais respeitado do que aqui. A gente tem que ser o primeiro sempre para ser reconhecido”, alfineta.

Se o reconhecimento só vem com resultados, Manzan promete ir atrás deles. O problema é justamente a falta de um patrocinador e a dificuldade para estar presente em várias provas. Apesar disso, o brasiliense já definiu as principais competições para o ano de 2004: Troféu Brasil, Circuito Long Distance, Ironman Brasil e, caso consiga a classificação, o Ironman do Havaí. "A falta de dinheiro não me deixa ser mais ambicioso", explica o triatleta, que espera em breve voltar ao dias de glória.

Alexandre Manzan
Natural de Brasília/DF
Idade: 29 anos (05/06/1974)
Altura: 1,68m
Peso: 64kg
Apoio: Timex, Nike e Fundação Municipal de Esportes de Florianópolis


Campeão brasiliense de duathlon 91/92
Bicampeão pan-americano de triathlon 93/94
Duas vezes terceiro colocado no mundial de triathlon 93/94
Campeão do Troféu Brasil de Short triathlon de Santos 94
Campeão mundial de duathlon júnior 94
Vice campeão mundial de triathlon 96
Campeão sul-americano de triathlon 98
Vencedor de três etapas do Circuito Mundial (Gamagori e Ilhéus em 1996; Gamagori em 1998)
Segundo colocado em três etapas do Circuito Mundial
Quarto colocado no Ironman Brasil de Porto Seguro 99 (primeiro brasileiro)
Bicampeão do Homem de Ferro de Brasília 2001/2002
Bicampeão do Meio Ironman de Pirassununga 2001/2002
Campeão Brasileiro de Long Distance

Ninguém melhor para conhecer o atleta que ele mesmo. Com o passar dos anos, muitos trocam de função, saindo da vida de esportista para a de técnico. Alexandre Manzan, como em muita passagens da carreira, faz as duas coisas ao mesmo tempo. Formado em Educação Física, o triatleta cuida dos próprios treinamentos desde 2000. “Sempre estudei, pesquisei muito. Mas não é qualquer um que pode começar a fazer seus próprios treinos. Tem que ter conhecimento científico”, explica.

O fato de conhecer sobre o assunto e saber como ninguém as necessidades, motivou o atleta a treinar por conta. Na planilha acima, conferimos uma espécie de semana padrão de um trabalho visando um Ironman. “Não é um treino de muita intensidade e, sim, de volume. O que faço hoje é fruto do trabalho de mais de 14 anos de triathlon. É impossível começar no esporte fazendo isso”, alerta. “Não façam isso em casa. O treino é uma coisa individual. Às vezes, nem eu consigo seguir direitinho a planilha”, reforça.

Para uma competição como o Ironman, Manzan pensa no treino como uma pirâmide, começando com uma carga leve, que vai subindo gradualmente, até atingir o ápice, que é mantido por duas semanas. Depois disso, regride no volume, até chegar quase no início. Isso a uma semana da prova. “Uma semana antes, quase não faço nada. Abaixo primeiro a corrida, depois o ciclismo e, por fim, a natação, pois a recuperação de cada atividade é diferenciada.”

O máximo que conseguiu atingir foi durante os preparativos para um Ironman na Alemanha, em 2000. Durante duas semanas, chegou a rodar 700km de bike, o que, de certa forma, lhe deu mais experiência. “Vi que é muito difícil conciliar esse volume de ciclismo com a natação e a corrida. Fazia muito pedal e do restante a carga não era tão alta, não acompanhava. Tem que haver equilíbrio”, conta.

No começo da temporada, Manzan costuma usar a musculação, duas vezes por semana, quando trabalha forças específicas que não irá obter nas três modalidades. Quando o assunto é descanso, a palavra de ordem é relaxar. Nada de atividade mesmo. “Ouço o que o corpo fala. O treino para o cansaço é o descanso”, garante.

Com experiência de sobra, o atleta não vê com bons olhos o treinamento feito pela geração mais nova. “Essa molecada tem uma visão diferente do pessoal do passado. Já entram para competir querendo ir para a Olimpíada, treinando um absurdo. O triathlon é extremamente desgastante e nesse ritmo que eles vêm, vai ficar difícil para agüentar. Tem que saber dosar”, completa.

SEGUNDA-FEIRA
Descanso

TERÇA-FEIRA
Bike: 80km pulso 125/35(percurso misto)
Corrida: 10km (15’ aquecimento)
5 x 4’ pulso 155/60 com 1’ intervalo
Soltar 10’
Natação: 3.000m (com uma série de 1.000m)

QUARTA-FEIRA
Bike: 110km (25’ aquecimento)
3 x 10’ pulso 155/60 com 4’ descanso
Soltar resto
Natação: 3.000m (com uma série de 1.000m)

QUINTA-FEIRA
Corrida: 20km (25’ aquecimento)
10 x 2’ pulso 155/60 (cross) com 1’ intervalo
Soltar restante
Natação: 3.000m (com uma série de 1.000m)

SEXTA-FEIRA
Bike: 60km pulso livre (percurso com subidas)
Natação: 3.000m (com uma série de 1.000m)

SÁBADO
Bike: 140km pulso livre
Corrida: 10km pulso 135/45

DOMINGO
Bike: 70km pulso livre
Corrida: 18km pulso 135/40 (depois de pedalar)

Márcio May: o nosso ciclista olímpico

O ciclista brasileiro Márcio May está indo para a sua 3ª olimpíada e pode ser peça muito importante para o Brasil sonhar com a sua primeira medalha no ciclismo, que terá a prova de estrada no dia 14 de agosto. Foi o principal responsável pelo Brasil ter ficando entre as 30 melhores nações do Mundo (26º) e garantido uma equipe de três ciclistas em Atenas, ao conquistar a Volta do Rio, a prova mais importante do calendário ciclístico da latino-americano.

Aos 32 anos de idade e com participação nas olimpíadas de Atlanta e Barcelona, o catarinense Márcio May é um dos ciclistas mais experientes do Brasil e o único selecionado que compete por uma equipe nacional, a Memorial Santos, nº 1 do ranking brasileiro nos últimos quatro anos. Natural de Salete, no interior de Santa Catarina, vive atualmente em Brusque e defende a Memorial, desde a sua criação, em 1999. Confira a seguir a entrevista com esse super atleta.

Agora com a vaga assegurada, qual é a emoção de disputar a 3ª olimpíada na carreira ?
Márcio May -A emoção é grande, estou muito feliz. Esta vaga foi muito disputada, não somente entre os brasileiros, mas com todos os países.

Qua a expectativa para Atenas? Acredita em chances reais de bons resultados ?
MM - A gente tem de acreditar. Claro que o ciclismo europeu está muito à nossa frente, mas temos evoluído bastante. Além disso, temos o Luciano Pagliarini, que este ano venceu três provas, chegando na frente dos grandes velocistas. O Murilo também tem tido bons resultados lá na Europa. E eu estou bem mais maduro do que nas outras olimpíadas que participei.

Como é competir com o Pagliarini e o Murilo ?
MM -Acho ótimo. O Luciano foi meu companheiro de equipe na Caloi durante dois anos e conseguimos ótimos resultados. O Murilo é da minha cidade e sempre treinamos juntos quando ele está por aqui em Brusque. Além disso, sempre fui um grande incentivador do Murilo e fico contente em podermos competir juntos.

Fala sobre sua relação com os dois e também o que poderão fazer juntos, pela experiência de já se conhecerem ?
MM - Somos grandes amigos e nos conhecemos bem. Isso é importante, pois a gente pode se ajudar mais fácil. Eu conversei com o Murilo e ele esta vendo a possibilidade de eu ir para a Itália e competir algumas provas por lá antes da Olimpíada e também poderei treinar junto com os dois, já que moram na mesma cidade na Itália.

Você sempre acreditou nessa vaga ?
MM - Sim! Desde o ano passado venho fazendo as contas de quantos pontos precisávamos para classificar. A Confederação Brasileira fez a sua parte incluindo várias provas no ranking mundial, dando assim a oportunidade de pontuarmos. Conseguimos fazer a nossa parte e garantir assim essas três vagas.

Como estava sua cabeça na Volta do Rio ?
MM - O meu objetivo era a Volta do Rio. Me concentrei e dediquei ao máximo para estar bem nesta Volta, porque era a que valia mais pontos. Estava muito ansioso vários dias antes, pois na volta de São Paulo tudo estava correndo bem e de repente uma queda me tirou da briga. Só fui relaxar quando terminou.

E os planos para o futuro ?
MM -Agora é fazer uma preparação voltada para a Olimpíada. Já conversei com o meu preparador físico, que está elaborando os treinamentos voltados para Atenas.

Sua equipe ajudou muito você para alcançar esse objetivo. O Hernandes Quadri Jr é um velho companheiro de mais de 10 anos. Como é essa relação ?
MM - A equipe é fundamental. No ciclismo ninguém vence sozinho. Agradeço a todos os integrantes da equipe que me ajudaram: atletas, massagista, mecânico, técnico, assessor de imprensa e patrocinadores. O Hernandes é o mais velho companheiro. Já corremos juntos em Barcelona e Atlanta e hoje ele também ajudou para que eu conseguisse ir a mais uma Olimpíada. Por isso somos uma equipe. Um por todos, e todos por um...


Márcio May: o nosso ciclista olímpico

Triathlon · 01 jun, 2004

O ciclista brasileiro Márcio May está indo para a sua 3ª olimpíada e pode ser peça muito importante para o Brasil sonhar com a sua primeira medalha no ciclismo, que terá a prova de estrada no dia 14 de agosto. Foi o principal responsável pelo Brasil ter ficando entre as 30 melhores nações do Mundo (26º) e garantido uma equipe de três ciclistas em Atenas, ao conquistar a Volta do Rio, a prova mais importante do calendário ciclístico da latino-americano.

Aos 32 anos de idade e com participação nas olimpíadas de Atlanta e Barcelona, o catarinense Márcio May é um dos ciclistas mais experientes do Brasil e o único selecionado que compete por uma equipe nacional, a Memorial Santos, nº 1 do ranking brasileiro nos últimos quatro anos. Natural de Salete, no interior de Santa Catarina, vive atualmente em Brusque e defende a Memorial, desde a sua criação, em 1999. Confira a seguir a entrevista com esse super atleta.

Agora com a vaga assegurada, qual é a emoção de disputar a 3ª olimpíada na carreira ?
Márcio May -A emoção é grande, estou muito feliz. Esta vaga foi muito disputada, não somente entre os brasileiros, mas com todos os países.

Qua a expectativa para Atenas? Acredita em chances reais de bons resultados ?
MM - A gente tem de acreditar. Claro que o ciclismo europeu está muito à nossa frente, mas temos evoluído bastante. Além disso, temos o Luciano Pagliarini, que este ano venceu três provas, chegando na frente dos grandes velocistas. O Murilo também tem tido bons resultados lá na Europa. E eu estou bem mais maduro do que nas outras olimpíadas que participei.

Como é competir com o Pagliarini e o Murilo ?
MM -Acho ótimo. O Luciano foi meu companheiro de equipe na Caloi durante dois anos e conseguimos ótimos resultados. O Murilo é da minha cidade e sempre treinamos juntos quando ele está por aqui em Brusque. Além disso, sempre fui um grande incentivador do Murilo e fico contente em podermos competir juntos.

Fala sobre sua relação com os dois e também o que poderão fazer juntos, pela experiência de já se conhecerem ?
MM - Somos grandes amigos e nos conhecemos bem. Isso é importante, pois a gente pode se ajudar mais fácil. Eu conversei com o Murilo e ele esta vendo a possibilidade de eu ir para a Itália e competir algumas provas por lá antes da Olimpíada e também poderei treinar junto com os dois, já que moram na mesma cidade na Itália.

Você sempre acreditou nessa vaga ?
MM - Sim! Desde o ano passado venho fazendo as contas de quantos pontos precisávamos para classificar. A Confederação Brasileira fez a sua parte incluindo várias provas no ranking mundial, dando assim a oportunidade de pontuarmos. Conseguimos fazer a nossa parte e garantir assim essas três vagas.

Como estava sua cabeça na Volta do Rio ?
MM - O meu objetivo era a Volta do Rio. Me concentrei e dediquei ao máximo para estar bem nesta Volta, porque era a que valia mais pontos. Estava muito ansioso vários dias antes, pois na volta de São Paulo tudo estava correndo bem e de repente uma queda me tirou da briga. Só fui relaxar quando terminou.

E os planos para o futuro ?
MM -Agora é fazer uma preparação voltada para a Olimpíada. Já conversei com o meu preparador físico, que está elaborando os treinamentos voltados para Atenas.

Sua equipe ajudou muito você para alcançar esse objetivo. O Hernandes Quadri Jr é um velho companheiro de mais de 10 anos. Como é essa relação ?
MM - A equipe é fundamental. No ciclismo ninguém vence sozinho. Agradeço a todos os integrantes da equipe que me ajudaram: atletas, massagista, mecânico, técnico, assessor de imprensa e patrocinadores. O Hernandes é o mais velho companheiro. Já corremos juntos em Barcelona e Atlanta e hoje ele também ajudou para que eu conseguisse ir a mais uma Olimpíada. Por isso somos uma equipe. Um por todos, e todos por um...

Virgílio de Castilho: missão triathlon

Missão: Olimpíada de Atenas 2004. Estratégia: boa performance nas etapas da Copa do Mundo para somar maior número de pontos no ranking. Estímulo: medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. O triatleta carioca Virgílio de Castilho se baseia nesse tripé para encarar uma maratona de provas para carimbar seu passaporte para a Grécia. O Brasil levará três representantes para os Jogos Olímpicos e há quatro atletas nacionais entre os 75 primeiros do ranking da ITU (International Triathlon Union), sendo que o melhor brasileiro classificado terá lugar garantido na seleção, já os outros dois serão definidos em seletiva.

Antes de concretizar a primeira etapa do grande sonho e garantir vaga em Atenas, Virgílio lutará para estar entre os 20 melhores triatletas do planeta, no Campeonato Mundial, em dezembro, na Nova Zelândia. Na edição de 2003, em Cancún, no México, o brasileiro foi 43º. O bom desempenho dessa temporada, com medalha de prata em Santo Domingo, títulos de campeão brasileiro, sul-americano de triathlon e duathlon, indicam que o carioca tem atributos para concluir mais essa missão com êxito. Nesta entrevista exclusiva, Virgílio de Castilho, atleta da equipe Brasil Telecom, comenta como está sendo a temporada e seu planejamento para chegar a Olimpíada.

Qual a meta para o ranking da ITU este ano?
Estou atualmente entre os 70 primeiros colocados e quero terminar entre os 20.

Você sempre se dedicou as provas olímpicas e está lutando por uma vaga em Atenas. Ironman está nos seus planos?
Até 2008, não. Meu plano é a Olimpíada. Vou estar treinando muito. O ouro em casa, no Pan do Rio de Janeiro, em 2007, é a meta a longo prazo. A participação em Atenas é objetivo a curto prazo. No ano que vem pretendo ganhar experiência, é claro que se vier uma medalha será maravilhoso, mas a meta é brigar por medalha em 2008. Esse batalhão de World Cup que venho disputando é pensando em somar pontos para assegurar a vaga na Olimpíada.

Você já treinou nos Estados Unidos, na Espanha, e pensa em treinar na Austrália futuramente. Como foi este tempo fora do Brasil?
Fiquei oito meses nos Estados Unidos e um mês na Espanha, junto com o Leandro Macedo. Ele é muito disciplinado, me ensina muita coisa e nos damos superbem. Por isso gosto de treinar com ele. A motivação do treino está na cabeça de cada um, e o atleta tem que fazer. Quando estamos fora, a tranqüilidade é maior. Não temos a preocupação do dia-a-dia, a rotina atribulada. Fora você só tem a preocupação de treinar. E, às vezes, bate a monotonia de treinar sempre no mesmo local e, então, só de ir para outro lugar ajuda no lado motivacional. Austrália vai depender do calendário. Meus planos seriam ir após o Mundial, no entanto isso vai depender de quando volto a competir em 2004.

E quais são as expectativas para o Mundial da Nova Zelândia?
Ano passado fiquei em 43º lugar e minha meta nesta temporada é estar entre os 20. Tive problemas de intoxicação alimentar no México. Não é desculpa para o resultado, mas acabou interferindo na performance. Acredito que vou chegar bem preparado para a disputa e tentar fazer o melhor.

Antes do Pan, você comentou que o clima quente seria um grande adversário, mas te favoreceria em relação a norte-americanos e canadenses. A medalha prova que sua previsão se confirmou.
Errei somente quanto ao norte-americano (Hunter Kemper), ele realmente surpreendeu na disputa. O calor e a umidade foram bastante intensos, e ele atacou nos primeiros quilômetros da corrida e se manteve na liderança, decidindo a prova bem cedo. Ele era o grande favorito, mas o que surpreendeu foi a rapidez com que definiu a prova.

E a sua rotina em Santo Domingo?
Cheguei quatro dias antes da prova, fiquei bem descontraído e brincando com todo mundo, como faço sempre. Treinei todos os dias e tentei manter o máximo de concentração. Na manhã da prova preferi ficar mais isolado e intensificar a concentração.

Como foi até a linha de chegada?
Todo mundo tentou ameaçar o americano e eu fui o último a arriscar, quando ele me quebrou também. Fiquei num grupo junto com Argentina e Estados Unidos até o quilômetro seis de corrida, depois imprimi um ritmo forte e assegurei a minha prata. Toda linha de chegada é um momento especial e individual de cada atleta. Este momento é só meu, não dá para expressar para as outras pessoas.

Qual a sensação de voltar ao País com uma conquista anunciada em mídia nacional?
Tem um gosto especial. Jogos Pan-Americanos, Olímpicos, geram um reconhecimento maior. Tem muita gente que nem sabia o que era triathlon antes do Pan. Uma conquista de medalha faz com que a população passe a conhecer o esporte e ver que triatletas não são vagabundos que querem apenas nadar, correr e andar de bike. Uma conquista como a minha faz com que aumente o respeito pela minha profissão.

O Pan é o momento mais importante da sua carreira até agora?
É um objetivo conquistado, e só daqui a quatro anos alguém vai poder me tirar este título. Sou o segundo melhor das Américas até lá.

Como está sua rotina de treino?
Treino normalmente 20km de natação por semana, 350km de ciclismo e 100km de corrida. Pratico as três modalidades todos os dias, em três períodos: às 6h, 11h30 e, para fechar o dia, às 17h. Isso não é sempre, a intensidade varia e às vezes faço até quatro sessões de treino por dia. Todos os dias têm trabalho. Sou meio Caxias. Tanto, que no dia seguinte da prova em Santo Domingo, corri uma hora na vila pan-americana.

E com tanto treino sobra tempo livre?
Dá para ter uns momentos de lazer. Gosto de curtir a família. Sou bem caseiro. Prefiro ficar em casa e assistir um DVD, ficar com a minha esposa e o cachorro. A vida de triatleta é chata para quem não está no esporte. Para mim é ótima.

O técnico Luiz Fernando Catta Preta faz o acompanhamento à distância, pois você mora no Rio de Janeiro e ele em Curitiba. Como é essa relação de trabalho?
Treino monitorado. Sempre faço testes para que ele possa estar acompanhando minha evolução e nosso esquema é todo informatizado. Praticamente nos falamos todos os dias para que ele possa ter o feeling do meu treino. A cada semana vem uma nova programação e nos reunimos para definir o planejamento de preparação e as metas. O atleta tem que ser disciplinado, não tem essa de treinar só porque o técnico está ao lado. É minha profissão e depende de mim. Por isso o sucesso do treinamento depende da disciplina e maturidade do atleta.

A natação é apontada como seu ponto forte, devido a experiência como nadador. Como foi essa época da sua vida?
Pratiquei 10 anos de natação como amador. Sempre levei a sério. Sou bom na natação, mas com a experiência melhorei na corrida. O triatleta tem que ser como o fundista, por isso planejo fazer 10 mil de pista em 30 minutos. Atualmente meu tempo é de 32 minutos.

Você acredita que o triathlon ainda é um esporte da elite?
Ainda não houve uma massificação porque é um esporte caro. Sempre tive que lutar, pois não tinha dinheiro para investir no equipamento. Pedia emprestado acessórios para amigos até conseguir um patrocínio e me firmar. Ainda é um esporte de classe média alta para cima.

E como você estreou na modalidade?
Quando o triathlon chegou no Brasil, há 21 anos, meu pai corria maratona. Como sempre foi ligado em esporte, começou a disputar a nova modalidade. Eu era criança e sempre o acompanhava nas provas. Ele sempre foi um amador, já que começou o triathlon com uma idade avançada. Então, quando cheguei aos 20 anos, meu pai começou a fazer uma certa pressão para eu experimentar. Como já gostava do esporte e me dei bem, comecei a disputar.

Qual a sua avaliação sobre o triathlon no Brasil?
Ainda falta um pouco de reconhecimento e apoio no País. As mulheres estão em alto nível internacional e não têm mais nada para provar. Os homens estão treinando duro, e está na hora de colher os frutos nos próximos anos. O Pan já foi expressivo com o segundo, sexto e nono lugares. O triathlon nacional está em crescimento.

Que dicas você daria para quem sonha em ser um campeão de triathlon?
Treinar muito, disciplina e correr atrás. Tem que saber que vai abdicar da vida normal de qualquer pessoa.

E como é o Virgílio de Castilho?
Meu grande objetivo é encontrar a minha verdade, o encontro do meu eu, ter paz e tranqüilidade. Não sou de guardar mágoas, tristezas e valorizo a amizade. E torço para haver a renovação do triathlon para que eu possa passar a minha experiência para os novos triatletas, assim como fizeram comigo e depois que atingir todas as minhas metas no esporte, continuar envolvido com a área, talvez na organização de provas.

Nome: Virgílio de Castilho Barbosa Filho
Idade: 28 anos
Local nascimento: Rio de Janeiro- RJ
Triatleta há 7 anos
Peso: 63kg
Altura: 1,75m


Vice-campeão Pan-Americano em Santo Domingo, República Dominicana (2003)
Campeão brasileiro em Vitória (ES) – 2003
Campeão sul-americano de triathlon na Venezuela – 2003
Campeão pan-americano de duathlon na Venezuela – 2003
2º colocado no Pré-Olímpico de Triathlon em La Paz, Argentina – 2003
4º colocado no Triathlon Internacional de Santos – 2002
4º colocado no Triathlon Internacional Pré-Olímpico - La Paz, Argentina 2002
4º colocado no Triathlon Internacional Pré-Olímpico - Puerto Vallarta, México – 2002
Vice-campeão brasileiro de Triathlon- 2001
Campeão estadual de triathlon -1999
Campeão 1ª etapa Troféu Brasil em Santos – 1998


Virgílio de Castilho: missão triathlon

Triathlon · 22 fev, 2004

Missão: Olimpíada de Atenas 2004. Estratégia: boa performance nas etapas da Copa do Mundo para somar maior número de pontos no ranking. Estímulo: medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. O triatleta carioca Virgílio de Castilho se baseia nesse tripé para encarar uma maratona de provas para carimbar seu passaporte para a Grécia. O Brasil levará três representantes para os Jogos Olímpicos e há quatro atletas nacionais entre os 75 primeiros do ranking da ITU (International Triathlon Union), sendo que o melhor brasileiro classificado terá lugar garantido na seleção, já os outros dois serão definidos em seletiva.

Antes de concretizar a primeira etapa do grande sonho e garantir vaga em Atenas, Virgílio lutará para estar entre os 20 melhores triatletas do planeta, no Campeonato Mundial, em dezembro, na Nova Zelândia. Na edição de 2003, em Cancún, no México, o brasileiro foi 43º. O bom desempenho dessa temporada, com medalha de prata em Santo Domingo, títulos de campeão brasileiro, sul-americano de triathlon e duathlon, indicam que o carioca tem atributos para concluir mais essa missão com êxito. Nesta entrevista exclusiva, Virgílio de Castilho, atleta da equipe Brasil Telecom, comenta como está sendo a temporada e seu planejamento para chegar a Olimpíada.

Qual a meta para o ranking da ITU este ano?
Estou atualmente entre os 70 primeiros colocados e quero terminar entre os 20.

Você sempre se dedicou as provas olímpicas e está lutando por uma vaga em Atenas. Ironman está nos seus planos?
Até 2008, não. Meu plano é a Olimpíada. Vou estar treinando muito. O ouro em casa, no Pan do Rio de Janeiro, em 2007, é a meta a longo prazo. A participação em Atenas é objetivo a curto prazo. No ano que vem pretendo ganhar experiência, é claro que se vier uma medalha será maravilhoso, mas a meta é brigar por medalha em 2008. Esse batalhão de World Cup que venho disputando é pensando em somar pontos para assegurar a vaga na Olimpíada.

Você já treinou nos Estados Unidos, na Espanha, e pensa em treinar na Austrália futuramente. Como foi este tempo fora do Brasil?
Fiquei oito meses nos Estados Unidos e um mês na Espanha, junto com o Leandro Macedo. Ele é muito disciplinado, me ensina muita coisa e nos damos superbem. Por isso gosto de treinar com ele. A motivação do treino está na cabeça de cada um, e o atleta tem que fazer. Quando estamos fora, a tranqüilidade é maior. Não temos a preocupação do dia-a-dia, a rotina atribulada. Fora você só tem a preocupação de treinar. E, às vezes, bate a monotonia de treinar sempre no mesmo local e, então, só de ir para outro lugar ajuda no lado motivacional. Austrália vai depender do calendário. Meus planos seriam ir após o Mundial, no entanto isso vai depender de quando volto a competir em 2004.

E quais são as expectativas para o Mundial da Nova Zelândia?
Ano passado fiquei em 43º lugar e minha meta nesta temporada é estar entre os 20. Tive problemas de intoxicação alimentar no México. Não é desculpa para o resultado, mas acabou interferindo na performance. Acredito que vou chegar bem preparado para a disputa e tentar fazer o melhor.

Antes do Pan, você comentou que o clima quente seria um grande adversário, mas te favoreceria em relação a norte-americanos e canadenses. A medalha prova que sua previsão se confirmou.
Errei somente quanto ao norte-americano (Hunter Kemper), ele realmente surpreendeu na disputa. O calor e a umidade foram bastante intensos, e ele atacou nos primeiros quilômetros da corrida e se manteve na liderança, decidindo a prova bem cedo. Ele era o grande favorito, mas o que surpreendeu foi a rapidez com que definiu a prova.

E a sua rotina em Santo Domingo?
Cheguei quatro dias antes da prova, fiquei bem descontraído e brincando com todo mundo, como faço sempre. Treinei todos os dias e tentei manter o máximo de concentração. Na manhã da prova preferi ficar mais isolado e intensificar a concentração.

Como foi até a linha de chegada?
Todo mundo tentou ameaçar o americano e eu fui o último a arriscar, quando ele me quebrou também. Fiquei num grupo junto com Argentina e Estados Unidos até o quilômetro seis de corrida, depois imprimi um ritmo forte e assegurei a minha prata. Toda linha de chegada é um momento especial e individual de cada atleta. Este momento é só meu, não dá para expressar para as outras pessoas.

Qual a sensação de voltar ao País com uma conquista anunciada em mídia nacional?
Tem um gosto especial. Jogos Pan-Americanos, Olímpicos, geram um reconhecimento maior. Tem muita gente que nem sabia o que era triathlon antes do Pan. Uma conquista de medalha faz com que a população passe a conhecer o esporte e ver que triatletas não são vagabundos que querem apenas nadar, correr e andar de bike. Uma conquista como a minha faz com que aumente o respeito pela minha profissão.

O Pan é o momento mais importante da sua carreira até agora?
É um objetivo conquistado, e só daqui a quatro anos alguém vai poder me tirar este título. Sou o segundo melhor das Américas até lá.

Como está sua rotina de treino?
Treino normalmente 20km de natação por semana, 350km de ciclismo e 100km de corrida. Pratico as três modalidades todos os dias, em três períodos: às 6h, 11h30 e, para fechar o dia, às 17h. Isso não é sempre, a intensidade varia e às vezes faço até quatro sessões de treino por dia. Todos os dias têm trabalho. Sou meio Caxias. Tanto, que no dia seguinte da prova em Santo Domingo, corri uma hora na vila pan-americana.

E com tanto treino sobra tempo livre?
Dá para ter uns momentos de lazer. Gosto de curtir a família. Sou bem caseiro. Prefiro ficar em casa e assistir um DVD, ficar com a minha esposa e o cachorro. A vida de triatleta é chata para quem não está no esporte. Para mim é ótima.

O técnico Luiz Fernando Catta Preta faz o acompanhamento à distância, pois você mora no Rio de Janeiro e ele em Curitiba. Como é essa relação de trabalho?
Treino monitorado. Sempre faço testes para que ele possa estar acompanhando minha evolução e nosso esquema é todo informatizado. Praticamente nos falamos todos os dias para que ele possa ter o feeling do meu treino. A cada semana vem uma nova programação e nos reunimos para definir o planejamento de preparação e as metas. O atleta tem que ser disciplinado, não tem essa de treinar só porque o técnico está ao lado. É minha profissão e depende de mim. Por isso o sucesso do treinamento depende da disciplina e maturidade do atleta.

A natação é apontada como seu ponto forte, devido a experiência como nadador. Como foi essa época da sua vida?
Pratiquei 10 anos de natação como amador. Sempre levei a sério. Sou bom na natação, mas com a experiência melhorei na corrida. O triatleta tem que ser como o fundista, por isso planejo fazer 10 mil de pista em 30 minutos. Atualmente meu tempo é de 32 minutos.

Você acredita que o triathlon ainda é um esporte da elite?
Ainda não houve uma massificação porque é um esporte caro. Sempre tive que lutar, pois não tinha dinheiro para investir no equipamento. Pedia emprestado acessórios para amigos até conseguir um patrocínio e me firmar. Ainda é um esporte de classe média alta para cima.

E como você estreou na modalidade?
Quando o triathlon chegou no Brasil, há 21 anos, meu pai corria maratona. Como sempre foi ligado em esporte, começou a disputar a nova modalidade. Eu era criança e sempre o acompanhava nas provas. Ele sempre foi um amador, já que começou o triathlon com uma idade avançada. Então, quando cheguei aos 20 anos, meu pai começou a fazer uma certa pressão para eu experimentar. Como já gostava do esporte e me dei bem, comecei a disputar.

Qual a sua avaliação sobre o triathlon no Brasil?
Ainda falta um pouco de reconhecimento e apoio no País. As mulheres estão em alto nível internacional e não têm mais nada para provar. Os homens estão treinando duro, e está na hora de colher os frutos nos próximos anos. O Pan já foi expressivo com o segundo, sexto e nono lugares. O triathlon nacional está em crescimento.

Que dicas você daria para quem sonha em ser um campeão de triathlon?
Treinar muito, disciplina e correr atrás. Tem que saber que vai abdicar da vida normal de qualquer pessoa.

E como é o Virgílio de Castilho?
Meu grande objetivo é encontrar a minha verdade, o encontro do meu eu, ter paz e tranqüilidade. Não sou de guardar mágoas, tristezas e valorizo a amizade. E torço para haver a renovação do triathlon para que eu possa passar a minha experiência para os novos triatletas, assim como fizeram comigo e depois que atingir todas as minhas metas no esporte, continuar envolvido com a área, talvez na organização de provas.

Nome: Virgílio de Castilho Barbosa Filho
Idade: 28 anos
Local nascimento: Rio de Janeiro- RJ
Triatleta há 7 anos
Peso: 63kg
Altura: 1,75m


Vice-campeão Pan-Americano em Santo Domingo, República Dominicana (2003)
Campeão brasileiro em Vitória (ES) – 2003
Campeão sul-americano de triathlon na Venezuela – 2003
Campeão pan-americano de duathlon na Venezuela – 2003
2º colocado no Pré-Olímpico de Triathlon em La Paz, Argentina – 2003
4º colocado no Triathlon Internacional de Santos – 2002
4º colocado no Triathlon Internacional Pré-Olímpico - La Paz, Argentina 2002
4º colocado no Triathlon Internacional Pré-Olímpico - Puerto Vallarta, México – 2002
Vice-campeão brasileiro de Triathlon- 2001
Campeão estadual de triathlon -1999
Campeão 1ª etapa Troféu Brasil em Santos – 1998

Marily dos Santos: atleta arretada

Uma das principais corredoras do Nordeste, Marily dos Santos começa a buscar espaço na elite nacional

Correr para trabalhar. Correr para dar recados. Correr para fugir. Correr para mudar de vida. Correr para ser campeã. Desde de muito cedo, uma das principais atletas do nordeste brasileiro tinha a corrida incorporada à rotina e não tinha idéia de que estava desenvolvendo cada vez mais o potencial para o esporte. Marily dos Santos, 25 anos, vem se destacando no cenário nacional e com muita simplicidade sonha chegar a uma Olimpíada. Em 2004? Não. Na infância, nunca sonhou em ser corredora, não teve pressa para cruzar as primeira linhas de chegada na frente e, portanto, com muita tranqüilidade quer estar presente no principal evento esportivo do planeta em 2008 ou 2012. Como ela mesmo afirma: “Quando estiver pronta para encarar o desafio.”

Trabalhadora rural, Marily começou a correr aos 12 anos, quando, juntamente com as quatro irmãs e os pais, plantava abacaxi na área rural de Joaquim Gomes, pequeno município localizado à 70km de Maceió e vendia a colheita numa cidade vizinha. No retorno do trabalho, ao invés de voltar a cavalo, preferia ir correndo. “Era uns quatro quilômetros de ida e mais quatro na volta para negociar a venda dos abacaxis. Nem sempre sobrava cavalos sem carga, então, ia correndo. E ganhava dos animais. Sempre que tinha que levar um recado do meu pai também ia correndo. Nunca esperava pelas caronas, pois meu pai sempre falava: vou cuspir no chão e você tem que voltar antes dele secar, senão apanha. Era mais para colocar medo, mas eu não arriscava”, relembra.

Aos 18 anos, incentivada pelo primo e corredor José Carlos Santana, disputou sua primeira prova, a Corrida da Mãe Lagoa (em Maceió) e uma semana depois participou da Corrida do Trabalhador. Em ambas foi quarta colocada. Com a mudança do primo para a Bahia, Marily ficou um ano sem competir, pois o pai não permitia que ela fosse sozinha. Com 19 anos, a corredora pôde participar da Corrida dos Carteiros (10km), na capital alagoana, em função da presença do primo, e ficou em segundo lugar, recebendo como prêmio R$ 600,00. “Pensei que tivesse ficado rica, porque com uma nota de R$ 50,00 fazíamos as compras para a semana e eu tinha tantas nas mãos. Apesar da vida muito simples no sítio, nunca passei necessidade, pois plantávamos muitos produtos e também trabalhávamos bastante.”

Desencorajada pelo pai, que não apoiava a idéia de ser atleta, fugiu de casa e se mudou para Bahia, onde contou com o apoio do primo e conheceu o atual treinador e marido, Gilmário Mendes. Marily mora em Salvador há 5 anos. Mas a saída de Alagoas não foi a única fuga de sua vida.

Em 98, ganhou uma passagem para disputar a São Silvestre e seu tio a proibiu de viajar sozinha com o técnico. A corredora, que se define como uma pessoa bastante reservada, simples e determinada, que não mede sacrifícios pelos desejos, foi para Vitória da Conquista (Bahia) disputar a Corrida de Natal, na qual foi segunda colocada e, na seqüência, desembarcou em São Paulo, sem a família saber. Naquele ano largou no meio da multidão na mais tradicional corrida de rua do País e terminou em 26º lugar na categoria feminino, que reunia mais de mil mulheres. “Liguei para o meu tio, que achava que eu estava no sítio para passar as festas de fim de ano e contei o meu bom resultado. Então, decidi morar em definitivo em Salvador, deixar Juazeiro, local onde meu primo e tio moravam, para treinar e me tornar uma atleta de elite.


Muita gente duvida, mas meu relacionamento com o Gilmário só começou em 99. Antes, éramos apenas técnico e corredora, e não foi ele o motivo da minha decisão de vir para Salvador, mas, sim, o meu objetivo de ser uma atleta profissional.”


A corredora de Alagoas confessa que o atletismo mudou sua vida. “Não pensava em ser atleta, também não via condições para isso, porém, desde que meu primo me incentivou e me ajudou a traçar esse caminho, não desisti mais. Com o esporte posso viajar para onde quero, aprendi muita coisa que nem sabia como era, tipo um check in no aeroporto, e já comprei uma casa para os meus pais, próximo à Salvador, em Pojuca, além de outros dois imóveis. Sempre que junto um dinheiro invisto em imóveis.”

Marily disputará sua sexta São Silvestre este ano. Tem como melhor resultado o sétimo lugar em 2002 e planeja, a curto prazo, estar no pódio. “Em 2003 quero estar entre as dez melhores, mas minha verdadeira expectativa é segredo. Só eu sei.” Segundo a modesta atleta, os Jogos Olímpicos ainda são um sonho distante. “Olimpíada é para quem pode e tenho muito tempo para me preparar para estar no nível dessa competição. Tenho muito o que aprender com outras corredoras mais experientes como a Selma Reis, a Narloch. Estou crescendo, pois antes conseguia ir até um trecho ao lado delas nas provas, hoje já consigo acompanhar o tempo todo.”

A temporada 2004 promete ser de muitas novidades e novas conquistas. “Já está definido que ela irá participar do Troféu da Cidade São Paulo e da Corrida de São Sebastião. Em fevereiro começamos a preparação para a primeira maratona da carreira dela, que será a de São Paulo, em maio. Bem treinada, tem chances de ter um bom resultado. Ela é muito determinada, disso resulta a disciplina e obediência em busca dos objetivos. A infância é que foi a base dela no esporte, eu acabei pegando uma atleta já preparada, então, ela encara os treinos como algo normal, sem ser nada sacrificante”, comenta o técnico Gilmário. A rotina de Marily inclui cerca de 100km de corrida por semana, treinos de tiros de velocidade e, a cada três meses, treinos de musculação e força específicos. Atualmente, a corredora conta, além do treinador, com um médico e um fisioterapeuta.


Treinar com o marido é uma tarefa que precisa ser bem administrada e Marily aprendeu com a experiência a conviver com essa realidade. “No começo foi mais complicado, pois misturávamos um pouco as relações. Hoje sabemos separar bem. Pista é uma coisa e casa é outra. Nos treinamentos a relação é bastante profissional e ele me dá bronca e dicas como para as outras atletas. Nos gostamos muito e não enjoamos de estar juntos. Às vezes temos uma briguinhas, mas não dura mais que cinco minutos.”

A atleta da equipe Belgo/Mizuno/Pojuca, que prefere passear na feira do que no shopping center, tem um ídolo no atletismo: Vanderlei Cordeiro de Lima. “Ele é uma pessoa muito simples, que está sempre brincando com a gente, e tem muita disciplina. Simpatizo com ele.” O grande sonho extra-pista é ter uma roça à beira-mar. “Quero poder comprar uma terra lá em Galeão, próximo a Morro de São Paulo (BA) para cultivar verduras, frutas, ter criações e estar à beira-mar.”

Até 2002, a corredora disputava principalmente as competições no nordeste por falta de patrocínio. Com o apoio que recebeu este ano, pôde aparecer mais no cenário nacional e aconselha as meninas que como ela são de origem humilde a nunca desistir dos objetivos. “Se estiverem em locais como eu estava, saiam. Dá saudades, mas tem que ir em busca, procurar alguém com experiência no esporte para orientá-las e nunca desistir.”

Marily dos Santos:
Idade: 25 anos.
Altura: 1,52.
Peso: 47kg.
Natural de: Joaquim Gomes, Alagoas.

Principais Conquistas:
Campeã ibero-americana no Uruguai (2001)
Campeã nos 3.000m com obstáculos no Troféu Brasil de 2002
Bicampeã da Corrida de Círio (Belém do Pará-2002/2003)
Campeã da Corrida de Aniversário de Goiânia (2003)
7ª na Corrida Internacional de São Silvestre (2002)
2ª colocada na Prova do Macuco no Rio de Janeiro (2003)
Melhor tempo nos 10km - 34’10
Recordista na equipe de sete atletas na 4ª Maratona BR de Revezamento
3ª colocada da Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama – Circuito 2003/Rio de Janeiro
5ª colocada na VII Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro (2203)
Vice-campeã da 1ª Meia Maratona da Bahia
Tetracampeã Baiana de Corridas de Rua (98/99/00/01)
Tricampeã e recordista Norte Nordeste de 3000 m c/ obstaculos
Vice-campeã Brasileira de Cross Country
6ª colocada no mundial Avon Running de 10 Km (Tailândia) 2002
3º lugar do ranking sul-americano de Corrida de Rua 2000
Bicampeã da Meia maratona de João Pessoa (02/03)
Hexa Campeã da Corrida da Águia (Salvador-Ba)
Campeã da Corrida Cidade de S. Luis (Maranhão) 2003
Campeã da Meia maratona de Juazeiro 2003


Marily dos Santos: atleta arretada

Corridas de Rua · 03 fev, 2004

Uma das principais corredoras do Nordeste, Marily dos Santos começa a buscar espaço na elite nacional

Correr para trabalhar. Correr para dar recados. Correr para fugir. Correr para mudar de vida. Correr para ser campeã. Desde de muito cedo, uma das principais atletas do nordeste brasileiro tinha a corrida incorporada à rotina e não tinha idéia de que estava desenvolvendo cada vez mais o potencial para o esporte. Marily dos Santos, 25 anos, vem se destacando no cenário nacional e com muita simplicidade sonha chegar a uma Olimpíada. Em 2004? Não. Na infância, nunca sonhou em ser corredora, não teve pressa para cruzar as primeira linhas de chegada na frente e, portanto, com muita tranqüilidade quer estar presente no principal evento esportivo do planeta em 2008 ou 2012. Como ela mesmo afirma: “Quando estiver pronta para encarar o desafio.”

Trabalhadora rural, Marily começou a correr aos 12 anos, quando, juntamente com as quatro irmãs e os pais, plantava abacaxi na área rural de Joaquim Gomes, pequeno município localizado à 70km de Maceió e vendia a colheita numa cidade vizinha. No retorno do trabalho, ao invés de voltar a cavalo, preferia ir correndo. “Era uns quatro quilômetros de ida e mais quatro na volta para negociar a venda dos abacaxis. Nem sempre sobrava cavalos sem carga, então, ia correndo. E ganhava dos animais. Sempre que tinha que levar um recado do meu pai também ia correndo. Nunca esperava pelas caronas, pois meu pai sempre falava: vou cuspir no chão e você tem que voltar antes dele secar, senão apanha. Era mais para colocar medo, mas eu não arriscava”, relembra.

Aos 18 anos, incentivada pelo primo e corredor José Carlos Santana, disputou sua primeira prova, a Corrida da Mãe Lagoa (em Maceió) e uma semana depois participou da Corrida do Trabalhador. Em ambas foi quarta colocada. Com a mudança do primo para a Bahia, Marily ficou um ano sem competir, pois o pai não permitia que ela fosse sozinha. Com 19 anos, a corredora pôde participar da Corrida dos Carteiros (10km), na capital alagoana, em função da presença do primo, e ficou em segundo lugar, recebendo como prêmio R$ 600,00. “Pensei que tivesse ficado rica, porque com uma nota de R$ 50,00 fazíamos as compras para a semana e eu tinha tantas nas mãos. Apesar da vida muito simples no sítio, nunca passei necessidade, pois plantávamos muitos produtos e também trabalhávamos bastante.”

Desencorajada pelo pai, que não apoiava a idéia de ser atleta, fugiu de casa e se mudou para Bahia, onde contou com o apoio do primo e conheceu o atual treinador e marido, Gilmário Mendes. Marily mora em Salvador há 5 anos. Mas a saída de Alagoas não foi a única fuga de sua vida.

Em 98, ganhou uma passagem para disputar a São Silvestre e seu tio a proibiu de viajar sozinha com o técnico. A corredora, que se define como uma pessoa bastante reservada, simples e determinada, que não mede sacrifícios pelos desejos, foi para Vitória da Conquista (Bahia) disputar a Corrida de Natal, na qual foi segunda colocada e, na seqüência, desembarcou em São Paulo, sem a família saber. Naquele ano largou no meio da multidão na mais tradicional corrida de rua do País e terminou em 26º lugar na categoria feminino, que reunia mais de mil mulheres. “Liguei para o meu tio, que achava que eu estava no sítio para passar as festas de fim de ano e contei o meu bom resultado. Então, decidi morar em definitivo em Salvador, deixar Juazeiro, local onde meu primo e tio moravam, para treinar e me tornar uma atleta de elite.


Muita gente duvida, mas meu relacionamento com o Gilmário só começou em 99. Antes, éramos apenas técnico e corredora, e não foi ele o motivo da minha decisão de vir para Salvador, mas, sim, o meu objetivo de ser uma atleta profissional.”


A corredora de Alagoas confessa que o atletismo mudou sua vida. “Não pensava em ser atleta, também não via condições para isso, porém, desde que meu primo me incentivou e me ajudou a traçar esse caminho, não desisti mais. Com o esporte posso viajar para onde quero, aprendi muita coisa que nem sabia como era, tipo um check in no aeroporto, e já comprei uma casa para os meus pais, próximo à Salvador, em Pojuca, além de outros dois imóveis. Sempre que junto um dinheiro invisto em imóveis.”

Marily disputará sua sexta São Silvestre este ano. Tem como melhor resultado o sétimo lugar em 2002 e planeja, a curto prazo, estar no pódio. “Em 2003 quero estar entre as dez melhores, mas minha verdadeira expectativa é segredo. Só eu sei.” Segundo a modesta atleta, os Jogos Olímpicos ainda são um sonho distante. “Olimpíada é para quem pode e tenho muito tempo para me preparar para estar no nível dessa competição. Tenho muito o que aprender com outras corredoras mais experientes como a Selma Reis, a Narloch. Estou crescendo, pois antes conseguia ir até um trecho ao lado delas nas provas, hoje já consigo acompanhar o tempo todo.”

A temporada 2004 promete ser de muitas novidades e novas conquistas. “Já está definido que ela irá participar do Troféu da Cidade São Paulo e da Corrida de São Sebastião. Em fevereiro começamos a preparação para a primeira maratona da carreira dela, que será a de São Paulo, em maio. Bem treinada, tem chances de ter um bom resultado. Ela é muito determinada, disso resulta a disciplina e obediência em busca dos objetivos. A infância é que foi a base dela no esporte, eu acabei pegando uma atleta já preparada, então, ela encara os treinos como algo normal, sem ser nada sacrificante”, comenta o técnico Gilmário. A rotina de Marily inclui cerca de 100km de corrida por semana, treinos de tiros de velocidade e, a cada três meses, treinos de musculação e força específicos. Atualmente, a corredora conta, além do treinador, com um médico e um fisioterapeuta.


Treinar com o marido é uma tarefa que precisa ser bem administrada e Marily aprendeu com a experiência a conviver com essa realidade. “No começo foi mais complicado, pois misturávamos um pouco as relações. Hoje sabemos separar bem. Pista é uma coisa e casa é outra. Nos treinamentos a relação é bastante profissional e ele me dá bronca e dicas como para as outras atletas. Nos gostamos muito e não enjoamos de estar juntos. Às vezes temos uma briguinhas, mas não dura mais que cinco minutos.”

A atleta da equipe Belgo/Mizuno/Pojuca, que prefere passear na feira do que no shopping center, tem um ídolo no atletismo: Vanderlei Cordeiro de Lima. “Ele é uma pessoa muito simples, que está sempre brincando com a gente, e tem muita disciplina. Simpatizo com ele.” O grande sonho extra-pista é ter uma roça à beira-mar. “Quero poder comprar uma terra lá em Galeão, próximo a Morro de São Paulo (BA) para cultivar verduras, frutas, ter criações e estar à beira-mar.”

Até 2002, a corredora disputava principalmente as competições no nordeste por falta de patrocínio. Com o apoio que recebeu este ano, pôde aparecer mais no cenário nacional e aconselha as meninas que como ela são de origem humilde a nunca desistir dos objetivos. “Se estiverem em locais como eu estava, saiam. Dá saudades, mas tem que ir em busca, procurar alguém com experiência no esporte para orientá-las e nunca desistir.”

Marily dos Santos:
Idade: 25 anos.
Altura: 1,52.
Peso: 47kg.
Natural de: Joaquim Gomes, Alagoas.

Principais Conquistas:
Campeã ibero-americana no Uruguai (2001)
Campeã nos 3.000m com obstáculos no Troféu Brasil de 2002
Bicampeã da Corrida de Círio (Belém do Pará-2002/2003)
Campeã da Corrida de Aniversário de Goiânia (2003)
7ª na Corrida Internacional de São Silvestre (2002)
2ª colocada na Prova do Macuco no Rio de Janeiro (2003)
Melhor tempo nos 10km - 34’10
Recordista na equipe de sete atletas na 4ª Maratona BR de Revezamento
3ª colocada da Corrida e Caminhada Contra o Câncer de Mama – Circuito 2003/Rio de Janeiro
5ª colocada na VII Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro (2203)
Vice-campeã da 1ª Meia Maratona da Bahia
Tetracampeã Baiana de Corridas de Rua (98/99/00/01)
Tricampeã e recordista Norte Nordeste de 3000 m c/ obstaculos
Vice-campeã Brasileira de Cross Country
6ª colocada no mundial Avon Running de 10 Km (Tailândia) 2002
3º lugar do ranking sul-americano de Corrida de Rua 2000
Bicampeã da Meia maratona de João Pessoa (02/03)
Hexa Campeã da Corrida da Águia (Salvador-Ba)
Campeã da Corrida Cidade de S. Luis (Maranhão) 2003
Campeã da Meia maratona de Juazeiro 2003