Veja o relato de um cadeirante que está no Parapan

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 15 ago, 2007

Ariosvaldo  o Parré (foto: Carlos Oliveira/ www.webrun.com.br)
Ariosvaldo o Parré (foto: Carlos Oliveira/ www.webrun.com.br)

Durante os Jogos Parapan-americanos do Rio de Janeiro, o Webrun contará com relatos do atleta e colunista da seção Cadeirantes, Carlos de Oliveira, que está na cidade maravilhosa. Confira suas primeiras impressões do evento.

Direto do Rio de Janeiro – A minha saída de Porto Alegre com destino ao Rio de Janeiro não teve um itinerário dos mais animadores. Acordar às 5h da madruga para ficar no saguão do aeroporto não é uma das melhores coisas a se fazer. Ter de carregar o carro com a tralha de corrida, mais mala e a cadeira de rodas não é fácil. Ainda mais quando deveria estar no terceiro ou quarto sono, definitivamente ninguém merece, porém, são cavacos do ofício.

Fiz o check-in e já estava esperando tirar um soninho na sala de espera, mas a chamada foi rápida e, além disso, eu encontrei a Juliana Veloso, aquela dos saltos ornamentais. O papo rolou legal, pois ela é uma figuraça, simples, delicada, atenciosa e muito simpática. Conversamos até o nosso pouso com segurança no temido Aeroporto de Congonhas. Eu esperava um pouso normal da aeronave, porém, o piloto “atirou” o avião no chão, juro que fiquei com medo.

Logo depois fiz a conexão para o Rio de Janeiro. Recostei no assento, dormi e logo estava sobrevoando a cidade maravilhosa. Se conseguirem tirar a bandidagem do Rio de Janeiro, sou capaz de vir morar aqui, pois “o dono da natureza” foi bastante generoso com essa cidade.

Já no solo, fui recepcionado pela Simone e Ellize, destacadas pela Organização do Parapan para darem o apoio necessário a quem necessitar. Apesar de precisar de apenas algumas pequenas informações, fui atendido acima da média. Parabéns!

Rio de Janeiro – Lá pelas 13 horas depois de um delicioso ala minuta, tive um encontro no mínimo engraçado, eu Carlos Roberto e Roberto Carlos, basqueteiro em cadeira de rodas dos bons, jogou dois anos na Itália e foi da Seleção Brasileira. Nós chegamos ao Engenhão e confesso que fiquei deslumbrado com a magnitude e beleza do estádio, até com uma pontinha de orgulho por termos um equipamento desses aqui no Brasil.

Creio que os atletas brasileiros pensaram da mesma maneira e começaram fazer uma chuva de medalhas. Agora já passa da meia-noite e ainda não recebi o boletim oficial, por isso prometo para amanhã a atualização do quadro de medalhas. Mas vi o gaúcho André (deficiente visual) fazer uma prova irrepreensível e ficar a apenas um centésimo de segundo de um dos melhores atletas do mundo na prova dos 200m rasos. Ele ficou com a honrosa medalha de prata.

Também vi Teresinha Guilhermina (deficiente visual) ”de-to-nar” as adversárias e vencer com extrema facilidade a prova dos 100m. Wendel Soares (deficiente físico) correr os 200m rasos, classe T54 em cadeira de rodas e ele também fez uma prova muito boa. Logo após da competição ele disse: “foi uma pauleira, uma prova muito forte, onde alguns dos melhores do mundo e o recordista do Parapan estavam na prova. Eles têm uma batida muito forte e foi bom para mim porque apesar do sexto tempo, foi a minha melhor marca individual 27seg02”.

Vi Ariosvaldo, o Parré, fazer uma prova de 100m rasos onde largou mal e foi buscar a primeira colocação. A torcida vibrou muito com a sua vitória. Com o ouro no pescoço ele disse que se sentiu realizado e que agora pensa em Pequim.

Infelizmente não vi os brasileiros na prova dos 800m rasos, pois não havia nenhum, fato que me entristeceu. Não é falta de material humano. Atletas nós temos em todos os cantos do Brasil, o que está faltando é incentivo e um projeto privado ou governamental para dar oportunidade para que mais pessoas tenham acesso ao esporte e apareçam mais e mais Ariosvaldos, Terezinhas, Wendels e Andrés. Por hoje era isso! Até mais!

Carlos Oliveira (Carlão)
Consultor WebRun da seção Cadeirantes. Ele é atleta de elite dessa modalidade e compete pelo CGDCRDR (Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas de Porto Alegre). Vencedor de várias provas importantes nacionais como Maratona Internacional de São Paulo e Meia do Rio, além de ter participado dos principais eventos mundiais da modalidade Cadeirantes como o Mundial de Atletismo em Birminghan, Inglaterra e Maratona de Nova York, prova que conquistou o quarto lugar em 1997 e 1998.

Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira

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