Ultra Maratona · 01 ago, 2006
O ultramaratonista brasileiro Mozart dos Santos Júnior não completou a competição americana Badwater. Esta aconteceu no deserto do Mojave, na Califórnia, e contava com um percurso de 217km a baixo do nível do mar.
Mozart era um dos três brasileiros da competição, porém ele não concluiu o desafio. Segundo o atleta, a prova foi acima da sua preparação psicológica. Não faltou preparo físico, faltou preparo mental. Aprendemos muito como equipe, e individualmente. Sempre estive preparado para o não sucesso, pois sei que ele ocorre. Quando desisti, faltava pouco menos de 90km e a temperatura estava baixinha, 49ºC, brinca.
O brasileiro contou que estava bem fisicamente e espiritualmente, mas algumas coisas fizeram-no refletir melhor. Acontece que avaliei o que faltava e julguei-me sem condições de terminar, pois iria subir a mais de 2500 metros e na madrugada, já tinha tido problemas de pressão baixa e falta de ar a 1400 metros. Achei melhor não arriscar e abortei a tentativa, revela.
Agora Mozart volta para o Brasil. Ele irá se recuperar da prova e pretende encarar o desafio de novo. A Badwater era a terceira prova de um projeto pessoal, o Poeira Quente. Ele planejou correr e concluir as três provas consideradas mais difíceis do planeta. Duas delas já foram conquistadas, a Maratona Des Sables e a Desert Cup, ambas no deserto do Saara. A única que faltava era a prova americana.
Ultra Maratona · 18 jul, 2006
No dia 24 de julho acontece no deserto do Mojave, na Califórnia, Estados Unidos, a ultramaratona Badwater e o Brasil será representado por um atleta. Mozart dos Santos Júnior irá enfrentar uma das provas mais difíceis do mundo. A Badwater tem 217 quilômetros e é realizada abaixo do nível do mar com temperaturas altíssimas (média de 45ºC).
O mais curioso é que esta competição faz parte de um projeto pessoal do brasileiro, o Poeira Quente. Ele planejou correr e concluir as três provas consideradas mais difíceis do planeta. Duas delas já foram conquistadas, a Maratona Des Sables e a Desert Cup, ambas no deserto do Saara. Agora só falta a prova americana.
Aos 48 anos, Mozart concilia seus treinos com o trabalho. Ele mora em Manaus e gerencia uma multinacional. Normalmente, eu levanto às 4h20 e vou correndo da minha casa até a fábrica. Ao todo são 18/19 quilômetros. Na hora do almoço eu faço o treino de sol de Manaus, todos os dias de 10 a 11km. Já na parte da noite, após o término do expediente, eu volto da fábrica para casa, ou para academia correndo mais 18/19km, conta.
Para dar suporte ao treinamento, Mozart não fica sem uma boa mochila. Ele tem um modelo próprio para corridas, mas que sofreu algumas adaptações. É com a mochila que ele treina e participa das provas. Levo a minha mochila com roupas, tudo bem ensacadinho, pois quando chego na fábrica, eu tomo banho e coloco a roupa de trabalho. Algumas vezes, é claro, eu pego chuva no caminho e por isso tudo dentro da mochila tem que estar dentro de saco plástico, revela.
Já usei a minha mochila para correr no deserto do Saara, no ano passado. Corri e terminei a Marathon des Sables, 247km no Saara, em Marrocos. Nela, além de roupa, levo água e isotônico, e é claro música para distrair, acrescenta.
Indagado sobre o treino para suportar o calor, Mozart conta que a adaptação foi feita com alguns improvisos. A parte de calor, eu procurei me adaptar correndo no horário do almoço diariamente, e nos últimos dias de preparação para a Badwater, eu usei dois aquecedores na academia enquanto corria na esteira. Durante os finais de semana corri no sol de Manaus com roupa de lã, revela.
Ontem (17) a minha fisioterapeuta me disse que um cliente dela falou que viu um maluco correndo no sol todo agasalhado, tava uns 38ºC. Ela riu e disse que o maluco era eu, se diverte. Além disso, nas últimas duas semanas, ele fez sauna todos os dias.
Espero, e tenho como expectativa, terminar a prova e isso, se Deus permitir, será uma tremenda glória. No meu íntimo, é claro, tenho objetivos maiores, mas isto vem depois, anuncia o brasileiro, que conta todas suas aventuras no site pessoal: www.corrotododia.com.br.
Ultra Maratona · 31 maio, 2006
O ultramaratonista brasileiro Sérgio Cordeiro quer buscar o bicampeonato mundial de Ultratriathlon. Para isso, ele irá participar de diversas competições durante 2006. Nesse último fim de semana, Cordeiro competiu o Doble Iron da Áustria, mas não faturou o pódio.
Ele só conseguiu embarcar para a prova um dia antes da competição e foi sem apoio e sem suporte do seu técnico. Todos os participantes tiveram que nadar 7,6km em uma piscina olímpica de 50 metros. Segundo Cordeiro, a piscina era revestida de alumínio, para o aquecimento natural. Mas essa medida não foi uma boa solução, porque a temperatura da água ficou na casa dos 15 graus.
A baixa temperatura aumentou depois de forte tempestade. Os participantes também enfrentaram 360km de ciclismo num percurso de 22 voltas de 16km. Por fim todos correram 84km em 125 voltas de 670m.
O brasileiro completou a competição em 24h48min20. O campeão foi o francês Pascal Jolly, em 23h08seg. A próxima prova do Sérgio Cordeiro será um Triplo Iron Triathlon com 11,4km de natação, 540km ciclismo e 126km de corrida.
Ultra Maratona · 03 maio, 2006
A brasileira Elisete Pereira não tem medo quando o assunto é distância. Fã e corredora de ultramaratonas, ela e mais onze atletas foram as primeiras mulheres a participarem do Revezamento dos Andes. Hoje aos 44 anos, ela afirma que a vida começa aos 40 anos, idade que retornou para a corrida. Confira!
São Paulo - Elisete Pereira tem 44 anos e não se cansa de correr. Aliás, a corrida é algo que a brasileira pretende praticar até quando virar uma velhinha de bengala. Desejo muito normal para uma Elisete que entrou na história mundial das provas de longa distância. No início desse ano ela e mais onze mulheres participaram do Revezamento da Cordilheira dos Andes. Foi a primeira vez, que um grupo composto apenas por pessoas do sexo feminino, participou da prova.
A competição é uma corrida de revezamento que acontece há mais de 10 anos na Argentina. Os participantes criam grupos de 12 pessoas e cada integrante corre uma maratona. No final cada grupo percorre o total de 506,340km.
Além de ter sido o primeiro grupo de mulheres na competição, a equipe de Elisete, a Kurufmawida, conquistou o segundo lugar da prova. Participaram do time das superpoderosas nove argentinas, uma chilena, uma uruguaia e a brasileira. Suas companhieras eram: María de las Mercedes Acuña, Luz Celeiro, Stella del Papa, Silvia Díaz, Marina Echeverría, Vanesa Gonzalez, Sonia Huayquilaf, Patricia Jelenek, Margarita Monzón, Cecilia Morales e Marcela Pensa.
Decisão - A sua participação na corrida aconteceu quase que por acaso, ou melhor, aconteceu por causa da internet. No ano passado eu corri os 100km da Argentina e fiz algumas amizades. Comecei a participar de um fórum de corrida das pessoas de lá e vi que o pessoal estava se agitando para fazer essa prova dos Andes. Então eu sugeri que se criasse um grupo só de mulheres. Parece que foi transmissão de pensamento, porque uma argentina já havia pensado nessa possibilidade, conta Elisete. Mostrei meu interesse em participar na prova no grupo delas. E deu certo. Elas mandaram um e-mail falando que eu seria bem recebida, acrescenta.
A largada da prova foi dada no dia dez de fevereiro na cidade de San Juan, na Argentina e a chegada foi realizada dois dias depois em La Serena, no Chile. Elisete foi a 11ª pessoa que correu na sua equipe.
Eu não corri na Cordilheira dos Andes. As participantes que estavam nas etapas intermediárias pegaram os trechos mais altos das provas. O ponto mais alto era 4.722m de altitude. Uma das integrantes teve que ir dez dias antes para se aclimatar. A minha etapa já era mais simples. As cidades eram mais agrícolas e já tinha uma certa civilização. Mas mesmo assim tive dificuldade. Eu corri o tempo todo com o vento contrário. Foi uma aventura total, revela.
Elisete completou a sua etapa em 4h48min e sua equipe, a Kurufmawida, levou dois dias e duas noites para finalizar o revezamento. Nunca pensei que fosse participar dessa competição, diz Elisete com gostinho de quero mais.
Agora a brasileira pretende participar de provas de 48 e 72 horas de corrida individual.
Ao analisar as aventuras de Elisete pelas Cordilheiras, muitos pensam que ela treina há muitos anos. Na verdade a ultramaratonista voltou aos treinos de corrida em 2003. Na década de 80 ela corria forte, mas abandonou tudo para constituir família e poder estudar. Hoje ela é funcionária pública, mora em Curitiba e suas filhas já estão grandes.
O curioso é que esse seu retorno ao esporte aconteceu diante de um provador de roupa. Um dia fui experimentar uma roupa. Era um vestido meio rodado e aquilo no espelho rodou. Eu olhei e disse: não isso não pode ficar assim. Resolvi então correr. Peguei um tênis e fui correr com meu marido. No começo eu corria de um poste até o outro e a minha língua saltava pela boca, conta.
Segundo a ultramaratonista, em quatro meses ela perdeu seis quilos e em oito meses de treino participou da Maratona de Florianópolis. De lá para cá Elisete não parou mais. Mesmo com um marido treinador, Antonio França, a atleta prefere treinar sozinha.
Eu não corro com ele. Ele faz no máximo 50km. Eu sou o contrário. Gosto de correr 50km para cima, um dia inteiro. Vou tentar até os 80 anos de idade correr 48 ou 72 horas, brinca.
Na primeira prova de ultra em que participou, Elisete ficou uma semana sem falar com o seu marido. Ele dizia que era uma loucura eu participar da prova. Eu chamei um táxi, levei um monte de tênis e fui para a prova com a minha filha de apoio. De tarde ele apareceu na prova sem graça e viu que eu estava firme. Depois foi de manhã cedinho e viu que eu continuava firme. De lá para cá ele não ligou mais, revela.
Elisete aconselha as mulheres praticarem atividade física o quanto antes. A primeira dica para isso é ter boa vontade. Você tem que se animar independente se estiver chuva, sol ou se estiver sozinha. Se pesar durante esse processo também é importante. Quando a gente vê que diminui o peso na balança a gente fica mais animada. Eu, por exemplo, usava roupas de uma senhora de 50 anos. Hoje eu divido a minha roupa com as minhas filhas, conta.
A vida realmente começa aos 40. Eu não tenho mais que correr para cuidar das minhas filhas entre outros. Posso simplesmente correr tranqüila, finaliza.
Ultra Maratona · 03 mar, 2006
No último fim de semana aconteceu em Taipei, Taiwan, o Mundial 24 Horas de Ultramaratona. O Brasil foi representado pelo atleta Luciano Prado, recordista mundial de corrida em esteira.
Mas apesar do otimismo e força de vontade, não foi dessa vez que o brasileiro conseguiu o pódio. Ele ficou na 65ª posição. A prova começou no dia 25 de fevereiro e só terminou no dia 26, num total de 24 horas.
O vencedor foi o japonês Ryoichi Sekiya que durante as 24 horas percorreu 276 voltas de mil metros. O segundo lugar ficou com o francês Magroun Mohamed que fez 251 voltas seguido pelo russo Vladimir Bychkov (249 voltas).
Ultra Maratona · 08 fev, 2006
O atleta Luciano Prado participa entres os dias 25 e 26 de fevereiro em Taipei, Taiwan, do Mundial de Ultramaratona. Ele e mais quatro brasileiros irão defender o país numa prova de resistência e persistência. Todos terão que correr durante 24 horas sem parar num circuito fechado de mil metros. Vence aquele que fizer a maior quilometragem.
Como Prado treina no Brasil, sua maior preocupação em Taipei é o frio. Mas isso não o intimida e ele espera chegar entre os seis primeiros colocados. O último Mundial que ele participou foi em 2003, ano em que garantiu a 11ª posição.
Porém a sua melhor e mais difícil prova aconteceu no ano passado na Grécia. A corrida teve 246 quilômetros com largada em Atenas e chegada na cidade de Esparta. Segundo Prado, nessa prova largaram 280 pessoas e completaram apenas 105.
Mesmo com as adversidades do clima, o dia era quente e a noite fria, ele conseguiu a quinta colocação da competição. Eu represento bem o Brasil lá fora. Só que a gente não tem o reconhecimento aqui dentro e com isso fica difícil conseguir patrocinadores, revela Prado que hoje conta com o apoio do Fila Team. Eu corro porque gosto. É um desafio onde posso superar o meu próprio limite, acrescenta.
A corrida entrou na vida de Prado de uma forma curiosa. Ele começou a apreciar o esporte em 1986 depois de ler um livro especializado em corrida. Na época eu era gordo e comprei um livro chamado o Guia Completo de Corrida, de um autor americano. Eu li esse livro quatro vezes e comecei a correr. Depois de três meses treinando percebi que tinha perdido peso e não parei mais, conta Prado.
Depois eu decidi correr provas de longa distância, porque na minha segunda ultramaratona, eu fiquei com a segunda posição. Foi na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro, conta.
Mas essa decisão não foi tão repentina. Para participar de uma ultramaratona é necessário uma boa bagagem e muitos treinos. A diferença dos treinos de corrida para os treinos de ultra são as quilometragens. Para você passar para uma prova de cem quilômetros, você precisa fazer no mínimo cinco maratonas e terminar todas elas bem. Se você completar uma maratona esgotado nem adiante competir provas longas, alerta o ultramaratonista.
Porém não é só de mundiais que é feita a carreira de Luciano Prado. Aos 39 anos, o ultramaratonista também é pai de família e consegue ter no seu currículo alguns recordes incomuns. Hoje ele é o atual recordista mundial em corrida em esteira.
Luciano Prado correu durante 24 horas sem parar numa esteira no ano de 2004 e fez a marca de 249 quilômetros e 600 metros de rodagem, o que lhe garantiu o recorde. Além disso, ele também é dono do recorde sul-americano de esteira no período de 48 horas com a distância de 365 quilômetros.
Por isso depois do Mundial de Taiwan, Prado quer bater o novo recorde mundial de corrida em esteira num período de 24 horas. Dessa vez ele pretende fazer a marca de 270 quilômetros rodados. Segundo o atleta, ele deve realizar esse desafio no mês de maio no Brasil.
Correr na esteira é melhor, porque você não tem contusão e não tem problema com a mudança de temperatura. Por isso eu acho que consigo correr mais tempo na esteira, revela. Mas para correr na esteira você precisa ter uma concentração maior para não cair, alerta.
Indagado sobre a monotonia de correr num mesmo local durante muito tempo, Prado revelou algumas táticas para conseguir correr na esteira. Eu sei me concentrar na esteira. Esse é o problema das pessoas que correm na esteira e dizem que não gostam. Quando estou na esteira eu penso positivo. Depois de correr a primeira hora eu penso: puxa só faltam 23 horas. Muitas vezes eu corro fazendo tabuada na cabeça. Tudo para esquecer o relógio e achar que o tempo passou mais rápido.
Ultra Maratona · 30 jan, 2006
Exclusivo - André Vázquez, consultor WebRun da modalidade Ultramaratona que entre seus principais feitos é recordista Continental de Ultramaratona de 48 horas com 357,2 km (Phoenix), detêm a 2ª Melhor Marca Sul-americana de todos os tempos em Ultramaratona de 48 horas e é recordista Mundial em número de maratonas em um ano, com 51 maratonas em 1997, completou mais um feito ontem, dia 29.
Vazquez concluiu sua 150ª maratona, isto na cidade espanhola de Badajóz, terminando os 42.195m com tempo de 3hs11min52. A temperatura durante a prova oscilou dos 2ºC da largada aos 0ºC da chegada, com ventos de 15Km horários., contou André Vázquez ao WebRun. Mesmo com luva de tecido polar, terminei com as mãos congeladas., concluiu.
Seu próximo desafio será como treinador, já que é técnico graduado em Educação Física e Mestre em Psicologia do Esporte pela Universidade de Madrid. Comecei a treinar o Jaime da Rocha ultramaratonista vencedor da Volta da Ilha, categoria solo (155Km). Vou prepará-lo para vencer e fazer uma excelente marca nas 24 Hs Corrotododia, em Curitiba no próximo mês de maio.
Ultra Maratona · 13 dez, 2005
Os paulistanos puderam participar nesse último fim de semana de uma ultramaratona que teve a duração de 24 horas. A prova aconteceu na cidade de São Caetano do Sul e o ganhador foi aquele que deu o maior número de voltas numa pista de atletismo.
Os vencedores da competição tanto no feminino quanto no masculino, Maria Auxiliadora Venâcio e Álvaro do Nascimento Medeiro, completaram 532 voltas em 24 horas. O último colocado da classificação geral fez 134 voltas.
O curioso é que a grande parte dos competidores tinham mais de 35 anos. Os campeões da prova disputaram na categoria entre 40 e 49 anos. Entre os homens o mais velho da prova foi o atleta João Carreira que estava na faixa de 65 a 69 anos. Ele completou as 24 horas de corrida com 339 voltas.
Além da categoria individual, a prova contou com o revezamento de equipes. Nessa modalidade a equipe vencedora foi a Findyourself Hcor com 861 voltas.
Triathlon · 17 nov, 2005
O brasileiro Sérgio Cordeiro chegou nessa terça-feira no Brasil após ter conquistado o título Mundial de Ultratiathlon. Com a vitória ele se tornou o primeiro latino-americano a vencer o campeonato da modalidade. Aos 51 anos, Cordeiro quer mais e pretende buscar o bicampeonato em 2006.
A etapa que lhe garantiu a vitória foi um quíntuplo Ironman que aconteceu no México entre os dias seis e nove de novembro. O brasileiro cruzou a linha de chegada com três dias e nove horas de prova. Com o resultado ele garantiu o segundo lugar da etapa mexicana e o título do Mundial. Confira a entrevista exclusiva com o ultraman Sérgio Cordeiro.
Webrun: Como foi a prova?
Sérgio Cordeiro: Foram três dias e nove horas de prova. Eu acho que estava mais assustado e apavorado do que realmente foi a prova. No final achei que não foi difícil. Mas tive que trabalhar contra o relógio porque ganhava aquele que fizesse o menor tempo. Trabalhei muito a resistência e também a velocidade.
WR: Esse foi o seu primeiro quíntuplo Ironman?
SC: Foi a primeira vez que eu fiz essas distâncias (19km de natação, 900km de bicicleta e 211km de corrida) tudo junto. Eu já corri o Vale da Morte que tem mais de 200 quilômetros, mas sem nadar e pedalar. Eu pensei: Meu Deus! Lá no Vale foi um terror, imagina nadar e pedalar antes? Só que depois que eu larguei eu entrei no clima de adrenalina e parei de pensar nisso.
WR: Como estava o seu estado psicológico antes da prova?
SC: Eu sai para a prova pensando apenas em completar, porque com isso eu já seria o campeão mundial. Ao mesmo tempo em que me dava tranqüilidade eu ficava pensando que eu teria que completar de qualquer jeito. Depois de um ano inteiro de tanta luta, sacrifício, tempestade na cabeça e frio precisava no mínimo completar. Não iria deixar de ser campeão mundial na última etapa.
WR: O que passou na sua cabeça depois que você cruzou a linha de chegada?
SC: Foi uma adrenalina e uma emoção muito forte que para ser sincero ainda não acabou. Comecei a prova num domingo e terminei na quarta. Muita coisa passa pela sua cabeça. Parece ainda que estou sonhando. Agora que a minha ficha começou a cair.
WR: Você tem a fama de correr descalço. Nessa etapa mexicana você tirou o tênis?
SC: Para variar tirei. Não consigo me livrar disso. Chegou uma hora na prova que o tênis começou a pesar e eu falei: caramba seu eu continuar assim eu vou parar. Vi que ainda faltava muita prova pela frente, então resolvi tirar a porcaria do tênis, dei uma recuperada descalço e calcei o tênis de novo nos últimos 50 quilômetros de prova. Na verdade eu só coloquei o tênis quando a segunda colocação já estava garantida.
WR: Como estava o clima da etapa mexicana?
SC: Estava muito bom. Nem muito frio nem muito calor. Também não enfrentei chuva. Pelas condições de provas que eu já enfrentei durante a minha carreira, posso dizer que foi ótimo. Na Virginia, por exemplo, eu enfrentei uma tempestade tropical, isso sim é terrível.
WR: E o percurso?
SC: Os 19 quilômetros de natação foram numa piscina de 50 metros. Chega uma hora que dá uma tontura. Você se perde e não sabe o quanto nadou. Você tem a sensação de que está rodando. Depois eu sai e fui para o percurso de bike. Tive que pedalar 900k num circuito com dois quilômetros. A corrida também foi nesse mesmo percurso. Foram três dias e nove horas no mesmo lugar. Depois disso eu acho que eu sou maluco e não sabia.
WR: Como foi a premiação?
SC: Nada paga o troféu que é maravilhoso. É uma estatueta de pedra-sabão com o mapa Asteca e o emblema do México.
WR: Você vai descansar no fim do ano?
SC: Agora começa o processo de recuperação do meu treino. Oficialmente esse ano não irei competir mais. O meu objetivo agora e voltar em 2006 para buscar o bicampeonato do Mundial. Até porque logo no início do no já terá uma etapa sul-americana do Mundial. A surpresa é que essa etapa pode ser no Brasil. Imagina aqueles europeus passando um pouco de perrengue aqui no Brasil? Só Deus sabe a dificuldade que eu passei enfrentando as provas deles.
WR: E você recebeu a premiação da etapa da Áustria que aconteceu no início do ano?
SC: Acredita que eu recebi há duas semana atrás! Eles pensaram que dava para enrolar um brasileiro. Eles vão ter que vir aqui sentir o gostinho do nosso calor para ver o quanto é bom. Assim vão nos valorizar um pouco.
Triathlon · 18 out, 2005
O brasileiro Sérgio Cordeiro está perto de se tornar o campeão mundial de ultratriathlon. Com o título ele será o primeiro latino-americano a ser o grande vencedor do mundial. Agora ele enfrenta apenas mais uma prova do circuito que acontece no México entre os dias seis e 11 de setembro. O desafio será um quíntuplo ironman.
Cordeiro já tem 430 pontos e lidera a classificação geral, mas isso ainda não é garantia do título. Segundo os organizadores do mundial, a etapa mexicana contará 190 pontos para o campeão e o segundo colocado do ranking, Christophe Llamas, tem 244 pontos. Portanto se Llamas vencer e Cordeiro for desclassificado ou não somar pontos significativos, o estrangeiro ficará com 434 pontos.
Além disso, outros dois atletas, Luis Wildpanner e Emanuel Conraux, têm chances de empatarem com Cordeiro. Se vencerem a prova mexicana, eles também somarão 430 pontos. Assim o grande vencedor do Mundial de Ultratriathlon só será definido em novembro.