Brasileiro participa de ultramaratona abaixo do nível do mar

Redação Webrun | Ultra Maratona · 18 jul, 2006

Mozart no meio da Maratona Des Sables no Saara (foto: Arquivo pessoal)
Mozart no meio da Maratona Des Sables no Saara (foto: Arquivo pessoal)

No dia 24 de julho acontece no deserto do Mojave, na Califórnia, Estados Unidos, a ultramaratona Badwater e o Brasil será representado por um atleta. Mozart dos Santos Júnior irá enfrentar uma das provas mais difíceis do mundo. A Badwater tem 217 quilômetros e é realizada abaixo do nível do mar com temperaturas altíssimas (média de 45ºC).

O mais curioso é que esta competição faz parte de um projeto pessoal do brasileiro, o “Poeira Quente”. Ele planejou correr e concluir as três provas consideradas mais difíceis do planeta. Duas delas já foram conquistadas, a Maratona Des Sables e a Desert Cup, ambas no deserto do Saara. Agora só falta a prova americana.

Aos 48 anos, Mozart concilia seus treinos com o trabalho. Ele mora em Manaus e gerencia uma multinacional. “Normalmente, eu levanto às 4h20 e vou correndo da minha casa até a fábrica. Ao todo são 18/19 quilômetros. Na hora do almoço eu faço o treino de sol de Manaus, todos os dias de 10 a 11km. Já na parte da noite, após o término do expediente, eu volto da fábrica para casa, ou para academia correndo mais 18/19km”, conta.

Para dar suporte ao treinamento, Mozart não fica sem uma boa mochila. Ele tem um modelo próprio para corridas, mas que sofreu algumas adaptações. É com a mochila que ele treina e participa das provas. “Levo a minha mochila com roupas, tudo bem ensacadinho, pois quando chego na fábrica, eu tomo banho e coloco a roupa de trabalho. Algumas vezes, é claro, eu pego chuva no caminho e por isso tudo dentro da mochila tem que estar dentro de saco plástico”, revela.

“Já usei a minha mochila para correr no deserto do Saara, no ano passado. Corri e terminei a Marathon des Sables, 247km no Saara, em Marrocos. Nela, além de roupa, levo água e isotônico, e é claro música para distrair”, acrescenta.

Indagado sobre o treino para suportar o calor, Mozart conta que a adaptação foi feita com alguns improvisos. “A parte de calor, eu procurei me adaptar correndo no horário do almoço diariamente, e nos últimos dias de preparação para a Badwater, eu usei dois aquecedores na academia enquanto corria na esteira. Durante os finais de semana corri no sol de Manaus com roupa de lã”, revela.

“Ontem (17) a minha fisioterapeuta me disse que um cliente dela falou que viu um maluco correndo no sol todo agasalhado, tava uns 38ºC. Ela riu e disse que o maluco era eu”, se diverte. Além disso, nas últimas duas semanas, ele fez sauna todos os dias.

“Espero, e tenho como expectativa, terminar a prova e isso, se Deus permitir, será uma tremenda glória. No meu íntimo, é claro, tenho objetivos maiores, mas isto vem depois”, anuncia o brasileiro, que conta todas suas aventuras no site pessoal: www.corrotododia.com.br.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

Redação Webrun

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