
Aurélio Guedes de amarelo se prepara para a Maratona (foto: Donata Lustosa/ WebRun)
Na semana passada os atletas paraolímpicos brasileiros se reuniram em São Paulo para um treino coletivo de atletismo. E os velocistas portadores de deficiência visual estavam em peso no encontro. As atividades aconteceram na pista de atletismo Constâncio Vaz de Guimarães, no Ibirapuera.
O Brasil irá levar para a Grécia 17 paradesportos do atletismo. Na última Paraolimpíada, em Sydney, eram apenas 10 atletas nessa modalidade. E mesmo com o número baixo de representantes, a delegação canarinha trouxe nove medalhas.
Com isso a esperança de medalhas para esse ano é grande. E pelo o espírito olímpico que paira entre os atletas, o ouro deve brilhar no peito dos brazucas. Para Maria José Ferreira Alves, que irá competir os 100, 200 e 400 metros rasos, não há competidores que irão tirar o brilho dela em Atenas.
Os adversários são para serem vencidos na pista. Nosso chefe nos falou uma frase que eu gostei bastante: faça sua corrida não se preocupe com os adversários. Assim a gente acaba ganhando, revela Maria José.
Ela é portadora de deficiência visual e começou a correr no ano de 1994. Eu estudava numa escola especial para deficientes e lá tinha aula de educação física. O atletismo era uma das modalidades que a escola ensinava. Agora faço parte da seleção brasileira, conta a velocista que irá para as Paraolimpíadas pela terceira vez.
Aurélio Guedes é outro deficiente visual que vai embarcar rumo a Atenas. Mas ele irá disputar as provas mais longas do atletismo: os cinco mil metros e a Maratona. Já faz um ano que eu estou me preparando para esses jogos. Em Olimpíadas não tem essa de se preparar mais ou menos. A gente tem que estar muito bem, fala Guedes.
O objetivo dele nos Jogos Paraolímpicos é chegar entre os três primeiros colocados. Guedes acredita que esse objetivo pode ser alcançado na maratona. No ano passado ele foi o campeão da modalidade no Panamericano de Mar Del Plata, com o tempo de 02:39.
Além dos atletas, outros esportistas que estavam no encontro eram os guias dos deficientes visuais. Eles acompanham o paradesporto em toda prova e são os olhos desses atletas especais.
Reginaldo Ricursica é guia do Aurélio Guedes há dois anos. Durante as provas eu falo para o Aurélio a distância dele para o adversário, se ele precisa forçar mais ou menos, apoio entre outras coisas, finaliza o guia.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa