Parapan: Carlão enfrenta dificuldade no trem, mas chega ao Engenhão

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 16 ago, 2007

Wendel Soares na final dos 200m (foto: Carlos Oliveira/ www.webrun.com.br)
Wendel Soares na final dos 200m (foto: Carlos Oliveira/ www.webrun.com.br)

Direto do Rio de Janeiro – De metrô cheguei à Central do Brasil, dou uma apressada até a plataforma 10, pois já está quase na hora da saída do trem que vai a Japeri, com a primeira parada no bairro do Engenho de Dentro, bem em frente ao suntuoso, e majestoso Engenhão. Já no embarque o meu direito universal de ir e vir “independentemente” foi impedido. Por estar em cadeira de rodas e o vão entre a plataforma e o trem ser muito grande, precisei do auxílio de outras pessoas para entrar no trem.

O curioso é que nem mesmo um atleta, como eu, consegue embarcar sem a ajuda de outra pessoa, porém, o “jeitinho brasileiro” e a hospitalidade tradicional do carioca dão a solução e consigo entrar no trem. Lá dentro juro que me surpreendi positivamente, o vagão que tomei tinha até ar condicionado.

Lá fui eu sacolejando, assistindo a novela da vida real, passando por bairros de moradores de classes trabalhadoras com casas simples e modestas, pelo monitor da janela do trem. E pensar que eu ficaria ali apenas 20 minutos, já que aquele trem era direto. Além dele, tem o “parador”, que como diz o nome, para em todas as estações e é bem mais demorado.

Tem gente que vai até o final da linha e em horário de pico e leva em torno de uma hora e meia ou duas horas para chegar ao destino. Fiquei cansado somente em pesar. Estes cidadãos preferem ter uma vida de luta e agir corretamente. Essa é a vida, é a realidade do povo brasileiro que apesar das vicissitudes não sucumbe e não desiste NUNCA.

Para desembarcar, mais um capítulo triste da novela e da não acessibilidade. Mais adiante na rampa de acesso que liga a estação do trem ao Engenhão outra cena triste. Vândalos haviam pixado a passarela que foi entregue há menos de um mês.

No Engenhão – Depois de uma longa jornada, finalmente entro no estádio. Confesso que não tenho ido assistir outros esportes por essa minha afinidade, esse meu amor incondicional pelo atletismo.

Assisti inúmeras provas, numa delas Wendel Soares, de Brasília, passou à final dos 200 metros rasos. Foi uma visão maravilhosa para mim. Ele é um atleta brasileiro, que como aquele sujeito que mora em casa humilde não sucumbe ao crime.

Mesmo sem recursos e patrocínio, Wendel, está no mesmo patamar de atletas de altíssimo nível. Lá ele brigou de igual para igual com atletas do México, Canadá e Estados Unidos. Fico contente com isso e cada vez mais me convenço de que se somos brasileiros e não devemos desistir NUNCA, além de não sucumbir.

Carlos Oliveira (Carlão)
Consultor WebRun da seção Cadeirantes. Ele é atleta de elite dessa modalidade e compete pelo CGDCRDR (Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas de Porto Alegre). Vencedor de várias provas importantes nacionais como Maratona Internacional de São Paulo e Meia do Rio, além de ter participado dos principais eventos mundiais da modalidade Cadeirantes como o Mundial de Atletismo em Birminghan, Inglaterra e Maratona de Nova York, prova que conquistou o quarto lugar em 1997 e 1998.

Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira

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