Os percalços da elite feminina no Ironman

Redação Webrun | Triathlon · 01 jun, 2012

Kim apostou tudo para buscar Sofie Goos (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Kim apostou tudo para buscar Sofie Goos (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)

Ana Lídia Borba era uma das apostas nacionais para o título feminino no Ironman Brasil 2012. Dos Estados Unidos, Kim Loeffler também era uma das favoritas. Ambas estiveram entre as quatro triatletas que participaram da coletiva de imprensa pré-prova (as outras foram Fernanda Keller e Hillary Biscay).

Além do favoritismo, as duas tiveram outra coisa em comum no Iron: a dificuldade. Tanto Kim como Ana Lídia sofreram muito para chegar entre as dez melhores, superando obstáculos e demonstrando grande preparo psicológico.

As chagas de Kim– A norte-americana foi a segunda colocada da competição feminina. Chegou cambaleante, escorando-se no pórtico de chegada e ameaçando desabar, despertando o senso de emergência no staff.

“Foi um dia sofrido, em que fiz um doloroso jogo de pega-pega”, conta a atleta, referindo-se à vantagem que a belga Sofie Goos estabeleceu durante a prova. Ela revela que teve de repensar a sua estratégia ao longo do percurso por conta da liderança de Sofie.

“Meu plano era pedalar forte, mas segurar um pouco para correr a maratona em até três horas. Pensei que com isso poderia completar em 9h15min. Em determinado momento tive que tomar a decisão de ir com força total, mas ainda saí da bike 14 minutos atrás dela”, explica.

Kim acredita que poderia ter ganho porque diminuía cada vez mais a distância da belga, “mas a linha de chegada estava antes”. Ela entrou para correr com uma lesão no quadril, o que justifica a forma como chegou. Na premiação, no dia seguinte, teve dificuldades para subir ao palco. “Estou bem dolorida ainda”, conta, mostrando também uma ferida no pescoço ocorrida na natação.

A volta de Ana Lídia– Assim como a norte-americana, Ana Lídia teve que fazer uma prova de recuperação. A palavra, no entanto, teve sentido duplo para ela no domingo. Não apenas por correr atrás do resultado, mas para provar a si mesma que estava em boa forma depois do acidente que sofreu em 2009.

“Eu queria fazer uma boa prova, a do ano passado estava engasgada”, confidencia. A brasileira estava bem treinada para ter um grande desempenho, mas foi vítima de uma variável que é o pesadelo dos triatletas: furou um pneu.

“Saí bem da água, mas meu pneu furou com 15 quilômetros de bike e o selante não segurou. Fiquei mais de dez minutos parada e nisso perdi várias posições”, conta a competidora.

Como Kim, ela teve que alterar seu planejamento no meio da disputa e partir para o tudo ou nada. “Foi uma prova bem de cabeça. Quando não consegui trocar o pneu pensei em abandonar”, confidencia.

Ana Lídia venceu a si mesma e seguiu até o final, o que resultou em um nono lugar. “Resolvi arriscar 100% na bike e ver o que sobrava para a corrida. Depois que você toma a decisão, tem que confiar na sua escolha”, afirma. “Estou satisfeita porque tirei esse peso do ano passado. Não tive problema de lesão, estou inteira, então tenho total confiança de que voltei ao que eu era”, encerra.

Este texto foi escrito por: Paulo Gomes

Redação Webrun

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