Supercompensação: treinando e empurrando seus limites

Uma vez que você já tenha passado por uma rigorosa avaliação médica, cardiológica e ortopédica, é hora de contratar a orientação de um treinador especializado em corrida, iniciar seus treinos de forma correta, gradual e empurrar seus limites.

Ah, você não é uma pessoa muito competitiva e não pretende se estressar nem um pouco com isso? Ok. É algo que deve ser respeitado, assim como também deve ser respeitada a pretensão de quem é mais competitivo e faz disso sua motivação para os treinos. De qualquer forma, ao contrário do que muitos pensam a até apregoam por aí, correr um pouco mais longe, ou um pouco mais rápido não é nenhum pecado. Ao contrário, é algo natural, muito motivante e que pode ser alcançado sem muito sofrimento, apenas aproveitando corretamente um fenômeno chamado de Supercompensação.

Numa explicação bem simples e objetiva, a Supercompensação ocorre quando você aplica no organismo uma carga um pouco acima do que ele está habituado, quebrando o equilíbrio, depois você repousa bem, se alimenta adequadamente, e em seguida, aplica uma nova carga. Com a aplicação sucessiva de cargas crescentes e a quebra constante do equilíbrio, aliados ao repouso e a alimentação adequada, há uma resposta positiva do organismo, fazendo com que sua forma física melhore em relação ao estado anterior.

Na linguagem do treinamento chamamos o equilíbrio de homeostase e procuramos sempre estar quebrando esta homeostase, para com o tempo levá-la a um patamar mais elevado. Esse processo explica porque correr determinada distância com o tempo passa a ser bem mais fácil e como ocorre a evolução na maioria das pessoas que treinam, se alimentam e repousam corretamente.

Se voltarmos no tempo, lembraremos que no início, a maioria de nós desafiava as distâncias menores. Alguns andando, andando e correndo ou já correndo direto, mas em curtas distâncias, que mais pareciam uma eternidade!

Com o tempo vieram os treinos e provas de 10km, e em alguns casos, 15km, meia maratona e até maratona. Para os iniciantes, hoje pensar em uma corrida de 10, 15km pode até parecer algo muito distante, mas com muita calma, com o acúmulo de treinamento e a crescente aplicação de estímulos (treinos), os limites serão cada vez mais ampliados, ao passo de alguns mais avançados, com mais anos de treinamento, hoje acharem um treino que antigamente era considerado um “longão” um verdadeiro “treininho”!

Correr mais rápido também é um desafio. Imagino que você faça 10km em 65 minutos, 60, 55, 50 e queira percorrê-los em um tempo menor. Tudo é uma questão de treinar corretamente, assim com no caso dos que querem correr um pouco mais longe. Às vezes pode até parecer meio impossível, mas com a somatória de treinos, com a freqüência semanal adequada e planejada, você chegará lá e acabará até dizendo: nossa, quem diria que um dia eu chegaria aqui! Interrompendo os treinos e cessando os estímulos, infelizmente acabará dizendo: quem diria que um dia eu corri tão rápido!

Ainda falando dos estímulos, devemos considerar que a lei da supercompensação tem algumas outras simples regras: estímulos muito fracos ou sem a freqüência adequada não trazem melhora ao organismo, estímulos em intensidade adequada provocam melhora, mas estímulos em intensidade muito alta podem causar prejuízos.

Baseado nesse raciocínio dá para entender porque algumas pessoas não evoluem em seu estado de treinamento. Algumas, por exemplos, que dão estímulos em quantidade insuficiente na semana, os famosos atletas de final de semana. Nestes casos, o organismo recebe uma carga, se recupera e fica esperando um novo estímulo, mas este só vem muitos dias depois, quando o efeito do anterior já se foi. Aliás, o grande risco que correm estes indivíduos é o de realizarem um esforço demasiado, sem que o organismo esteja acostumado e preparado!

Há ainda os atletas que aplicam cargas muito baixas, não estimulando em nada o organismo e alguns que aplicam cargas muito altas no momento errado, não dão o intervalo adequado e logo em seguida, aplicam uma nova carga, gerando um desgaste muito alto, tornando impossível a recuperação e fazendo com que a forma física piore. Passado algum tempo este organismo massacrado pode atingir aquilo que chamamos de “Overtraining”, cujas conseqüências mais comuns são irritabilidade, cansaço, dores articulares, lesões, elevação da freqüência cardíaca, perda do sono e queda do rendimento.

O ideal é aplicar a carga correta para aquele dia, sempre considerando a disposição física que se encontra o indivíduo naquele dia, os treinos que vieram anteriormente, os que virão posteriormente e nunca descuidando do repouso e da alimentação.

É evidente que o nível e tempo de treinamento, além de outros referenciais de controle, serão o que definirão exatamente a carga correta. Correr 10km em 40 minutos para um atleta de alto nível, por exemplo, pode ser um estímulo fraco, porém, se este o fizer em um treino pós competição, pode vir a ser um treino na medida exata. Para alguns de nós mortais, mesmo que em um dia muito inspirado e no ápice da forma física, correr apenas um quilômetro neste ritmo, pode significar um esforço pra lá de muito forte!

Em resumo, a aplicação e o acúmulo adequado das cargas de treinamento, explicam o milagre que faz as pessoas melhorem sua forma física, mesmo que sem fazer muito sacrifício, apenas respeitando corretamente a Lei da Supercompensação. Não tenha medo de empurrar seus limites gradativamente, pois a própria natureza do organismo já foi projetada para contribuir com isso. Com respeito, moderação, sabedoria e planejamento, mas sem medo, os limites nasceram para serem superados. Como diria a frase celebre de Richard Bach: "Valorize os seus limites e por certo não se livrará mais deles”.

Atletismo · 20 nov, 2007


Substituir treinamento aeróbico por explosivo melhora performance?

Novas pesquisas mostram que esta estratégia produz um ganho na performance.

Toledo, Espanha - Novas pesquisas feitas na Finlândia revelam que adicionando simples rotinas explosivas às secções de treinamento é possível produzir importantes ganhos em performance para atletas de resistência. Isto acontece até mesmo quando estes treinamentos explosivos substituem o treinamento regular da semana e, portanto, há uma diminuição no volume total de treinamento.

Nessas pesquisas, Jussi Mikkola e seus colegas trabalharam com 25 jovens corredores de longa distância que estudavam num colégio na Finlândia. Todos os 25 corredores estavam engajados em treinamentos de resistência durante pelo menos os últimos dois anos. Além disso, 13 desses corredores (nove homens e quatro mulheres) foram designados à um grupo experimental (E), e os outros 12 corredores (nove homens e três mulheres) atuaram como grupo de controle (C).

Durante um período de oito semanas, membros de ambos grupos treinaram por aproximadamente nove horas por semana. Porém, o grupo de corredores “E” executou três treinos explosivos a cada semana, num total de 1,8 horas de treinamento explosivo semanal. Durante essas 1,8 horas, o grupo de corredores “C” realizou seu treinamento normal (circuito, tempo running, longos). Portanto este grupo de controle acumulou consideravelmente maior distância percorrida em cada semana.

As rotinas explosivas de 35-40 minutos consistiam de tiros curtos; saltos e técnicas de corrida; e exercícios de força. Os tiros consistiam de cinco a 10 séries de 30 a 150 metros. Os exercícios de saltos consistiam de saltos normais, saltos com obstáculos, saltos em agachamento e saltos na ponta dos dedos, todos realizados sem peso externo além do próprio peso do corpo. Os exercícios de força consistiram de semi-agachamentos, elevação de panturrilha, extensão lombar, extensão de joelho e flexão de joelho. Para estes exercícios duas ou três séries de seis a 10 repetições eram feitas.

Todos estes exercícios foram realizados de forma explosiva. A ênfase foi no trabalho somente com o peso do corpo ou com pouco peso, mas com grande velocidade na execução.

Depois de oito semanas o grupo “E” apresentava alguns passos à frente de seus colegas do grupo “C”, superando-os em dois testes chave de máxima velocidade. O grupo “E” aumentou sua velocidade máxima em 150 metros em aproximadamente 3%, enquanto o grupo “C” não teve nenhuma melhora nesse aspecto. O grupo “E” também melhorou sua velocidade nos 30 metros em 1,1% após as oito semanas, enquanto o grupo “C” não obteve nenhuma melhora.

Mas que importância tem essas velocidades máximas com a resistência? Os pesquisadores nos dizem que a velocidade máxima de corrida é um fator chave na predição da performance entre os corredores de resistência. Segundo eles, não há efeitos negativos associados com o treinamento explosivo. Por exemplo, os corredores do grupo “E” não tiveram mais lesões que os corredores do grupo “C” e apesar da diminuição do volume total de treinos, esses corredores não experimentaram nenhuma queda na capacidade aeróbica (VO2max).

Sem nenhuma surpresa, a musculatura dos corredores do grupo “E” apresentaram maior força de explosão que a de seus companheiros do grupo “C”. Este estudo apresenta os mesmos resultados de outro estudo feito há alguns anos atrás por Leena Paavolainen e seus colaboradores. Nesta investigação, corredores experientes de 5 Km substituíram aproximadamente 32% de seu treinamento aeróbico usual, por treinamento explosivo e melhoraram sua performance nos 5 Km em aproximadamente 3%. Nesta ocasião, os corredores de Paavolainen também conseguiram melhorar a economia de corrida, outro fator chave na predição de performance em media e longa distância.

A conclusão? Substituindo 20 a 30 por cento do treinamento aeróbico normal por treinamento explosivo é uma boa medida. Isto não afeta negativamente a capacidade aeróbica e tem um efeito de apuração da forma, levando um aumento na velocidade máxima. Este aumento na velocidade melhora a intensidade dos treinamentos de qualidade e melhora os tempos de performance.

Esse processo de substituição pode ser feito antes de uma competição importante perto do final de temporada, claro, mas também pode ser feito durante o período de base. Neste caso a inclusão do treinamento explosivo irá acelerar o processo de adquirir a boa forma para a temporada a seguir.

Atletismo · 18 nov, 2007


Como identificar lesões nos tendões pela imagem?

Atletas podem apresentar lesões agudas ou crônicas em tendões. As primeiras são freqüentemente rupturas - parciais ou totais, relacionadas a um trauma, e as últimas surgem por sobrecarga.

Em corredores, por exemplo, essas lesões ocorrem com certa freqüência na região do pé e tornozelo, especialmente no tendão calcâneo (aquiles), no tendão tibial posterior e nos tendões fibulares, que se localizam, respectivamente nas regiões posterior, medial e lateral do tornozelo.

Os métodos de Diagnóstico por Imagem são excelentes aliados dos ortopedistas e médicos do esporte para o diagnóstico destas lesões. Embora as radiografias não possam produzir imagens nítidas de estruturas de partes moles, como os tendões, elas são usualmente realizadas inicialmente na investigação da dor do esportista. E serão muito úteis caso diagnostiquem calcificação na região de um tendão, ou um esporão ósseo (no caso do calcâneo), ou mesmo um aumento do volume das partes moles, significando indícios de lesões a serem investigadas.

O exame de ultra-sonografia (US), realizado prontamente como primeiro exame ou após a realização de radiografias, destaca-se pela capacidade de poder analisar com qualidade os tendões. Ao se realizar um exame de US, o médico ultra-sonografista avalia se os tendões estão normais ou alterados. Resumidamente, as alterações possíveis de serem encontradas nos exames de US são: tendão espessado (com ou sem heterogeneidade de sua textura), presença de calcificações, rupturas parciais ou totais de suas fibras, e líquido em quantidade anormal em sua bainha sinovial (membrana que envolve o tendão).

Tendões com bainha sinovial, como o tendão tibial posterior e os tendões fibulares, que apresentarem aumento anormal de líquido na bainha, são diagnosticados como tenossinovite, fundamentalmente uma alteração inflamatória. Essa foi a lesão que pode ter acometido o maratonista Marílson Gomes antes da Maratona de Nova York.

Tendões que não têm bainha sinovial, como o tendão calcâneo, que se apresentarem com espessamento heterogêneo de suas fibras, são diagnosticados como tendinopatia crônica ou tendinose, que são alterações degenerativas. Estas alterações podem ou não ser acompanhadas de alterações na região ao redor do tendão, como bursite ou processo inflamatório em planos gordurosos (edema). Eventualmente, caso se detecte a presença de calcificações em tendões, o diagnóstico é de tendinopatia crônica calcárea. Tendões que apresentam tendinopatia crônica/tendinose estão mais sujeitos a rupturas.

Em caso de rupturas, o médico ultra-sonografista deve avaliar a extensão da lesão, principalmente classificando-a em ruptura parcial ou total, uma vez que isso determinará o tratamento a ser adotado pelo médico do atleta.

Ressonância -A ressonância magnética (RM) é, dentre todos os exames de imagem, a que produz melhor definição e diferenciação entre as estruturas do sistema músculo-esquelético. Além disso, é capaz de produzir imagens de toda a articulação e não se limitar aos planos superficiais, que é uma desvantagem da ultra-sonografia.

Dessa forma, além de a RM poder fazer os diagnósticos ao alcance da ultra-sonografia, acima descritos, permite que se demonstre outras possíveis causas de dor no tornozelo, como por exemplo: lesões ligamentares crônicas, fratura por estresse, lesões condrais (de cartilagem). Estas lesões podem, em alguns casos, causar sintomas semelhantes às de lesões tendinosas, ou acompanharem as tendinopatias. Assim, o médico obterá ainda mais informações fundamentais para iniciar o tratamento do esportista.

A tomografia computadorizada, apesar de ser muito útil na radiologia das lesões nos esportes, não tem um papel decisivo no diagnóstico de lesões em tendões. Por fim, a combinação racional dos exames de imagem solicitados pelo médico especialista poderá diagnosticar e graduar adequadamente vários tipos de lesão em atletas, e isso será ponto de partida fundamental para um bom tratamento.

Atletismo · 16 nov, 2007