
Emoção e comemoração na chegada (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Florianópolis – No último sábado aconteceu em Florianópolis (SC) a 13ª edição do Revezamento Volta à Ilha, competição de 150 quilômetros que passou por diversos pontos turísticos da capital catarinense. A vitória geral ficou com a Paquetá Esportes, que faturou o tricampeonato da prova, mas a grande maioria das equipes era composta por atletas que queriam se divertir e disputar um evento diferente.
As largadas aconteceram a partir das 4h no trapiche da Avenida Beira Mar Norte, com céu encoberto e sob uma chuva fraca. A cada 15 minutos um grupo de atletas saía para o primeiro posto de troca, sob muitos aplausos e gritos de incentivo do pequeno, mas animado público presente.
O triathleta profissional Leandro Macedo, que ano passado competiu a Volta à Ilha som seu sócio Bruno Gagliardi, este ano veio apenas para coordenar os alunos de sua assessoria esportiva, a Top Sports. Abrimos mão da nossa vaga para que uma dupla competisse, ressalta Leandro que trouxe três equipes de participação, uma dupla mista e uma equipe feminina.
Mais trechos – O segundo ponto de troca (primeiro após a largada) foi o Bairro João Paulo, considerado de dificuldade fácil e com trajeto de 7,1 quilômetros de asfalto em sua totalidade e praticamente plano. Depois as equipes percorreram cinco quilômetros até a Casa Design, nas proximidades do Floripa Shopping, num trajeto que mesclou asfalto e calçamento (paralelepípedo).
O quarto ponto ficava numa praça em Santo Antônio da Lisboa, no caminho para Sambaqui e nas proximidades de uma igreja, em trajeto de 8,1 quilômetros que mesclou calçamento e asfalto. Andréa Pandoyo, da equipe Sul, ficou muito feliz por ter completado o trajeto. Achei que fosse caminhar em todas as subidas (lombas), mas consegui correr bem e baixar meu tempo.
Os corredores passaram em seguida pela Faculdade Cesusc, na Rodovia SC 401, pelas praias de Jurerê Internacional e Daniela, até chegar no Forte São José, correndo por asfalto, trilha e areia. Este trecho foi bem puxado. O asfalto é bem tranqüilo, mas quando entra na trilha tem chão batido, lombas e pedras, lembra Ana Carolina Severine, da equipe Remião Treinamento Físico.
Depois foi a vez de os atletas encararem algumas ladeiras em Jurerê Internacional até acessarem a areia da Praia da Cachoeira do Bom Jesus, num percurso de 5,3 quilômetros. Este percurso foi jóia, com trilha, praia e asfalto, muito bacana, comenta Isabela Ribeiro, da Cia Atlética de Belo Horizonte, que também correu mais dois trechos, um com areia fofa.
Os próximos trajetos foram a Praia dos Ingleses, num trajeto de seis quilômetros totalmente em asfalto e a Praia do Santinho, num caminho praticamente plano, mesclando trilhas e areia. Foi a primeira vez que eu participei, tenho uma ótima equipe, mas acho que não sou tão bom assim, brinca o holandês radicado em Joinville Jankees Van Der Wild, ainda muito ofegante depois de ter cumprido seu papel pela equipe Bela Vista nas 13.
Já Manuela França, do Clube Endorfina de Porto Alegre (RS), afirma que sentiu dificuldades apenas em um trecho. Foi tranqüilo, pois a maior parte era plana, apenas na trilha dos cômoros que é bem difícil. Ela diz ainda que os trechos estavam bem sinalizados e o tempo nublado ajudou na performance.
Superação – O trecho seguinte foi até a praia de Moçambique, em 8,4 quilômetros de asfalto, dunas, trilha e estrada de terra, com altitude de cerca de 50 metros e depois um trecho de cinco quilômetros até a Seção 14, no Parque do Rio Vermelho. Carlos Pires, da equipe Seis Normais de dois burros afirma que a equipe o sacaneou.
O trajeto foi uma catástrofe, muito quente e muita areia. Eu ia fazer outro trecho, mas acabou sobrando para mim. Ele diz ainda que apenas ao final da competição eles iriam eleger quais seriam os normais e quais seriam os burros. Tem gente trabalhando forte para ganhar o troféu do burro.
Em seguida eles correram para a praia da Joaquina, onde encontraram asfalto e calçamento, num total de 8,6 quilômetros, trecho em que Carlos Duarte, organizador da prova, correu como parte integrante da equipe que representa sua família. Este trecho englobou o morro da lagoa, com uma subida muito íngreme, onde havia um posto de água.
Fabiano José de Miranda, da equipe Vega em Movimento, chegou cansado à praia, mas feliz por ter conseguido completar. É muito difícil, com três ou quatro subidas pesadas. O legal é completar, o que vale mesmo é o espírito de equipe. Ele diz que às vezes dá vontade de parar, mas se lembra do comprometimento de todos com a prova e renova as energias.
A equipe é formada por funcionários de uma empresa de São Francisco do Sul, cidade a 188 quilômetros da capital catarinense e também participou do Revezamento Mountain Do, em março. Essas provas são superação em cima de superação.
Pior Trecho – Saindo da Joaquina, os corredores foram para a Praia do Campeche, em 7,7 quilômetros de areia fofa, para a Praia da Armação, num misto de areia e asfalto, até chegar ao posto 18, em Pântano do Sul. Este trecho foi de asfalto totalmente plano até a chegada no Morro do Sertão, o ponto mais complicado da competição.
Carinhosamente apelidado de Morro Maldito, este trecho envolveu uma subida de quase três quilômetros, uma pequena área plana, um quilômetro de descida íngreme e mais seis de percurso em paralelepípedo e asfalto. Luciano Sauer, integrante da equipe de duplas Mevilela / Enterpa – Insanos fala que já tinha corrido este trecho ano passado, mas desta vez foi pior.
Eu e meu parceiro começamos a sentir o ritmo em Moçambique e aqui digamos que eu fiz uma longa peregrinação, uma caminhada rápida, brinca o atleta. Esta prova é demais, o que eu pensei ao atravessar esse morro não tem explicação, foi fantástico, completa.
O antepenúltimo posto de troca aconteceu dentro da Base Aérea de Florianópolis, local gentilmente cedido pelos militares para a realização da prova, que englobou 3,7 quilômetros de calçamento e asfalto praticamente planos. Renata Fepis, da equipe Sports Medicine Fast, diz que a subida final foi a única complicação. Foi cansativa, mas tranqüilo no geral, consegui dar um sprint no final.
Depois da Base Aérea aconteceu uma troca nas proximidades do Aeroporto Hercílio Luz e na Via Expressa Sul, ambos quase que totalmente planos e em asfalto. A chegada foi o último trecho, de 7,3 quilômetros em asfalto no mesmo ponto da largada, o trapiche da Avenida Beira Mar Norte.
Houve muita festa e comemorações emocionadas, com as equipes chegando com suas formações completas para passar sob o pórtico, como a dupla de Fortaleza, Cangaceiros, que se abraçou muito após cruzar a linha de chegada. Adolfo Perdigão e Paulo Henrique Carvalho exclamavam a todo o momento: É nóis!, conseguimos, conseguimos!.
Festa – O dia foi encerrado com chave de ouro com uma festa de comemoração em uma tradicional casa noturna do centro de Florianópolis e no dia seguinte aconteceu a cerimônia de premiação para as equipes vencedoras em todas as categorias. A Volta à Ilha de 2009 ainda não tem data certa, mas o próximo evento dos organizadores, a Eco Floripa, será o Desafrio Urubici no dia 28 de junho. Serão 50 quilômetros em montanhas numa das regiões mais frias do Brasil.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda