Carlos Dias chega na metade do Desafio de correr o Brasil

Redação Webrun | Ultra Maratona · 30 jul, 2007

Carlos fala com o público ao lado da sua esposa e filho (foto: Donata Lustosa/ www.webrun.com.br)
Carlos fala com o público ao lado da sua esposa e filho (foto: Donata Lustosa/ www.webrun.com.br)

Correr uma maratona não é tarefa fácil. Quem já passou por alguma experiência como essa sabe que é necessário treinar muito para obter êxito na prova. Imagine então correr uma ultramaratona, ou melhor, o Brasil de ponta a ponta? Esse é o desafio que Carlos Dias enfrenta.

O ultramaratonista corre o Brasil da cidade do Oiapoque (AP), norte do país, ao Chuí (RS), extremo sul. Sua jornada começou no dia 27 de maio e até agora foram mais de 60 dias ininterruptos de corrida num total de 5.300 quilômetros. Mas restam ainda mais 60 dias de corrida e cerca de quatro mil quilômetros.

Hoje (30) ele está na cidade de São Bernardo do Campo, local onde mora, uma parada importante para continuar seu trajeto. “Vou recarregar minhas energias quando encontrar minha família”, revela. Mas antes de chegar na metade do seu desafio, Carlos enfrentou muitas adversidades.

O Webrun encontrou o atleta dois dias antes dele chegar em São Paulo. Muito ansioso Carlos não continha a vontade de ver as pessoas que mais ama: sua mãe, filho e noiva. Ao ser indagado sobre ficar longe da família ele fala: “está duro, mas estou cumprindo parte de um sonho. Hoje consigo olhar para trás e ver que fiz coisas que poucas pessoas fariam”.

De acordo com o brasileiro, durante esses dias de corrida na estrada, parando em cidadezinhas que nunca haviam visto um atleta antes, ele pôde aprender muita coisa. “Estou convivendo com diferentes situações. Acredito que estou administrando isso com muito sucesso. Chegar até aqui já valeu a pena por todas as amizades que fiz”, revela.

Uma dessas amizades foi com um garoto de nove anos, Joaquim, que tem o mesmo nome do seu pai, já falecido. “Encontrei o Joaquim na cidade de Campos Belos (GO). Ele nunca tinha ficado perto de um atleta e quando comecei a escrever uma dedicatória para ele, percebi que ele estava chorando de emoção”, conta.

Em muitas cidades que pára, Carlos dá palestras em escolas municipais, e isso faz com que as crianças e jovens tenham muita empatia por ele. No Rio de Janeiro, por exemplo, o ultramaratonista visitou os Jogos Pan-americanos e lá conheceu a equipe mirim de ginástica rítmica. Segundo ele, uma das meninas também chorou ao assinar a bandeira do Brasil que ele carrega.

Carlos confessa que seu desafio é diário. Todos os dias ele traça uma meta e segue firme para cumpri-la. Ele corre em média 80 quilômetros por dia. Para ele os primeiros dias foram os piores, já que teve dores nas costas e nas pernas. Mas depois isso passou.

Na rodovia Dutra, que liga Rio de Janeiro e São Paulo, ele parou em diversas cidades, numa delas, São José dos Campos, ele recebeu a companhia do fisioterapeuta David Homsi, da Clínica Dr. Osmar de Oliveira. O fisioterapeuta foi ver como Carlos Dias está fisicamente, além de apoiá-lo psicologicamente.

Para isso, Homsi, correu cerca de 20 quilômetros ao lado do atleta. “O Carlos está bem fisicamente e muito consciente do que ele quer fazer. Também está bem focado e mesmo pelas dificuldades que ele está enfrentando, ele está tirando coisas boas disso. Certamente o Carlos está com mais força para conseguir completar a jornada”, diz o fisioterapeuta.

Agora Carlos segue para a segunda etapa do desafio e para isso irá correr pelas estradas do sul do país. “Até aqui enfrentei muito calor. Teve dias que eu corri de madrugada com 30ºC. Agora será o oposto. Tenho que me preparar para o frio”, explica o atleta. Por isso, seu ritmo de corrida será uma pouco mais leve.

Recepção em São Bernardo – Ontem (29) Carlos chegou na cidade onde mora, São Bernardo do Campo, e foi recepcionado por seus familiares e moradores de seu bairro, o Taboão. Ao ser recebido com fogos, gritos, e salva de palmas, o ultramaratonista desabou em lágrimas e não conteve a emoção.

Depois de ficar dois meses longe da família ele pôde reencontrar sua noiva, seu filho de seis meses e sua mãe. Muito emocionado ele discursou para a comunidade e homenageou sua mãe e sua noiva.

Após pequeno descanso, Carlos segue seu desafio na terça-feira (31) onde receberá homenagem na cidade de São Vicente (SP). “Deixar a minha família vai ser difícil. Mas tenho que seguir em frente. Eles foram um ânimo extra para eu conquistar mais esse objetivo”, revela.

Ainda com um único patrocínio, a marca de calçados Crocs, ele diz que toda a ajuda financeira é de grande valia. “Eu poderia ter começado esse desafio com mais patrocinador. Mas esse era o meu tempo. Muitos acham que é loucura o que estou fazendo. Mas esqueço disso quando encontro pessoas tão diferentes no Brasil e passo alguma mensagem para elas”. O Webrun segue acompanhando todo o Desafio de Carlos Dias.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

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