
Muita lama marcou o X-Terra (foto: Divulgação)
Após três anos de edição no Brasil, o Nissan X-Terra teve atletas brasileiros no lugar mais alto do pódio. Confira!
Angra dos Reis –Disputada na manhã do último sábado (14) em Angra dos Reis, na região da Costa Verde fluminense, um dos maiores triathon cross-coutry do mundo teve, para a alegria de todo o público, a vitória do brasiliense Alexandre Manzan e da paulista Carla Prada.
É a primeira vez que isso acontece e todos nós estamos muito felizes, afinal a gente organiza o evento e sempre os gringos vêem aqui e sobem no lugar mais alto do pódio. Mas somos todos brasileiros e ver os brazucas na primeira colocação foi muito legal, afirma o organizador do evento Bernardo Fonseca.
Alexandre Manzan, responsável por alegrar os espectadores presentes, completou a prova em 2h14min10 e chegou antes do favorito Oscar Galindez, natural da Argentina. Alexandre Manzan mereceu ganhar hoje, pois estava num ritmo muito bom. Quando ele me passou, eu até tentei acompanhá-lo, mas logo vi que ele estava muito inteiro, fiquei no meu ritmo e estou muito feliz pelo segundo lugar, revela Galindez.
O argentino, radicado no Brasil, terminou o X-Terra em 2h18min36. Já o norte-americano Brian Smith, atual campeão do X-Terra Winter World Champ, ficou com a terceira colocação no tempo de 2h22min48. De acordo com o atleta, ele gostou muito da prova, principalmente da parte de bike.
Mulheres – Quem também ficou muito feliz com o resultado foi a brasileira Carla Prada. Ela fechou a prova em primeiro lugar com o tempo de 2h58min57. O curioso é que sua vitória teve um sabor especial. Esse foi o retorno da Carla às competições. Ela lesionou o joelho esquerdo no ano passado, justamente no treino para o X-Terra em Ilhabela, e desde então estava no processo de reabilitação.
A segunda colocação ficou com a atleta Carla Bonfim que fechou a prova atrás da líder com quase dois minutos de diferença. Já o terceiro lugar foi para a argentina Maria Soledad Omar com 3h06min26.
Para quem competiu em Angra dos Reis no ano passado na etapa do X-Terra Regional, criou-se certa previsibilidade para a prova deste ano. O Regional era uma forma do atleta treinar para a etapa internacional que era disputada em Ilhabela, litoral de São Paulo. Esta etapa era considera por muitos estrangeiros como uma das mais duras de todo calendário mundial.
Então para acabar com a idéia de ser uma prova menos penosa a organização prometeu algumas surpresas que só foram descobertas no dia da competição. Primeiro os atletas profissionais chegaram a bordo de uma pick-up para a largada, que foi dada às 10h.
De lá os atletas partiram para 1,5km de natação num mar calmo e com temperatura amena, tanto que nenhum triathleta optou para o uso de roupa de borracha. Mas as outras surpresas não foram tão cordiais, pelo ao menos aos olhos dos participantes. Depois todos foram para os 29 quilômetros de bike feitos num percurso cheio de lama por causa da chuva que assolou a cidade na sexta-feira.
Depois para dificultar os nove quilômetros de corrida foram criados mais poços de lama que eram verdadeiros sumidouros. Em dois pontos da prova havia um grande buraco cheio de lama que ia até a linha da cintura dos atletas. No primeiro houve até uma rota alternativa para quem não quisesse se sujar, mas para isso era necessário correr a mais 600 metros, além dos nove.
Muitos dos atletas que se aventuraram no sumidouro, entenderam ao pé da letra o porquê do nome e tiveram os seus tênis sugado pelo barro do buraco. Que o diga o campeão da prova, Alexandre Manzan. Estava bem atrás do Galindez, mas forcei o ritmo na corrida e quando entrei no sumidouro resolvi tirar o tênis, mas tive disposição de ir atrás e consegui ultrapassá-lo. Hoje foi um dia realmente muito legal.
Como não se bastasse, no percurso havia verdadeiras ladeiras no meio da mata. Muitos trilhos foram abertos literalmente nas encostas, tornando-as escaláveis.
Tinha subidas que só de olhar desanimava, eu olhava de um lado para o outro para ver se a organização havia disponibilizado cordas para subir, mas só via mato e muito barro. Então tinha que respirar fundo e ir com as pernas, com muita cara e coragem, relata o atleta amador Felipe Tambasco.
Este texto foi escrito por: Gláucio Peron