Dr. José Marques Neto

Graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e em cinesiologia, Magna Cum Laude, pela

Graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e em cinesiologia, Magna Cum Laude, pela Texas Christian University, nos Estados Unidos. Médico especialista em Medicina do Esporte pela SBME e em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT, pós-graduado em Fisiologia do Exercício pelo Instituto de Ciências Biológicas-USP e em Biomecânica da Saúde e Atividade Física pela Universidade Gama Filho. Consultor em Medicina do Esporte das revistas Contra Relógio e Women's Health, e do site Webrun. Médico do Esporte do Instituto VITA em São Paulo.

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Dores entre a bacia e a coluna podem ser a sacroileíte

Matéria originalmente publicada em 08/12/2011

A sacro-ileíte é a lesão inflamatória típica da articulação sacro-ilíaca, que é a junção articular entre o osso sacro (componente da coluna vertebral) e osso ilíaco (componente da bacia), localizada lateralmente à coluna vertebral. Pode desencadear dor lombar muito incapacitante em atletas, tanto amadores, quanto profissionais.

Além de causas traumáticas e reumatológicas, esta lesão também pode ocorrer pela sobrecarga mecânica imposta aos membros inferiores, transmitida para a região pélvica durante a prática de esportes com algum grau de impacto e longa duração, afetando a articulação em questão. As corridas de rua, principalmente as maratonas, são um bom exemplo.

Foto: glisic_albina/Fotolia Foto: glisic_albina/Fotolia

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O diagnóstico é realizado por meio da anamnese do paciente (história clínica), exame físico cuidadoso e exames de imagem. Raramente são diagnosticadas nas radiografias simples, sendo necessária a utilização de outros métodos como a cintilografia óssea, tomografia computadorizada, ou mesmo a ressonância magnética para auxiliar na determinação diagnóstica.

O tratamento normalmente é conservador (não cirúrgico), envolvendo medidas fisioterápicas para analgesia (melhora da dor) e cinesioterapia (fortalecimento muscular) regional para minimizar a chance de recidivas.

Corridas de Rua · 13 mar, 2017


A leucina como suplemento para praticantes de atividade física

Os praticantes de atividade física que objetivam ganho de massa muscular, devem estar atentos à necessidade do aumento do aporte de proteínas, durante suas refeições em um determinado planejamento nutricional. Porém, além da quantidade deste nutriente, é importante observar o perfil de aminoácidos que está sendo ofertado ao praticante.

Aminoácidos são as partículas que compõem uma proteína, sendo assim para conseguir a tão sonhada massa muscular, já está bem estabelecido a importância dos aminoácidos de cadeia ramificada, os chamados BCAA's (leucina, isoleucina e valina), que tornam mais eficiente a sinalização celular para a síntese proteica.

Esta capacidade de estimular a síntese, observada nos aminoácidos de cadeia ramificada, se deve principalmente à leucina, pelo fato dela conseguir aumentar a expressão de moléculas, que regulam a sinalização da síntese proteica e levam ao anabolismo muscular.

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Foto: Janifest/Fotolia Foto: Janifest/Fotolia

A maior resposta da síntese proteica ocorre quando se ingere entre 1,7 a 3,5 g de leucina, o que pode ser facilmente obtido com um plano alimentar que contemple adequadas quantidades de alimentos proteicos. Porém, em situações de baixa ingestão proteica, a suplementação com leucina é bem vinda e pode restabelecer a sinalização ideal para a síntese.

Observe que a suplementação isolada de leucina falhou na melhora da síntese e os estudos apontam melhores resultados quando ingerida na presença de outros aminoácidos, contidos em uma proteína. De forma semelhante, o excesso do uso de leucina não se traduziu em um maior ganho de massa muscular. Portanto, é fundamental a orientação de um profissional da área das ciências da saúde para a correta elaboração de um plano alimentar.

Fique atento

Corridas de Rua · 07 mar, 2017


Saiba quais são e como tratar os ferimentos causados pela corrida

O colunista do Webrun Dr. José Marques Neto fala sobre os ferimentos que podem ocorrer na nossa pele durante as atividades físicas.

A pele do ser humano é o maior órgão do corpo, e composta por três componentes diferentes: epiderme, derme e tecido celular subcutâneo. A pele está sujeita a sofrer diversos ferimentos que podem acometer a integridade da mesma, como bolhas, escoriações, cortes e lacerações. Vamos agora abordar estes tipos mais frequentes de ferimentos que podem ocorrer durante a prática de atividades físicas.

As escoriações são muito dolorosas, necessitam de cuidados imediatos como a limpeza com soro fisiológico Foto: lzf/Fotolia As escoriações são muito dolorosas, necessitam de cuidados imediatos como a limpeza com soro fisiológico Foto: lzf/Fotolia

Bolhas: surgem a partir do atrito entre um objeto e um ponto da parte externa da pele, a epiderme, e causam a formação de um espaço que conecta a epiderme com a derme. Este espaço é preenchido por líquido seroso ou até mesmo sanguinolento, fato que causa extremo desconforto e dor ao corredor quando este espaço é comprimido ou apertado. O tratamento SEMPRE deve ser feito por um profissional capacitado, e envolve a limpeza cuidadosa do local, a punção do líquido por orifício muito pequeno através de seringa e agulha, e curativo oclusivo para proteger de possíveis infecções.

Escoriações: lesão superficial do tecido cutâneo na qual ocorre uma perda da epiderme e consequente exposição das camadas mais profundas como a derme a suas terminações nervosas. Muito dolorosas, necessitam de cuidados imediatos como a limpeza com soro fisiológico para retirada de partículas estranhas e assim evitar infecções, curativo oclusivo, analgésicos e até antibióticoterapia.

Corte: definido como uma penetração na pele que resulta em sua abertura e consequente sangramento dependendo da profundidade da lesão. Cortes suficientemente profundos ou extensos podem requerer tratamento através de sutura cirúrgica. Os cuidados em relação à lesão são limpeza rigorosa da região com soro fisiológico, remoção de partículas estranhas, sutura da lesão se necessário e curativo oclusivo para a proteção da mesma e diminuir o risco de infecções.

Laceração: lesão grave que pode afetar as camadas de tecidos mais profundos, como tecido adiposo e muscular, é caracterizada pelos bordos irregulares da pele, sangramento abundante, maior risco de infecção, e tratamento através de sutura na imensa maioria dos casos. Outras estruturas também podem ser acometidas, como tendões, nervos ou ligamentos, portanto o encaminhamento do corredor a um centro especializado é de primordial importância, para que o tratamento adequado seja realizado por profissional capacitado. O uso de antibióticos é altamente recomendado, assim como a profilaxia contra o tétano. Um período maior de recuperação será necessário, pois as suturas normalmente levam de 10 a 14 dias para cicatrizar.

Corridas de Rua · 15 dez, 2014


Você sabe o que é Síndrome do Stress Tibial Medial?

Sem dúvida este problema faz parte do cotidiano de muitos corredores pelo mundo afora. Tecnicamente descrita como síndrome do stress tibial medial, a popular canelite nada mais é do que a irritação e a inflamação de uma faixa de periósteo (membrana que recobre o osso) da tíbia na parte frontal da perna ("canela"), que cursa com dor e dificuldade para caminhar e/ou correr.

Ocorre por ocasião de um aumento súbito e desproporcional do volume de treino (frequência, intensidade) sem que os músculos da parte frontal da perna estejam adequadamente preparados para atenuar esta mudança de solicitação mecânica sobre o aparelho músculo-esquelético. Ou seja, os músculos não estão suficientemente fortes para suportar o aumento de carga.

Acredita-se que esta lesão seja precursora da temível fratura de stress, portanto deve ser encarada com a devida importância. De tratamento eminentemente conservador, ela responde bem às medidas fisioterápicas para analgesia, como eletroterapia e crioterapia (compressas de gelo) e diminuição do ritmo de treino. Medicação antiinflamatória não deve ser prescrita por mais do que alguns dias e o corredor deve procurar enfatizar atividades aeróbicas alternativas durante este período de recuperação, como bicicleta, "spinning", natação ou hidroginástica.

A prevenção vem com o fortalecimento da musculatura da face anterior da perna (principalmente o músculo tibial anterior) e mudanças de alguns fatores extrínsecos do treinamento, como o uso de calçados adequados, preferência por treinos em superfícies mais macias, aumento progressivo de volume e intensidade de treino, calendário racional de corridas e respeito aos alertas do corpo, como a dor na região. Todo cuidado é pouco, pois esta é uma lesão que pode levar a uma situação crônica e se transformar em algo de difícil tratamento.

Atletismo · 15 dez, 2010


Tendinite é o mesmo que tendinopatia?

Muitas pessoas têm dúvida sobre tendinite e tendinopatia. Normalmente a pergunta mais freqüente é se os dois são a mesma coisa. Vamos por partes. Os tendões do corpo humano são faixas de tecido conjuntivo compostas por colágeno em sua maior parte, com baixo suprimento sangüíneo e difícil cicatrização, que fazem a conexão entre os músculos e os ossos, responsáveis pelo movimento de nossos membros. A conexão tendão-osso recebe o nome de entésio, e as doenças que afetam esta região são denominadas de entesopatias.

O tendão é o componente principal do conjunto músculo-tendão-osso, sendo um tecido freqüentemente acometido por um grupo de sinais e sintomas que envolvem dor crônica (mais de três semanas) com piora progressiva, inchaço, aumento de espessura, redução da mobilidade, que melhora após o aquecimento, diminuição da força de impulso, calcificações e eventualmente ruptura tendínea. Esta síndrome é chamada de tendinopatia pela literatura médica atual, ao invés de “tendinite”, termo tradicionalmente utilizado de forma errônea na prática clínica para diagnosticar a dor crônica no tendão.

O termo “tendinite” implica na formação de um processo inflamatório responsável pelo surgimento da dor, porém, as evidências do estudo microscópico e bioquímico do tendão apontam para a presença de uma lesão no corpo do tendão descrita como “tendinose”.

Não podemos excluir a ocorrência da inflamação durante os estágios iniciais desta doença, porém, a literatura atual reserva o termo “tendinite” para processos inflamatórios agudos envolvendo a bainha tendínea (membrana que envolve o tendão), enquanto que tendinopatia é o termo mais adequado para descrever quadros de dor crônica nos tendões, acompanhada dos sinais e sintomas já descritos anteriormente.

Principais causas -Todos os seres humanos começam a apresentar uma redução de elasticidade de seus tecidos a partir dos 25 anos de idade, porém, esta perda começa a se acentuar durante a quarta década de vida (31 a 40 anos). Portanto exercícios de alongamento realizados diariamente auxiliam na manutenção da flexibilidade do sistema músculo-esquelético e na prevenção de tendinopatias.

Diversos fatores são predisponentes a esta condição, incluindo os fatores intrínsecos (relacionados ao atleta) como alterações biomecânicas (ex.: pés cavos ou planos), desalinhamento e/ou discrepância do comprimento de membros inferiores, hipermobilidade articular e déficit de alongamento e/ou fortalecimento muscular. Os fatores extrínsecos (relacionados ao meio ambiente) envolvem erros de treinamento (aumento indevido de volume, frequência, intensidade), deficiências técnicas, uso de tênis inadequado e superfície desfavorável para a corrida.

O diagnóstico das tendinopatias é fundamentalmente clínico, pois os exames de imagem podem detectar alterações anatômicas proporcionais às suas condições técnicas, mas que muitas vezes apresentam apenas limitada correlação com o quadro clínico do paciente.

Seu tratamento envolve diversos aspectos e pode ser bastante trabalhoso e demorado: repouso relativo com ênfase em atividades aeróbicas alternativas à corrida, medicação analgésica e/ou antiinflamatória, medidas fisioterápicas para redução da dor e ganho de amplitude de movimento do local, exercícios de alongamento e programas de fortalecimento muscular normalmente são recomendados.

Atletismo · 12 mar, 2009