Fisioterapeuta formado, sempre trabalhou com reabilitação esportiva na clínica, em vários evento
Fisioterapeuta formado, sempre trabalhou com reabilitação esportiva na clínica, em vários eventos nacionais e internacionais, incluindo O 1º mundial FIFA pela Seleção Sub 17 Feminina como fisioterapeuta da equipe. Ao mesmo tempo se especializando em postura e análise de marcha e da corrida. Hoje, desenvolve trabalhos dentro de um conceito de equipe multidisciplinar em sua clinica e pós graduando em medicina psicossomática, aplicando seus conhecimentos em pacientes esportistas ou não, com o objetivo de tratar a fundo as causas das dores, sendo físicas, relacionadas à postura no trabalho ou na corrida, ou emocionais. Além de consultor da Mizuno em alguns projetos nos últimos 3 anos e ultramaratonista.
Continuar lendoVocê está correndo e treinando normalmente quando, de repente, sem aparente motivo, seu tornozelo começa a doer. Este é um quadro recorrente entre os corredores e que chama a atenção pelo tempo que alguns demoram para se preocupar com esta questão.
Existem várias patologias que podem estar apenas no início, mas que se adiarmos demais para tratar, podem gerar lesões importantes, as quais se tornam cada vez mais difíceis de curar.
Podemos encontrar diagnósticos como tendinopatias (tendinites) de fibulares e tíbias em muitos desses casos, mas isto não acontece por acaso. O que encontramos nestes pacientes são tornozelos com históricos de entorses antigos ou ainda uma mudança para calçados com mais amortecimento, com solado mais macio.
No caso dos tornozelos com histórico de entorses, ocorre que, mesmo com anos sem sintomas, os tendões estabilizadores são forçados e qualquer aumento de intensidade gera uma sobrecarga ainda maior para os tornozelos, criando microlesões que podem acarretar dor. Se houver insistência, pode causar inflamação e até ruptura. Corredores que estiverem ingerindo antibióticos devem tomar cuidado, pois a ciprofloxacina, um componente presente no medicamento, por exemplo, pode gerar lesões tendíneas graves.
Sempre comparo os calçados que dão sensação de maciez com um jipe. Ele amortece muito mais a custo da estabilidade, então é preciso avaliar se realmente compensa esta maciez, que tira a percepção de possíveis irregularidades e diminui a qualidade da informação, que sobe dos pés para medula e cérebro. Com isso, podemos perder importantes referências de ajustes posturais, que seriam usadas para ativar aqueles tendões estabilizadores no tempo certo, evitando assim sua sobrecarga.
Existe ainda uma dor na parte da frente do tornozelo. Já na tíbia, que é o osso da canela, a dor pode estar relacionada inicialmente a um quadro de periostite leve, a famosa canelite. No início, pode ser tratada de forma rápida com exercícios específicos, evitando impacto e laser, mas em casos mais graves e persistentes pode ocorrer uma fratura por estresse. Esta sim necessita de quatro a seis semanas de repouso, além do tratamento fisioterapêutico.
Existem várias patologias que podem estar apenas no início, mas que se adiarmos demais para tratar, podem gerar lesões importantes, as quais se tornam cada vez mais difíceis de curar Foto: Blas/FotoliaNesses casos de canelite e estresse tibial sempre temos que observar se ocorre alguma alteração no gesto da corrida ou pisada. Para isto, um dos recursos são as avaliações por vídeo com consequente reeducação da movimentação.
Em todos estes casos, a melhora da percepção do tornozelo e da pisada traz benefícios, ajudando no processo de resolução tanto da lesão, como da instabilidade.
Hoje já sabemos que o fato de treinar estabilidade do tronco com exercícios de pilates e treinamento funcional melhora os ajustes posturais dos tornozelos, joelhos e quadris. Portanto, o que já sabíamos na prática está sendo confirmado com estudos científicos.
Bons treinos!
Corridas de Rua · 17 ago, 2016
No último mês, tive o prazer de participar da palestra do Prof. Dr. Darren Stefanyshyn, da Universidade de Calgary no Canadá sobre biomecânica dos calçados. Durante o evento o professor trouxe comentários em vídeo de diversos pesquisadores pelo mundo, com os quais ele mantém contato e comentou os artigos mais atuais sobre a biomecânica de calçados.
O lado bom de ouvir este tipo de palestra é que ela se afasta de qualquer influência de patrocínio das marcas, o objetivo maior é realmente o entendimento sobre o que é consenso hoje no mundo científico e quais são as lendas que se tornam verdade pela repetição entre as pessoas mal informadas.
Alguns estudos abordados mostraram que o amortecimento em excesso diminui a performance dos atletas por absorver demais a força de reação do solo e não permitir que esta força seja transmitida pelo corpo resultando em maior propulsão, mas só até um limite. Pois também se observou em alguns estudos que à partir de um certo grau de dureza o atleta começa a perder performance.
Importante ressaltar também que não são todos que vão apresentar estes aumentos de angulações Foto: DivulgaçãoPor observar que um calçado com sola mais macia vá provocar uma exigência maior em termos de pronação do pé e até mesmo de uma rotação interna do joelho na aterrissagem que chamamos de valgo dinâmico (imagem da esquerda abaixo), com certeza este esforço maior vai provocar uma perda de performance, mas esta já é uma interpretação minha em relação ao que foi falado na palestra e baseado na discussão que pudemos fazer ao final.
Importante ressaltar também que não são todos que vão apresentar estes aumentos de angulações, pois existem pessoas com maior facilidade de adaptação, que são provavelmente as que terão menos lesões pela vida e as que tem maior dificuldade de se adaptar, que não por acaso terão que se preocupar muito mais em prevenir lesões.
Outro dado interessante, este já podemos perceber na mudança de estratégia de algumas marcas esportivas, é que cada vez mais vamos observar uma diminuição da importância de comprar tênis especifico para pronador, por exemplo. Mesmo com uma pronação intensa, pois os estudos estão concluindo que o índice de lesões em pessoas que usam calçados específicos ou não é o mesmo, ou seja, o corpo se adapta ao calçado, independente de qual seja, o problema são as transições rápidas de um tipo de calçado para outro, este sim pode ser um risco de lesão.
Um exemplo de transição rápida que pudemos vivenciar a pouco tempo, foi quando uma grande quantidade de pessoas compraram tênis minimalistas e não fizeram uma transição lenta, para permitir que o corpo se adaptasse gerando um número enorme de corredores com lesões por estresse ósseo.
Os estudos também mostram que a adaptação ao drop, diferença entre a altura da sola do calcanhar e do antepé, é gradativa. Pode ocorrer tanto para uma pessoa que corre de minimalista, que é o calçado com 0mm de drop e passa para um drop de 12mm, como no caminho inverso. É a definição do tipo de calçado que vai levar o corredor a entrar com o calcanhar ou com a frente do pé na hora do pouso.
A recomendação que faço a meus pacientes continua sendo a mesma, dê preferencia para calçados neutros Foto: DivulgaçãoSegundo a maior parte dos pesquisadores que falaram durante a palestra, a grande tendência da indústria de calçados será a personalização do mesmo criando até a hipótese de pequenas fábricas dentro das lojas capazes de montar um tênis específico para cada corredor, que poderá escolher a dureza do solado, a palmilha, o drop e todo tipo de personalização que cada marca puder imaginar.
A recomendação que faço a meus pacientes continua sendo a mesma, dê preferencia para calçados neutros, pois muitas das alterações do gesto do corredor e da pisada podemos tratar com fisioterapia a partir da análise por vídeo e treinamento de cada fase do gesto esportivo.
Em último caso recomendamos a confecção de palmilhas proprioceptivas, que são personalizadas a partir de avaliação postural e baropodometria. Outra recomendação é evitar os calçados muito macios e sempre consultar um profissional que entenda do assunto para definir qual o drop ideal para você.
Bons treinos!
Corridas de Rua · 22 jun, 2016
Nos dias de hoje as bandagens são muito utilizadas no mundo esportivo, a causa disso foi uma revolução que começou há mais ou menos duas Olimpíadas atrás. Diversos atletas apareceram na televisão praticando suas atividades esportivas com bandagens elásticas coloridas em vários formatos pelo corpo.
Como tudo que aparece sendo utilizado pelos famosos vira moda, a bandagem teve um boom inicial de modismo irracional, ou seja, ninguém sabia se aquilo tinha algum tipo de comprovação científica, mas se atletas de ponta estavam usando, por que não usar?
Hoje existem várias marcas no mercado, algumas de péssima qualidade e com vários tipos de formato, outras vem pré-cortadas para serem utilizadas em determinadas localizações do corpo e outras vendem em rolos de diversos tamanhos para serem cortadas de acordo com a necessidade. O principal fator que se refere à qualidade é o quanto dura a fita ao ser colada no corpo, pois em situação normal, com o suor do dia a dia e um banho diário a fita pode durar de três a cinco dias fazendo efeito e é claro que nos primeiros dias o efeito é mais intenso, pois o tecido vai perdendo elasticidade. Se você após o banho usar o secador na bandagem isso aumenta a durabilidade da cola. Porém, quando utilizadas na piscina, por melhor que seja ela não vai durar mais que um dia.
Os estudos científicos não conseguiram ainda mostrar relevância na utilização destas bandagens elásticas Foto: Elbow/CC BY-SA 2.0Os estudos científicos não conseguiram ainda mostrar relevância na utilização destas bandagens elásticas, mas não é por isso que vamos deixar de usá-las, principalmente por dois motivos:
1- As bandagens sempre foram utilizadas dentro e fora do esporte como auxiliar de tratamento, ainda hoje nós utilizamos de bandagens rígidas para bloquear determinados movimentos (bandagem funcional) e a versão elástica neste sentido pode auxiliar trazendo mais percepção do movimento que deve ser corrigido.
2- O tipo de tração que a bandagem elástica imprime sobre a pele faz com que haja micromovimentos entre a pele seus tecidos subjacentes (os que estão abaixo dela), favorecendo muitas vezes a mobilidade tecidual que estimulamos nas sessões de fisioterapia.
Esta liberação tecidual é tão importante quanto as liberações profundas, para entender é só lembrar o quanto uma cicatriz de queimadura ou corte pode aderir e limitar o movimento de um membro ou do tronco. Quando liberamos estes tecidos na fisioterapia temos ótimos resultados na sensação de liberdade de movimento.
Portanto as bandagens sempre irão auxiliar o tratamento e a prevenção de lesões, sejam elásticas ou rígidas, o que temos que entender é que não existe milagre. Usar somente a bandagem sobre uma lesão não vai evitar que esta piore caso você não siga as orientações do profissional que utiliza da técnica como suporte. Para melhores resultados é importante que o profissional entenda de biomecânica, pois sem este conhecimento os resultados ficam limitados.
Aquela recomendação de sempre serve para este caso, sinta e respeite o seu corpo, assim você corre mais por muito mais tempo.
Bons treinos!
Corrida de Montanha · 02 maio, 2016
A ideia de participar de um Cruce veio há um ano quando alguns amigos participaram e falaram sobre a prova. Ao mesmo tempo comecei a participar de provas de 21 quilômetros na montanha, já pensando em entender como era este tipo de corrida, que nunca havia participado e começar a treinar a técnica de montanha.
Ter passado por estes 100 quilômetros me mostrou que é possível resolver situações difíceis de varias formas diferentes Foto: Arquivo pessoalNo final do ano passado participei de um Desafio das Serras, que posso dizer, me preparou não só fisicamente, como psicologicamente para este tipo de prova. As serras aqui de São Paulo são bem mais complexas do que o terreno lá no Cruce e servem como um ótimo preparo, pois para mim, após toda a preparação, o que demonstrou ser a maior dificuldade foi o terceiro dia.
O terceiro dia é complicado, pois apesar de ter participado de muitas provas durante o ano e ter simulado em vários momentos meus treinos em três dias seguidos com volumes altos, nada te prepara para tantas subidas. Posso dizer até que o segundo dia de prova foi um refresco, pois tivemos menos subidas e a distância foi a menor dos três dias, mas as dores musculares e a dificuldade de entrar e sair da barraca na segunda noite te faz pensar que talvez não seja possível correr mais um dia, principalmente pensando que os primeiros dez quilômetros seriam de subida quase que constante.
No final do ano passado participei de um Desafio das Serras, que posso dizer, me preparou não só fisicamente, como psicologicamente Foto: Arquivo PessoalA conclusão depois de ter passado pelo Cruce é que qualquer um que tiver vontade de fazer uma prova como esta realmente é capaz, a força de vontade é o mais importante, o que vai diferenciar os corredores é o tempo que cada um leva para fazer a prova e o quanto cada um fica dolorido depois. Quem buscar performance fará mais rápido e provavelmente ficará mais dolorido, os que participarem com o objetivo apenas de completar a prova irão curtir mais o visual e provavelmente ficar menos dolorido.
Ter passado por estes 100 quilômetros me mostrou que é possível resolver situações difíceis de varias formas diferentes, pois lá os obstáculos eram os mesmos para todos, mas cada um passava por eles de uma forma diferente.
O conselho do fisioterapeuta não poderia ser diferente. Para uma prova como está recomenda-se muito treino funcional, treino de equilíbrio (proprioceptivo), pliometria (saltos) e tudo que possa simular as situações de saltar obstáculos e variações de intensidade de treino. O risco de entorse de tornozelo em provas deste tipo é muito grande, portanto os treinos são essenciais para não se comprometer por uma lesão.
Sobre o terceiro dia é realmente uma superação, quando estávamos indo dormir na noite anterior achávamos impossível correr por mais um dia. Ao acordar ainda não parecia coerente correr mais 30 quilômetros, mas ao começar a vestir a roupa, tomar o café da manhã e arrumar a mochila pareceu que naquele momento tudo voltou a ser possível e realmente, após os primeiros passos a musculatura se aqueceu e tudo fluiu naturalmente.
Só posso dizer que é uma experiência única e que recomendo para qualquer um que queira superar seus limites em uma prova que, se bem preparado, não é um algo que apresente grandes riscos, além de proporcionar uma vivência muito interessante de acampamento com pessoas do mundo inteiro e o famoso churrasco argentino.
Corrida de Montanha · 29 fev, 2016
É incrível a quantidade de ensinamentos que absorvemos durante uma prova longa na montanha e gostaria de compartilhar esta experiência incrível que tive durante o último Desafio das Serras, pois percebi que nada te prepara para uma prova como esta, mas conversar com pessoas que já passaram por isso pode ajudar muito. Além do mais, muitas dessas dicas podem fazer com que você evite muitas lesões, afinal, este é o principal objetivo desta coluna.
A prova
O desafio era subir de Ubatumirim até Cunha os 15 quilômetros da Serra do Mar com 1.500m de desnível. Este Desafio das Serras foi uma surpresa até para organização. O erro inicial foi em relação à medida, pois os corredores que fariam 20 quilômetros no sábado subindo e mais 20 descendo no domingo acabaram correndo 35 já no sábado, um erro assumido, mas que impediu que muitos corressem no dia seguinte pela exaustão. A outra opção, que foi a que escolhi, era correr os 40 sábado e domingo, com a diferença de pegar uma estrada de terra batida em Cunha que tinha 18 quilômetros.
Mas a maior surpresa ficou por conta da dificuldade da trilha, pois não bastasse a subida e os obstáculos naturais, tivemos que enfrentar uma quantidade absurda de cipós e lama, o que impediu a maior parte das pessoas de correrem na trilha, pois o risco de quedas era constante e a preferência acabava sendo mesmo por caminhar. Uma corrida que muitos como eu previam fazer entre sete e oito horas aumentaram suas expectativas para mais de nove. O Meu tempo foi 9h45.
Os ensinamentos
As provas de montanha exigem trechos de subida intensos e às vezes por muito tempo, o que significa caminhar por longos períodos rapidamente, em desnível e com os batimentos cardíacos por volta de 150 por minuto. Este tipo de atividade exige um metabolismo totalmente diferente da corrida, portanto a recomendação é treinar em condições parecidas, pois este tipo de exigência muscular para quem não está acostumado pode ocasionar câimbras e até levar a um abandono.
Nunca pise com os pés num alinhamento muito próximo na lama, sempre tente abrir ao máximo sua base de apoio, pois na hipótese de um escorregão seus pés não irão se cruzar e você evita uma queda quase certa.
Uma prova como essa nunca deve ser subestimada. Foto: arquivo pessoalRecomendo totalmente a utilização dos bastões de caminhada, que são meio complicados de carregar, mas ajudam a evitar lesões por prevenirem desequilíbrios e melhorarem em muito o rendimento nas subidas.
Fim de prova
A solução encontrada no sábado à noite para o segundo dia de prova seria descer apenas quem estivesse seguro para isso, mas a maior parte dos corredores já havia desistido e preferiu descer de van.
Na manhã do domingo num novo breafing às 8 da manhã foi decidido por segurança que não haveria a descida da serra e que faríamos todos apenas um circuito de 25 quilômetros de prova com sete de trilha e 18 de terra batida. Neste momento houve uma grande agitação e muitos que já haviam desistido desfizeram as malas e resolveram participar da segunda etapa, assim como eu.
Esta trilha do segundo dia foi muito mais amistosa e tranquila, apenas com muita lama e acabei fazendo em 3h09.
A conclusão é que os aspirantes a corredores de montanha devem se preparar não apenas participando de provas de rua, mas precisam se preocupar em treinar volumes muito maiores com variação de ritmo e sempre ter suplementação e água extra. Isso porque, além da técnica de correr em trilha, usar bastões, estar com o calçado e equipamentos adequados, você tem que estar preparado para o inesperado e nesta hora o mais importante é que a cabeça esteja bem treinada.
Em muitos momentos a vontade de desistir aparece, mas a de completar a prova tem que ser sempre maior!
Corrida de Montanha · 20 dez, 2015
Cirurgias, cicatrizes antigas, retrações profundas são questões que realmente podem atrapalhar o desenvolvimento de um corredor? A resposta é sim, não em todos os casos, mas muitas vezes isto é verdade. E se pensarmos em como toda a dinâmica abdominal influencia nossos membros inferiores (quadris, joelhos, tornozelos e pés) vamos entender que não só retrações, como as congestões abdominais podem atrapalhar muito o desempenho tanto de novos atletas, quanto de ponta. Um relato muito comum de mulheres é que algumas dores lombares e em membros inferiores, como joelho, são características de acordo com a fase do ciclo menstrual.
Para simplificar bem como ocorre este processo é só imaginarmos quando nos sentimos depois de sair de uma churrascaria, com o abdômen bem dilatado, isso nos leva a relaxar naturalmente a musculatura abdominal e como é um processo passageiro, em algumas horas voltamos ao normal. Agora vamos imaginar uma situação muito comum hoje em dia pelo excesso de vários componentes da nossa alimentação que levam a acumulo de gases como o excesso de glúten, isso nos leva a processos congestivos constantes que solicitam do nosso corpo adaptações a este estímulo, que já seria muito negativo para um atleta que necessita de sua musculatura abdominal bem ativa durante seus treinos.
É importante salientar a importância da avaliação preventiva, pois muitas vezes liberando estas retrações Foto: SunnySky69/FotoliaAgora voltando a falar de antigas retrações ou cicatrizes abdominais, como por exemplo, uma cicatriz de apêndice, quando ela estiver dura e dolorida se torna uma força concêntrica que tende a puxar os tecidos em sua direção. Isto pode afetar nossos micromovimentos adaptativos e impedir que eles ocorram em sua integralidade, o que pode gerar novas adaptações, neste caso no membro inferior direito, podendo surgir dores em quadril, joelho, tornozelo ou pé. Não existem regras, pois a postura de cada um influencia também neste processo, portanto é impossível prevermos como cada corpo vai reagir.
Este tipo de avaliação é feita por fisioterapeutas formados pelo Método Busquet, que se baseia em uma visão analítica do método, correlacionando a influência desta dinâmica abdomino-pélvica com as Cadeias Musculares, que por conta desta relação hoje chamamos de Cadeias Fisiológicas.
É importante salientar a importância da avaliação preventiva, pois muitas vezes liberando estas retrações, mesmo que hoje não estejam provocando nenhuma dor, podemos evitar futuras lesões que poderiam ocorrer em momentos de ciclos mais exaustivos de treinos.
Bons treinos!
Corridas de Rua · 09 nov, 2015
Qual a forma mais vantajosa de corrida? E o calçado perfeito? E a cadência ideal? Essas são as dúvidas mais frequentes no di a dia que trazem corredores e pacientes para o consultório. Mas para respondermos a estas questões temos que realmente analisar cada caso separadamente, essa é uma das questões que os estudos nunca chegarão a uma resposta única, pois ela não existe, o que existe são características pessoais e processos adaptativos de mudanças que devem ocorrer em longo prazo.
O fato é que essas características pessoais são soberanas e não se pode brincar com isso. A mudança brusca de um calçado com drop de 12mm (para fazer o cálculo é só subtrair a altura da parte da frente da sola do calçado pela altura do calcanhar do solado) para um minimalista pode ser um risco enorme, já vi muitos corredores adquirirem lesões como Síndrome do Estresse Tibial e Fascite Plantar por causa disso.
Realmente não existe uma única resposta, mudar a forma de correr só vai mudar as lesões às quais você está mais suscetível Foto: Astrosystem/Fotolia
Sem dúvida todo sistema se fortalece nesse processo quando feito de forma gradativa, existem no mercado calçados intermediários com 9, 8mm de drop, por exemplo, que cumprem esta função. Como já disse em artigos anteriores, inicialmente é bom diminuir o volume e intensidade de treino, são muitas variáveis e não é bom evoluir em mais de uma por vez (calçado, volume, velocidade, altimetria...). Importante salientar ainda que os calçados com maior amortecimento para o calcanhar foram feitos para pessoas que tenham a característica de entrar com o calcanhar na corrida e sejam pesados. Corredores leves podem usar calçados com sistemas de amortecimento menos avantajados, assim ganharão rendimento, pois quanto menos se absorve impacto, melhor se usa a reação do solo para propulsão.
Observação: importante salientar que nosso sistema é capaz de se adaptar gradativamente com o aumento do impacto, não é porque o sistema está recebendo mais que ele terá mais lesões (lembrem-se que nossos antepassados corriam descalços), quando o sistema está bem equilibrado ele suporta esse aumento e isso depende de dois fatores principalmente, a musculatura se fortalecer, que ocorre primeiro e em seguida uma mudança do trabeculado ósseo, que é a direção das linhas de força que passam pelo nosso osso, este segundo processo é mais demorado e deve ser respeitado principalmente na intenção de mudança de tipo de pisada que abordaremos a seguir.
Vantagens e desvantagens dos tipos de entrada Foto: landher.netQuanto à entrada de calcanhar solo ou barefoot (entrar com a ponta do pé), não existe ideal também, o que existe é uma adaptação biomecânica que pode ser orientada por um educador físico ou fisioterapeuta que entenda do assunto, o fato é que o sistema todo se fortalece neste processo, pois ocorre uma mudança na forma de usar os músculos. O corredor barefoot usa mais a musculatura da sola do pé e ao mesmo tempo sobrecarrega mais a panturrilha, mas por outro lado diminui a sobrecarga sobre o quadril e joelho, além disso, sofre somente um pico de estresse na perna neste processo. Enquanto que corredores que entram com o calcanhar sofrem dois picos de estresse por passo.
Veja nesta figura ao lado onde são ressaltadas vantagens e desvantagens de cada tipo entrada.
Outra discussão que tenho ouvido muito é sobre aumentar a cadência para aumentar a velocidade e o rendimento, assim teoricamente o corredor fica menos tempo na fase aérea. Da mesma forma neste caso temos que ter em mente que a biomecânica individual é soberana, ao se preocupar em corrigir pequenos detalhes como anteriorizar o centro de gravidade, levantar mais o calcanhar após a propulsão e se preocupar em ter maior estabilidade dos joelhos, quadril e pelve já teremos uma melhora do desempenho naturalmente e a cadência é consequência de tudo isso, sua mudança deve ser a última preocupação do corredor, claro que neste caso estou expressando a minha opinião.
Realmente não existe uma única resposta, mudar a forma de correr só vai mudar as lesões às quais você está mais suscetível. O correto é mudar para melhorar seu desempenho, com muita cautela e gradativamente. Quando o motivo da lesão é uma alteração biomecânica verificada em avaliação fisioterapêutica o corredor deve passar por reaprendizado de cada fase da marcha para que esta biomecânica seja restabelecida.
Corridas de Rua · 31 ago, 2015
Apesar de esta coluna ser dedicada ao assunto fisioterapia, como maratonista fico às vezes em situações difíceis, tentando explicar porque busco, nos últimos tempos, me preparar para provas mais complexas como a Uphill Marathon, ultima prova que corri. E para um fisioterapeuta que prega tanto o esporte como saúde e prazer e não como algo que cause lesões, são gerados muitos questionamentos sobre ser ou não coerente.
O maratonista sempre deve aumentar gradativamente o volume de treinos para determinada prova Foto: Monkey Business/FotoliaA ideia de esporte competitivo, ter metas e ser focado no treinamento sempre fez parte da minha rotina inclusive como fisioterapeuta e empresário, e não posso negar que sem isso a vida não teria tanta graça. Essa disciplina necessária para desafios cada vez mais difíceis faz parte do que sou.
Tempos atrás escrevi uma matéria falando sobre como a falta do biotipo ideal poderia atrapalhar um maratonista a completar uma prova sem sofrimento. Incluo-me um pouco nisso, pois não tenho o peso ideal para um maratonista, mas o fato é que não sofro para completar a prova.
Além disso, o preparo de um maratonista que busca terminar uma prova sem lesões e dores importantes passa por muitas sessões preventivas de quiropraxia, acupuntura e fisioterapia. O fortalecimento é importante, mas, equilibrar as tensões liberando as superprogramações musculares, chega a ser mais importante, pois um músculo excessivamente tenso pode causar alterações biomecânicas, dores e em longo prazo, lesões.
O maratonista pelo volume de treinos e provas longas tem uma tendência maior a adquirir lesões crônicas. Essas lesões ocorrem exatamente por este processo de degeneração da biomecânica natural.
Depois de ter completado a Uphill Marathon, percebi que as maratonas planas não são aquele bicho de sete cabeças, pois você consegue traçar uma estratégia com maior facilidade. Na maratona de subida você não sabe o que te espera. Não deixa de ser um estímulo para novos desafios, mas claro que sempre com a preparação gradativa de aumento de volume.
Para quem está pretendendo se embrenhar por essas provas, não se esqueça de que os treinos de subida também tem que ter um aumento gradativo, o cuidado tem que ser maior, pois são duas variáveis: volume e subida. Além disso, o cuidado com as descidas tem que ser maior, às vezes vale a pena andar para não sofrer tanto impacto.
Fazendo trabalho preventivo e respeitando seus limites, dificilmente ocorrem as lesões tão temidas.
Não se esqueça: em alguns momentos da preparação, o melhor treino é o descanso. Melhor deixar de fazer um treino em um dia ruim, do que ficar mais cansado e sofrer uma lesão, que pode te tirar de uma prova na véspera.
Corridas de Rua · 01 dez, 2014
A maioria dos corredores de rua que chega a um consultório médico ou de fisioterapia já passou por algum tipo de teste de pisada em alguma loja ou evento esportivo. Não gostaria que fosse tomado com um tom de crítica, mas já são conhecidos muitos estudos de biomecânica, com mestres e doutores na área, em horas e horas de projetos para definir parâmetros de avaliação, com várias câmeras especiais, baropodometria, avaliações posturais com testes neurológicos e não vejo como um vendedor em uma loja esportiva poderia ter conhecimento, parâmetros e recursos para definir tipos e padrões de pisada.
A verdade é que trata-se de uma avaliação realmente muito complexa, há muitos estudos em andamento, mas já temos tratamentos baseados em evidência científica que possibilitam a confecção de um tipo de palmilha específico. E isso só ocorre após avaliação postural, testes neurológicos e baropodometria computadorizada que funcionam como ótimo recurso no tratamento de patologias ortopédicas ligadas à marcha ou a corrida.
Vídeo: implantação de palmilhas ortopédicas no Brasils
Essas palmilhas não têm nada a ver com aquelas que dão suportes para os arcos do pé ou compensam diferenças entre membros, são palmilhas que dão pequenos estímulos de milímetros em regiões específicas do pé e ajustam a postura e a pisada como um estímulo constante. Assim como o tratamento postural faz, seja RPG (Reeducação Postural Global) ou Força Dinâmica (Tratamento Postural Dinâmico), que reprograma toda a postura e coordenação motora para tratar e prevenir lesões ortopédicas, desde uma fascite plantar, até lombalgias e dores nos ombros, funcionando como um coadjuvante importante a estas técnicas.
![]() |
| Palmilhas específicas são importantes para a prática esportiva. Foto: Arquivo Pessoal/ Claudio Cotter |
Esse tipo de palmilha é conhecido como Palmilha Proprioceptiva e a avaliação é feita dentro dos conceitos que chamamos de Podoposturologia, ou seja, a análise de como a pisada influencia na postura. Chegamos até mesmo a avaliar a oclusão dentária e a diferença de visão entre os olhos e como isso interfere no posicionamento da cabeça sobre a cervical.
Vídeo: palmilhas Ortpédicas: a importância da consulta médica
Assim, fechamos o corpo numa análise global, entendendo como a forma na qual nos relacionamos com o solo e com o ambiente à nossa volta pode interferir na nossa postura e como esta pode nos levar a uma lesão ortopédica. Também descobrimos como a nossa coordenação motora molda o nosso corpo numa forma postural e como essa forma nos leva a gestos específicos e individualizados que nos levam a determinadas atividades específicas e nelas a lesões específicas.
Para entender é só vermos como o gesto de cada esporte é específico e como isso molda o corpo dos atletas a ponto de reconhecermos qual esporte o atleta pratica só de olhar sua forma, sua postura.
Caminhada · 30 jul, 2013
Sempre que chegamos no final de temporada, metas batidas ou não, geralmente sobram algumas dorzinhas e incômodos de exageros causados pelos excessos na tentativa de bater a meta do semestre ou do ano.
Saiba que aquelas pequenas dores que você sente hoje que ainda não te impedem de correr, podem ser futuras lesões de tendões, músculos e articulações. Como eu sempre digo, nosso corpo é como um carro, primeiro faz pequenos barulhos indicando algum problema, depois acende uma luz no painel.
Se você não prestar atenção nestes sinais, uma hora o carro te deixa na mão quando você mais precisa. Portanto, aproveite esta época do ano para se recuperar das lesões e empurre suas novas metas para o meio do semestre.
Lesões comuns- Nesta época do ano recebemos muitos atletas no consultório com este tipo de lesão. São tendinopatias do calcâneo (Aquiles), lesões musculares, dores na região anterior do joelho por lesões no ligamento patelar, condromalácea patelar (lesão na cartilagem da patela) e muitas outras que ocorrem por sobrecarga de treino.
Estes pacientes normalmente vêm com a intenção de se curar o mais rápido possível, pois estão com viagem marcada ou já querem começar um novo ciclo de treinos para a próxima maratona no começo do ano. Mas não existe milagre, temos que respeitar a fisiologia.
Não é à toa que os médicos geralmente pedem logo de início dez sessões de fisioterapia, pois se o paciente fizer três sessões por semana, serão de três a quatro semanas de tratamento, o tempo mínimo para uma pequena cicatrização acontecer. Já em lesões mais graves e crônicas precisamos de pelo menos seis a oito semanas.
Infelizmente, muitos acabam não concluindo o tratamento e dão início a uma nova temporada com as lesões da temporada anterior. É exatamente isto que leva uma lesão a ficar crônica.
Que neste ano vocês possam correr muitos quilômetros! Até a próxima!
Corridas de Rua · 09 jan, 2013
Médico ortopedista especialista em joelho pela So...
Dr. Alexandre Fogaça Cristante é Ortopedista e Cir...
Com vasta experiência nas áreas da ortopedia espor...
Autor de livros na área da Natação e Saúde, Palest...
Dr. Ana Carolina Côrte é formada em medicina do es...
Professora Instrutora e mestre em Ortopedia e Trau...