Cirurgias, cicatrizes antigas, retrações profundas são questões que realmente podem atrapalhar o desenvolvimento de um corredor? A resposta é sim, não em todos os casos, mas muitas vezes isto é verdade. E se pensarmos em como toda a dinâmica abdominal influencia nossos membros inferiores (quadris, joelhos, tornozelos e pés) vamos entender que não só retrações, como as congestões abdominais podem atrapalhar muito o desempenho tanto de novos atletas, quanto de ponta. Um relato muito comum de mulheres é que algumas dores lombares e em membros inferiores, como joelho, são características de acordo com a fase do ciclo menstrual.
Para simplificar bem como ocorre este processo é só imaginarmos quando nos sentimos depois de sair de uma churrascaria, com o abdômen bem dilatado, isso nos leva a relaxar naturalmente a musculatura abdominal e como é um processo passageiro, em algumas horas voltamos ao normal. Agora vamos imaginar uma situação muito comum hoje em dia pelo excesso de vários componentes da nossa alimentação que levam a acumulo de gases como o excesso de glúten, isso nos leva a processos congestivos constantes que solicitam do nosso corpo adaptações a este estímulo, que já seria muito negativo para um atleta que necessita de sua musculatura abdominal bem ativa durante seus treinos.
É importante salientar a importância da avaliação preventiva, pois muitas vezes liberando estas retrações Foto: SunnySky69/FotoliaAgora voltando a falar de antigas retrações ou cicatrizes abdominais, como por exemplo, uma cicatriz de apêndice, quando ela estiver dura e dolorida se torna uma força concêntrica que tende a puxar os tecidos em sua direção. Isto pode afetar nossos micromovimentos adaptativos e impedir que eles ocorram em sua integralidade, o que pode gerar novas adaptações, neste caso no membro inferior direito, podendo surgir dores em quadril, joelho, tornozelo ou pé. Não existem regras, pois a postura de cada um influencia também neste processo, portanto é impossível prevermos como cada corpo vai reagir.
Este tipo de avaliação é feita por fisioterapeutas formados pelo Método Busquet, que se baseia em uma visão analítica do método, correlacionando a influência desta dinâmica abdomino-pélvica com as Cadeias Musculares, que por conta desta relação hoje chamamos de Cadeias Fisiológicas.
É importante salientar a importância da avaliação preventiva, pois muitas vezes liberando estas retrações, mesmo que hoje não estejam provocando nenhuma dor, podemos evitar futuras lesões que poderiam ocorrer em momentos de ciclos mais exaustivos de treinos.
Bons treinos!
Este texto foi escrito por: Claudio Cotter