El Cruce por um fisioterapeuta

Claudio Cotter | Corrida de Montanha · 29 fev, 2016

A ideia de participar de um Cruce veio há um ano quando alguns amigos participaram e falaram sobre a prova. Ao mesmo tempo comecei a participar de provas de 21 quilômetros na montanha, já pensando em entender como era este tipo de corrida, que nunca havia participado e começar a treinar a técnica de montanha.

Ter passado por estes 100 quilômetros me mostrou que é possível resolver situações difíceis de varias formas diferentes Foto: Arquivo pessoal Ter passado por estes 100 quilômetros me mostrou que é possível resolver situações difíceis de varias formas diferentes Foto: Arquivo pessoal

No final do ano passado participei de um Desafio das Serras, que posso dizer, me preparou não só fisicamente, como psicologicamente para este tipo de prova. As serras aqui de São Paulo são bem mais complexas do que o terreno lá no Cruce e servem como um ótimo preparo, pois para mim, após toda a preparação, o que demonstrou ser a maior dificuldade foi o “terceiro dia”.

O “terceiro dia” é complicado, pois apesar de ter participado de muitas provas durante o ano e ter simulado em vários momentos meus treinos em três dias seguidos com volumes altos, nada te prepara para tantas subidas. Posso dizer até que o segundo dia de prova foi um refresco, pois tivemos menos subidas e a distância foi a menor dos três dias, mas as dores musculares e a dificuldade de entrar e sair da barraca na segunda noite te faz pensar que talvez não seja possível correr mais um dia, principalmente pensando que os primeiros dez quilômetros seriam de subida quase que constante.

No final do ano passado participei de um Desafio das Serras, que posso dizer, me preparou não só fisicamente, como psicologicamente Foto: Arquivo Pessoal No final do ano passado participei de um Desafio das Serras, que posso dizer, me preparou não só fisicamente, como psicologicamente Foto: Arquivo Pessoal

A conclusão depois de ter passado pelo Cruce é que qualquer um que tiver vontade de fazer uma prova como esta realmente é capaz, a força de vontade é o mais importante, o que vai diferenciar os corredores é o tempo que cada um leva para fazer a prova e o quanto cada um fica dolorido depois. Quem buscar performance fará mais rápido e provavelmente ficará mais dolorido, os que participarem com o objetivo apenas de completar a prova irão curtir mais o visual e provavelmente ficar menos dolorido.
Musculação aumenta o desempenho do corredor?

Ter passado por estes 100 quilômetros me mostrou que é possível resolver situações difíceis de varias formas diferentes, pois lá os obstáculos eram os mesmos para todos, mas cada um passava por eles de uma forma diferente.

O conselho do fisioterapeuta não poderia ser diferente. Para uma prova como está recomenda-se muito treino funcional, treino de equilíbrio (proprioceptivo), pliometria (saltos) e tudo que possa simular as situações de saltar obstáculos e variações de intensidade de treino. O risco de entorse de tornozelo em provas deste tipo é muito grande, portanto os treinos são essenciais para não se comprometer por uma lesão.

Sobre o “terceiro dia” é realmente uma superação, quando estávamos indo dormir na noite anterior achávamos impossível correr por mais um dia. Ao acordar ainda não parecia coerente correr mais 30 quilômetros, mas ao começar a vestir a roupa, tomar o café da manhã e arrumar a mochila pareceu que naquele momento tudo voltou a ser possível e realmente, após os primeiros passos a musculatura se aqueceu e tudo fluiu naturalmente.

Só posso dizer que é uma experiência única e que recomendo para qualquer um que queira superar seus limites em uma prova que, se bem preparado, não é um algo que apresente grandes riscos, além de proporcionar uma vivência muito interessante de acampamento com pessoas do mundo inteiro e o famoso churrasco argentino.

Este texto foi escrito por: Claudio Cotter

Claudio Cotter

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Fisioterapeuta formado, sempre trabalhou com reabilitação esportiva na clínica, em vários eventos nacionais e internacionais, incluindo O 1º mundial FIFA pela Seleção Sub 17 Feminina como fisioterapeuta da equipe. Ao mesmo tempo se especializando em postura e análise de marcha e da corrida. Hoje, desenvolve trabalhos dentro de um conceito de equipe multidisciplinar em sua clinica e pós graduando em medicina psicossomática, aplicando seus conhecimentos em pacientes esportistas ou não, com o objetivo de tratar a fundo as causas das dores, sendo físicas, relacionadas à postura no trabalho ou na corrida, ou emocionais. Além de consultor da Mizuno em alguns projetos nos últimos 3 anos e ultramaratonista.