Maratonista: cuidado com o excesso de treinos

Claudio Cotter | Corridas de Rua · 01 dez, 2014

Apesar de esta coluna ser dedicada ao assunto fisioterapia, como maratonista fico às vezes em situações difíceis, tentando explicar porque busco, nos últimos tempos, me preparar para provas mais complexas como a Uphill Marathon, ultima prova que corri. E para um fisioterapeuta que prega tanto o esporte como saúde e prazer e não como algo que cause lesões, são gerados muitos questionamentos sobre ser ou não coerente.

O maratonista sempre deve aumentar gradativamente o volume de treinos para determinada prova Foto: Monkey Business/Fotolia O maratonista sempre deve aumentar gradativamente o volume de treinos para determinada prova Foto: Monkey Business/Fotolia

A ideia de esporte competitivo, ter metas e ser focado no treinamento sempre fez parte da minha rotina inclusive como fisioterapeuta e empresário, e não posso negar que sem isso a vida não teria tanta graça. Essa disciplina necessária para desafios cada vez mais difíceis faz parte do que sou.

Tempos atrás escrevi uma matéria falando sobre como a falta do biotipo ideal poderia atrapalhar um maratonista a completar uma prova sem sofrimento. Incluo-me um pouco nisso, pois não tenho o peso ideal para um maratonista, mas o fato é que não sofro para completar a prova.

Além disso, o preparo de um maratonista que busca terminar uma prova sem lesões e dores importantes passa por muitas sessões preventivas de quiropraxia, acupuntura e fisioterapia. O fortalecimento é importante, mas, equilibrar as tensões liberando as superprogramações musculares, chega a ser mais importante, pois um músculo excessivamente tenso pode causar alterações biomecânicas, dores e em longo prazo, lesões.

O maratonista pelo volume de treinos e provas longas tem uma tendência maior a adquirir lesões crônicas. Essas lesões ocorrem exatamente por este processo de degeneração da biomecânica natural.

Depois de ter completado a Uphill Marathon, percebi que as maratonas planas não são aquele bicho de sete cabeças, pois você consegue traçar uma estratégia com maior facilidade. Na maratona de subida você não sabe o que te espera. Não deixa de ser um estímulo para novos desafios, mas claro que sempre com a preparação gradativa de aumento de volume.

Para quem está pretendendo se embrenhar por essas provas, não se esqueça de que os treinos de subida também tem que ter um aumento gradativo, o cuidado tem que ser maior, pois são duas variáveis: volume e subida. Além disso, o cuidado com as descidas tem que ser maior, às vezes vale a pena andar para não sofrer tanto impacto.

Fazendo trabalho preventivo e respeitando seus limites, dificilmente ocorrem as lesões tão temidas.

Não se esqueça: em alguns momentos da preparação, o melhor treino é o descanso. Melhor deixar de fazer um treino em um dia ruim, do que ficar mais cansado e sofrer uma lesão, que pode te tirar de uma prova na véspera.

Este texto foi escrito por: Claudio Cotter

Claudio Cotter

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Fisioterapeuta formado, sempre trabalhou com reabilitação esportiva na clínica, em vários eventos nacionais e internacionais, incluindo O 1º mundial FIFA pela Seleção Sub 17 Feminina como fisioterapeuta da equipe. Ao mesmo tempo se especializando em postura e análise de marcha e da corrida. Hoje, desenvolve trabalhos dentro de um conceito de equipe multidisciplinar em sua clinica e pós graduando em medicina psicossomática, aplicando seus conhecimentos em pacientes esportistas ou não, com o objetivo de tratar a fundo as causas das dores, sendo físicas, relacionadas à postura no trabalho ou na corrida, ou emocionais. Além de consultor da Mizuno em alguns projetos nos últimos 3 anos e ultramaratonista.