
Ádria no meio dos fãs no Engenhão RJ (foto: Carlos Oliveira/ www.webrun.com.br)
Aqui no Rio de Janeiro ela não consegue se deslocar por mais de cinco metros sem que alguém lhe peça um autógrafo ou peça para tirar uma foto com ela. E ela simpaticamente repete, quase que mecanicamente, pois já está na ponta da língua a resposta. Também sempre responde indagações sobre a sua lesão e não participação na prova dos 100 metros rasos. Modalidade em que foi recordista e encantou o mundo.
Mesmo sendo amigo de Ádria, tive de esperar a minha vez para falar com ela. Depois de atender as emissoras de TV, ela bateu papo comigo. Acompanhe:
Webrun: Me fale sobre a lesão que você sofreu e como vai ser agora nos jogos, você compete ou não?
Ádria dos Santos: Eu sofri uma contratura há uma semana, tive de abrir mão de duas provas, justamente aquela que eu mais treinei, que foi os 100 metros rasos e a outra foi os 400 metros rasos. Inicialmente eu iria competir em quatro provas, mas agora serão apenas duas, os 200 metros rasos e os 800 metros rasos.
WR: E qual é a sua expectativa, o que você espera, em virtude da lesão?
AS: Como você é atleta sabe que depois de uma lesão a gente fica meio inseguro, mas espero esquecer a lesão na hora da prova. Quero correr sem medo. Treinei muito forte visando um resultado positivo, não sei se vai dar ouro, mas o meu objetivo é sair daqui com uma medalha, não importa ela qual for.
WR: Você é uma pessoa que está sempre na mídia. Não é só a carinha bonita e o seu visual altamente positivo que a levam até as televisões e entrevistas, o público também a assedia muito. Noto que é uma das atletas que não sossega aqui no estádio, sendo senão a mais, uma das mais requisitadas para entrevistas e fotos, isso é importante para a imagem do paradesporto, fala um pouco disso.
AS: Para mim é mais uma medalha esse carinho que recebo aqui no Estádio. Não só aqui, mas também na Vila Olímpica. Isso é muito gratificante para um atleta, se superar e ver o carinho das pessoas, principalmente quando vem das crianças, pois criança demonstra o que realmente sente. Eu fico muito feliz quando alguém tira uma foto, me da um abraço. Eu tive muita força das pessoas que assistiram a matéria na televisão noticiando a minha lesão e me falam que estavam contando comigo, mas entendem e dizem que vão torcer por mim. Também dizem que vão me dar a maior força e isso é muito gratificante.
WR: Futuro, próximo ou mais adiante, tem alguma competição já em vista?
AS: Terminando os jogos ParaPan-americanos, eu tenho mais uma etapa do circuito nacional de atletismo. Depois quero descansar um pouco. Ando muito cansada com a rotina de treinamentos. Não vou parar com tudo, mas quero ficar mais ou menos um mês de descanso. Depois vou começar a base novamente e se Deus quiser conseguir uma vaga para a Paraolimpiada de Pequim.

Carlos Oliveira (Carlão)
Consultor WebRun da seção Cadeirantes. Ele é atleta de elite dessa modalidade e compete pelo CGDCRDR (Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas de Porto Alegre). Vencedor de várias provas importantes nacionais como Maratona Internacional de São Paulo e Meia do Rio, além de ter participado dos principais eventos mundiais da modalidade Cadeirantes como o Mundial de Atletismo em Birminghan, Inglaterra e Maratona de Nova York, prova que conquistou o quarto lugar em 1997 e 1998.
Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira