
Vencedores de Nova York (foto: Donata Lustosa/ www.webrun.com.br)
Você sabe quem venceu a São Silvestre na categoria cadeirantes do ano passado? Provavelmente não. Mas não é surpresa essa resposta, já que os próprios organizadores da prova também não sabem.
Mesmo no século 21 deficientes físicos ainda sofrem preconceito no Brasil, principalmente nas provas de corrida de rua. Numa pesquisa para a cobertura da São Silvestre, a redação do Webrun descobriu que os organizadores da prova não sabem informar nada sobre essa categoria.
Pretendíamos fazer uma matéria contando quando os cadeirantes começaram a participar da São Silvestre, quem foram os vencedores do ano passado, recordistas entre outras coisas. O que parecia ser uma tarefa fácil mudou o seu curso rapidamente.
Após mandar um e-mail com todas essas questões para o fale conosco do site oficial da prova, recebemos um e-mail pedindo para entrarmos em contato com o departamento de arquivos da Gazeta Esportiva, organizadora do evento.
Ligamos para o departamento e ficamos surpresos com a resposta do atendente: para saber isso você tem que agendar uma pesquisa aqui, pagar um valor e procurar nos nossos arquivos. Indagado se ao menos ele sabia o nome do campeão da categoria cadeirantes do ano passado recebemos a seguinte resposta: ganhou só um homem. Acho que era um argentino.
Tal descaso fez com nós fossemos atrás desse assunto. Porque esses atletas não são valorizados no Brasil? No caso da São Silvestre, eles também percorrem os mesmos 15 quilômetros que o corredor de elite. A diferença é que o cadeirante, como o próprio nome diz, compete com cadeira de rodas.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os cadeirantes são tratados como corredores convencionais. Na Maratona de Nova York desse ano os vencedores da categoria cadeirantes foram Amanda McGrory e Kurt Fearnley.
Os dois foram recepcionados pelos organizadores da prova com o mesmo carinho e atenção que os campeões Marílson Gomes e Jelena Prokopcuka. Um dia após a maratona, os organizadores realizaram uma coletiva de imprensa com os quatro vencedores.
Enquanto isso no Brasil são raras as provas que premiam a categoria cadeirante. O atleta Carlos Oliveira, mais conhecido como Carlão, que foi quarto colocado em 1997 e 1998 da Maratona de Nova York, sabe muito bem disso.
O que o corredor cadeirante quer não é ser a atração principal das corridas, mas sim que se dê um tratamento digno a nós. Quem dera se todos os organizadores de prova tivessem um mínimo de sensibilidade. Se ao menos pudessem entender que a cadeira de rodas não é algo opcional e sim fundamental para a participação desta gama de atletas em corridas, lamenta o atleta. A cadeira de rodas nada mais é do que a extensão do corpo dos atletas cadeirantes, as pernas e que é desta forma a única maneira que os atletas tem de mostrarem o seu potencial e a sua competência, acrescenta.
A propósito quem venceu a Corrida de São Silvestre no ano passado, pela nona vez, foi o argentino Carlos Alberto Rodriguez. E a competição teve uma campeã no feminino sim, a brasileira Maria Aparecida de Souza.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa