Mas andar em uma cadeira de rodas ainda é feio, pelo menos na concepção de algumas pessoas. Felizmente eu não vejo assim. Bem pelo contrário. Falo sempre que da mesma forma com que os andantes (pessoas que não utilizam cadeira de rodas para locomoção) compram tênis transados e coloridos para estarem na moda, os chumbados (termo que, no nosso meio de PPDs, define uma pessoa portadora de deficiência física, é como se fosse um apelido) também devem preocupar-se com visual da cadeira de rodas.
É claro que não dá para comprar uma cadeira de rodas diferente por mês, pois seria muito caro. Custa bem mais do que um par de tênis, porém, a escolha do equipamento certo, além de dar qualidade de vida, ainda dá um visual legal. Hoje existem cadeiras de cores vivas, vibrantes e modernas, que dão um up grade no visual.
Foi numa loja de cadeiras para o os chumbados que ancorei na quinta-feira (16). A loja chama Tita Equipamentos e fica no Bairro do Rocha, no Rio de Janeiro. Lá é possível encontrar senão tudo, quase tudo em acessórios necessários para a vida de um cadeirante.
O dono, o Titã, é meu amigo desde a adolescência. Nós começamos a competir juntos, mas ele parou por motivos profissionais. O Tita é um cara virtuoso, de gênio e personalidade muito forte, de um coração imenso e de um senso de ajuda ao próximo maior ainda. Se houver possibilidade pode ter a certeza, ele vai ajudar de alguma forma.
Os anos no esporte e as constantes viagens ao exterior, além do tino comercial, fez dele um empresário bem sucedido no ramo de equipamentos para chumbados. A loja do Tita tem clientes de todos os tipos, sem distinção de idade, bairro, classe social entre outros.
Celebridades – Enquanto conversava com ele, um sujeito chegou e perguntou pelo material do Marcelo. Depois fui saber que era um pedido do Marcelo Yuka, músico, ex-baterista do O Rappa, que foi covardemente atingido pela violência quando tentava impedir um assalto. Hoje ele está em cadeira de rodas. Outro cliente dele é o Herbert Vianna, também músico, do Paralamas do Sucesso, que sofreu acidente de ultra-leve.
Nesse meio tempo também estava na loja uma senhora que pelas vestes parecia de ser de origem humilde. Ela barganhava a forma de pagamento já que precisava de um equipamento para um parente. Mas não dispunha do recurso necessário.
É assim que o Tita toca o seu negócio, poucas pessoas conhecem como ele a arte de fazer as medidas de um usuário de cadeira de rodas. Medidas, vocês irão perguntar? Sim, medidas. Quem é andante não compra o primeiro par de tênis que está na vitrine da loja. Antes tem experimentá-lo, certo?
A cadeira de rodas deve ter as medias pessoais de cada um, como um bike de triathlon. Nós não somos fabricados em série, portanto, temos que ter equipamentos com as nossas características físicas. Eu, por exemplo, tenho 1 metro e 80 de altura, certamente não será para mim a mesma cadeira de rodas que para uma pessoa de 1,60 ou 2 metros.
Funcionários – Na loja estava também o Ebison, conhecido como Boi. Ele toca parte de mecânica da loja do Tito junto com Flavinho encarregado da logística. Mas o Boi tem um comprometimento bastante elevado em um dos braços, mas foi o melhor armador de basquete em cadeira de rodas que já vi atuando.
Ele jogava alguns anos atrás no time de basquete SADEF do Rio de Janeiro. Chegou até ser base da seleção brasileira. Sua visão de posicionamento tanto de sua equipe como dos adversários e a velocidade de raciocínio eram espantosos. Gostava de ver o Boi jogando.

Carlos Oliveira (Carlão)
Consultor WebRun da seção Cadeirantes. Ele é atleta de elite dessa modalidade e compete pelo CGDCRDR (Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas de Porto Alegre). Vencedor de várias provas importantes nacionais como Maratona Internacional de São Paulo e Meia do Rio, além de ter participado dos principais eventos mundiais da modalidade Cadeirantes como o Mundial de Atletismo em Birminghan, Inglaterra e Maratona de Nova York, prova que conquistou o quarto lugar em 1997 e 1998.
Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira