Ádria dos Santos comenta sobre lesão

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 16 ago, 2007

Ádria no meio dos fãs no Engenhão  RJ (foto: Carlos Oliveira/ www.webrun.com.br)
Ádria no meio dos fãs no Engenhão RJ (foto: Carlos Oliveira/ www.webrun.com.br)

Direto do Rio de Janeiro – A campeã Ádria dos Santos é uma graça. Apesar da cegueira, anda com charme e desfila com maestria. Mas uma coisa me chamou atenção. É impressionante o assédio de crianças, jovens e adultos a essa garota de fala mansa, de jeito doce, de corpo miúdo.

Aqui no Rio de Janeiro ela não consegue se deslocar por mais de cinco metros sem que alguém lhe peça um autógrafo ou peça para tirar uma foto com ela. E ela simpaticamente repete, quase que mecanicamente, pois já está na ponta da língua a resposta. Também sempre responde indagações sobre a sua lesão e não participação na prova dos 100 metros rasos. Modalidade em que foi recordista e encantou o mundo.

Mesmo sendo amigo de Ádria, tive de esperar a minha vez para falar com ela. Depois de atender as emissoras de TV, ela bateu papo comigo. Acompanhe:

Webrun: Me fale sobre a lesão que você sofreu e como vai ser agora nos jogos, você compete ou não?

Ádria dos Santos: Eu sofri uma contratura há uma semana, tive de abrir mão de duas provas, justamente aquela que eu mais treinei, que foi os 100 metros rasos e a outra foi os 400 metros rasos. Inicialmente eu iria competir em quatro provas, mas agora serão apenas duas, os 200 metros rasos e os 800 metros rasos.

WR: E qual é a sua expectativa, o que você espera, em virtude da lesão?

AS: Como você é atleta sabe que depois de uma lesão a gente fica meio inseguro, mas espero esquecer a lesão na hora da prova. Quero correr sem medo. Treinei muito forte visando um resultado positivo, não sei se vai dar ouro, mas o meu objetivo é sair daqui com uma medalha, não importa ela qual for.

WR: Você é uma pessoa que está sempre na mídia. Não é só a carinha bonita e o seu visual altamente positivo que a levam até as televisões e entrevistas, o público também a assedia muito. Noto que é uma das atletas que não sossega aqui no estádio, sendo senão a mais, uma das mais requisitadas para entrevistas e fotos, isso é importante para a imagem do paradesporto, fala um pouco disso.

AS: Para mim é mais uma medalha esse carinho que recebo aqui no Estádio. Não só aqui, mas também na Vila Olímpica. Isso é muito gratificante para um atleta, se superar e ver o carinho das pessoas, principalmente quando vem das crianças, pois criança demonstra o que realmente sente. Eu fico muito feliz quando alguém tira uma foto, me da um abraço. Eu tive muita força das pessoas que assistiram a matéria na televisão noticiando a minha lesão e me falam que estavam contando comigo, mas entendem e dizem que vão torcer por mim. Também dizem que vão me dar a maior força e isso é muito gratificante.

WR: Futuro, próximo ou mais adiante, tem alguma competição já em vista?

AS: Terminando os jogos ParaPan-americanos, eu tenho mais uma etapa do circuito nacional de atletismo. Depois quero descansar um pouco. Ando muito cansada com a rotina de treinamentos. Não vou parar com tudo, mas quero ficar mais ou menos um mês de descanso. Depois vou começar a base novamente e se Deus quiser conseguir uma vaga para a Paraolimpiada de Pequim.

Carlos Oliveira (Carlão)
Consultor WebRun da seção Cadeirantes. Ele é atleta de elite dessa modalidade e compete pelo CGDCRDR (Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas de Porto Alegre). Vencedor de várias provas importantes nacionais como Maratona Internacional de São Paulo e Meia do Rio, além de ter participado dos principais eventos mundiais da modalidade Cadeirantes como o Mundial de Atletismo em Birminghan, Inglaterra e Maratona de Nova York, prova que conquistou o quarto lugar em 1997 e 1998.

Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira

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