Encontro de atletas Paraolímpicos em SP

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 15 mar, 2004

Antônio Delfino em atividade para o treinamento (foto: Donata Lustosa/ WebRun)
Antônio Delfino em atividade para o treinamento (foto: Donata Lustosa/ WebRun)

Na última semana os atletas paraolímpicos brasileiros se reuniram em São Paulo para um treino coletivo e reavaliação física. O encontro aconteceu na pista de atletismo do Ginásio do Ibirapuera e terminou ontem.

Ao todo 26 atletas e mais oito guias foram em busca a uma vaga para os Jogos de Atenas. Porém apenas 17 atletas serão contemplados. Isto porque esse é o número de vagas que o Brasil conseguiu para o atletismo nas Paraolimpíadas.

Desta forma só irão embarcar para a Grécia os atletas que obtiveram os maiores índices no ano de 2003 e também aqueles com o maior número de padrão de qualificação.

Para Tadeu Monteiro, técnico do atleta Antônio Delfino, que foi medalha de prata nos 400m dos Jogos Paraolímpicos de Sydney, o encontro foi muito bom. “Este encontro de técnicos e atletas de elite forma uma união de grupo e de espírito da equipe olímpica. Além disso, o treino aqui (na pista) é uma forma de avaliação no campo“, conta Monteiro.

E o atleta de Monteiro já está com treinamento intensivo para ir buscar uma nova medalha. “ Estou treinando bastante e em abril vou aumentar o meu ritmo para a nova e última avaliação de maio”, revela Delfino. Depois da seletiva o atleta, se conseguir a vaga, irá reduzir o treino para não correr o risco de lesão. “Se eu for escolhido vou trabalhar com muita cautela e cuidado”, acrescenta o atleta.

Delfino, que tem parte do braço direito amputado por causa de acidente de trabalho, é jardineiro no Distrito Federal e também pai de sete filhos. E isso aumenta o motivo do atleta querer buscar bons resultados em Atenas. “Quero conseguir a medalha com toda a minha força”, conta.

Corrida em cadeira – O único atleta que estava na pista para treinar na modalidade corrida para cadeirantes era Arisovaldo da Silva. Esta é feita para os atletas que não podem caminhar. Eles usam uma cadeira em forma de triciclo.

Porém o custo desse equipamento é alto o que justifica o baixo número de atletas brasileiros nessa modalidade. “A dificuldade maior do atletismo para cadeirantes é a cadeira. A minha por exemplo não é tão boa e custa por volta de R$15.000 reais. Já existe outras mais leves com mais tecnologias que são mais caras”, conta Silva.

O mais curioso é que Ariosvaldo Silva já passou por diversos esportes paraolímpicos. Ele começou com o basquete, passou pelo halterofilismo e em 1999 decidiu encarar o atletismo.

“Decidi praticar um esporte individual porque na cidade que moro (Brasília) estava difícil trabalhar em equipe”, conta. E o atletismo chamou mais atenção do atleta por ser mais emocionante. Desde então ele faz parte da seleção brasileira permanente do Comitê Paraolímpico. Mas isso não lhe garante vaga.

“Tem mais um corte da seleção, aqui todo mundo está pré-qualificado, e eu posso ser cortado a qualquer momento assim como qualquer um”, revela Silva. Porém para que isso não aconteça ele está treinando diariamente nos dois períodos, manhã e tarde.

Se for convocado vai ser a primeira vez que Silva irá para as Paraolimpíadas. “Deve ser uma emoção muito grande estar ao lado dos melhores atletas do mundo”, conta.

Além disso, Silva, o Parré, como é mais conhecido, que tem seqüela nos membros inferiores em virtude de poliomielite (paralisia infantil), deixou um recado para as pessoas que pretendem praticar algum esporte: “tem muito deficiente que fica em casa e não procura as coisas que ele pode fazer. Ele pode procurar uma associação, um esporte para não se entregar para a deficiência que tem”, finaliza.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

Redação Webrun

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