Triathletas tornam-se guerreiros para completar o XTerra Amazon

Redação Webrun | Triathlon · 08 jun, 2010

Isabella e Liege também sofreram para completar a prova (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Isabella e Liege também sofreram para completar a prova (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)

“Seva”!. O grito de guerra tradicional do militares do Centro de Instruções de Guerra na Selva (Cigs) acompanhou os cerca de 200 triathletas que competiram a etapa regional Manaus do Circuito XTerra 2010. Disputada no último sábado (05/06), a competição contou com 1,5 quilômetro de natação, 30 de moutain bike e nove de corrida no interior da Floresta Amazônica.

Entre os atletas de elite, Alexandre Manzan levou a melhor na prova masculina, enquanto entre as mulheres o título ficou para a neozelandesa Jenny Smith, que competiu pela primeira vez no Brasil. Já para os amadores, completar a disputa foi uma verdadeira batalha.

A competição foi montada na Base de instrução quatro do Centro de Grupamento de Selva, local onde são praticados exercícios militares e, para chegar até lá, foi montada uma verdadeira operação de guerra. Às 4h um comboio de ônibus escoltado pela Polícia do Exército levou os atletas de Ponta Negra até a comunidade de Puraquequara, zona leste de Manaus, de onde saíram diversos barcos até a arena da prova.

Após um café da manhã reforçado, todos fizeram os últimos ajustes nos equipamentos e aproveitaram para relaxar nos minutos que antecederam a largada. Pouco antes das 9h um dos oficiais entoou a oração do guerreiro, que foi repetida pelos triathletas.

Um explosivo na água marcou oficialmente o início da prova. Após o trecho de natação, foi hora de correr para a área de transição, pegar a bike e partir para o meio da floresta encarar as dificuldades naturais do percurso. Na metade da prova dos amadores a chuva caiu e piorou as condições, já que o acúmulo de lama nas rodas prejudicava o desempenho e obrigou muitos a empurrarem as magrelas.

No trecho de corrida as batalhas não terminaram. Subidas íngremes e escorregadias, travessias de pequenos igarapés, saltos por cima de galhos, entre outros obstáculos fizeram parte do trajeto. Ao final, na hora de cruzar a linha de chegada, a emoção tomava conta de cada um.

“Essa foi uma prova histórica. Ter 200 civis numa base do Exército conhecendo de perto a Amazônia representa muito”, conta Rafael Ribeiro. “Poder superar o calor, umidade e todas as dificuldades da floresta vai ficar para a vida inteira”, completa.

Meio Ambiente – No sábado comemorou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente e em todo o planeta as pessoas discutiram formas de se preservar o planeta, atitude que não foi diferente entre os atletas. “Essa é uma cultura que temos de passar de geração em geração. Conhecer essa selva certamente nos fará lembrar disso a cada dia”, relata Rafael, que também pratica ações sustentáveis no dia a dia. “As pessoas devem adotar medidas simples, como o cuidado em separar o lixo e evitar o desmatamento”, analisa.

Quem também aprovou a disputa no interior da instalação militar foi o amazonense Vanderlandes Cruz, natural de Manacapuru, interior do Amazonas. “Foi uma experiência muito boa, a organização está de parabéns”. Segundo ele, a presença de pessoas de outros estados e países é uma boa forma de divulgar a importância da natureza. “O quintal da minha casa parece uma floresta”, brinca. “Temos que tomar conta, evitar o desmatamento, porque o verde faz bem para a saúde do ser humano”, completa.

Já para Walton Boechat, a parte mais complicada foi o ciclismo. “Tinha muita lama, a bike derrapava, mas foi muito legal. Quanto mais difícil, melhor”, comenta o atleta natural de Taubaté (SP), que se diz antenado com a preservação do planeta. “Todos nós, que praticamos esse tipo de esporte em meio à natureza, temos automaticamente esse cuidado com a preservação”, analisa.

A dificuldade do percurso foi sentida na pele por Jéssica Santos, que caiu algumas vezes durante o ciclismo. “Apesar das quedas a prova foi ótima, superou minhas expectativas”, conta a amazonense, que está acostumada a disputar triathlon olímpico, no asfalto. “Foi uma vitória ter completado, porque não costumo competir no XTerra”.

Jéssica também espera que os estrangeiros e atletas de fora do Amazonas levem como legado a importância de se preservar a Floresta Amazônica. “Igual a isso aqui não existe no mundo. Acho que todos puderam perceber também que não existe apenas a selva, mas também há cidades ao redor”, completa. Sobre as ações sustentáveis, ela comenta que tem o costume de economizar água e energia elétrica. “Todos os cidadãos deveriam fazer o mesmo e se conscientizar”.

E não foram apenas os amadores que tiveram que encarar adversidades para conquistar a medalha de survivor ao final do evento. Atletas de elite, como Isabella Ribeiro e Liege Souza também tiveram que fazer muita força para cruzar a linha de chegada.

“Teve muita lama, mas a prova foi bacanérrima. Tivemos muita chuva, calor no começo e a parte mais difícil sem dúvida foi pedalar no barro”, comenta Isabella com seu característico sotaque mineiro. “Foi muito legal ter comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente aqui”, ressalta. Ao ser perguntada sobre as ações sustentáveis que ela pratica no dia a dia, a triathleta exclama um “uai” e comenta. “Costumo orientar as pessoas que não tem consciência e faço a minha parte. Se cada um fizer a sua, dá para virar esse jogo”.

Liege, de 22 anos, jovem revelação do triathlon nacional, considera o XTerra Amazon como uma das melhores provas que ela já competiu. “O lugar é excepcional, a organização está de parabéns e espero que tenha ano que vem de novo”. Na metade do ciclismo ela perdeu as duas sapatilhas, mas não desistiu. “Pedalei de meias, mas na hora de correr esqueci a dor e parti para cima. Agora é só recuperar”, completa a guerreira catarinense. “Se não for assim, não é XTerra”.

Sobre as ações ambientais, ela conta que refletiu muito sobre o tema, principalmente no trecho de corrida. “Nessa parte a gente passa muito tempo sozinha e fiquei observando a mata. É muito importante termos o cuidado com a preservação”.

A próxima etapa do Circuito XTerra será em Angra dos Reis, prova válida para o Ranking Mundial. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas no site www.xterrabrasil.com.br.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

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