Quando o assunto é cuidar da saúde, muita gente fica em dúvida. Afinal, o que funciona melhor: caminhar bastante tempo ou correr menos? De acordo com o Dr. Eugênio Moraes, cardiologista e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, não existe “melhor”, existe o que funciona pra você.
“Na verdade, ambas têm benefícios”, garante o médico. “O que se deve respeitar, na realidade, é o tempo do exercício que você faz.”

Ele explica que, se você fizer uma caminhada leve, precisa completar ao redor de 150 minutos por semana, pelo menos. Já se optar por algo com intensidade mais vigorosa, pode fazer por menos tempo – cerca de 75 minutos. “A recomendação atual seria mínimo de 150 minutos por semana”, reforça.
E continua: “Ambas trazem benefícios, por mecanismos diferentes. Então, não tem um exercício melhor que o outro. Se for vigoroso, você tem a possibilidade de fazer por menos tempo. Se for uma caminhada mais leve, você tem que manter esse tempo de 150 minutos.”
Calorias muda com a intensidade
“Se você tem um exercício mais intenso, você queima mais calorias”, esclarece Dr. Eugênio. Mas tem um detalhe: “Se você parar o exercício antes e comparar com o exercício mais leve que você fez por mais tempo, pode ser que a sua queima de calorias seja semelhante.”
Agora, se você comparar tempos iguais, aí a diferença aparece mesmo. “No exercício mais vigoroso você vai queimar, em média, duas vezes mais do que o exercício comum, comparando a mesma quantidade de tempo.”
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Como aplicar isso na prática? “Vamos supor que você queira queimar mais calorias: você deve fazer um exercício vigoroso por mais tempo, ou vai fazer um exercício mais leve por mais tempo também – mais tempo do que o vigoroso – para conseguir equalizar.”
O cardiologista sugere uma auto análise honesta: “Você tem que ver em que ponto você está. Tem condições físicas de fazer mais vigoroso? Se sim, e se você quer queimar mais, fique mais vigoroso. Se não, se a sua capacidade física ainda não está adequada, você deve fazer um exercício mais leve, porque vai conseguir fazer esse exercício por mais tempo. E às vezes você até consegue queimar mais calorias.”
O melhor caminho para iniciantes
Para quem está começando, Dr. Eugênio é bem claro: “O mais indicado para iniciantes seria o exercício mais leve, claro, porque ele vai ter condições de fazer esse exercício por mais tempo, preenchendo aqueles 150 minutos por semana.”
A evolução vem com o tempo. “Ele pode ir aumentando a sua intensidade, aí vai ganhar capacidade física, a capacidade cardiovascular dele vai aumentar e ele pode fazer um exercício mais vigoroso.”
O plano ideal? “A ideia é que ele inicie com exercício mais leve, depois aumente para moderada intensidade, depois para uma intensidade mais alta, se assim ele quiser. Mas você pode se manter leve para a vida toda, não tem problema, desde que você cumpra o tempo necessário, que é 150 minutos por semana.”
Sobre os benefícios específicos, o médico explica: “Quando você faz uma caminhada com menos intensidade, você tem condições, ao longo do tempo, de reduzir sua pressão arterial em 5 a 7 milímetros de mercúrio para cada um dos valores da sistólica e da diastólica. Você vai reduzir a inflamação sistêmica, vai melhorar a função endotelial do vaso, existe uma camada dentro do vaso chamada endotélio e ela melhora a sua função com a atividade física.”
Já com a atividade mais vigorosa, os ganhos são outros. “Você vai ter um condicionamento melhor. Por exemplo, aquele índice que a gente fala, o chamado VO2, você vai ter uma capacitação maior se fizer um exercício mais vigoroso. Você vai ter mais variabilidade da modalidade da sua frequência cardíaca, o que te traz benefício cardiovascular.”