Atletismo · 16 jun, 2009
O treinamento desportivo apresenta-se como uma atividade física de longa duração, graduada de forma progressiva, individualizada, atuando especificamente nas funções humanas, fisiológicas e psicológicas, com objetivos de superar tarefas mais exigentes que as habituais. É assim que Bompa (1983) define treinamento desportivo. Ele, como muitos outros autores, apresenta definições baseadas em inúmeros estudos científicos sobre o tema.
O treinamento desportivo, quando aplicado adequadamente, provoca no organismo humano, adaptações morfológicas e funcionais, elevando assim o nível de forma física do indivíduo. Para tanto, alguns princípios devem ser seguidos para que a aplicação desse treinamento seja eficaz.
Vamos tratar daqueles considerados fundamentais em qualquer processo de treinamento:
A orientação do planejamento do treinamento por estes princípios nos leva a estabelecer uma aproximação enorme do treinamento chamado científico e nos afasta, por outro lado, do empirismo que muitas vezes põe em risco a saúde de indivíduos sãos.
Referência Bibliográfica:
Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento; Tudor Bompa, 1999.
Atletismo · 09 jun, 2009
As grandes performances dos atletas de hoje são resultados de uma complexa mistura de diversos fatores. Talvez o fator mais determinante para o sucesso no atletismo é o genético, que exclui não somente as suas características antropométricas, cardiovasculares, proporção de tipos de fibras musculares como também a capacidade de melhora com o próprio treinamento (treinabilidade).
Outro fator conhecido, que tem um profundo impacto no resultado final do atleta, é o volume e a intensidade de treinamento que precede uma competição. Finalmente, o resultado do atleta pode também ser influenciado pela saúde e pelo nível nutricional dele.
Embora os cientistas do esporte, como nós treinadores, não podem fazer muita coisa para alterar o que já vem determinado pela hereditariedade, podemos sugerir estratégias de treinamento para maximiza-la. Para isso, nós podemos utilizar testes para monitorar o progresso que está sendo alcançado e os resultados podem ser obtidos através de um programa selecionado e administrado em testes de laboratório ou em testes de campo.
Por isso devemos considerar o porquê, o que, quando, onde e como testar esses atletas. Vou explicar cada um desses tópicos abaixo:
Por que testar?
Para monitorar a saúde do atleta - Um teste corretamente ministrado pode e deve fornecer importantes informações sobre a saúde do atleta (controle médico). Sabemos que o treinamento de alto nível sempre acarreta um estresse fisiológico, pois estamos sempre tentando ultrapassar o nosso limite, entretanto, devemos nos assegurar que o atleta está livre de doenças que podem interferir no resultado que queremos alcançar.
Para identificar os pontos fortes e fracos desse atleta - Esse tópico permite ao treinador planejar de forma otimizada as planilhas de treino, priorizando os pontos fortes e trabalhando os pontos fracos, para que não interfiram no resultado final desejado.
Para a identificação de talentos - É importante fazer o teste nas diferentes idades, tanto cronológica como biológica, para que possamos detectar o desenvolvimento, ou especialização precoce, como também se temos um atleta em potencial para o futuro.
Para selecionar corretamente o evento ou prova alvo - Devemos utilizar testes apropriados para as diversas provas ou modalidades, não esquecendo de comparar o resultado com outros atletas da mesma idade.
Para planejar o treinamento - o planejamento deve ser realizado sempre no início de uma fase ou mesociclo de treino.
Evolução do treinamento - No final de um período de treino também deve ser realizados testes para acompanhar a evolução do atleta.
Motivação / Desenvolvimento do espírito competitivo - Determinar objetivos a ser alcançados ou melhorados. Isso muitas vezes contribui para melhorar o espírito competitivo e a garra de nossos atletas.
O que testar?
Teste antropométrico: como altura, peso, composição corporal, entre outros;
Teste psicológico: ver, por exemplo, personalidade e níveis de disposição ao treinamento diário;
Teste médico dentista, patologista, sangue, urina, fezes ginecologista, etc;
Teste físico: como o de força, flexibilidade, velocidade, resistência, etc;
Teste técnico: técnico geral, técnico específico e tático, por exemplo;
Teste para prognóstico de parâmetros: normas de performance e treinamento.
Quando Testar?
Onde testar? No laboratório, na pista e na competição.
Como testar?
Para tudo isso dar certo, o monitoramento do treinamento é um ingrediente importante no planejamento do treinador moderno. Assim ele pode avaliar as necessidades de cada grupo de provas e o nível do atleta relativo a estas necessidades. Além disso, o treinador deve lembrar que o programa de treinamento específico e progressivo é individual e deve ser construído de maneira diferente para cada atleta.
Para isso é necessário conhecer os constantes processos de avaliação, através do monitoramento do atleta e através dos testes realizados durante todo o processo de treinamento da temporada.
Atletismo · 02 jun, 2009
Quem acha que para correr basta apenas ter fôlego e um belo par de tênis, engana-se! Veja as dicas da nova colunista de Fitness do Webrun, Thais Reis!
São Paulo -A corrida exige do praticante uma estrutura muscular forte o suficiente para estabilizar todas as articulações envolvidas nesta atividade, em especial a do tornozelo, a do joelho e a do quadril. Além disso, a corrida também exige uma musculatura muito bem fortalecida de toda a região do tronco, desde os músculos que compõem a porção anterior, como os músculos abdominais, e as porções laterais, como os oblíquos externos e internos.
Também exige força dos músculos da porção posterior, como os músculos dorsais e paravertebrais. Esses músculos são responsáveis pela estabilização do tronco e manutenção de toda a saúde da coluna vertebral e, consequentemente, da boa postura, requisito fundamental para qualquer corredor.
Dessa forma, podemos considerar o trabalho muscular tão importante quanto o cardiorespiratório no planejamento de um programa de corrida. Um treino de fortalecimento muscular bem estruturado promove um aumento da força muscular, reduz o risco de desenvolver lesões, auxilia na melhora da postura e aprimora a capacidade do corpo de receber a carga imposta pela corrida.
Mas antes de sair em disparada para a academia, saiba quais são os exercícios que devem receber uma atenção especial:
Agachamento ou Leg Press: Este é um dos exercícios mais completos na academia por trabalhar com um grande número de articulações e músculos (quadríceps, posterior de coxa e glúteos). Quando trabalhados de forma unilateral, auxiliam na recuperação de possíveis desequilíbrios nos grupos musculares entre cada uma das pernas.
Cadeira Extensora e Flexora: Tanto a cadeira extensora quanto a cadeira flexora, ou também a mesa flexora, são outros aparelhos muito importantes para o desenvolvimento dos membros inferiores. Primeiro a cadeira extensora, que trabalha principalmente a área do joelho, auxiliando no fortalecimento deste e na estabilização e absorção de todo impacto decorrente da corrida.
Depois a cadeira ou mesa flexora que trabalha os flexores e as articulações do joelho, auxiliando também no fortalecimento e na prevenção de lesões. Os músculos flexores bem fortalecidos auxiliam na melhora da amplitude da passada na medida em quem aumenta sua capacidade de elevar a perna na fase aérea da corrida.
Cadeira Adutora e Abdutora: Já as cadeiras adutora e abdutora são muito importantes para manter a estabilidade do joelho e reduzem o risco de lesões desta articulação por diminuir o estresse aplicado nas estruturas que mantêm o joelho estável como os ligamentos e tendões.
Flexão Plantar (Panturrilha): Essa é uma região de suma importância na vida do corredor, os músculos que a compõem são responsáveis tanto pela absorção do impacto quanto pela força de propulsão anterior do corpo na corrida.
Abdominais e Lombar: Diversas são as variações para trabalhar a região do tronco na academia, escolha as variações que sejam mais confortáveis para você. O importante é não deixar de treiná-las.
Todos esses exercícios promovem a melhora da função musculo-esquelética e também do desempenho, sendo assim, treine sempre com cautela e com a orientação de um treinador ou professor de educação física, para que futuramente não venha a sofrer problemas decorrentes dos exercícios feitos de forma incorreta.
Atletismo · 21 maio, 2009
O aquajogger, também conhecido como deep running, nada mais é do que a corrida na água. Porém, o que muitos não sabem é que essa prática esportiva pode ser usada como meio de recuperação para atletas.
Esse método foi utilizado pela a primeira vez em 1984. A maratonista americana, Joan Benoit Samuelson, utilizou o aquajogger logo após uma cirurgia no joelho, realizada durante sua preparação para as Olimpíadas de Los Angeles. Depois de sua recuperação, ela venceu e ganhou a medalha de ouro dos jogos.
Pessoalmente, tive a felicidade de ver, durante os Campeonatos Mundiais de Roma (1987), a atleta norueguesa, Ingrid Kristianssen, realizar o mesmo trabalho na piscina do hotel junto ao seu treinador. Na ocasião, ela realizou dentro da piscina todo o treinamento que deveria ser feito nas ruas. E isso me chamou a atenção. Vi a atleta realizar um forte trabalho contínuo de corrida, fartleks, intervalado intensivo e extensivo por duas semanas na piscina!
A partir desse momento comecei a utilizar o treinamento na piscina como parte integrante no planejamento de treinamento dos meus atletas, principalmente para a recuperação e regeneração depois de uma carga pesada de treinos.
Com funciona - No aquajogger usamos o próprio corpo como instrumento de trabalho, só que dentro da água. Com isso diminuímos o peso corporal e conseqüentemente o estresse e o trauma causado principalmente nas pernas por causa do impacto.
Por isso o método é utilizado como forma de programa alternativo quando o atleta está lesionado, ou quando se recupera de uma lesão. É uma boa alternativa para o atleta continuar com atividade física sem perder a forma.
Essa atividade também melhora o nível de força e a flexibilidade do atleta, porque é realizado na água contra uma resistência constante e promove ao mesmo tempo o desenvolvimento da capacidade cardio-pulmonar.
Similaridades da corrida na rua e da corrida na piscina:
Peculiaridades da corrida na piscina:
Como realizar a corrida na piscina - A corrida em piscina, geralmente é feita com um colete e deve seguir algumas regras, como:
Conclusão - O aquajogger é mais uma forma de treinamento para o atleta que pode ser utilizado na fase de recuperação de lesão, pois elimina o impacto nas articulações, músculos e tendões. É um efetivo treinamento durante a fase de reabilitação do atleta.
Também beneficia a recuperação do atleta, pois ajuda a retirar o ácido lático após um trabalho forte na pista ou na rua. Muitas vezes é uma combinação de recuperação ativa e massagem, dependendo da forma que for utilizado.
Deve ser incorporado ao treinamento regular do atleta, pois é uma forma de trabalho de baixo estresse e uma forma adicional de desenvolvimento de capacidade e potencia aeróbica.
Corridas de Rua · 19 maio, 2009
O treinador Ricardo D`Angelo é o novo colunista de alta performance do Webrun. Com vasta experiência em treinamento para profissionais, no seu primeiro artigo D`Angelo explica como economizar energia durante a corrida. Essa técnica é usada por muitos atletas de elite. Veja!
São Paulo - Antes de iniciar o tema central deste texto, gostaria de agradecer aqui o convite do Webrun para participar deste espaço e compartilhar com seus leitores algumas de minhas experiências na área da corrida. Sinto-me honrado com a oportunidade e espero poder contribuir para a excelente qualidade do conteúdo deste portal.
Uma pergunta freqüente em todos os seminários, congressos e palestras que participo é: por que os africanos (quenianos em sua maioria) são melhores corredores de resistência que os demais? De acordo com diversos estudos sobre esta questão, está bem documentado que os corredores caucasianos possuem níveis de consumo máximo de oxigênio (VO2máx) similares aos apresentados pelos quenianos. Embora os aspectos sócio-ambientais contribuem de maneira significativa para determinar a diferença de potencial entre essas duas etnias, as variáveis metabólicas, através de parâmetros fisiológicos como o VO2máx, aparecem como importantes indicadores de desempenho aeróbio quando sugere-se tal comparação.
Considerando que os valores de VO2máx entre corredores quenianos e caucasianos encontrados nesses estudos podem variar muito pouco, pesquisadores investigaram outras possíveis causas para identificar a superioridade do atleta queniano. Por meio de testes específicos descobriram que, apesar dos parecidos valores pico de VO2máx, o corredor queniano sustenta esse VO2máx por um tempo mais prolongado que o corredor caucasiano. Isso é possível provavelmente por conta da aplicação mais eficaz pelos corredores quenianos do conceito de economia de corrida: correr em velocidade máxima de competição com consumo submáximo de oxigênio. Tal habilidade é de elevada treinabilidade e implica na execução correta do movimento da corrida e de aplicações de força em todos os grupos musculares do corpo.
Será que todos aqueles que são corredores (independente do nível) sabem de fato correr? Os movimentos coordenados de pernas e braços, apoio correto dos pés no solo, impulsão para o próximo passo, extensão e elevação correta dos joelhos, posição correta do tronco, determinam a mecânica de corrida, ou seja, a técnica de corrida. Todos nós temos estilos próprios para correr, porém, o que se busca é uma grande aproximação de nosso estilo pessoal aos corretos movimentos técnicos de corrida. E quais são esses movimentos técnicos corretos? De forma genérica, dividimos entre dois modelos essas técnicas de corrida:
1 - Movimento Circular: descreve o percurso do calcanhar durante a ação de um passo de corrida em forma de um círculo; este movimento é utilizado por corredores de velocidade e saltadores;
2 - Movimento Pendular: descreve o percurso do calcanhar durante a ação de um passo de corrida em forma de pêndulo; utilizado pelos corredores de longa distância.
Para os fundistas, a forma pendular de correr é, portanto, a mais econômica e naturalmente, a mais adequada. Contudo, não basta simplesmente conhecermos a forma correta de correr e tentar ajustá-la ao nosso estilo pessoal, temos que fazer tudo isso de maneira econômica, ou seja, correr no ritmo desejado, consumindo menor quantidade de oxigênio. Alguns estudos mostram que entre atletas com o mesmo preparo físico, aqueles com técnica econômica de correr melhor que outros, podem alcançar performances até 30% melhores.
O que fazer para conseguirmos uma melhor economia de corrida? Em primeiro lugar, diariamente, incluir em nossa rotina de treinamento os exercícios de técnica de corrida. São exercícios básicos, que segmentam o movimento global do passo, educando o ciclo completo da corrida. Exemplo:
1 - Corrida com elevação dos joelhos (2x40m);
2 - Corrida tocando os calcanhares nos glúteos (2x40m);
3 - Corrida com movimentos rápidos do tornozelo (2x40m), entre outros.
Melhorar o nível de força também nos leva a correr economicamente. Estudos recentes têm apresentado que a combinação de trabalhos de resistência de força com trabalhos de resistência de corrida levam a melhora da performance aeróbia, bem como facilitam os níveis de economia de corrida do atleta. Outros meios de treinamento de força também devem ser considerados para esses objetivos, tais como, corridas em subidas, saltos variados (horizontais e verticais), musculação, etc.
Entre as principais tarefas daqueles que querem dar atenção ao componente de economia de corrida em seu treinamento e buscar a melhora da performance, está a tentativa de desenvolver uma percepção de como correr em determinado ritmo, consumindo menores níveis de oxigênio.
Referência Bibliográfica -
Modern Athlete and Coach, vol 41, nr 3 Australian Track and Field Coaches Association
Atletismo · 13 abr, 2009
O treinamento de resistência melhora a habilidade do atleta de gerar energia e minimizar a perda de velocidade sobre a distância e o tempo percorrido. Os atletas de meio-fundo e fundo, não utilizam somente o sistema aeróbico, por isso os treinadores devem considerar todos os sistemas de energia quando planejam um programa de treinamento de resistência para eles.
Os treinadores devem ajustar a ênfase em cada sistema de acordo com a distância a ser percorrida pelo atleta. Qualquer treinador que ignore o desenvolvimento do sistema anaeróbico de seu atleta com certeza não alcançara o resultado esperado.
Métodos práticos de treinamento da resistência -
Treinamento de longa distância - O treinamento de longa distância pode ser dividido em:
Este tipo de treinamento é realizado acima de uma hora de corrida e até no máximo três horas, dependendo da prova do atleta, grau de condicionamento físico, idade e o tempo de treinamento.
Normalmente deve ser realizado por grupos de atletas e não individualmente pelo aspecto motivacional e similaridade de resultados.
Ex: 1h de corrida com freqüência cardíaca menor que 140 batimentos por minuto
- trabalho de esforço constante, onde o batimento cardíaco se mantém relativamente constante mantendo o ritmo em percursos planos, diminuindo nas subidas e acelerando nas descidas.
- trabalho de velocidade constante, envolve corrida fácil em percursos planos que tentam manter o mesmo ritmo em subidas com ênfase nas subidas fortes.
- trabalho de velocidade progressiva. Este envolve corrida em percurso plano (maratona)
Podemos resumir esta forma de trabalho da seguinte maneira:
Este tipo de treinamento envolve esforços de intensidade e duração variada e intercalada com corridas relaxada e de baixa intensidade. É realizado preferencialmente em terrenos variados (plano ou com subida e descida) e de diferentes superfícies (terra, grama etc).
Podemos utilizar duas formas de trabalho de fartlek: o de tempo e o de distância. O fartlek pode ser um extenuante trabalho como também relativamente fácil, dependendo do estado físico de treinamento do atleta.
No início do treinamento específico, o fartlek é uma importante ferramenta para desenvolver o trabalho de velocidade antes de iniciarmos o trabalho intervalado.
Treinamento intervalado - O treinamento intervalado envolve esforços de intensidades variadas intercalando com diferentes recuperações (descanso). Ele se distingue do treinamento de repetições pela duração da recuperação que neste caso é quase completa ou completa.
O treinamento intervalado é muito versátil, pois podemos manipular o uso dos sistemas energéticos, variando a duração e a intensidade do esforço, a duração e o tempo de recuperação, o tipo de recuperação, o número de repetições, o número de séries de repetições e a freqüência de sessões por semana.
Entretanto, a maioria dos atletas utiliza esta forma de trabalho para manter a sua capacidade anaeróbica. Conseqüentemente, muitos atletas realizam seus treinamentos em intensidades que produzem grande quantidade de ácido lático no músculo.
Este formato de treinamento também pode desenvolver o sistema aeróbico. Ex: um corredor de 10km em 34min deve realizar o seguinte treinamento aeróbico intervalado. Um grande número de corridas de repetição: 20x400 metros para 1min30 por 400 metros, volume total de 8.000 metros com um ritmo mais fácil que o ritmo de competição. A dificuldade deste treinamento esta na recuperação, que devera ser curta entre 10 a 15 segundos.
Treinamento de tempo (usualmente chamado de apronto por treinadores e atletas) - Esta forma de treinamento melhora ao mesmo tempo a capacidade e a potência dos componentes específicos dos atletas em suas respectivas provas e ajuda a melhora de seus resultados. Para utilizar esta forma de trabalho os atletas devem estar bem preparados e descansados, pois a carga utilizada é de alta intensidade.
O atleta deve correr o mais rápido possível sobre uma distância similar à distância de sua prova, seria uma simulação da competição. Deve se utilizado antes da competição, ou quando não temos competição por perto e queremos saber o tempo de nosso atleta (simulado).
Maratona · 03 fev, 2009
Com o crescimento constante da corrida de rua no Brasil e no mundo, uma maior divulgação da mídia e o contato crescente de pessoas com os muitos prazeres e benefícios da corrida, uma pergunta tem soado cada vez mais forte na cabeça de grande parte dos corredores: quando poderei correr uma maratona?
Mas essa não é uma resposta tão simples, considerando que todos nós somos diferentes embora pertençamos a mesma espécie (individualidade biológica). Cada caso deve ser avaliado por um treinador competente e que tenha muita experiência com a distância. Mas algumas questões importantes devem ser sempre consideradas.
É notável que há um grande modismo, nada saudável, relacionado à maratona e até o mito absurdo que o corredor de maratona é mais corredor que o corredor das distâncias menores. Com isso, cada vez mais vemos pessoas ingressarem precocemente na distância, pulando etapas fundamentais no processo de preparação e como conseqüência tendo mais lesões e até abandonar precocemente o esporte. É como casar-se aos 15 anos após namorar por apenas 6 meses!
A primeira e fundamental questão a ser considerada é o lastro de treinamento que a pessoa possui. Há quantos anos treina? Já fez várias provas de 10km, 15km, e no mínimo uma meia maratona? Quanto tem corrido por semana, há quanto tempo? Estas respostas são a base para que nós treinadores, avaliemos o grau de maturidade do corredor. Maturidade é indispensável para a estréia na distância.
Uma vez que o corredor, amador ou profissional, já tenha sido avaliado por um médico, que tenha acumulado experiências em várias provas menores, que já tenha adquirido uma boa experiência em meia maratona, supõem-se que ele já deva ter no mínimo uns dois anos de treinamento, podendo então pensar em prepara-se para algo mais longo.
Treinamento - Depois disso, ainda há outro grande problema nessa decisão de correr a maratona. Encarar o desafio como algo sério. Hoje infelizmente temos acompanhado uma grande banalização do treino para a maratona. Muitas pessoas não encaram essa preparação com seriedade. Muitos desses treinamentos são preconizados à distância, sem que haja qualquer tipo de contato visual entre treinador e corredor, além disso, muitos treinadores disponibilizam planilhas coletivas que não sofrem adaptações ao longo das semanas.
Estes dias li uma matéria onde o autor, que não é um profissional da área, recomendou aos iniciantes pular da distância de 15km para a maratona em apenas três meses! Prescreveu inclusive o acréscimo de 15 minutos em cada treino longo nos finais de semana durante esses três meses, alegando que a coisa é como matemática. É evidente que este tipo de informação publicada não tem qualquer embasamento científico, muito menos lógico. Fosse tão simples assim, não seriam necessários anos intensos de estudos para alguém trabalhar com a distância.
Vale lembrar também que prescrever atividades físicas, quaisquer que sejam, é de competência somente do profissional de Educação Física, com registro no CREF (Conselho Regional de Educação Física), conforme a lei 9.696/1998, que regulamenta a atividade do profissional de Educação Física. É lamentável que, sobretudo as pessoas mais simples, sejam levadas a graves erros, cujos prejuízos futuros serão arcados somente por elas.
Em levantamento feito através de literaturas qualificadas e estatísticas sérias, autores chegaram a conclusão (há muitos anos) que os melhores resultados dos maratonistas, em sua maioria, são obtidos após 10 anos de treinamento sério, normalmente com idades superiores aos 24 anos. Segundo Thompson (1991) que discute as fases de crescimento e a maturidade atlética, o indivíduo passa a ser adulto com idade acima de 19 anos, podendo só então ser submetido a treinamentos mais desgastantes. Para ter uma idéia a primeira categoria para a maratona reconhecida pela IAAF é a de 20 a 24 anos.
Se os melhores atletas do mundo sabiamente ingressam na distância mais tarde, normalmente acima dos 24 anos, após acumularem grande experiência em distâncias menores, os amadores têm que ter no mínimo um pouco de bom senso com relação a primeira participação na prova.
É claro que um ou outro atleta consegue o êxito mais cedo, como o atual campeão olímpico Samuel Wanjiru, do Quênia, que obteve o feito na distância aos 22 anos, e debutou nela aos 21 anos. Porém, vale ressaltar que a estréia dele aconteceu após vários anos de treinamento, já que antes de ingressar a maratona, Wanjiru, aos 21 anos, já havia estabelecido a melhor marcar mundial para a meia maratona (58min33), que permanece até os dias atuais.
Não indo muito longe, nosso melhor maratonista na atualidade, Marílson Gomes dos Santos, bicampeão da tradicional Maratona de New York, ingressou na distância ao 26 anos, após mais de 10 anos de treinamento e depois de ter feito muitas provas de pista, cross-country e de rua mais curtas, sendo inclusive o recordista brasileiro e sul-americano em várias delas.
O mesmo podemos dizer do mais rápido maratonista do mundo, o etíope Haile Gebrselassie, que possui a primeira, a segunda e a terceira melhor marca de todos os tempos. Haile teve uma experiência muito negativa em início de carreira quando ainda não era profissional e não treinava adequadamente. Treinou depois por anos para provas menores, tendo inclusive batido os recordes mundiais dos cinco e dos 10 mil metros. Nesta última distância ele foi bicampeão olímpico. Haile voltou para as maratonas somente aos 28 anos. Aliás, é um grande modelo de longevidade, pois está com 35 anos e ainda corre atrás de recordes mundiais.
Por último é fundamental dizer que quem pretende correr uma maratona, mesmo que seja somente para completar, precisa dispor de no mínimo quatro ou cinco dias por semana para dedicar-se aos treinos. Com base em dados coletados em 13 anos trabalhando com amadores publicados no texto Qual é o volume certo de treino para a maratona, treinando em torno de 65 a 70km semanais, é possível completar a prova sem qualquer problema, alguns inclusive conseguiriam completar em menos de quatro horas.
Caso não seja possível treinar este mínimo de distância semanal, ou de dias na semana, particularmente preconizo a busca pelas menores distâncias, lembrando que não é nenhum demérito não fazer maratona, ou deixá-la para fazer em outra fase da vida.
Valorize e respeite cada etapa de sua carreira atlética, seja você um amador ou profissional. Não corra maratona precipitadamente apenas por modismo e não deixe de treinar com a orientação de quem realmente é do ramo. Bons treinos e muito sucesso nas provas!
Para curiosidade, segue a lista dos 10 maratonistas mais rápidos de todos os tempos:
Alguns dados de grandes atletas da história:
Referência bibliográfica:
- Moreira, S. Equacionando O treinamento- A matemática das Provas Longas (1987)
- Thompson P. Introdução à Teoria do Treino- IAAF (1991)
- Zakharov .A; Gomes, A.C - Ciência do Treinamento Desportivo (1992).
- Dantas. H. M - A Prática da Preparação Física (1994).
- BRASIL. Congresso Nacional. Decreto-lei n. 9.696. Brasília: Diário Oficial da União, 02 de setembro de 1998
- http://www.iaaf.org/statistics/toplists
Corridas de Rua · 28 ago, 2005
Não há nada que chame mais a atenção do ser humano que as famosas fórmulas mágicas. Vivemos à procura de uma para obter sucesso profissional, uma fórmula para ganhar dinheiro mais fácil ou trabalhando menos, outra para lidar melhor com as situações adversas, viver em harmonia com seres que nos cercam, etc, etc, etc.
No ranking das Fórmulas Mágicas, diria que as mais procuradas são: a fórmula da felicidade, a do amor, a da prosperidade, a fórmula para manter o corpo sempre em forma, e, finalmente, a fórmula contra o envelhecimento!
Anos atrás, fez sucesso uma sopa que, tomando-a durante 7 semanas, prometia milagres para o emagrecimento almejado, mas que frustrou a maioria daqueles que se sacrificaram a ficar sem comer e tomar uma coisa tão ruim!
O remédio que eliminava 30% da gordura ingerida também trouxe grande expectativa, mas muitos ficaram bastante decepcionados e, pasmem, até tiveram que pedir socorro às antigas fraldas descartáveis, pois a tão odiada gordura era eliminada em horários que menos se esperava!
Na corrida, não é nada diferente. Muitos passam anos procurando uma fórmula mágica para correr mais longe ou mais rápido, perder algumas gordurinhas, manter ou ter um corpo bacana, conseguir algum resultado ou feito que aumente a auto-estima e outras coisas mais. Alguns até tentam copiar algo que os outros fizeram e deu certo, como se fosse a verdadeira fórmula do sucesso, mesmo desrespeitando a individualidade de cada um.
Como treinador, não poderia deixar de dizer que, treinar, treinar e treinar é a melhor fórmula. Daí, muitos me dirão que, treinam, treinam, treinam e não conseguem alcançar seus objetivos.
Bem, antes de qualquer coisa, é necessário definir para que e porque o indivíduo está treinando. Pode parecer estranho, mas a maioria das pessoas que treinam, principalmente amadores, não sabem ao certo para que estão treinando. Isto acontece até com alguns atletas tops, que participam de competições sem critério algum, correndo o que aparecer pela frente, sem ter um objetivo previamente definido. É muito comum um atleta fazer resultados excepcionais quando menos se espera, mas não conseguir nada em uma competição importante. Mais comum ainda, quando perguntar a um amador o motivo que o leva a correr quase todos os dias e este não ter uma resposta clara. Alguns até dizem que treinam porque se sentem melhores com este esporte, mas infelizmente, tem gente que bebe, fuma e faz várias coisas prejudiciais à saúde porque também se sente melhor!
Um objetivo real, atingível e previamente definido, estabelecido junto e acompanhado por um profissional competente, poderá levar o corredor a mais próximo ao que seria a sua fórmula para o sucesso, pois uma vez estabelecido o objetivo, será muito mais fácil direcionar seu treino, acordar mais cedo, dormir mais tarde, treinar na hora do almoço, fazer uma dieta legal, deixar de fumar, de beber, treinar debaixo de chuva, do sol e cumprir aqueles treinos mais difíceis, mesmo que exista alguma força contrária.
Converse com seu treinador, acrescente a este objetivo a força de vontade, a determinação e a persistência e pronto: você terá em mãos a tão desejada fórmula para correr mais longe e mais rápido!
Finalizo com uma ótima frase do mundo dos negócios: o êxito começa no exato momento em que o homem decide o que quer e começa a trabalhar para consegui-lo.
Alimentação · 17 jun, 2026
Saúde · 17 jun, 2026
Atletismo · 17 jun, 2026