Corridas de Rua · 23 dez, 2009
Fabiana Cristine foi a melhor brasileira na São Silvestre de 2008, ocasião em que faturou o segundo lugar da prova, atrás apenas da etíope Yimer Wude Ayalew, mas este ano não poderá competir e tentar o primeiro lugar, pois está lesionada. Durante cerca de quatro meses ela vem lutando contra um problema no tendão fibular do pé direito, o que a obrigou a desistir de competir na mais tradicional prova do calendário nacional.
Eu tentei correr algumas provas no final do ano, mas voltei a sentir novamente e o médico pediu que eu parasse para tratar, lamenta a fundista que já sofre com o problema desde o meio da temporada 2009. Esse mesmo pé direito eu senti antes do Troféu Brasil de Atletismo, mas consegui fazer um tratamento intensivo e tive bons resultados, completa.
Ano passado, durante a São Silvestre, ela comenta que o segundo lugar foi uma surpresa, pois apesar de estar treinada não esperava conquistar um resultado tão próximo da campeã, já que ela cruzou com menos de um minuto de diferença para a africana. Todos os anos eu sempre foquei muito a São Silvestre, mas aquela vez foi diferente, não fiquei tão bitolada e deu certo.
Assim como outros corredores de elite e também os amadores, Fabiana enxerga a São Silvestre como uma disputa especial. É uma emoção diferente. Tem gente que chega em casa depois de cruzar a chegada e o vizinho pergunta como foi a prova. Segundo ela, os amadores que geralmente estão de férias, correm para fechar o ano, enquanto os atletas de elite querem encerrar bem a temporada após diversas competições. Não é só a virada do ano, é a virada da Paulista, brinca a atleta sempre muito bem humorada.
Dicas - Com a experiência de dois pódios dos 15 quilômetros na bagagem, Fabiana se sente a vontade para passar algumas dicas para os marinheiros, ou melhor, atletas de primeira viagem que vão alinhar no field da Avenida Paulista. A principal recomendação é ter paciência na largada. O prazer é chegar na Brigadeiro, então tem que economizar energia para chegar inteiro.
Ela explica que a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio é o local onde há uma maior concentração de torcedores, que incentivam os atletas, sejam eles de elite ou amadores. No percurso todo tem gente aplaudindo, mas lá tem muito comercio e residências e o povo está esperando todo mundo subir, nem que seja andando.
Enquanto cuida do problema no pé, ela vai sentar no conforto de seu sofá no dia 31 e torcer pelos brasileiros. Vou torcer para que o título fique em casa e para que todo mundo que vá correr se sinta bem e faça uma grande festa mesmo. Como ainda não há um prazo para a recuperação total, ela prefere não fazer planos para 2010. O objetivo agora é entrar com o pé direito ano que vem, de preferência um pé direito sem lesão, brinca.
Corridas de Rua · 21 dez, 2009
Aos poucos a edição 2009 da Corrida Internacional de São Silvestre ganha mais nomes de peso internacional no field, como é o caso do queniano Robert Cheruiyot, que buscará o tetracampeonato dos 15 quilômetros. Ele já venceu em 2002, 2004 e 2007 e agora lutará por mais um título ao lado de compatriotas e brasileiros.
Ele ostenta diversos títulos no currículo, como o tetra da Maratona de Boston (2003, 2006, 2007 e 2008), o primeiro lugar das maratonas de Chicago (2006), Milão (2002) e o bi na Meia de Lisboa (2006 e 2009). Este ano ele também conquistou o vice-campeonato da Maratona de Nova York e o recorde pessoal na meia maratona, após vencer a prova de Lisboa em 23 de março com 1h00min05.
"É uma grande satisfação ter um atleta como o Robert Cheruiyot na prova. Ele é um tricampeão e certamente dará um brilho especial à São Silvestre", comenta Júlio Deodoro, diretor geral da competição e superintendente da Gazeta Esportiva.Net. Aos 31 anos de idade, ele já conhece muito bem o percurso e certamente é um dos favoritos ao título.
A prova deste ano reunirá pela terceira vez consecutiva 20 mil inscritos e terá os seguintes horários de largada: 15h cadeirantes e handcycle (masculino e feminino); 15h05 - outras categorias de atletas com deficiência; 16h30 - elite feminina; e 16h47 - elite masculina e demais categorias.
Corridas de Rua · 19 dez, 2009
A Corrida Internacional de São Silvestre ganhou mais uma corredora estrangeira no field do próximo dia 31 em São Paulo: a sérvia Olivera Jevtic, campeã em 1998 e 2005. Na primeira vitória ela marcou o tempo de 51min35 e ainda representava a antiga Iugoslávia, nação que se desmembrou em diversos países a partir de 2003.
Em sua segunda incursão ao degrau mais alto do pódio ela completou com o tempo de 51min38 correndo sob a bandeira da Servia e Montenegro, país que se desmembrou da Iugoslávia em 2003. Já na disputa deste ano, caso vença, dará o primeiro título da prova para a Sérvia, país criado em 2006 com a separação de Sérvia e Montenegro.
Aos 31 anos de idade, ela ostenta no currículo 31min31 nos 10 quilômetros em Budapeste (Hungria) no ano de 2001, 1h09min18 na Meia Maratona, tempo obtido em Novi Sad (Sérvia) 2002 e 2h25min23 na Maratona, obtido em 2003 em Roterdã (Holanda). Nos 15 quilômetros, distância da São Silvestre, ela possui como melhor marca 49min06 numa prova disputada em Bristol (Inglaterra).
A prova deste ano reunirá pela terceira vez consecutiva 20 mil inscritos e terá os seguintes horários de largada: 15h cadeirantes e handcycle (masculino e feminino); 15h05 - outras categorias de atletas com deficiência; 16h30 - elite feminina; e 16h47 - elite masculina e demais categorias.
Corridas de Rua · 17 dez, 2009
O último dia do ano para muitas pessoas é sinônimo de pressa para aprontar a ceia de reveillon, de correria para comprar o peru e a farofa antes que o supermercado feche e de muita festa e comemoração para o ano que chega. Enquanto isso, para muitos corredores, sejam eles de elite ou amadores, também há correria e comemoração, mas de um jeito diferente: nas ruas de São Paulo para a disputa da São Silvestre.
Duas corredoras de ponta, Sirlene Souza de Pinho e Zenaide Viera, comentam suas impressões sobre a prova e o porquê de tanto glamour e interesse, já que este ano 20 mil pessoas se inscreveram. É uma prova que todo mundo sonha em correr, já que é uma das mais antigas do Brasil e reúne muitos atletas bons, conta Sirlene. Os amadores que eu conheço sempre treinam para chegar na são Silvestre e encerrar o ano com chave de ouro.
A fundista passou por uma fase complicada este ano, já que trocou de técnico e teve que deixar o calor das ruas de Santos e passou a treinar em São Paulo, a terra da garoa, ou selva de pedra como é conhecida. Mesmo assim, graças a Deus consegui a liderança do Ranking Brasileiro de Maratona e para a São Silvestre espero chegar entre as 10 melhores colocadas.
Ao todo são 15 quilômetros de percurso, entre subidas e descidas íngremes, curvas fechadas e outros desafios, que culminam na temida subida da Brigadeiro Luiz Antônio, trecho final da corrida. Temida só se for para os iniciantes, já que Sirlene não se intimida com os 2,5 quilômetros de morro acima e elege outro trecho como o mais complicado. Acho o começo da prova difícil, pois você larga forte, vem uma descida e logo no quilômetro dois tem uma subida. Se o atleta não estiver bem, vai complicar, tem que dosar para chegar bem ao final.
Zenaide - Já para Zenaide Vieira, que após a parceria entre o Clube Pinheiros e a Rede Atletismo, passa a ser colega de treinos de Sirlene, a disputa do próximo dia 31 é especial devido ao alto nível técnico. As melhores corredoras estarão lá. Em algumas provas você encontra uma ou outra brasileira e queniana, mas na São Silvestre todo mundo estará lá. Ainda segundo ela, a mídia também dá uma atenção maior a este evento.
Especialista em provas de pista, especificamente os 3.000m com obstáculos, ela tem mesclado algumas corridas na rua como complemento dos treinos e até agora obteve bons resultados, como o título da Sargento Gonzaguinha no último dia 13. Esse período eu faço muita rodagem e aproveito para correr na rua. Vou entrando aos poucos e futuramente devo entrar de uma vez, relata.
Na Gonzaguinha, uma prova com a mesma distância da São Silvestre, ela chegou com sobra em relação às adversárias, mas sabe que terá um páreo duro pela frente na hora de enfrentar as estrangeiras. Lá vou encontrar um cenário mais forte, mas vou tentar ir junto até onde agüentar. A expectativa é sempre o pódio, se ele vier, seja em qual lugar for, será bem vindo.
Corridas de Rua · 16 dez, 2009
Este ano as brasileiras Maria Zeferina Baldaia, Marizete Rezende e Lucélia Peres terão um motivo a mais para alcançar o primeiro lugar da São Silvestre e desbancar as africanas, que dominam a competição de forma ininterrupta há dois anos. O trio canarinho tentará o inédito bicampeonato.
A vitória de Baldaia em 2001, Marizete em 2002 e Lucélia em 2006 integra o seleto grupo de brasileiras que ergueram o caneco dourado da mais tradicional competição do calendário nacional. Além delas, apenas Carmen de Oliveira, em 1995, e Roseli Machado, em 1996 alcançaram o primeiro posto em 34 anos de história da prova feminina.
Em ritmo de preparação para a última prova do ano, Baldaia foi a 11ª na Volta da Pampulha no último dia seis, em Belo Horizonte (MG) e tenta se recuperar de um problema hormonal que a prejudicou nesta temporada. Estou treinando muito bem e espero repetir na prova o que estou fazendo na minha preparação", comenta a corredora de 37 anos.
Já a goiana Marizete Rezende, vice na São Silvestre em 2007, obteve apenas o 15º lugar na Pampulha e perdeu a liderança do Ranking Caixa/ CBAt para sua xará Marizete Moreira. "Estive muito perto do bi em 2007 e estou me preparando para correr melhor no final do ano. Usei a Pampulha apenas como uma fase de preparação", relata a atleta de 34 anos.
Quem também luta contra problemas na temporada é Lucélia Peres, que ficou afastada de grandes competições devido a uma lesão no pé. "Estou melhorando de semana para semana e acho que estarei bem melhor na São Silvestre", afirma a competidora de 28 anos, que foi a oitava colocada na Pampulha.
Largadas - Os tiros de partida serão os seguintes: 15h cadeirantes e handcycle (masculino e feminino); 15h05 - outras categorias de atletas com deficiência; 16h30 - elite feminina; e 16h47 - elite masculina e demais categorias. Mais uma vez os 15 quilômetros da disputa prometem uma grande festa para os corredores e para o público presente.
Corridas de Rua · 16 dez, 2009
As condições da tradicional Corrida de São Silvestre, que acontece no próximo dia 31 em São Paulo, são peculiares. Ao todo 20 mil pessoas participam da prova, além disso, a largada é por volta das 16h, o evento acontece no último dia do ano e dezembro é um dos meses mais quentes no Brasil. Por isso a prova paulista requer um pouco mais de estratégia se comprada com outras provas de 15 quilômetros.
O treinador Aulus Sellmer, da assessoria esportiva 4any1, já correu a São Silvestre na época em que a largada era noturna, e para ele toda cautela antes e durante a competição é válida. Por isso o participante deve fazer uma boa alimentação e hidratação antes e durante a prova.
Outro fato que acontece na São Silvestre é a longa espera pela largada. Muitos atletas chegam cedo à prova para garantirem um lugar bom na largada. Mas para isso, eles ficam muito tempo embaixo de sol e calor, algumas vezes sem necessidade.
O pelotão vai se formando na largada em função do ritmo. Quanto mais rápido você for fazer a prova, mais cedo você deve chegar lá. Mas para um iniciante e para alguém que não se preocupa muito com tempo, o ideal é chegar mais próximo da hora e deixar a muvuca passar. Até porque o chip dele só vai ser marcado quando ele passar pelo pórtico de largada, conta.
Depois de iniciada a prova, geralmente começa a euforia da corrida. Esse é outro ponto, que segundo o treinador, deve ser contido. A largada é num período de muito calor e umidade, por isso tem que ter cuidado com o ritmo que vai fazer a prova, explica. Eu dividiria a São Silvestre em três partes. Os cinco primeiros quilômetros faria de forma conservadora. A metade da prova correria um pouco mais rápido e os últimos cinco quilômetros faria mais lento, porque tem a subida da Av. Brigadeiro, acrescenta.
O miolo da prova também não é fácil. De acordo com Sellmer, lá o corredor encontra muitas subidas e descidas. Já a subida da Brigadeiro, o bicho papão da São Silvestre, deve ser feita também com cautela. A Brigadeiro acaba sendo difícil para quem não faz uma estratégia correta. Por isso eu sempre falo que o último trecho da São Silvestre deve ser feito mais leve, alerta.
Como conseguir bom tempo na São Silvestre? Para os atletas mais experientes, que buscam melhorar o tempo na corrida paulista, é importante estar ciente que lá não é possível manter o mesmo ritmo durante toda a prova. E esse é o segredo para se dar bem.
Não dá para você correr 5min/km, por exemplo, do começo ao fim, porque tem muitos aclives e declives e na subida o corredor não vai conseguir manter o ritmo, revela o treinador. O interessante, para ele, é além de dividir a prova em três partes, o corredor deve fazer os trechos de subida de forma mais lenta e compensar esse tempo nos trechos planos.
Indagado se a São Silvestre funciona como uma espécie de batismo para o corredor iniciante, Sellmer acredita que sim. Todo corredor deve participar da São Silvestre pelo menos uma vez na vida. É muito difícil, o calor é forte, tem gente que só quer fazer festa e acaba te atrapalhando. Mas ou mesmo tempo tem a torcida, gente incentivando, o desafio da Brigadeiro. Além de ser uma é uma prova tradicional, finaliza.
Corridas de Rua · 11 dez, 2009
A Corrida Internacional de São Silvestre chega este ano à sua 85ª edição e mais uma vez reunirá 20 mil corredores pelas ruas e avenidas do entorno do centro de São Paulo, entre eles muitos amadores e uma forte elite. Confira detalhes sobre a retirada de kits, bem como os horários de largada.
Os kits serão compostos por número de peito, camiseta oficial da prova e chip de cronometragem e devem ser retirados entre os dias 27, 28 e 29 das 9 às 19 horas, e no dia 30 das 9 às 17 horas no Ginásio Poliesportivo Mauro Pinheiros, sito à Rua Abílio Soares, 1.300, no Ibirapuera. No ato da entrega o corredor deve apresentar documento de identidade com foto e o comprovante de pagamento ou boleto bancário original.
As largadas acontecerão em frente ao Masp (Avenida Paulista, 1.578), enquanto a chegada será em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero (Avenida Paulista, 900). O primeiro tiro de partida será às 15h para cadeirantes e handcycle (masculino e feminino), às 15h05 sairão as outras categorias de atletas com deficiência, às 16h30 a elite feminina e 16h47 a elite masculina e demais categorias.
Corridas de Rua · 10 dez, 2009
A São Silvestre é uma das mais tradicionais corridas de rua do Brasil. Todos os anos o evento acontece no último dia do ano, 31 de dezembro, em São Paulo, e também todos os anos escutamos a seguinte frase: o bicho papão da São Silvestre é a subida da Av. Brigadeiro Luis Antônio. Mas será que a Brigadeiro é mesmo o trecho mais difícil da prova?
O treinador Nelson Evêncio acredita que sim. Além de ser íngreme, de acordo com ele, a subida da Brigadeiro também é longa, tem cerca de 2,5 quilômetros. A prova em si é muito difícil, além do forte calor que normalmente faz nesta época do ano. Por isso quando o corredor chega na Av. Brigadeiro, normalmente já está cansado e o corpo está hiper aquecido, conta.
Como a subida da Brigadeiro é no final da competição, Nelson Evêncio aconselha os corredores se pouparem no início da prova, que ao contrário do final, tem muitas descidas. Os primeiros quatro quilômetros são em descida. E isso engana muito o atleta. Além disso, é importante hidratar-se bem durante a prova, mesmo que não sinta sede.
Uma outra dica do treinador, para encarar a subida com mais facilidade, é saber lidar com a parte psicológica. Para isso, na brigadeiro, o atleta deve correr olhando para baixo, sem olhar muito para o final da subida. Isso ajuda enganar o psicológico já que paramos de pensar que falta muito, revela. Ele também deve inclinar o tronco para frente, pisar mais na parte anterior do pé, tentando não tocar os calcanhares no chão, além de movimentar bastante os braços. Vale lembrar também do chefe chato que o perturbou o ano todo ou da namorada que o trocou por outro. Isso pode ser um grande motivo de incentivo, brinca.
Independente da intenção de correr a São Silvestre, todo participante precisa treinar. Nos treinos é importante incluir subidas longas, principalmente na fase final para simular o que acontecerá na prova.
Como calcular o tempo na subida? Para os atletas mais ansiosos, que pretendem ter uma previsão em qual tempo completará a prova, Evêncio tem uma fórmula para calcular o tempo da Brigadeiro.
Atletas experientes - acrescentar 2min30seg a mais no seu tempo normal de um trecho de 2,5 quilômetros planos. Se o atleta faz, por exemplo, 2,5 quilômetros em 15 minutos, a conta será: 15min + 2min30 = 17min30seg (tempo previsto para subir confortavelmente a Brigadeiro).
Atletas iniciantes - para quem não está muito treinado, ou vai encarar a prova pela primeira vez, deve acrescentar uns 30 a 40 segundos de caminhada a cada quilômetro de subida. Isso irá acrescentar apenas 1min30seg a dois minutos no final de prova.
Corridas de Rua · 09 dez, 2009
O maratonista Franck Caldeira, campeão da São Silvestre em 2006, se prepara para a edição 2009 da competição. Para isso, ele tem feito um treinamento diferenciado durante o ano e pretende chegar à disputa 100% para tentar mais uma vez o título da prova. Em agosto passado, ele faturou a Dez Milhas Garoto, em Vitória (ES) e, desde então se manteve fora dos holofotes, até a conquista do terceiro lugar na Volta da Pampulha no último dia seis.
Precisei fazer alguns exames médicos logo após a Garoto e logo em seguida passei uns 25 dias na altitude de Campos do Jordão para me preparar para a Pampulha. O tempo de preparação foi pouco e me surpreendi com a terceira colocação, atrás de dois africanos fortes (Nicholas Koech e Martin Sule), comenta o fundista. Segundo ele, a disputa mineira foi boa para garantir ritmo de prova, mas não pode ser tomada como base para a São Silvestre, pois é um estilo de competição muito diferente.
O que vale muito é o dia, a disposição e encarar a prova como uma questão de vestir a camisa. Tudo muda, já que muitos chegam como favoritos e acabam sendo surpreendidos, avalia Franck. Não vou mudar nada na preparação, apenas vou intercalar treinos mais rápidos, completa o mineiro, que ainda não voltou para a altitude, já que competirá neste domingo (13), em São Paulo, a Sargento Gonzaguinha.
Durante a Pampulha ele usou como estratégia específica se manter no pelotão intermediário e atacar os líderes a partir da metade da prova, tática que acredita não ser efetiva na São Silvestre. A única parte tática desta prova é em relação à temperatura, pois apesar de ter um nível forte, certamente vai haver alguma quebra no final. Nenhum ser humano agüenta o calor que faz em São Paulo nessa época. Para Franck, a dica para vencer ou conquistar um dos três primeiros lugares do pódio, é não perder os ponteiros de vista, sempre tentar acompanhá-los. Se deixar abrir, não tem como recuperar, pois tem muitas subidas e descidas.
O mito da Av. Brigadeiro Luiz Antônio - Muitos corredores acreditam que a subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio, no trecho final do percurso, é uma das partes mais complicadas, mas Franck não acredita neste mito. Não tem como decidir a prova lá, a não ser que tenham dois ou mais atletas juntos. A pior parte para mim é o início, os primeiros cinco quilômetros, pois é uma descida muito intensa.
Caldeira define como um ritmo absurdo, para a São Silvestre, a marca de 2min45 a 2min40 por quilômetro, marca que geralmente os atletas passam neste primeiro trecho. No início ainda estamos na fase de aquecimento, depois vem o Elevado Costa e Silva, com uma subida forte. Imagina a musculatura tomando pancada direto e depois encarando uma subida?, deixa a pergunta no ar.
Sempre descontraído e bem humorado, ele fez uma comparação no mínimo curiosa sobre os diferentes tipos de condição que se encara no percurso e diz que a São Silvestre se assemelha a um rali. É como um Rali dos Sertões, você pega água, chuva, depois barro, realmente tem que ser um 4x4, motor flex não agüenta, tem que ser a diesel. E para que esse motor não deixe o piloto na mão, além de água, isotônico e gel, um outro combustível pode fazer muita diferença: a torcida.
A São Silvestre é uma das poucas competições em que o público sai às ruas para torcer e incentivar os atletas, principalmente os brasileiros, numa energia contagiante que Franck faz questão de absorver. Faz a diferença, o pessoal gosta de ver um brasileiro vencer. Dá para se desconcentrar um pouco da prova e pensar na torcida, que é a nossa motivação para brigar com os africanos e vencer.
Adversários - Já em relação aos adversários, além de um forte pelotão de estrangeiros, que todo ano vem em busca do caneco dourado e da farta premiação em dinheiro, muitos brasileiros conquistam boas posições, mesmo aqueles que não são considerados favoritos. Franck acredita que alguns de seus companheiros de equipe no Cruzeiro podem dar trabalho. Essa é uma prova boa para o João da Bota e para o Giomar Pereira, mas um está voltando de lesão e o outro está um pouco cansado por ter corrido todas as provas do Circuito Caixa em busca de pontuação, revela.
Outros nomes fortes segundo ele, seriam Clodoaldo Gomes, vice-campeão em 2006 e Marílson Gomes dos Santos, bicampeão da prova em 2003 e 2005. O Marílson por não ter vencido a Maratona de Nova York pode vir para a São Silvestre para não ter um ano apagado e seria um forte candidato à vitória, mas a participação de Marilson ainda não está confirmada.
Por fim, Franck fala que como bom mineiro tem sempre o pé atrás na hora de falar sobre uma possível vitória. Prefiro largar primeiro, avaliar a prova e chegar no pódio para ficar entre os cinco primeiros. No decorrer da disputa a gente começa a sonhar com uma possível vitória de acordo como as pernas vão reagindo.
Corridas de Rua · 08 dez, 2009
Os quenianos Nicholas Koech e Pasalia Chepkorir, campeões da Volta da Pampulha no último domingo (06) em Belo Horizonte, confirmaram presença na Corrida Internacional de São Silvestre, a ser disputada no último dia do ano em São Paulo. Os dois chegaram com sobras na disputa mineira e entram como favoritos ao título da mais tradicional corrida de rua do calendário brasileiro.
Ano passado Nicholas obteve o sexto lugar na São Silvestre e agora, após o bi na Pampulha, espera poder melhorar sua colocação na competição paulista. É uma prova muito difícil por causa do percurso, mais duro do que o da Pampulha, e pelo forte nível técnico dos adversários", relata o atleta de 27 anos. É uma corrida que deve ser encarada taticamente desde o começo e não deixar os adversários se distanciarem. Assim pretendo correr para garantir um lugar entre os primeiros e, quem sabe, vencer", completa.
Já Pasalia, fez sua estreia em solo brasileiro durante a Pampulha e estabeleceu o novo recorde para o percurso de 17,8 quilômetros, com 1h00min39, contra a 1h00min57 de Lucélia Peres em 2005. Agora ela chega à São Silvestre credenciada como uma das favoritas a levar o caneco dourado. "Não conheço o percurso. Só sei que vou treinar bastante para chegar na corrida na minha melhor forma", completa a atleta que completou 26 anos no último dia primeiro de dezembro.
A largada para os 15 quilômetros acontecerá em frente ao Masp, altura do número 1.578 da Avenida Paulista, enquanto a chegada será em frente ao prédio da Gazeta, altura do número 900 da Avenida. Em 2008 a vitória ficou com o queniano James Kipsang e a etíope Yimer Wude, enquanto Fabiana Cristine e Raimundo Nonato foram os melhores brasileiros, respectivamente em segundo e quarto lugar.
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