Atletismo · 20 nov, 2002
"Tenho, 50 anos, 1,73 altura, 64 kg, corro 05 vezes porsemana, sendo 3 vezes, 12 km (tempo 78 min), 2 vezes 09 km (tempo 55 min). Em recente visita ao cardiologista, perguntei da importância e necessidade de um frequencimetro (daqueles com cinta abdominal) ele falou ser dispensável, pois eu deveria estar acostumado com meus limites. Que avaliação o senhor faz dessa informação do meu médico. O senhor aconselha o uso do equipamento, e qual seria o tipo?".
A opinião médica mais aconselhável, é a de que deve-se conhecer a frequência cardíaca (FC ) a ser atingida ou então aquela que não deve ser superada numa atividade física regular. A utilização de frequencímetros veio facilitar esse objetivo, além do que, alguns modelos modernos nos dão várias outras informações, muito úteis para a determinação dos limites metabólicos de consumo de oxigênio/calorias etc, o que fez com que fossem muito utilizados por atletas de todos os níveis e hoje em dia também por cardiopatas.
O frequencímetro digital mostra instantäneamente a FC (pulsação/minuto), sendo esse aparelho uma das maneiras mais fáceis e exatas de controlar os importantes limites atingidos pelo sistema cardiovascular durante um exercício físico, limites esses, baseados na freqüência cardíaca alcançada no teste ergométrico em esteira ou bicicleta, com monitorização eletrocardiográfica contínua, feito por cardiologista habilitado nesse exame (sempre confira isso, pois em alguns locais enganam os incautos).
Possíveis riscos de eventos cardíacos, como as arritmias desencadeadas no esforço físico e outras manifestações clínicas, às vezes sem provocarem sintomas, poderão ser evitadas ao orientarmos o esportista manter a FC nas faixas consideradas seguras. Outra utilidade de conhecermos a pulsação do coração é para melhorar o rendimento atlético, quando utilizamos a FC "alvo", isto é, aquela que deve ser mantida por vários minutos, para alcançarmos os benefícios dos exercícios físicos.
Evidentemente que, a sugestão da dispensa do uso dos frequencímetros, aponta que outro meio de medição deve ser usado. A nossa orientação é a de se palpar externamente a ponta do coração, com uma das mãos espalmada no peito ( logo abaixo do mamilo esquerdo ). Essa maneira é fácil e sem maiores riscos, apenas com algum possível erro na sua precisão.
Devemos enfatizar que deve-se evitar usar, o método muito comum, da palpação das carótidas (na lateral do pescoço) com os dedos, pois existe risco de se provocar desmaio ou síncope, pela compressão do bulbo carotídeo, onde se localizam receptores da pressão arterial e da pulsação do nosso sistema cardiovascular. Em indivíduos sensíveis ou susceptíveis, o risco de acontecer um acidente médico é alto, portanto essa manipulação, sempre deve ser evitada.
Podemos comparar o controle da pulsação ao uso do contagiro de um carro ou motos de corridas, para mudança ideal das marchas!
Corridas de Rua · 19 jul, 2002
Considero necessária esta informação aos médicos e usuários de academias , esportistas e atletas em geral. Alguns de seus colegas de academia e "treinadores" ( no momento ainda devo omitir nomes ) de modalidades como musculação, maratona, triathlon, etc, no ímpeto de querer mostrar "serviço" ao colega ou amigo de atividades físicas ou esportivas, principalmente, o que se acha mais gordinho, estão recomendando suplementos vitamínicos, que além de fortalecer e dar ânimo, ajudam emagrecer mais consistentemente, segundo, dizem!.
Os sugeridos com mais frequência são XENADRINE - rapid fat loss catalyst, , que na bula americana informa não ter sido avaliado pelo famoso FDA e sem bula brasileira.
Entre seus componentes encontramos: Ma Huang - standardizado (equivalente à 20 mg de efedrina; guaraná - equivalente à 200g de cafeína e L-tyrosina que é um hormônio de tireóide ) tudo uma verdadeira bomba com riscos fatais para algumas pessoas.
Outro é o MEGA MEN que contem as substâncias: Turnera aphrodisiaca, avena stiva, ginseng também contra-indicados para pessoas com distúrbios cardíacos (algumas delas não os percebem).
Bem, em nosso serviço de Cardiologia do Exercício e do Esporte do Dante Pazzanese e do Hospital do Coração Sanatório Sírio Libanês, tivemos alguns amadores e profissionais utilizando essas bombas e como consequência, apresentavam arritmias, incluindo, até graves, como: taquicardias ventriculares sintomática, extrassistolia ventriculares frequentes, fibrilação atrial entre outras, chegando ao total de 95% dos casos.
Com a retirada desses suplementos, não autorizados pela ANVISA, mas, de larga comercialização em lojas de vitaminas para esportistas, tivemos substancial melhora clínica. Portanto quero deixar esta denúncia para que os médicos atentem com muita determinação os praticantes de atividades físicas, esportivas competitivas ou não que nos procuram para orientação e que informam que usam suplementos inocentes, que foram recomendados por não médicos e não nutricionistas e que sequer conhecem os termos de uma bula adaptada para enganar.
Mesmo que não sintam sintomas, sempre pergunte ao seu médico ou nutricionista sobre o que está ingerindo. Mesmo técnicos experientes, não tem o direito de indicar esses tipos de vitaminas ou suplementos que não causam problemas para a saúde".
Falar de anabolizantes e seus efeitos no coração, na sexualidade e no risco de câncer faremos em outra oportunidade. Mandem suas dúvidas!
Corridas de Rua · 01 jan, 2002
Avaliação médica pré-participação em atividade física-esportiva em academias ou "personal trainer" ou por conta própria?
Assunto é hoje consenso entre os médicos especialistas em Medicina Esportiva, recomenda a todos indivíduos praticantes de exercício físicos ou esportes, uma avaliação cardiológica prévia, sempre incluindo teste ergométrico feito por cardiologista habilitado, procurando possíveis alterações cardíacas no esforço.
Um dos maiores cardiologistas americanos, Dr Barry Maron diretor do NHI (National Health Institute) de Bethesda, mostrou que com menos de 35 anos tem ocorrido uma morte súbita em cada 200 mil esportistas e acima de 35 anos a incidência foi de uma morte para cada 50 mil praticantes. Não se trata de nenhuma epidemia, como relatou, mas o fato de atletas mais velhos estarem participando de competições, elevou os riscos.
Para prevenir essas ocorrências só fazendo a avaliação médica pré-participação.
Uma das dificuldades é falta de interesse da maioria das academias, personal trainers e organizadores de provas populares.
Insistimos no fato de que se for seguido um protocolo mínimo, que inclua pesquisa de antecedentes familiares e pessoais, exame médico, eletrocardiograma em repouso, teste ergométrico e para alguns atletas o ecocardiograma, o benefício será enorme, pois aumentará a segurança da atividade física/esportiva, além de nos igualar a países como Estados Unidos, Espanha, Itália, Alemanha etc. A maior parte dos organizadores de provas populares não exige exames médicos ou dão orientações, apenas exige-se assinar um termo de responsabilidade pelo que vier a acontecer, colocando na mão do esportista/atleta uma responsabilidade que ele não pode ter em relação aos riscos para sua saúde.
Prevenir é o melhor tratamento, o atleta treinado ou o só participante de uma prova popular, poderá usar o questionário PAR-Q (sigla de Physical Activity Readiness Questionnaire, ou Questionário de Prontidão para Atividade Física), de avaliação clínica pré-participação esportiva.
O questionário consta de sete perguntas, às quais se responde com um simples "sim" ou "não", caso haja algum "sim", o indivíduo deverá ser encaminhado para uma consulta médica. Ao responder "não" a todas as perguntas, é baixíssima a possibilidade do indivíduo ser portador de alguma condição clínica que ofereça risco durante a atividade esportiva:
"Questionário de Prontidão para Atividade Física (PAR-Q)"( versão revisada em 1992).
1. Algum médico já disse que você possui algum problema de coração e que só deveria realizar atividade física com supervisão por profissionais de saúde?
2. Você sente dores no peito quando pratica exercícios físicos?
3. No último mês, você sentiu dores no peito quando praticava atividade física?
4. Você apresenta desequilíbrio devido a tontura e/ou perda de consciência?
5. Você possui algum problema ósseo ou articular que poderia ser piorado pela atividade física?
6. Você toma atualmente algum medicamento para pressão arterial e/ou problema de coração?
7. Sabe de alguma outra razão pela qual você não deve realizar atividade física?
"PRATIQUE ESPORTE OU FAÇA EXERCÍCIOS FÍSICOS, SUA SAÚDE AGRADECE"
Corridas de Rua · 01 jan, 2002
artigo atualizado em 23/01/09
Em fins do século XlX, observações científicas notaram que corações de animais selvagens eram maiores do que os corações dos animais da mesma raça, porém, domésticos (cachorro do mato x cachorro doméstico). A vida fisicamente mais ativa tornava o coração maior. Na primeira olimpíada moderna em fins de século XIX (1896), um médico europeu constatou que atletas de esqui de montanha na neve tinham corações maiores do que os não atletas.
Mesmo com a medicina evoluindo rapidamente, apenas nos últimos anos começou a ser descrito o que era um coração de atleta e suas características fisiológicas. Ainda assim alguns detalhes causam dúvidas para muitos médicos que chegam a confundir essas alterações com doenças cardíacas.
Para melhor esclarecer temos:
1- Bradicardia (pulsação menor que 60 batimentos por minuto) é muito comum em atletas bem condicionados, principalmente na alta performance esportiva (triathlon, maratona etc);
2 - Cardiomegalia (crescimento cardíaco no tamanho e no peso) confunde com cardiopatia;
3 - Sopros cardíacos benignos ou funcionais;
4 - Alterações do eletrocardiograma, do raio-x do coração e do ecocardiograma. Freqüente nos atletas altamente treinados, porém, reversíveis quando abandonam os treinamentos e competições.
Diferenciar o que é fisiológico do patológico originou o setor da Medicina estruturado como Cardiologia do Exercício e do Esporte, onde se avalia e se investiga as alterações encontradas nos atletas. Portanto ter Coração de Atleta indica que ocorreram as adaptações do coração à atividade esportiva intensa, não significando doença atual ou futura.
Devemos realizar avaliações periódicas (anuais ou semestrais) para acompanhar a intensidade das alterações, que são benignas na maior parte das vezes. No entanto encontramos um certo número de atletas com cardiopatias, ao redor de 8%, e que na maioria se beneficiaram com tratamentos, inclusive cirúrgicos. Os afastados em definitivo foram muitos poucos e alguns dos que estão em acompanhamento cardiológico, participam de competições sem correr riscos.
Corridas de Rua · 01 jan, 2002
artigo atualizado em 23/01/09
Da aula de biologia: o coração é um órgão oco, cujas paredes são músculos que se cruzam (enfaixados) formando as paredes externas, o seu interior está dividido em quatro câmaras, duas superiores: os átrios direito e esquerdo, e as inferiores: os ventrículos D e E. Para evitar que o sangue volte temos as válvulas que direcionam o sangue numa única direção, de cima para baixo: a Mitral entre o átrio E e o ventrículo E e a Tricúspide entre o átrio D e ventrículo D.
Como funciona? Ele funciona com energia própria, originada num lugar chamado Nó Sinusal, que emite impulsos elétricos regularmente do átrio para os ventrículos (é a pulsação), fazendo com que as câmaras se contraiam impulsionando o sangue oxigenado e com nutrientes, além de vários outros elementos de defesa nas infecções e de coagulação em caso de hemorragias.
Qual sua importância? O coração bombeia o sangue, só isso!!
Quais as funções do coração? A sua irrigação é feita pelas artérias coronárias, que tem a forma de galhos e envolvem o coração por fora, como uma coroa (por isso se chamam coronárias).
O que são doenças cardíacas coronárias e como prevenir? As doenças que o acometem, atrapalhando ou impedindo seu funcionamento: infecciosas, degenerativas, congênitas ou genéticas. Muitas delas são descobertas numa simples consulta cardiológica com eletrocardiograma.
Lembre que atualmente temos exames complementares muito eficientes. A prevenção depende de uma competente avaliação médica para corrigir os fatores de risco causadores de muitas cardiopatias
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