Meia Maratona · 17 ago, 2007
Correr sob alta temperatura requer alguns cuidados básicos que muitas vezes são esquecidos pelos corredores. Foi com esse intuito que a Adidas organizou na última quarta-feira (15) na loja Velocitá, em São Paulo, uma palestra com esse tema. O calor é umas das características da Meia Maratona do Rio de Janeiro, que acontece no próximo dia dois de setembro. Por isso fique por dentro das principais dicas para enfrentar termômetros elevados.
São Paulo - É praticamente impossível escapar do calor quando participamos de uma corrida. O nosso próprio corpo é um gerador natural de calor principalmente quando praticamos alguma atividade física. Mas, além disso, há outros fatores que aumentam ainda mais esse fenômeno da natureza.
De acordo com o mestre em ciências biomédicas, Helio Souza, além do corpo, também recebemos calor do sol, do solo e do ar. Por isso conhecer as condições climáticas no dia da competição é fundamental. Um dos itens a serem observados, além da temperatura, é a umidade relativa do ar. O calor é perdido quando tem a evaporação e não apenas a transpiração. Quando temos uma umidade relativa do ar muito alta não há evaporação da pele, alerta.
Segundo ele, é perigoso participar de uma prova num ambiente muito quente e úmido. Mas muitas vezes a umidade não é levada em conta e as provas acontecem normalmente. Por isso é possível amenizar o calor com algumas medidas básicas. O vento pode ajudar o corredor, além disso, uma roupa de cores claras e tecido tecnológico também ajuda, revela.
Preparação - Suportar o calor é algo que podemos nos acostumar. Por isso treinar com as condições climáticas parecidas com a da prova é de grande valia. O treinador Cláudio Castilho recomenda alguns treinos fora do horário habitual da corrida diária.
Temos que nos adaptar para a prova. A aclimatação pode ser feita de forma gradativa. Eu costumo colocar na planilha do atleta alguns treinos perto do horário da prova, mas com uma intensidade mais baixa que o normal, explica. Ainda segundo Cláudio Castilho, não é necessário fazer a mesma distância da prova nesses treinos extras.
Se devemos nos preocupar com a parte externa do corpo, a parte interna necessita ainda mais atenção. O nosso corpo é composto praticamente por água e durante uma atividade física intensa, principalmente no calor, perdemos muita água.
A nutricionista Cibele Crispim afirma que quando corremos temos que repor tudo aquilo que perdemos, mas de forma correta. Durante a transpiração o corpo perde água, sódio, potássio e cloreto. Essas substâncias não são repostas apenas com a água no seu estado puro, dependendo da intensidade da atividade física, é necessário repor os outros nutrientes mencionados.
A sede é sentida quando o nível de sódio e água cai. Nessa hora você já está desidratado. Por isso é sempre bom fazer uma estratégia de hidratação antes de sentir sede, conta Cibele. Mas também não podemos exagerar na quantidade de água e isotônicos.
Para saber o quanto de água o corpo perde depois de uma hora de competição é preciso fazer um teste simples. De acordo com Cibele, é possível saber essa quantidade perdida se pesando antes e depois do treino longo. Apenas com esse resultado é possível montar a estratégia correta de hidratação.
A dica básica para uma prova longa é fazer o uso da água e também de carboidrato líquido, que pode ser em gel ou isotônico. O carboidrato deve ser consumido depois de 60 minutos de atividade física. A pessoa precisa repor entre 30 a 50 gramas de gel por hora, revela. Mas para ela, cada caso é um caso, essa dica apresentada é uma recomendação internacional, mas existem pessoas que devem entrar com suplementos antes de uma hora. Esse caso é para aquele que perde mais de um quilo e meio de água, por exemplo.
Confira mais algumas dicas de hidratação:
Corridas de Rua · 04 jan, 2005
Sexta-feira, 31 de dezembro de 2004, a octagésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre reuniu 15 mil corredores, divididos em 2 mil mulheres e 13 mil homens. A prova feminina teve inicio às 15h15 e a masculina às 17h06. A grande maioria dos corredores que participam da mais antiga e tradicional corrida da América Latina o faz pelo prazer de completar a distância de 15 quilômetros. Já os profissionais, os atletas qualificados de elite, não mais do que cem corredores, lá estão para tentar uma posição de destaque. Esses atletas são extremamente preparados para enfrentar a principal adversidade da prova: o calor. O percurso. que tanto falam, é difícil, sem dúvida; mas não afeta a saúde dos participantes.
Temperatura alta, rendimento baixo - Segundo pesquisas realizadas pelo médico fisiologista Dr. Rogério José Neves, maratonista, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas com o futebol feminino, membro do Colégio
Americano de Medicina Esportiva e diretor do Sportslab (Laboratório de Performance Esportiva), que acompanhou a prova e estava no posto médico, afirmou: o calor afeta o organismo dos corredores em situações extremas.Quando está quente, o corpo luta para manter a temperatura corporal de 36,5 graus. A sobrecarga no coração e vasos sangüíneos podem causar taquicardia e outros problemas . Os vasos sangüíneos se dilatam, e o coração fica mais acelerado para aumentar o fluxo sangüíneo. A evaporação do suor é eliminada do corpo através da pele. Em situações de umidade relativa do ar alta, esse processo é retardado. Se o suor não evapora, a temperatura corporal aumenta, é como se estivéssemos correndo envolto por um saco plástico , afirma o Dr. Rogério Neves. Quando o corpo está muito aquecido, o hipotálamo que é o termostato do corpo localizado no cérebro, dá o primeiro sinal de alerta. Se os líquidos perdidos com o suor não forem repostos de imediato, o corpo começa a se desidratar. Embora a organização da prova segue a risca no que diz respeito à regra internacional de ter postos de água a cada cinco quilômetros, não podemos esquecer que estamos em um país de clima tropical, onde as temperaturas em pleno verão chegam aos 40 graus.
O ideal é se hidratar a cada 15 minutos em corridas de longa duração, como foi apresentado recentemente no Colégio Americano de Medicina Esportiva, realizado em São Francisco nos Estados Unidos. Portanto, poderiam ser colocados postos de abastecimentos a cada três quilômetros.
Outra evidência de que o calor excessivo com temperaturas superiores aos 30 graus apresentado na Corrida de São Silvestre, relacionado com a umidade relativa do ar superior aos 70%, o Dr. Rogério Neves, diz que, os exercícios tornam-se mais cansativos, 'pode ocorrer exaustão, cãibra, 'cansaço e fraqueza. Mas, o maior perigo é o risco de um colapso com sensação de sono, irritabilidade e perda de consciência.
Outro fato que demonstra bem o efeito negativo do calor e umidade relativa do ar, é o resultado dos atletas vencedores. A queniana Lydia Cheromey, que se sagrou tricampeã da prova com vitórias em 1999 e 2000 completou os 15 quilômetros em 53min01seg, seis minutos acima da sua melhor marca de 47min02seg, estabelecido na Holanda (em percurso plano) e temperatura abaixo dos 10 graus. Com o resultado deste ano, Cheromey seria a quarta colocada na São Silvestre de 2003. Já no masculino, não foi diferente, Robert Cheruiyot do Quênia que garantiu o bi-campeonato com 44min43seg , não passaria de um sétimo lugar na edição de 2003.
Wanderlei de Oliveira, 45, maratonista, é técnico de atletismo, participa da Corrida Internacional de São Silvestre desde 1978, foi o comentarista da prova masculina na TV Gazeta.
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