
O colunista Carlão e a italiana Francesca Porcellato (foto: Arquivo pessoal)
O mês de abril é singular para os amantes das longas distâncias, pois é nesse mês que acontecem as duas das mais charmosas e importantes maratonas do planeta. A de Boston, foi realizada no dia 16 de abril de 2007 e a primeira edição dessa prova foi em 1897, com apenas 15 concorrentes. A largada é dada na pequena e bucólica cidadezinha de Hopkinton, sempre numa segunda-feira feriado, dia em que os americanos comemoram o Patriot Day.
É lindo de se ver, atletas, homens e mulheres exibindo seus trajes colantes e coloridos, corpos musculosos, como verdadeiras máquinas de correr em cima de suas cadeiras de rodas de competição. Além disso, eles exibem seus equipamentos de última geração, corpos malhados e rostos contraídos pela tensão da largada. Após o tiro de largada o carro madrinha acompanha os atletas até a passagem por um ponto delicado, uma descida e uma curva muito acentuada, parecendo um cotovelo, ali já aconteceram muitos acidentes, pela velocidade incrível empreendida já no início da prova. Daí em diante é um mar de braços buscando o melhor posicionamento nos pelotões.
Depois a prova vai passando por Ashland, Framingham, grande reduto de brasileiros, (já fiquei nessa cidade) Natick, Wellesley metade do percurso a meia-maratona, Newton é onde está o temível Heart break limb a marca dos 30km, é neste ponto onde vai valer muito tudo aquilo que o atleta treinou. Lá é a última, grande e mais difícil subida da prova. É neste ponto também que está o Boston College (universidade), um dos pontos altos da prova, não só pelo seu grau de dificuldade, mas também pela participação do público. Nesse ponto os rapazes e moças incentivam os corredores, gritando os seus números e fazendo galanteios elogiando o perfil, performance, etc., fica mais fácil para o público interagir, pois pela inclinação é obrigatório que os atletas diminuam o ritmo.
Daí para frente é só alegria e o atleta cadeirante pode se deliciar com a paisagem, mas por pouco tempo, pois logo não é possível enxergar as calçadas, pelo público que se acumula para ver e incentivar os atletas. Com uma curva à direita se entra na reta final. É uma multidão, incalculável, com gritos ensurdecedores se cruza a linha de chegada, é algo indescritível.
Com 1h49min52, na 19ª colocação, eu fui o primeiro brasileiro a participar dessa prova, pude ver e contar para vocês. O recorde da prova foi no ano de 2004 e Ernst Van Dyk da África do Sul, fulminou o melhor tempo em maratona, cravando 1h18min27. Já o melhor tempo feminino parece não haver quem possa derrubá-lo. Este foi conquistado em 1994, quando Jean Driscoll, dos Estados Unidos, cravou a marca de 1h34min22.
Existe um bônus de US$10 mil para quem quebrar os recordes, tanto no masculino como no feminino. Os vencedores desse ano foram os japoneses Masazumi Soejima (1h29min16) e Wakako Tsuchida com 1h47min11.
Já a prova de Londres desse ano contou com um sol maravilhoso, atípico para a época, daí o dito inglês de que o verão sempre cai numa segunda-feira. Mas neste ano caiu num domingo sensacional, ensolarado e com a temperatura alta.
Esta prova tem um percurso maravilhoso, além de passar por pontos turísticos famosos como o Big Bem e o Palácio de Bukingham. Dessa vez o pódio contou com uma dobradinha inglesa, onde Shelly Woods impediu mais uma vitória de Francesca Porcellato, italiana que trabalha no ministério do turismo e anda muito forte nesta prova. Ela era uma das apostas, mas acabou fechando em segundo lugar. Outro bem cotado para a vitória era o mexicano Saul Mendoza, um dos maiores corredores do mundo, além também o detentor da melhor marca para a distância o sul-africano Ernest Van Dicky, que fechou a prova na quarta colocação.
Mas quem venceu no masculino foi David Weir em 1h30min49. Shelly Woods foi a primeira mulher que completou. Ela fez a marca de a prova em primeiro no tempo de 1h50min40.
Brasil – No Brasil não há muitas maratonas, mas no dia 27 de maio acontece a Maratona de Porto Alegre. A competição é própria para cadeirantes fazer bons tempos, apesar do piso não ajudar muito nesse intuito, uma vez que este é muito áspero, porém, não existem aclives muito fortes. Vale a dica.
Colaborou com o artigo Bianca Oliveira
Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira