Que tal começar 2026 correndo sem lesão?

Ana Paula Simões | Lesão · 15 jan, 2026

Especialista resume revisão sistemática que reúne as causas de lesão na corrida pra você evitá-las!

1- Lesão na corrida não é acaso: é fisiologia, carga e prevenção

A ideia de que a lesão surge “do nada” ainda é comum entre corredores. No entanto, a literatura científica mais recente reforça que lesões relacionadas à corrida seguem padrões claros e previsíveis, fortemente associados à forma como o corpo é exposto à carga ao longo do tempo.

Foto: Adobe Stock

Uma ampla revisão da literatura internacional mostrou que o principal grupo de fatores associados às lesões não está só no tipo de tênis ou no terreno isoladamente, como a maioria culpa, mas sim nas características do treinamento.

Aumentos rápidos de volume, intensidade ou frequência, sem tempo adequado para adaptação tecidual, elevam significativamente o risco de lesões musculares, tendíneas e ósseas. O problema não é treinar forte, mas exigir mais do que o organismo consegue suportar naquele momento. Ou até mesmo sair do planejado pelo treinador.

Outro achado consistente é o impacto do histórico prévio de lesão. Corredores que já se lesionaram apresentam maior risco de recorrência, especialmente quando retornam ao treino sem reabilitação completa. Alterações estruturais e neuromusculares persistentes tornam o tecido mais vulnerável quando a carga volta a subir.

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Aspectos relacionados ao estilo de vida e à recuperação também aparecem de forma relevante:

• Privação de sono,
• fadiga acumulada e
• estresse

Reduzem a capacidade de absorção de impacto, prejudicam o controle neuromuscular e aumentam a sobrecarga repetitiva.

Não se trata de falta de disciplina, mas de fisiologia: o corpo precisa de recuperação para se adaptar.

Fatores biomecânicos e de força atuam como moduladores desse risco. Déficits musculares, assimetrias e padrões de movimento pouco eficientes não causam lesão isoladamente, mas potencializam o dano quando combinados com carga excessiva.

Dentro desse contexto, o check-up médico esportivo ganha papel central. Avaliar saúde cardiovascular, histórico clínico, composição corporal, força, mobilidade e resposta ao treinamento permite identificar riscos antes que eles se transformem em lesão. Prevenção começa fora da pista.

Janeiro, tradicionalmente marcado pelo Janeiro Dourado, é o momento ideal para reforçar essa mensagem. Assim como o ouro simboliza valor e cuidado, a saúde deve ser o ativo mais precioso do corredor. Planejar o ano com avaliação médica, metas realistas e progressões bem estruturadas é uma estratégia baseada em evidência não em achismo.

A ciência é clara:
lesões na corrida são multifatoriais, progressivas e, em grande parte, evitáveis.

Correr com saúde não é correr menos.
É alinhar demanda com capacidade, respeitar a adaptação do corpo e agir antes que a dor vire diagnóstico.

Bons treinos, valentes!
@DraAnaPSimoes

Ana Paula Simões

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Professora Instrutora e mestre em Ortopedia e Traumatologia do Esporte da Santa Casa de SP. Membro internacional e nacional da Sociedade de medicina e cirurgia da Perna, Tornozelo e Pé. Vice presidente da sociedade paulista de medicina esportiva. Comissão da prova de título da Sociedade Brasileira de medicina do esporte. Membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade de Traumatologia Esportiva. E também é corredora e nadadora.