Marily dos Santos diz não estar ansiosa para a Maratona

Redação Webrun | Atletismo · 07 ago, 2008

Acostumada a cruzar a linha em primeiro em provas nacionais  em breve essa por ser uma realidade fora do país (foto: Luiz Doro Neto/ adorofoto)
Acostumada a cruzar a linha em primeiro em provas nacionais em breve essa por ser uma realidade fora do país (foto: Luiz Doro Neto/ adorofoto)

Marily dos Santos, única representante brasileira na Maratona feminina da Olimpíada de Pequim, embarca nessa sexta-feira (08) para a capital chinesa e diz que até o momento não está ansiosa. “Eu não tenho esse negócio de ficar nervosa, eu sinto é uma quentura”, afirma a alagoana. “Eu devo sentir uma emoção depois que passar isso tudo”, completa.

São Paulo – No dia 20 de abril Marily dos Santos marcou 2h36min21 na Maratona de Santa Catarina e carimbou o índice A para a disputa olímpica, mesmo correndo sob condições adversas como chuva e fortes ventos. Desde então ela vem realizando treinamentos em conjunto com seu treinador Gilmário Mendes para chegar bem preparada no próximo dia 17.

“Eu não posso reclamar de nada, estou bem treinada, fiz muita rodagem, agora só falta o polimento, treinar apenas um turno por dia e esperar chegar o dia”, fala com toda sua tranqüilidade. A tática que será utilizada por Marily não tem mistério, já que ela entrará na prova sem pressão por resultado, o que certamente lhe favorecerá bastante.

“Meu objetivo é correr com o pelotão de frente até a marca da meia maratona. Vou dar o meu melhor e acredito que consiga chegar entre as 30 melhores”, lembra a corredora de 30 anos. “Vão ter meninas muito boas, que fazem 2h15min, mas ninguém é imbatível”, completa.

Treinos – Segundo Gilmário, nas maratonas em que Marily disputou até hoje, o treinamento não foi reduzido às vésperas da competição e ela inclusive participou de provas menores nos finais de semana anteriores. Após a obtenção do índice, porém, a situação foi outra. “Nesse período ela fez apenas uma meia, não teve outras provas, então pôde treinar mais”.

A maratonista inclusive recebeu um convite para disputar a Meia Maratona de Bogotá, mas recusou a proposta do manager, que chegou a oferecer cachê em dólar. “Ela preferiu não se desgastar correndo a 2.600m de altitude, porque acabaria competindo para valer, não faria apenas um treino”, comenta o treinador e marido.

Marily nasceu em Joaquim Gomes, cidade que fica a 71 quilômetros de Maceió (AL), onde trabalhava na roça, numa região em que não havia luz elétrica. “Ela não sabia o que era Olimpíada até os 18 anos. Competir com as melhores do mundo numa prova que ela não é tão experiente, não dá para exigir uma performance muito melhor do que obteve em Santa Catarina”.

Marily enfrentará grandes nomes do atletismo mundial, como a britânica Paula Radcliffe, a americana Deena Kastor, a etíope Get Wami, entre outras, mas Gilmário garante que as adversárias não vou assustar a atleta. “Fazendo uma analogia com o forró, que ela gosta muito, ela vai para dançar da forma que sabe, sem ter que se preocupar com os outros”.

O forte calor que faz na região será um grande aliado, já que ela costuma treinar sob altas temperaturas em Pojuca e Salvador, mas a poluição pode ser um agravante na performance. Enquanto Gilmário parece se preocupar um pouco, já que ela está acostumada com locais arborizados e ar fresco, Marily parece tirar de letra. “Vai ter poluição para mim e para todo mundo também, todas terão essa preocupação”.

Futuro – Assim, de forma despreocupada, Marily segue ganhando experiência e, após a Olimpíada, certamente será mais reconhecida e receberá convites para disputar provas tradicionais, como Berlim, Chicago e Nova York. “A Olimpíada, além de ser importante para representar o país, profissionalmente tem a importância de abrir portas no exterior. Ela certamente será outra Marily depois de Pequim”, orgulha-se Gilmário.

A carreira da maratonista segue em ascensão e o treinador acredita que nos Jogos de 2012, em Londres, ela terá mais chances de obter um bom resultado. “Ela estará com 34 anos e muito mais experiente”. Agora resta torcer para que Marily dos Santos dê o primeiro passo para, quem sabe, o Brasil iniciar uma boa fase olímpica na modalidade.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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