
Marily acreditou que poderia vencer e fazer um bom tempo (foto: Ricardo Leizer/ www.webrun.com.br)
São Paulo – Durante a madrugada que antecedeu a competição Gilmário Mendes, treinador de Marily, ficou desanimado ao ver a chuva e o tempo feio e disse à sua pupila que ela poderia vencer a prova, mas dificilmente faria uma boa marca. Ele falou isso e me deu um desânimo, mas ao mesmo tempo pensei que fazer um bom tempo era tudo que eu queria, ressalta a atleta. Eu pensei comigo que eu queria muito vencer, então me deu um nó na garganta cinco minutos antes da largada e coloquei todas as dificuldades de lado, completa.
Tive paciência até o quilômetro 16 e rodava as passagens com um tempo um pouco alto e fui assim até o 21, lembra Marily. Ela aumentou o ritmo depois da metade da prova e passou a correr sozinha após um determinado ponto, ocasião em que as condições climáticas já eram mais amenas. Deus viu que eu estava tão concentrada, que me deixou a vontade para correr mais. A minha perna não obedecia, mas minha cabeça queria muito, sentia uma dor muscular, mas sabia que seria por pouco tempo, então no final fiz um tiro nos últimos dois mil metros, lembra.
A data final estipulada pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) para que os competidores obtenham o índice é 11 de maio e até este dia outras atletas ainda podem ultrapassá-la, motivo pelo qual ela ainda está comedida na comemoração. Estou comemorando meu tempo, a nossa disposição, eu e o Gilmário fizemos de tudo, gastamos tudo o que tínhamos que gastar para conseguir isso.
Até a disputa da prova catarinense, Sirlene Pinho e Marizete Moreira possuíam o índice B com o mesmo tempo (2h39min08), mas apenas uma delas iria para a disputa olímpica. Após o feito de Marily, mais duas corredoras precisam alcançar o índice A, para que a equipe brasileira fique com o número máximo de vagas permitido.
Para ele, um dos diferenciais foi ter treinado na altitude de Campos de Jordão usando uma estratégia diferente da maioria dos outros atletas, já que Marily encerrou a preparação na cidade 30 dias antes da disputa da Maratona. Fiz um curso com o Carlos Alberto Cavaleiro, que mostrou os resultados obtidos em diversos momentos após a preparação na altitude. Eu apostei no período entre 30 e 40 dias.
Para trabalhar a musculatura simulando uma competição, Gilmário conta que a atleta costuma realizar treinos longos em estradas, onde a diferença de altimetria é uma ótima aliada. A estrada também serve para administrar a solidão de liderar uma prova sozinha e ter que forçar o ritmo, fato que aconteceu em Florianópolis.
Futuro – Até o final desta semana ela ganhará um merecido descanso e depois voltará aos treinos e às competições, sempre participando de provas curtas, geralmente 10 quilômetros. Ela vai correr algumas etapas do Circuito Caixa e outras corridas no nordeste, mas vai ficar de fora da Maratona de São Paulo e do Rio de Janeiro, ressalta Gilmário.
A Maratona de Santa Catarina foi a quinta participação de Marily na distância, já que ela esteve duas vezes na Maratona de São Paulo, uma na Maratona de Padova (3º lugar) e uma na Maratona do Rio de Janeiro, ano passado, onde foi campeã.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda