Marílson Gomes o Mister Regularidade

Redação Webrun | Corridas de Rua · 08 ago, 2003

Marilson no Jogos Pan-Americano de Santo Domingo: prata nos 10000m e bronze nos 5000m (foto: Washington Alves)
Marilson no Jogos Pan-Americano de Santo Domingo: prata nos 10000m e bronze nos 5000m (foto: Washington Alves)

Marílson Gomes dos Santos é uma máquina de vitórias que pretende brilhar no Pan e ensaia a estréia em maratonas.

Otimismo e regularidade em prol da realização. Após 10 anos de atletismo, Marílson Gomes do Santos vai viver um dos maiores sonhos no esporte: disputar os Jogos Pan-Americanos. O atleta da equipe Pão de Açúcar/BM&F promete não decepcionar nos 10 000 metros. Quer estar no pódio em Santo Domingo, de preferência no degrau mais alto. Aos 25 anos, o corredor atravessa grande fase. Encerrou a temporada passada com o vice na São Silvestre e o primeiro lugar nos rankings brasileiros dos 10.000m em pista, da meia maratona, dos 15 km e das 10 milhas. Além d a liderança do ranking sul-americano dos 10.000, com 28m34s59. A temporada deve trazer ainda uma novidade, a estréia em maratonas.

O brasiliense carimbou o passaporte para a República Dominicana ao vencer a prova de 10.000 metros rasos no 1º Torneio FPA de Meio Fundo e Fundo, na pista do Centro Cívico de Americana, em São Paulo, no final de março. O atleta fez o tempo de 28min22s58 (o índice é 28min23s68). Os resultados do primeiro semestre de 2003 dão sinais claros de que o atleta manterá a regularidade na temporada. Além da vaga para o Pan, Marílson conquistou o primeiro lugar na Corrida de Cornélio Procópio, foi vencedor dos 5.000 metros rasos do IX Torneio da Federação Paulista de Atletismo (FPA), em São Caetano do Sul, com o tempo de 14min04s32, e faturou os 10km da Tribuna FM de Santos. Completou o percurso em 28min18 e ficou a 17 segundos do recorde da prova, que pertence ao companheiro de equipe Vanderlei Cordeiro de Lima (28min01). Chega? Não, ele também faturou a medalha de ouro nos 5.000 e 10.000 metros do Troféu Brasil de Atletismo, em junho.

Com tantas visitas ao pódio, Marílson acredita que está no melhor momento da carreira. “Estou melhorando minhas marcas pessoais. Em 2002 tinha o tempo de 28min32 para os 10 mil, agora já estou fazendo em 28min22. E também sinto que estou realizando meus melhores treinamentos.” A programação do atleta inclui treinos diários em dois períodos, além de sessões de musculação para fortalecimento, duas vezes por semana.

Considerado um dos principais fundistas brasileiros, Marílson Gomes dos Santos começou no atletismo aos 14 anos, em Brasília, seguindo os passos do irmão que era corredor de rua. Os resultados vieram rápido e um ano depois, mudou-se para São Paulo para integrar a equipe do Sesi. Desde então, se dedica exclusivamente ao esporte. Ter o atletismo como profissão provocou mudanças na vida do atleta, mas ele afirma que valeu a pena. “Fiquei mais reservado, pois quando você encara o atletismo como profissão tem que mudar seu estilo de vida. Por exemplo: eu adorava jogar futebol, mas tive que abrir mão para me manter bem para os treinos e provas. No entanto, o esporte é a minha renda, tudo que tenho é graças ao atletismo.” Por intermédio das passadas velozes e ritmadas, conseguiu comprar duas casas – a sua e uma para mãe -, além de ajudar a família.

Marílson não foge a regra. Como todo atleta, vislumbra a medalha olímpica. No entanto, é cauteloso. Quer participar de Atenas/2004. Se possível ficando entre os oito melhores resultados para brigar pelo pódio, mas acredita que estará em plenas condições de ser medalhista em 2008, em Pequim. Tranqüilidade e paciência são traços marcantes da personalidade do corredor. E é justamente a estas qualidades que o atleta credita a boa performance. “Meu ponto forte é a regularidade. Ela ajuda a manter a minha motivação e também vou tendo um aumento de performance gradativo, sem frustrações. Tenho paciência para chegar ao topo, o que vale atropelar fases e não atingir a meta? Para quem quer ser um bom fundista tem que ter paciência, não esperar por resultados precoces, o certo é treinar muito e corretamente.”

E com essa mesma serenidade, Marílson encara os maiores fantasmas dos esportistas: as lesões. “Já enfrentei várias, quem é atleta de alto rendimento tem que saber conviver com estes problemas. Acredito que a pior lesão foi em 1997, um desgaste na articulação do joelho. Foi difícil porque a recuperação é lenta e ver os outros competindo e você não, é frustrante. Mas isso faz parte da profissão e é preciso saber superar mais este obstáculo.” Em casa, encontra apoio e compreensão que só outro atleta pode dar. Afinal, é casado com Juliana Santos, medalha de bronze nos 800 metros no mundial Juvenil, disputado em Kingston, em 2002 e que foi a campeão dos 1.500 metros rasos do Troféu Brasil.

Maratona – Melhor brasileiro classificado na São Silvestre em 1999, 2001 (4º lugar) e 2002 (2º lugar), o brasiliense pode ficar de fora da mais tradicional prova nacional este ano. Não é desprezo pela competição. Considera os pódios da ‘SS’ os momentos mais marcantes da carreira. Mas novos desafios estão pela frente. Ele e seu técnico, Adauto Domingues, que o acompanha desde o início da carreira, estudam a estréia em maratonas. “A expectativa é grande”, revela o fundista, que foi bicampeão mundial universitário da meia maratona. “Se eu começar na maratona, nem irei para a São Silvestre este ano”, comenta o corredor, que já participou cinco vezes da competição. A definição dos planos para 2004 só acontecerá após os Jogos de Santo Domingo.

Quando o assunto é o futuro do atletismo brasileiro, o corredor, que mora em Santo André, na Grande São Paulo, arrisca um palpite. “Acredito bastante no Franck Caldeira. Por ser seu primeiro ano como adulto vem tendo resultados expressivos e apresenta uma característica muito importante, força de vontade para vencer, sem desanimar nunca.” Elogios somente para os atletas, pois há ressentimento em relação à organização de provas no Brasil. “Os corredores do Brasil estão disputando de igual pra igual com os estrangeiros, no entanto, quando as provas acontecem aqui, há um fenômeno muito estranho: a diferença de tratamento. Enquanto em qualquer país se valoriza os atletas da casa, no Brasil os privilégios são para os estrangeiros.” Apesar de estar insatisfeito com este comportamento, Marílson reconhece a habilidade dos competidores internacionais, principalmente os africanos. “Admiro os atletas africanos pela facilidade que eles têm de correr e a força de vontade de vencer. É uma inspiração para qualquer corredor.” Inspiração que tem se revertido em vitórias.

Perfil
Nome: Marílson Gomes dos Santos
Idade: 25 anos
Peso: 58kg
Altura: 1,74m
Provas: Provas: 5.000m, 10.000m e meia maratona

Conquistas

  • Bicampeão Mundial Universitário na Itália/97 e Espanha/99 Meia Maratona
  • 4ºlugar na Corrida Internacional de São Silvestre/99
  • 1ºlugar na Copa Brasil de Cross Country/00 – 12km
  • 2ºlugar na Meia Maratona do Rio de Janeiro/00
  • 2ºlugar nas Dez Milhas Garoto/00
  • 2º lugar no Troféu Brasil de Atletismo/01 – 5.000m e 10.000m
  • 3º lugar no Ekiden de Chiba – Japão/01
  • 4º lugar na Corrida Internacional de São Silvestre/01
  • 1º lugar na Corrida de Cornélio Procópio/02
  • 1º lugar na Meia Maratona de Santo André – SP/02
  • 2º lugar na Meia Maratona Corpore/02
  • 1º lugar na Corrida dos Carteiro de Brasilia/02
  • 1º lugar na 120 Corrida do Fogo de Brasilia/02
  • 2º lugar na Meia Maratona do Rio de Janeiro/02
  • 1º lugar nas Dez Milhas Garoto/02
  • 1º lugar na São Paulo Classic/02
  • 1º lugar na Corrida de São Silveira em Barueri/02
  • 2º lugar na Corrida Internacional de São Silvestre/02
  • 4º lugar na Corrida de São Fernando – Uruguai/03
  • 1º lugar na Corrida de Cornélio Procópio/03
  • 1º lugar nos 10km da Tribuna FM de Santos/03
  • 1º lugar no Troféu Brasil de Atletismo/03 – 5.000m e 10.000m

Este texto foi escrito por: Renata Rondini – Revista SuperAção

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