
Marcelo já tinha quatro maratonas no currículo quando resolveu se arriscar no triathlon (foto: Ricardo Leizer/ www.webrun.com.br)
Pisar na areia, no pé da praia de Jurerê, em Florianópolis, antes da largada da maior disputa de triathlon brasileira é uma sensação para se valorizar a cada momento. E a família faz parte de todo o processo para se tornar um Ironman. É o que conta o amador Marcelo Mauro à reportagem do Webrun.
No dia 27 de maio será a terceira vez que o gerente de sistemas Marcelo Mauro irá até Florianópolis para competir no Ironman Brasil. Ao mesmo tempo em que se tornava um Ironman pela primeira vez, seu filho Luca nascia e, desde então, participar da prova e comemorar o aniversário do filho fazem parte da programação do mês de maio da família.
Família de Ferro A relação com família, para ele, é imprescindível para conseguir treinar o ano todo para a competição de 3,8 quilômetros de natação, 180 de ciclismo e 42 quilômetros de corrida. Tem que ser parceria. Quando você decide fazer um Ironman, você precisa primeiro consultar sua esposa, explicar exatamente o que é o treinamento e qual o compromisso que vai ter que fazer para cumprir tudo isso, explica.
Como Marcelo trabalha em casa, seu esquema de treinamento fica mais fácil de ser cumprido. Mas mesmo assim as sessões exigem demais do atleta. Todo mundo gosta de falar a mesma coisa: o difícil não é fazer o Ironman, o difícil é se preparar para a prova. E não tem como discordar: a rotina de treinos é muito pesada. Durante a semana você acostuma bem, treina duas modalidades por dia, por exemplo. O pior mesmo é o fim de semana, que são treinos longos.
E nessa parte é que entra a importância da família. Os longões do fim de semana podem levar cinco ou seis horas por dia, às vezes um sábado ou domingo inteiros. São esses detalhes que tem que negociar com a família e abrir mão de passeios, por exemplo. Se tem um pedal muito longo no sábado e uma corrida no domingo, não tem jeito, fim de semana, pode me esquecer. Tenho que focar no treino, explica.
No entanto, esse período em que está completamente concentrado na prova não dura para sempre. Você não pode ficar na vida de atleta o ano inteiro. De janeiro a maio eu estou focado no Ironman, mas de junho a dezembro tento ter uma vida mais normal, brinca. A prática de exercícios e os treinos continuam, mas não com tanta intensidade.
Com a rotina familiar comprometida, Marcelo fica mais tranquilo que sua esposa ainda não se interessou em também participar da disputa. Eu até admiraria um casal com filhos que os dois treinam para o Ironman. Para você ter uma vida de Ironman, você precisa de uma Ironwife [esposa de ferro] para segurar nas outras coisas, porque é complicado, analisa.
Continue lendo na próxima página como foi o primeiro Ironman de Marcelo e quais suas expectativas para a disputa deste ano.
A primeira vez – Marcelo sempre foi adepto das corridas de rua e tinha no currículo quatro maratonas quando decidiu se arriscar no triathlon. A meta, desde o começo, era treinar um ano e meio para terminar um Ironman.
Ele conta que só tinha um problema: não sabia nadar. Tive que começar a fazer aula de natação desde o começo, do zero, com pranchinha. O esforço valeu a pena e, em seis meses, ele fez o primeiro triathlon short, de 750 metros de natação.
Para atingir seu objetivo em um ano e meio, ele sabia que era fundamental treinar com uma assessoria esportiva especializada em Ironman. É muito legal treinar com pessoas que já fizeram a prova, para se inspirar em alguém e também para pegar experiências, vivências, dicas. Fazer sozinho seria muito mais difícil, avalia.
Assistir aos vídeos da competição também ajudou o triatleta a se inspirar. A maior motivação do primeiro Ironman era cruzar a linha de chegada com a minha família, conta.
Expectativas – O primeiro Ironman era novidade, o segundo já era uma repetição e agora virou rotina, considera. Os treinos no mês da competição são mais intensos, porém com volume menor, para fazer um polimento nas modalidades.
Para chegar a Florianópolis, Marcelo tem um ritual: vai de carro na terça-feira, de São Paulo, onde mora, até Curitiba. Lá encontra alguns amigos e depois segue para a ilha.
Já na capital, faz o reconhecimento do local da prova, procedimento essencial para ele. Tem que ir lá, sentir o frio do mar em Jurerê. Mais do que a temperatura das águas, o clima em Florianópolis na semana do Ironman Brasil é motivador. A vibe é fantástica. Você vê o pessoal treinando, pedalando, você entra no clima da prova.
Marcelo aproveita a competição. Define sua meta de tempo, mas não deixa que isso estrague a viagem e nem o prazer de participar da prova.
O Ironman é uma grande festa, você não pode ir tão preocupado com tempo, tem que curtir. Para você chegar até lá, no pé da praia, você passou por tanta coisa, seja treino, seja gasto financeiro, uma série de coisas que teve que abdicar, então tem que valorizar cada momento e guardar o máximo da experiência.
Este texto foi escrito por: Fabiana Coletta