História da modalidade Cadeirantes

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 30 nov, 2001

O Desporto Paraolímpico

NR: A palavra Paraolímpiada, significa “Paralela aos Jogos Olímpicos” e não paraplégicos.

Guttmann: O idealizador

A história do desporto para pessoas portadoras de deficiência (PPD)começou na cidade de Aylesbury, Inglaterra. A pedido do governo inglês, o neurologista Ludwig Guttmann, que fugira da perseguição aos judeus na Alemanha nazista, criou o Centro Nacional de Lesionados Medulares no Hospital de Stoke Mandeville, destinado a tratar homens e mulheres do exército inglês feridos na Segunda Guerra Mundial.

Embora já se promovessem atividades esportivas para portadores de deficiência, principalmente na Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha, foi em 1948 que este conceito ganhou caráter oficial, com a realização dos Jogos de Stoke Mandeville.

Conquistando o mundo:

O próprio Dr Guttmann organizou o evento em Stoke Mandeville, que contou com a participação de 16 atletas veteranos de guerra. A realização dos jogos coincidiu com a disputa, em Londres, da XIV Olimpíada, demonstrando o desejo de seu idealizador de que um dia os portadores de deficiência tivessem a sua Olimpíada. Os métodos de Guttmann foram se expandindo pelo planeta. Médicos do mundo inteiro começaram a adotar a prática sistemática do esporte como parte essencial da reabilitação médica e social dos pacientes. Graças a essa notoriedade, em 1952, um grupo de veteranos de guerra holandeses participou da competição, que ganhou o caráter de Jogos Internacionais de Stoke Mandeville.

Sonho Olímpico:

O sonho olímpico de Guttmann viria a se concretizar em 1960, em Roma. Antonio Maglio, diretor do Centro de Lesionados Medulares de Ostia, na Itália, propôs que os Jogos Internacionais de Stoke Mandeville se realizassem naquele ano na capital italiana, imediatamente após a XVI Olimpíada e nas mesmas instalações. Os Jogos Paraolímpicos, com a denominação de Olimpíadas dos Portadores de Deficiência, reuniu 400 esportistas em cadeira de rodas, de 23 países. A competição teve todo o apoio das autoridades italianas e a própria primeira-dama, Carla Grinchi, abriu os Jogos no Estádio Olímpico de Roma. O Papa João XVIII recebeu os participantes em audiência privada e elogiou o trabalho de Guttmann, comparando-o ao criador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna: “O senhor é o Coubertin dos portadores de deficiência”disse. Em 1976, na cidade canadense de Toronto, outros grupos de portadores de deficiência aderiram. Nesse mesmo ano, a Suécia sediou pela primeira vez as Paraolimpíadas de Inverno.

O Reconhecimento:

Ainda assim, o esporte paraolímpico precisou lutar muito contra problemas administrativos de países anfitriões, sendo a competição disputada em locais alternativos ao do evento principal, entre 1968 e 1984. Somente em 1988, na cidade de Seul, chegou-se ao formato atualmente utilizado, em que as Olimpíadas e as Paraolimpíadas são praticamente o mesmo evento. Atualmente, a integração entre o esporte olímpico e paraolímpico é tão grande, que uma organização primorosa da maior festa do esporte para portadores de deficiência se transformou num item obrigatório no caderno de encargos para qualquer cidade que se candidate a sediar as Olimpíadas. Esse reconhecimento proporcionou um salto ainda maior para o esporte paraolímpico. Em Atlanta, no ano de 1996, um recorde de participação foi estabelecido, com 4.912 atletas de 104 países saltando, correndo e, acima de tudo exercendo os seus direitos. Em Sydney 2000, o número foi superado e 121 países mandaram representantes para a Austrália.

Os Jogos Paraolímpicos são o segundo maior evento do mundo perdendo apenas para as Olimpíadas.

Participação Brasileira:

Nos Jogos Paraolímpicos, os brasileiros estiveram pela primeira vez em 1972, na Alemanha. No Canadá (1976), o Brasil conseguiu as primeiras medalhas no evento: os atletas Robson Sampaio de Almeida e Luis Carlos “Curtinho” conquistaram a prata na bocha. Na Holanda (1980), a delegação brasileira foi representada apenas pelo time de basquete masculino em cadeira de rodas e um nadador, mas não subiu ao pódio. Quatro anos depois, os Jogos foram divididos em duas sedes: Aylesbury, na Inglaterra, e Nova Iorque, nos Estados Unidos. Na Inglaterra participaram somente atletas em cadeira de rodas e o Brasil conquistou 21 medalhas. Já nos Estados Unidos, os Jogos foram destinados aos paralisados cerebrais, amputados e cegos. A atleta Anaelise foi a primeira cega brasileira medalhista no atletismo, na prova de 100 metros rasos. Dos Jogos Paraolímpicos de Seul, em 1988, o Brasil trouxe 27 medalhas, sendo 4 de ouro, 10 de prata, 13 de bronze. Na classificação geral, o país foi o 25º colocado, num total de 65 participantes. Em Barcelona, quatro anos depois, 92 países tiveram representantes na competição. Os brasileiros terminaram em 30º lugar, com sete medalhas no total: 3 de ouro e 4 de bronze. Nos Jogos paraolímpicos de Atlanta, em 1996, o Brasil concorreu com 58 atletas, que garantiram 21 medalhas: 2 de ouro, 6 de prata e 13 de bronze. No geral, a delegação ficou com a 37ª posição entre os 114 países participantes.

Paraolimpiadas de Sydney 2000 – Participação inesquecível

O Brasil encerrou em Sydney uma campanha inesquecível em Jogos Paraolímpicos. A delegação brasileira conquistou 22 medalhas – seis de ouro, dez de prata e seis de bronze, terminando a competição em 24º lugar. O número de medalhas conquistadas pelo Brasil em Sydney só perde para os Jogos de 1984, que aconteceram em Nova Iorque e Stoke Mandeville (Inglaterra). Na ocasião, o país conquistou 27 medalhas, sendo sete de ouro.

Comitê ParaOlímpico Internacional

O Comitê Paraolímpico Internacional é o órgão máximo representativo do esporte para atletas portadores de deficiência. É dele a atribuição de organizar e supervisionar as principais competições de elite, como as Paraolímpiadas, Mundias e competições continentais. O esporte para pessoas portadoras de deficiência começou a se organizar em 1982, com a criação do Comitê Internacional de Organização de Esportes para Deficientes. Sete anos depois, O Comitê Paraolímpico Internacional foi fundado oficialmente na cidade de Düsseldorf, na Alemanha. O logotipo, nas cores verde, vermelho e azul, representa os três mais importantes componentes do ser Humano: MENTE, CORPO E ESPÍRITO.

Sem fins lucrativos, a entidade conta com 160 Comitês Nacionais afiliados, além de cinco Federações Internacionais. São elas: a ISRA, responsável pelos esportes para atletas com paralisia cerebral; a IBSA, que cuida dos cegos, a INAS-FMH, para portadores de deficiência mental; a ISMWSF, dos esportes em cadeira de rodas; e o ISOD a Organização Internacional de Esportes para Deficientes. Apenas o Comitê Internacional de Esportes para Surdos não é filiado, organizando suas próprias competições.

Histórico do Desporto no Brasil

No Brasil, o esporte para pessoas portadoras de deficiência nasceu em 1958, através do paraplégico Robson de Almeida Sampaio. Foi ele quem fundou, no Rio de Janeiro, o primeiro clube de esporte do gênero: O Clube do Otimismo. O gesto de Robson foi resultado da experiência vivida nos estados Unidos, onde fizera tratamento de reabilitação. O esporte para pessoas portadoras de deficiência foi crescendo. As Associações Nacionais foram sendo criadas, passando a atender as necessidades em todas as áreas de deficiência. Finalmente, em 1995 foi criado o Comitê Paraolímpico Brasileiro. No ano seguinte, a atividade ganhou dimensão e importância para a mídia e as empresas privadas. Com o apoio de patrocinadores, foram realizados os II Jogos Brasileiros Paradesportivos. O investimento também permitiu a preparação de 58 atletas que representaram o país nos X Jogos Paraolímpicos de Atlanta.

Associações Nacionais

A estrutura do esporte paraolímpico brasileiro é semelhante a do olímpico. A diferença fundamental é que as seis federações esportivas que representam os atletas nacionais foram formadas em função da deficiência e não de um esporte específico. Todos os atletas cegos, independentes da atividade escolhida, são filiados à Associação Brasileira de Desporte para Cegos (ABDC) e os surdos à Confederação de Desportos de Surdos (CBDS).

As atividades esportivas para amputados são dirigidas pela Associação Brasileira de Desporto para Amputados (ABDA), e para os que se locomovem em cadeira de rodas, a organização cabe a Associação Brasileiro de Desporto em Cadeira de Rodas (ABRADECAR).

Já a Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE) programas as competições desportivas de paralisados cerebrais e outras deficiências. As pessoas portadoras de deficiência mental, no entanto, contam com uma entidade independente: a Associação Brasileira de Desporto para Deficientes Mentais (ABDEM).

Outra importante ONG é a ADD – Associação Desportiva de Deficiente que incentiva e apoia a praticar de inúmeros esportes junto as PPD’s e que conta com a colaboração de inuméras empresas socialmente responsáveis para colocar em pratica seus projetos.

Este texto foi escrito por: Carlos Roberto de Oliveira

Redação Webrun

Ver todos os posts

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!