
Guto Antunes é iniciante na competição mas não teme o percurso (foto: Arquivo pessoal)
Guto Antunes já é um veterano em provas de triathlon, sobretudo em distâncias olímpicas. Mas desde agosto do ano passado decidiu que deveria mudar e tentar competir um Ironman, triathlon com 3,8 quilômetros de natação, 180 de ciclismo e mais 42 quilômetros de corrida.
Eu tive algumas alterações no meu treino, que eu vi que estava começando a ter algumas adaptações fisiológicas que pareciam muito de atletas de longas distâncias. Foi batendo papo com o pessoal que faz esse tipo de prova, que eu resolvi arriscar para ver como eu me sinto, para ver qual é a pegada, conta.
A intenção de Guto é continuar na modalidade. Todo triatleta da minha geração, quando entra no triathlon, já vem com essa ideia de um dia fazer o Ironman e fazer bem. Esse é o meu objetivo agora, destaca.
Por ser a primeira competição longa do atleta, acostumado a participar de provas olímpicas e meio Ironman, ele ainda não pensa em adversários ou na liderança. Guto, você vai ter que se divertir foi a primeira instrução que seu treinador lhe passou quando começou a adaptar os treinos.
Todos que estão lá tem condições de ganhar a prova no profissional. Eu vou para me divertir, fazer como um simulado de longas distâncias como eu fiz vários ao longo de seis meses, admite. Eu vou pra cima dos adversários dentro das minhas limitações. Eu não conheço a dinâmica da prova e tenho que tomar muito cuidado por causa disso, alerta Guto.
Um treinamento para triathlon olímpico e para o triathlon como Ironman é muito diferente. Na primeira, o atleta deve dar o seu máximo o tempo todo, já que cada minuto faz a diferença. No Ironman, a situação é outra: a disputa exige resistência, paciência e muito, muito treino para as oito, nove ou mais horas sem parar.
Os treinamentos, além de preparem o organismo do atleta, simulam situações psicológicas que podem acontecer. O Ironman é uma prova imprevisível, tudo pode acontecer durante as oito, nove horas. Você perde o controle de muita coisa, porque é muito tempo exposto a situações de competição. Eu tento aprender a lidar com essas situações da melhor forma, analisa.
Cheguei a fazer treinos de 200 quilômetros de bike com muito mais o intuito de ver qual fantasma iria aparecer na minha cabeça durante o percurso, ilustra. Deu para perceber um pouco o que eu vou pensar, o que se passa na cabeça quando cansa, quando você está literalmente de saco cheio da prova.
Meu objetivo é pegar esse aprendizado e levar para a disputa, garante.
Entre as modalidades, foi o ciclismo que Guto Antunes mais se dedicou nos seus treinos para melhorar o desempenho. Na natação e na corrida, o atleta manteve seu rendimento a partir da boa base que já tinha.
O ciclismo tem que estar muito afiado, porque você tem que correr 42 quilômetros depois. Então, ou você está com tudo em dia para ser econômico e rápido para chegar e fazer uma maratona inteira, ou você vai pagar o preço, enfatiza.
Para ele, a maior dificuldade que espera encontrar no próximo domingo (27/07) é a inexperiência na competição. Guto já conhece o percurso e já realizou alguns treinos por lá. Eu acho que, frente ao Circuito Mundial de Ironman, o percurso [em Florianópolis] é relativamente tranquilo, acredita.
Para completar o desafio no próximo domingo (27/05), o atleta promete ir descontraído e seguir as orientações do treinador.
Por mais que eu seja profissional e entre sempre com a cabeça de ganhar, eu sou iniciante na prova. Tem que levar isso em consideração nas nove horas que vou encarar. Tem que se divertir, senão fica muito cansativo, finaliza.
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