Carlos de Oliveira bate recorde da Maratona de Porto Alegre

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 29 maio, 2007

O maratonista cadeirante e colunista do Webrun, Carlos de Oliveira, participou da Maratona de Porto Alegre, no último domingo, e bateu o recorde da prova. Ele conta como foi essa competição. Confira!

Porto Alegre –A manhã do último domingo, 27 de maio, aconteceu a Maratona de Porto Alegre. O dia estava sem vento, com previsão de temperatura entre 6°C e 8°C graus com sol. Mas os termômetros às 6h30 da manhã já desmentiam a meu favor e marcavam 12°C. Eu estava ótimo, estava bem descansado, pois sofro o desconforto do “mal da ansiedade” e em todas as noites que antecedem uma maratona eu passo nervoso, mas ao longo do tempo fui desenvolvendo as minhas artimanhas e antídotos e realmente tinha descansado bastante.

Cheguei, estacionei o carro no entorno, próximo da largada, eram 7h e a largada dos cadeirantes seria às 7h45. Testei os pneus da cadeira, liguei o rádio do carro na Rádio Gaúcha AM, que iria retransmitir a prova, para ir me ambientando, fiz a bandagem de proteção das mãos, coloquei as tralhas, capacete, testeira, uma meia a mais, pois apesar do termômetro estar acima do esperado estava frio, o chip, a água na caramanhola e fui para a largada. Comecei a rodar fraco, juntamente com a elite do feminino que estava prestes a largar e depois dei uma “esticada” um pouco mais longe. Ouvi a largada das mulheres, rodei mais um pouco e me preparei para a largada, joguei a minha jaqueta quebra-vento para a amiga Lara que ficaria na chegada.

Notei que os outros concorrentes iriam correr de roupas de manga longa, mas pensei, daqui para frente a tendência é esquentar, bom o primeiro adversário estava anulado, alinhei e me preparei para o segundo e mais temível adversário, os 42,195m da Maratona.

Largada – O Domingos Martins, locutor da Rádio Gaúcha convocou o público a fazer uma contagem regressiva para a largada dos cadeirantes. Ele foi atendido prontamente, ficou muito bacana, emocionante. Larguei em um ritmo bom e logo tomei a ponta, sendo escoltado por três batedores de motocicleta. Fiz um ritmo forte já no início da prova, pois estou acostumado com a “tocada” de provas curtas, mantive porque estava confortável, passei os 5km para 13min50 os 10km para 27min.

Os 15km fiz em 42min e a meia maratona com 56min cravados. Foi quando pensei: eu não estou com quilometragem suficiente (os famosos fundões) e se continuar nesse ritmo vou quebrar logo e a prova estará perdida. Diminui para 2min50seg o quilômetro e mantive, quando cheguei no quilômetro 30 eu tinha no meu computador de bordo 01h27min.

Fiz uma rápida análise das minhas condições, aquele lance do esforço presumido e vi que dava para andar um pouco mais forte e tentar chegar no recorde que ainda era meu do ano de 2001, 1h57min12seg. Mandei ver cruzando a linha de chegada com 01h56min55seg.

Bater o recorde da prova sem ter se preparado especificamente para ela, me trouxe uma felicidade indescritível, pois o meu treinamento e o trabalho do professor Fernando estão dando certo. Confesso que internamente fiquei indignado, me xingando (sou perfeccionista e não perdôo os meus erros), pois cruzei a linha de chegada “muito inteiro”, sem estar extenuado, pensando que poderia ter atacado a prova antes e baixá-lo mais o meu tempo. Mas em contrapartida, entendi que quebrar o recorde da prova sem ter feito um treinamento especial foi fantástico, atestando a minha boa forma conseqüentemente o meu retorno ao time dos melhores do Brasil.

De quebra ainda igualei o recorde de vitórias na Maratona de Porto
Alegre da atleta Geni Mascarello, de quem sou amigo, admirador e fã. Sempre falo que o fato de bater um recorde, reúne uma série de fatores positivos.

Obrigado Fernando Rocha; Eduardo Bier, da Dado Bier; Pedro Fagherazzi e o Gelson da ARBS que me apoiaram. Foi assim que eu vi a Maratona de Porto Alegre em 2007.

Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira

Redação Webrun

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