Cadeirantes são exemplo na Rústica de Porto Alegre

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 05 abr, 2006

Largada da categoria cadeirantes (foto: Divulgação)
Largada da categoria cadeirantes (foto: Divulgação)

O outono é uma estação admiradíssima pelos gaúchos. A temperatura é moderada, em relação ao verão e inverno, os dois pólos do quente e frio. Começa o dia com uma temperatura baixa, o que dá uma certa preguiça ao início de dia, aquela espreguiçada e ficar um pouco mais na cama quentinha é sempre um bom convite. O sol vai aquecendo no decorrer da manhã, até atingir a sua plenitude de temperatura e luminosidade, próximo ao meio-dia.

A visibilidade nesta estação é um diferencial aqui no Sul, as cores ficam mais vivas, o céu fica mais azul, enfim. O Sul fica mais bonito e estando-se às margens do Rio Guaíba, fica mais lindo ainda.

Foi com esse cartão de visitas que Porto Alegre se apresentou, para aproximadamente 1.000 atletas que se preparavam para mais uma corrida em homenagem ao seu aniversário. Lá pelas sete da manhã, gaúchos e gaúchas, atletas, técnicos, parentes de atletas e aficionados pelo atletismo começaram o burburinho tradicional do início de corridas, próximo à Usina do Gasômetro, ponto turístico e cultual da cidade.

Muitos procuravam o seu número, delegações chegavam, outros faziam alongamentos, ficais já estavam trabalhando, assim como os policiais, promotores e técnicos que davam as últimas instruções. Ali todos tinham um só objetivo, de que a prova saísse a contento de todos. Pois não é que deu tudo certo?

9h15 e estavam lá o Prefeito de Porto Alegre José Fogaça, secretários da administração do município, autoridades e platéia, muita, além de muita gente que torcia pela largada dos atletas.

Primeiro, ao som das palmas, foi dada a largada dos corredores cadeirantes (que utilizam cadeiras de rodas para correr), sempre um diferencial de qualquer competição. Depois a prova principal, com os corredores andantes (que não precisam de implementos para auxiliá-los na caminhada) e por último a prova infantil.

Foi uma festa a largada e lá se foram os atletas para cumprirem os 10.000 metros que os separavam da chegada. Muito suor, expectativa e adrenalina presente em todos os corpos suados, de homens e mulheres que desafiaram a marca de 10km daquela prova.

O primeiro a cruzar a linha de chegada foi o atleta cadeirante Altemir, o Gringo, medalhista no último Parapanamericano, realizado em Mar del Plata na Argentina e Campeonato Mundial, realizado em setembro de 2005 no Rio de Janeiro. Era franco favorito e não decepcionou, cravando um tempo bom, levando-se em consideração de que soprava um vento sudoeste que incomodava nos primeiros cinco quilômetros, tornando a tarefa de superar os 10 quilômetros mais difíceis.

O segundo lugar ficou comigo, Carlos Oliveira, o Carlão. Cheguei 20 segundos atrás do campeão, resultado que considerei “fantástico” uma vez que voltava de uma séria lesão que me afastou por dois anos das competições. A grata surpresa foi a atleta Erinelda Silva, chegando em primeiro lugar no feminino cadeirante e em terceiro lugar no quadro geral.

Cadeirantes

1º Altemir Luis de Oliveira 27min14 (Cgdcr Poa/Rs)
2º Carlos Roberto Oliveira 27min32 (Cgdcr / Dado Bier Poa/Rs)
3º Erinelda Rodrigues Silva 35min24 (Atletcanoas/ Canoas/Rs)

Logo chegavam os primeiros corredores “andantes”, como segue o quadro abaixo:

Andantes Masculino

1º Claudir Rodrigues 30min14 (Ucs/Caixa/Ucrsm Sta Maria/Rs)
2º Tauro Susin Bonorino 30min22 (Canoas/Rs)
3º Glenio Caetano Rodrigues 30min28 (Avulso /Sto Ângelo/Rs)

Andantes Feminino

1ª Luciana da Luz 36min52 (Ucs /Santo Ângelo/Rs)
2ª Elenir S. da Silva 37min34 (Ulbra – Brasil Telecon Poa/Rs)
3ª Maria Elaine Milan Machado 38min20 (Ulbra Poa/Rs)

E foi assim que todos homenagearam o aniversário da “Mui Leal e Valorosa” Cidade de Porto Alegre. Esta prova tem como diferencial, ser a única prova no Brasil que paga aos primeiros colocados na categoria masculino e feminino cadeirantes o mesmo valor em dinheiro dos andantes. Uma conquista dos atletas cadeirantes da cidade, que em conjunto com o poder público, fazem deste diferencial um motivo de orgulho e de referência para outros organizadores de provas no Brasil.

Nota do consultor – O que os corredores cadeirantes querem, não é serem a atração principal das corridas, mas sim que se dê um tratamento digno a eles. Quem dera se todos os organizadores de prova tivessem um mínimo de sensibilidade, como tem sido ao longo dos anos em Porto Alegre, iniciando com a Professora Rejane Pena Rodrigues, ex-secretária municipal de esportes e agora sucedida pelo Sr. João Bosco Vaz, à frente da secretaria, ferrenho incentivador do esporte no Rio Grande do Sul, pudessem entender que a cadeira de rodas não é algo “opcional” e sim “fundamental” para a participação desta gama de atletas em corridas. A cadeira de rodas nada mais é do que a extensão do corpo dos atletas cadeirantes, as “pernas” e que é desta forma a única maneira que os atletas tem de mostrarem o seu potencial e a sua competência.

Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira

Redação Webrun

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