
Michel Bögli comenta sobre o Race Across America (foto: Harry Thomas Jr./ Webrun)
O brasileiro Michel Bögli, diretor da assessoria esportiva Starkfit, já participou de diversas competições esportivas ao longo da sua vida. Porém a mais marcante foi a tradicional competição de ciclismo Race Across America (Raam), considerada a prova de endurece mais difícil do mundo. Esse ano o evento está na sua 25ª edição e começa no próximo domingo nos Estados Unidos.
No Raam os participantes devem cruzar o país de ponta a ponta. São dias de prova e todos enfrentam condições adversas como chuva, frio, calor, altitude entre outros.
Bögli já enfrentou a dura prova por cinco vezes e conta como é a competição. Só de responder as perguntas do Webrun, ele confessa que ficou com vontade de enfrentar tudo de novo.
Webrun – Quais são os trechos mais difíceis do Race Across America?
Michel Bögli – O deserto (Mojave, na Califórnia), sempre, e claro as 15 horas finais da prova. O cansaço e o sono vão dominando o psicológico e aí que o bicho pega. Ao mesmo tempo, que falta pouco em relação ao total, ainda assim 800 ou 500km são uma eternidade.
Webrun – E os mais tranqüilos?
Michel Bögli – Pessoalmente gosto bastante do meio da prova, no estado do Colorado tenho lembranças muito agradáveis tanto pelo clima ameno, como pela condição física. Você já superou as dificuldades de adaptação iniciais e seu corpo ainda não está em frangalhos.
Em 2004, com a equipe Extra Distance, a prova terminou em Atlantic City. Nos dois últimos dias atravessando os estados de Ohio, West Virginia e Pensilvânia tive ótimos momentos apesar das subidas.
WR – Para participar da prova, cada equipe precisa ter o seu apoio. Do que consiste esse apoio?
MB – De toda a infra-estrutura que você precisará para enfrentar dias e mais dias pedalando. Alimentação, mecânico para as bicicletas, massagista e bons navegadores para te levar até a chegada, já que o caminho é fornecido através de planilhas e mapas. Você deve levar praticamente uma casa, com tudo o que você julgar necessário. Aí o orçamento da equipe faz a diferença.
WR – Como deve ser a alimentação do atleta que participa de provas como essa?
MB – Como são vários dias e não longas horas, você deve se preocupar em ingerir os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo (fontes de energia, vitaminas e minerais). Porém deve-se respeitar bastante o paladar e a vontade de cada atleta. Se você estiver com vontade de comer sanduíche de salame, coma! Só não pode esquecer de se hidratar muito. Aliás, minha experiência pessoal é que sempre utilizei os líquidos para me alimentar e não somente hidratar. Desta forma perde-se pouco peso e garante-se um bom nível de energia pelos sete dias.
WR – Qual é a sensação de completar o Raam?
MB – Sem dúvida foi a minha melhor experiência esportiva. Mesmo depois de centenas de triathlons, maratonas, corridas de aventura, Ironman no Havaí e Extra Distance, posso dizer que para mim nada se comparou aos Raam, principalmente os dois primeiros, em 1994 e 1995.
É um evento mágico para ciclistas amadores. A atmosfera simplista, o bando de loucos que compõem a família Raam, as paisagens e principalmente a viagem pessoal que o Raam te leva. É inesquecível. Vale a pena e sempre que puder voltarei, aliás, só de falar sobre já está me dando vontade de estar lá novamente no ano que vem.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa