Blog 1kdecada: Race Report ou “vocês sabem o quanto eu caminhei pra chegar até aqui”

1kdecada | Maratona · 14 jun, 2023

Olá queridos leitores. Como uma boa instagramer que acredita que tudo que é legal o pessoal da internet vai querer ver. Vocês provavelmente já estão sabendo que eu sou a mais nova maratonista do pedaço, não é mesmo?

Mas para evitar o papo que já está repetitivo nas minhas redes sociais, venho aqui contar alguns dos bastidores deste pequeno-grande feito que foi correr durante 42.195 (na verdade um pouco mais do que o momento do feito e também uma quilometragem maior).

Como vocês acompanharam, eu não aguentava mais de ansiedade a chegada do dia 11 de junho. Afinal, além da chegada das tão esperadas festas juninas (risos), estava o final do meu ciclo de treinos para a maratona.

Cheguei ao Rio de Janeiro na manhã do dia 8 de junho e acho que não acabei comentando muito por aqui, mas este desafio foi em parceria com a minha amiga Amanda Preto, que mais tarde mudou sua inscrição para os 21k. Ela me esperava no apto, sem o namorado que ia antes, então fui com o meu namorado e minha mãe tb, no lugar do respectivo dela. Chegando lá, a Amandinha ardia em febre, passava muito mal e nós nem imaginávamos o que poderia ser. 

Achamos que era cansaço, depois intoxicação alimentar. Compramos remédios e deixamos ela repousando. Logo fui buscar meu kit, mas durante esta ida ela piorou muito e tivemos que levá-la para o hospital. O diagnóstico assustou: pneumonia. Ela estava muito ruim e comprometida. Ficamos o resto do dia e a noite no hospital e a Amandinha precisou ficar internada no CTI.

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Eu fui a responsável por assinar toda a documentação, acompanhar a internação e falar com a médica. Nunca na vida tinha feito algo desse tamanho sozinha. Assim como uma maratona.

A vida é cheia de primeiras vezes, né?

Já um pouco melhor fui me despedir da minha amiga no CTI e tive sensações muito ruins. Há cinco anos atrás minha mãe passou por um câncer agressivo e visitei por diversas vezes locais como aquele. O medo voltou com força. 

Não entendi e perguntava pra Deus porque eu estava passando por aquilo em um momento que poderia ser apenas pleno e feliz.

Meu namorado me disse algo importante: “nem tudo é sobre você”, para que entendesse que algumas coisas acontecem independentemente das nossas ações.

Eu concordo em partes, mas acredito que de toda ação, podemos tirar algo relacionado a nossa história. Doeu em mim, sabe? Mas durante as dificuldades da maratona me lembrei daquelas pessoas que clamavam por saúde e agradeci. Muito.

Os dias seguiram, a Amanda foi melhorando e o foco voltou para os 42km.
Tudo pronto. Roupas ajustadas, brilhos no número de peito. Lágrimas de ansiedade.

Parti.
Era eu e tudo que fiz até ali.

Race Report ou “vocês sabem o quanto eu caminhei pra chegar até aqui”.

Não achei a maratona algo absurdamente difícil, mas depois de muitos anos entrevistando corredores dos 42km consegui finalmente entender a sensação. O prazer, a dor, a satisfação, o sonho que foi plantado e estava sendo colhido.

Sim, eu já havia corrido 42km em Noronha, mas em um formato completamente diferente. Não me preparei. Fluiu. E sim, isso faz muita, mas muuuuita diferença.

Cada passo, olhar ao nascer do sol, água tomada, corredor reclamão, troca de olhares cúmplices com outros atletas, ultrapassagens, respiração falha. Senti um misto de sentimentos e parece que só agora, escrevendo esse texto tenho noção de que fiz isso.

Acho que faltava escrever para encerrar o ciclo.

Eu percorri a distância dos apaixonados por desafios. Nunca imaginei que conseguiria, mas nunca descartei a possibilidade. Hoje me sinto mais completa, como pessoa, profissional e escritora destes pequenos textos.

Sei a verdade que permeia o coração de um maratonista.
Sei que somos malucos, mas completamente conscientes.
Agradeço a Deus a oportunidade de ter saúde para mover cada músculo do meu corpo em busca deste feito.

Agradeço também a vocês que estiveram comigo nesta jornada.

Confesso que em alguns momentos da preparação achei que o dia de escrever este texto nunca chegaria. Que desistiria no meio. Hoje sei que não poderia, não seria eu.

Esta sou eu.

Chris Volpe, maratonista.

Race Report ou “vocês sabem o quanto eu caminhei pra chegar até aqui”.

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Chris Volpe é santista, triatleta, corredora e faladeira - não necessariamente nessa ordem: "Se pudesse faria todos os esportes ao mesmo tempo, enquanto isso não é possível vou fazendo um de cada vez". Passou por veículos como Webrun, Sua Corrida e WRun, além de participar e cobrir de diversos eventos do mundo running. No Instagram: @volpechriss